Consciência financeira, matemática e o casamento
Publicado por Ricardo Pereira em 03.09.2008 na seção Finanças Pessoais, Imóveis
A saúde financeira da família é o termômetro definitivo quando se pensa no futuro e as aventuras que ele nos reserva. Felicidade não tem preço - isso é uma verdade absoluta e indiscutível -, mas ter uma expectativa mínima de sucesso e viver um futuro pleno são questões intimamente ligadas ao desejo de bem estar. E isso envolve dinheiro.
Erros e acertos
A maneira como somos educados hoje propõe, infelizmente, que só muito tarde tenhamos consciência da utilidade do dinheiro. Normalmente, nessa fase (entre 15 e 18 anos) já ocorrem os primeiros grandes erros financeiros que podem nos acompanhar por boa parte da vida. Alguns por falta de bons exemplos e exercício prévio.
Pois bem, já falamos anteriormente que decisões tomadas em momentos de grande emoção podem representar insucessos e perdas consideráveis. Essa máxima pode ser levada adiante em diversos momentos, desde os preparativos para o inicio de uma vida a dois, por exemplo, até a fase da transição do namoro para o casamento.
Um bom exemplo de falta de planejamento e conhecimento financeiro surge de um velho conceito de que o casal precisa de um imóvel próprio para iniciar uma vida. A partir daí, verdadeiras loucuras financeiras são realizadas. Será que começar uma vida com um comprometimento financeiro de 10, 20 ou até 30 anos é algo saudável e inteligente?
“Mas o aluguel é um dinheiro que não será recuperado e a casa própria pode se valorizar, alem de ser um bem da família”. Ah sim, isso é o que normalmente ouvimos aqui e ali. E não deixam de ser afirmações significativas e emblemáticas, mas quando o assunto são as finanças pessoais devemos aprender a enxergar algumas variáveis “fora da caixa”.
Hoje em dia, um imóvel padrão de 3 quartos (o mais procurado em São Paulo e outras cidades) gira em torno de R$ 110 mil - um pouco mais ou menos dependendo da área. Tendo como base um exemplo matemático para um financiamento de 20 anos, as parcelas mensais para esse mesmo imóvel de R$ 110 mil ficarão por não menos de R$ 1.211,00 (levando-se em conta o financiamento total do imóvel).
Como referência, o valor base de um aluguel gira em torno de 0,8% do valor do imóvel. No nosso exemplo, isso significa alugar o imóvel por cerca de R$ 880,00. Ora, se a diferença entre o valor da parcela do financiamento e o valor do aluguel, R$ 331,00, for aplicada a juros de poupança durante os mesmos 20 anos, o valor final seria quase R$ 177 mil.
Este valor final, se aplicado na caderneta de poupança, com apenas com 0,5% de rentabilidade mensal, é capaz de garantir um rendimento mensal de R$ 883,37, suficiente para o pagamento do aluguel de uma casa de padrão semelhante à que se usa no exemplo. O valor do financiamento, com pagamento mensal de R$ 1.211,00 durante 20 anos, chegaria a perturbadores R$ 290.640,00.
Sem verdades absolutas
O exemplo faz uso da matemática financeira básica e parte de premissas simples. Assim, três coisas importantes merecem destaque, para que ninguém fique com a impressão, incorreta, de que alugar é sempre a melhor alternativa. O importante é aprender a pensar:
1. No cálculo não foram usadas correções monetárias decorrentes da inflação. Sabe-se que o valor do aluguel e o poder de compra sofrem com a inflação, o que mudaria um pouco o cenário do valor do aluguel e do financiamento. Por outro lado, é comum que os reajustes salariais também aconteçam anualmente.
Optei por manter o cálculo simples, sem inflação, com objetivos puramente didáticos. O raciocínio e a consciência financeira por trás do cálculo são mais importantes que a conta em si.
2. Quando se fala em compra de imóvel, deve-se levar em conta o chamado ganho de capital, que é a variável representada pela valorização (ou desvalorização) do bem. Se o imóvel tem valorização anual positiva em seu valor, o ganho de capital trará ótimos resultados em termos de patrimônio, mesmo que o imóvel seja financiado.
No entanto, comprar um bom imóvel e ter a certeza de que ele se valorizará não é uma tarefa simples. Por isso o artigo trabalha a tese de que, para casais em começo de vida, o ideal é alugar e então passar a analisar melhor a situação e planejar-se de forma conjunta.
3. Um bom valor para dar como entrada, reduzindo o valor do principal financiado, pode ser o melhor negócio. Daí a importância de começar devagar e analisar bem antes de assinar qualquer contrato. Se necessário, peçam ajuda!
