As mulheres e as 100 melhores empresas para trabalhar
Publicado por Mariana Prates em 28.08.2008 na seção Mulher
Hoje não vou falar sobre o nosso tema central, as finanças pessoais, mas sim sobre a principal forma – pelo menos da grande maioria – de atingir a independência financeira: o trabalho. A revista Época desta semana (ed. 536 – 25/08/2008) divulgou o resultado da famosa pesquisa “As 100 melhores empresas para trabalhar 2008-2009”, realizada anualmente pelo Great Place to Work Institute (GPTW).
Para quem não conhece, a pesquisa consiste em um questionário composto de 57 perguntas que resume os melhores métodos de gestão de pessoas. Para participar da pesquisa, as empresas devem ter mais de 100 funcionários e ao menos 3 anos de vida.
A metodologia da pesquisa é a seguinte: primeiramente os funcionários quantificam sua satisfação quanto à gestão de seus chefes, políticas da empresa e relação com os colegas de equipe. Posteriormente, os consultores da GPTW estudam as políticas de recursos humanos de cada empresa. A nota é o resultado de ambas as avaliações.
Se você está interessado em conhecer a lista dos campeões e as particularidades da pesquisa, acesse a página da pesquisa na internet (clique aqui). Como não podia deixar de ser, me interessei em saber o que as melhores empresas têm de diferencial para as mulheres. A conclusão é bastante animadora! Para começar, desde 2002 já somos a metade do quadro funcional das empresas.
E, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego realizada pelo IBGE, nós somos a maioria da população em idade ativa (com 10 anos ou mais): 53,7%. Por este motivo, ações foram tomadas para garantir melhores condições de trabalho e chances iguais às dos homens. Dada esta conjuntura, para ser uma das melhores empresas para se trabalhar, as empresas participantes deveriam ter o mesmo percentual de chefes homens e mulheres – o que demonstra que não existem empecilhos para promoções.
O Laboratório Sabin, empresa campeã, oferece auxílio-enxoval e bônus mensal até os filhos completarem 1 ano. Além disso, construiu um programa de desenvolvimento de liderança feminina, onde as mulheres que se destacam na avaliação de performance anual participam ativamente, contribuindo para a formação contínua de mulheres em cargos de grande responsabilidade.
Ações como essas são bastante valiosas, pois permitem aliar as necessidades femininas ao crescimento da empresa. São importantes porque não intimidam as mulheres a abdicarem de seus sonhos – como filhos, por exemplo –, ao mesmo tempo em que absorvem características comuns a elas, como espírito de equipe, coragem e determinação.
Há muito que se fazer, já que é perfeitamente visível que, no patamar “chefia”, estamos bastante competitivas, porém somos a minoria nos cargos de liderança. Veja bem, a intenção aqui não protestar e/ou criticar a situação atual, e sim alertar as mais interessadas: nós mesmas. A verdade é que estudamos mais, porém ainda ganhamos menos.
Entretanto, não adianta somente as empresas fazerem sua parte. Sim, falta bastante coisa, mas se não houver um acompanhamento - um feedback das funcionárias para o RH das empresas, por exemplo - novidades não serão lançadas. Precisamos participar mais das atividades disponíveis.
Ora, vale a pena sair alguns minutos da sua mesa de trabalho para assistir uma palestra ou fazer um curso extra-curricular. Além do benefício do aprendizado – seja ele qual for –, conhecemos pessoas novas (os famosos “contatos” e o networking, essenciais) e podemos trocar experiências. O importante é “vestir a camisa” da empresa: se ela não crescer, dificilmente seu salário vai subir.
E a sua independência financeira? Vai acontecer quando, se você não mudar a sua atitude?
——
Mariana Prates é economista pela PUC-SP e pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV. Trabalha em precificação de Empréstimo em Folha e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.
Crédito da foto para stock.xchng.
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7 comentários
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Oi amiga!
