27 ago Educação Financeira Finanças Pessoais

Livros de Finanças Pessoais e Educação Financeira

Quem passou pela Bienal do Livro, realizada este mês em São Paulo, além de aproveitar o maior evento literário da América Latina, teve a chance de perceber e vivenciar um fenômeno interessante: as prateleiras e editoras estão repletas de livros e lançamentos que tratam de dinheiro e educação financeira. De acordo com levantamento informal em […]

por Ricardo Pereira
há 6 anos

Livros de Finanças Pessoais e Educação FinanceiraQuem passou pela Bienal do Livro, realizada este mês em São Paulo, além de aproveitar o maior evento literário da América Latina, teve a chance de perceber e vivenciar um fenômeno interessante: as prateleiras e editoras estão repletas de livros e lançamentos que tratam de dinheiro e educação financeira[bb]. De acordo com levantamento informal em algumas livrarias, 4 livros de educação financeira e finanças pessoais aparecem entre os 10 livros mais vendidos do Brasil.

A realidade é interessante: o brasileiro começa a perceber as vantagens da educação financeira, agora mais sobre o aspecto prático. Fica claro, talvez de forma definitiva, que os bem informados financeiramente chegam mais longe que aqueles que possuem apenas “grandes” salários.

A grande demanda por esse tipo de literatura encontrou uma brecha na falta de cursos e na preparação incipiente da grade escolar habitual. Afinal, muitos avanços em diversas áreas só começaram a se tornar perceptíveis quando passaram a fazer parte da agenda acadêmica. Mas, então, o que as pessoas procuram ou esperam encontrar nestes livros? Talvez a pergunta correta seja: o que elas precisam encontrar na literatura de finanças pessoais[bb]?

Sem dúvida, o mais difícil atualmente parece ser a tarefa de encontrar conteúdo confiável em um universo cada vez maior de obras e editoras. Passada a barreira inicial, o desafio consiste em transportar as idéias e ferramentas propostas pelo autor para o dinamismo da vida real. Para facilitar, eu tenho o hábito de fazer da leitura um método de estudo e aplicação do conhecimento. Faço anotações no livro, em papel rascunho e principalmente converso muito sobre cada obra com amigos.

Vou além: quando discordo do autor, ou quando algum ponto não fica totalmente claro, envio e-mail, carta ou faço o que for preciso para entrar em contato com o autor e debater a questão. Tenha certeza que a leitura desinteressada ou apática não servirá em nada, só desperdiçará seu valioso tempo.

O brasileiro começa agora a dar os primeiros passos em busca do sucesso financeiro.
A estabilidade monetária contribuiu bastante, motivando e encorajando as pessoas no sentido de trazer de volta a confiança no futuro das empresas e, por que não, do próprio país e da família. Independência financeira[bb] é, mais do que nunca, um sonho.

Entretanto, algo me incomoda no cenário que pintamos em dourado: a expectativa infantil e frágil de querer enriquecer do dia para a noite, de uma hora para outra. Ouso dizer que, em muitos casos, a busca pelo milhão passou a ser obsessiva, não inteligente.

Antes de enriquecer, é preciso saber (conseguir) poupar. A grande dificuldade do brasileiro é ainda chegar ao fim do mês com saldo positivo na conta corrente. O assunto é sério e, como gosto de frisar, o melhor para o país seria abordar o tema logo no inicio da vida das pessoas, na escola, e em freqüentes contatos com pais de alunos.

O importante é vislumbrar que, algum tempo depois de conhecerem e praticarem o planejamento financeiro e as ferramentas de orçamento, as pessoas comecem a investir mais e melhor em seu futuro. Esta outra etapa – a melhor de todas – exige ainda mais comprometimento.

Não basta encontrar um investimento e acreditar que ele é o melhor, o único.
É preciso construir objetivos de vida, afinal não existe razão para poupar, investir e enriquecer quando não existem motivos sólidos capazes de nos motivar. Quem não conhece alguém que ainda acredita que caderneta de poupança é o melhor investimento que existe?

Depois de ler, mas antes de acreditar piamente em alguma informação, pare, pense e crie o hábito de anotar os principais pontos da obra. Divulgue as idéias encontradas e alimente um saudável debate quando não concordar com algo. Só assim, você, leitor, transformará a leitura em conhecimento e encontrará meios de separar o que é bom, do que é dispensável.

Desde o inicio do Dinheirama, o Navarro nos brindou com resenhas que despertaram o interesse da leitura em muitos. No fórum Sociedade Dinheirama, um dos tópicos que mais possuem postagens trata de indicações de livros. Aqui, já percebíamos e alimentávamos a demanda crescente pelo assunto. Ora, informar com qualidade é a razão do próprio blog existir.

Saber ler é mais do que conhecer as letras e as palavras, é entender, interpretar, assimilar, compartilhar e, principalmente, ter vontade de colocar em prática. Se você tem um livro que já leu, e gostou, empreste-o hoje mesmo para alguém, recomende-o. Você pode ser um dos responsáveis pelas mudanças na vida de outra pessoa. Divulgue esta idéia. Até sexta.

