EUA rejeitam pacote anti-crise. O capitalismo balança!
Publicado por Conrado Navarro em 30.9.2008 na seção Economia Geral, Internet
228 a 205. O placar representa uma segunda-feira muito tensa no mercado financeiro. A maioria dos congressistas norte-americanos rejeitou o plano de salvação de US$ 700 bilhões - conhecido lá fora por Bailout - proposto por Henry Paulson e Ben Bernanke, que não desistiram. “Este plano é muito importante, não podemos simplesmente deixá-lo falhar” bradou Paulson enquanto os mercados de todo o mundo derretiam - e derreteram mesmo.
Por aqui, o Índice Bovespa balançou com força. Ontem, o famoso instrumento conhecido como circuit breaker, que congela as negociações na bolsa brasileira por 30 minutos quando índice atinge queda de mais de 10%, entrou em ação. O saldo da segunda-feira é uma queda de 9,36% no Ibovespa, um dos piores resultados desde os atentados de 11 de setembro e do Plano Real. Para se ter uma idéia do pânico, lá fora as ações do banco Wachovia fecharam em baixa de impressionantes 81,6%.
Foram tantas ligações de clientes e amigos que vi minha bateria do celular acabar duas vezes, só ontem. Pois é, as perguntas quase sempre eram: e agora, como fica o mercado? O que o Fed e o Tesouro farão para conter a crise? Ninguém sabe. A semana, marcada por um feriado hoje nos EUA e por uma nova tentativa de “passar” o plano no Congresso (provavelmente na quinta-feira), promete mais volatilidade e emoções fortes.




Renato comenta: “Navarro, estou um pouco confuso. Sou acionista da Sadia, recebi um comunicado deles explicando um pouco sobre o prejuízo de R$ 760 milhões, mas fiquei curioso para entender melhor o que exatamente aconteceu. Entendi que foram operações relacionadas ao dólar, ao câmbio, mas sua didática se faz essencial para que possamos, eu e seus demais leitores, compreender a razão real do prejuízo. Pelo que li, tudo tem a ver com operações no mercado futuro. É isso? Obrigado.”
Hoje faz uma semana que o governo americano apresentou ao mundo seu plano mirabolante para tentar recuperar o sistema financeiro americano e tentar colocar o mundo de volta em um ambiente um pouco mais tranqüilo e previsível. Ora, que o governo americano precisa intervir para resgatar a credibilidade do sistema, é fato, mas será que o plano proposto irá funcionar? Como ficam os contribuintes americanos com tamanha responsabilidade? Planos deste tipo costumam funcionar?
Há algumas semanas, recebi a sugestão de escrever sobre passeios a dois, em especial aqueles mais românticos. Adorei a idéia e acho a hora bastante apropriada. Explico: na semana passada, completei um ano de casada e, como não podia deixar de ser, estava sonhando com presente e uma comemoração à altura. Muitas opções passaram pela minha cabeça, além das muitas dicas que também recebi. Mas, ao pesquisar, fiquei um tanto quanto indignada com os valores.
Enquanto os países mais desenvolvidos, capitaneados principalmente pelos Estados Unidos, enfrentam uma das piores crises financeiras da sua história, o Brasil continua a apresentar resultados econômicos importantes e sólidos, como a divulgação do crescimento consistente do PIB e a expectativa de crescimento para este ano – que, ao que tudo indica, deve ficar acima dos 5%. É verdade que o crédito ficará mais caro, mas a preocupação que ronda a cabeça do brasileiro é outra: temos chance de viver uma crise semelhante por aqui?
