Pra variar, sempre postando sobre assuntos atuais e com conteúdo excelente!!!
Como te falei ontem, tenho orgulho de ter uma amiga “pensante”.
O que você escreveu hoje sobre a atitude corporativa é exatamente o que estávamos conversando ontem no almoço. Vale muito a pena fazer qualquer coisa positiva por nossa carreira e buscar o quanto antes a independência financeira. Desta forma podemos elevar a economia e ajudar nosso país a se desenvolver. Além de atingirmos, cada vez mais cedo a tão sonhada “realização profissional”.
Beijos,
Dani
Chances iguais. Tá. Só que eu conheço somente mulheres aposentadas por depressão e por qualquer coisa só vocês conseguem auxílio-doença, a lei Maria da Penha acaba com qualquer casamento, e, pelo menos aqui no Brasil, quem vai pras frentes de batalhas são os homens. Que tal direitos iguais pra nós, também?
“A lei Maria da Penha acaba com qualquer casamento…”
Aff, q sem noção!
Issu eh pra gete rir ou chorar?!!!!
Se a intenção era te graça num funciono mtu bem num…
Bom dia,
Gostaria de dizer que o comentário do João Santos tem certo fundamento. Concordo em parte. O ideal seria um equilíbrio das coisas, ou seja, cada macaco no seu galho. Sendo que, o principal foco, deveria ser a observação das competências de cada individuo, e não sermos obrigados a engolir um profissional mediocre só porque é o “politicamente correto” a se fazer. Ou para cumprir cotas como em alguns casos. Diferenças existem, e ainda bem que é assim. Forçar a barra, como se tem feito, vai transformar um desejo em impossição. Isso não pode ser bom. Quem é racional é racional e quem é sentimental é sentimental. Não existem campeãs de xadrez em campeonatos mistos, e, ao mesmo tempo, não existem campeões em alguma atividade exclusivamente feminina.
Ou será que o Criador estava errado quando criou o Homen e a Mulher?
Adilson, muito bem colocado!
Também concordo que direitos iguais não significa algumas regalias para uns e não para outros. Mas seguindo esse raciocínio eu não entendo porque homens, seja em qualquer setor ou área, ainda ganhem mais que mulheres. Não deveria ser igual?
Lógico que mulheres e homens possuem APTIDÕES diferentes para determinadas coisas ,o que não sigifica que homens não possam fazer o que mulheres fazem e vice-versa.
Sem contar que não da pra ser 100% racional ou 100% sentimental, a sociedade precisa das duas coisas pra funcionar de forma equilibrada.
PS: “A lei Maria da Penha acaba com qualquer casamento” ainda não tem graça!
Dayane,
Concordo! Apesar das conquistas de todos - homens e mulheres - as mulheres ainda ganham menos. Ou a questão “direitos iguais” está errada ou ainda não é 100% verdade que hoje eles realmente são iguais.
Conheço mulheres que são pressionadas pelos chefes para não engravidarem, com relatos até que eles sabiam o ciclo delas. Totalmente absurdo!
Por isso eu falo sobre a mudança de perfil feminino. Se nós não mudarmos, ainda vamos ser tratadas com submissão, o que infelizmente ainda acontece.
O mundo precisa entender que homens e mulheres são iguais, e se juntarmos com mais inteligência as características de cada um, tudo fluirá mais facilmente.
Olá Mariana, como vai? Mais uma vez você arrebenta com um artigo. Parabéns.
Poxa vida que assunto delicado, não é? Mas no meu ponto de vista a polêmica que existe em torno de homens e mulheres será eterna, até porque ninguém é igual. Todos somos únicos e diferentes (Graças a Deus). O X da questão é que mesmo diferentes, todos devemos ter os mesmos direitos, isso sim. Melhor, todos devemos ter as mesmas oportunidades, independe de credo, cor, sexo e por aí vai.
Muito importante para nós sua participação e seu ponto de vista no Dinheirama.
Até a próxima.