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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • ander

    O que precisam encontrar na leitura?

    Precisam encontrar simulações realistas, não ilusórias como as do Cerbasi.
    Precisa permitir o diálogo com os leitores, e não bloquear ou ignorar as questões discursivas.
    Precisa encontrar sugestões e não divagações.
    Precisamos fortalecer e ensinar adm financeira para os pequenos pois depois de grande não adianta, a pessoa não vai mudar, pode se policiar por até um ano mas se não tiver uma boa base cairá na tentação.
    Precisa de sugestões, indicações de aplicação, não simplesmente jogar no ar “… existem aplicações de baixo risco que vão lhe render líquido 1% a.m…” Ok o papel aceita tudo, agora mostre aonde existe isso?

    Parece loucura, mas deveria existir adm financeira em contos de fadas, já imaginaram? “Os 7 anões pouparam de suas escavações 1 pedra de cada 10 que encontravam, sem conhecimento aplicaram no fundo bruxa que prometia enorme rentabilidade, ao final do ano perceberam que a rentabilidade foi menor que a poupança e estavam cada vez mais longe de conquistar a independência financeira” hehehe

    Abs a todos

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    Bom dia Ander, como vai?

    Excelente a sua contribuição, principalmente quando diz sobre a Educação Financeira às crianças, aqui no Dinheirama acreditamos piamente nesse ponto.

    Acho importante o seu ponto de vista com relação à alguns autores e respeito sua opinião. Entretanto, quando citou as simulações do Cerbasi, como ilusórias tenho que discordar.

    Nos seus livros o Cerbasi busca um público com conhecimentos iniciais de Finanças Pessoais, isto é, para quem já tem um certa bagagem como acredito ser o seu caso, talvez pareça que falta algo, o que lhe motiva a ir atrás de exemplos e situações mais práticas e com equações mais complexas.

    Entretanto a grande maioria da população só agora começa a se interessar pelo assunto, e ao ler um livro como ” Casais Inteligentes…” passam a acreditar que sim é possível conseguir chegar longe com o mínimo de esforço e inteligência financeira. O próprio Cerbasi deixa claro que essa literatura é apenas o pontapé inicial, devendo após a leitura do livro ocorrer um aprofundamento no tema com cursos e outras leituras.

    Já quanto as simulações propostas nos livros, são oriundas da matemática financeira, nada mais que a aplicação dos juros compostos. Cabendo o sucesso nos exemplos para a vida real de esforço de cada um.

    Esperto que entenda a colocação e a forma de analisar seu comentário, que foi realmente muito importante.

    Sinta-se a vontade para contrapor meu pensamento.

    Muito obrigado e forte abraço.

  • ander

    Legal Ricardo
    Pelo que eu entendi, o Cerbasi formulou um cenário otimista em seu livro, com a finalidade de fazer as pessoas abrirem seus olhos e buscarem maiores informações sobre o assunto, a intenção é boa, só que mesmo assim não concordo pois quando a pessoa que leu o livro for buscar no mercado essas aplicações de 1% líquido não irá encontrar, como aplicações em CDB, e irá perceber que não é o “paraíso da lucratividade” como descrito no livro, podendo até se desestimular, posso estar errado mas essa é a visão que tive ao ler os livros.

  • http://www.overallinvest.com.br André Fogaça

    Olá Ricardo,

    Parabéns pelo texto!
    Infelizmente o nosso país ainda é muito fraco em educação financeira. Aí que está o grande desafio de todos nós, ajudar a disseminar essa cultura, que sabemos o quanto é importante para o indivíduo e consequentemente para a economia do país como um todo.

    Grande abraço,

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  • Donattelo

    Acredito que, para quem está querendo aprender sobre finanças, o clássico “Pai Rico, Pai Pobre” é um ótimo começo.
    Uma leitura fácil, bem leve e com exemplos reais e práticos para se atingir a independência financeira. Ainda tenho muito o que fazer, mas posso dizer que dei meus primeiros passos após ler esse livro.
    Assim como o Ricardo escreveu, sinto falta dessa troca de informação, de debater com alguém os pontos positivos e negativos de cada leitura, principalmente pelo fato de que poucas pessoas tem interesse nesse assunto.
    Acho até que seria interessante criar um tópico para discutirmos sobre cada um dos melhores livros dessa área.

    Abraço a todos.

  • Janaina Xavier

    Oi Ricardo! Outro dia também li um livro bacana direcionado às mulheres. O nome é “O que as mulheres querem saber sobre finanças pessoais” e o autor chama Humberto Veiga. É bem legal, ele responde várias perguntas e nos ajuda a dar os primeiros passos no mundo dos investimentos. Parabén pelo blog, viu? A linguagem tá simples e você tá abordando assuntos bem interessantes. Abs!