Este artigo tenta ilustrar um dos exemplos mais práticos de quanto más escolhas podem atrapalhar o desenvolvimento de uma relação. Uma decisão apressada e tomada apenas com base em pressões sociais pode levar o casal a passar por sérios problemas financeiros, desnecessariamente.
Por mais que resista e prospere no inicio de um relacionamento, o amor não resiste à falta de perspectivas. Entrar em maus negócios sem raciocinar implica muitas vezes viver uma vida de gastos estritamente necessários (alimentação, saúde, transporte e moradia) sem espaço para o prazer e a diversão.
Lembre-se que quando vocês dois se conheceram, o relacionamento era muito mais de sonhar do que sobreviver. Manter esta chama acesa significa dar atenção ao dinheiro e encará-lo com seriedade e disciplina. É preciso aprender a discutir as alternativas, e não apenas aceitá-las.
O amor pode não acabar, mas o dinheiro às vezes desaparece…
Então, as brigas passam a ser constantes, ladeadas por desavenças ligadas a bens de consumo, carros e gastos desnecessários. É porque o marido comprou um DVD novo e não havia dinheiro para isso, é porque a esposa gastou um pouco mais no salão de beleza ou comprou um sapato novo.
Quer ver só: chegou o aniversário de casamento e nem mesmo um simples presente foi dado? Será que o amor acabou? Arrisco-me a dizer que não, mas se não foram tomadas atitudes inteligentes desde o começo, é essa a impressão que perdurará. Dinheiro é coisa séria.
Essas são as armadilhas do mundo capitalista. Infelizmente. Ou será felizmente, já que está em nossas mãos o poder para mudar de atitude? Quem não se enquadrar, correrá riscos e mais riscos de encontrar uma jornada mais difícil em sua vida. Por opção.
Ah, sim, existem muitas escolhas boas e ruins. Nem sempre é possível acertar 100% das vezes. Não teria graça. O ideal é manter sempre aberto o diálogo e manter o planejamento feito e em dia. A expectativa de vida cada vez maior exige que tratemos melhor nossa saúde física, mas também requer cuidados intensos com a saúde financeira. Até sexta.
——
Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
▪ Quem é Ricardo Pereira?
▪ Leia todos os artigos escritos por Ricardo
Crédito da foto para stock.xchng.
Artigos relacionados
Assine os feeds
17 comentários
Deixe um comentário
Os comentários e o teor das palavras aqui colocadas são de total responsabilidade de seus autores. Serão sumariamente excluidos os comentários publicados com e-mail anônimo (ou falso), de cunho preconceituoso ou racista ou que não estejam de acordo com o mínimo bom senso. Se quiser criticar, deixar sua mensagem de descontentamento ou desprezo faça-o usando seu nome e e-mails verdadeiros. O Dinheirama reserva o direito de publicar e(ou) apagar qualquer comentário que julgar inoportuno. Participe com decência da discussão! Obrigado.





















Esse post veio direto ao quem estou vivendo HOJE! Sou jovem, 29 anos, e me sinto pressionado pela sociedade, ao lema de ” Quem casa quer casa “, onde minha familia esta procurando imóveis para que eu compre, e ainda me RECOMENDAM, que como não disponho da grana toda, que eu faça um financiamento ou consórcio- e eu q achava que eles gostavam de mim(rs)- Hj disponho de praticamente metade de um apê legalzinho, aplicados em CDB, Fundos de Ações, e não consigo imaginar empatar essa graninha toda em algo que não me traz nenhum retorno financeiro.
No momento, acho que caso eu tome a decisão de comprar esse apê, ficarei zerado e pior, endividado, e ainda terei q trabalhar mais ainda pra pagar a prestação do financiamento, as despesas normais de um apê (condominio, manutenção, iptu) - resumindo: Acho q ainda não é o momento de comprar um imóvel.
Acho q um jovem casal, caso decida pela compra de um imóvel pode decidir inicialmente por um de menor tamanho e valor financeiro, proximo ao trabalho, sendo uma opção economica e temporaria - e a partir disso, pensar no novo imóvel (lindo e maravilhoso, aquele dos sonhos) - focando boa parte de suas economias para esse novo imóvel, e realizando a compra a vista, realizar uma boa negociação e obter descontos e principalmente para não ser mais um colaborador do recorde de lucro dos bancos. Vejo muita gente comprando imóveis carissimos, mais o que vai deixar de herança mesmo é as prestações a serem pagas
Sábias palavras Pedro, mas não esqueçamos que comprar a tão sonhada casa própria , tem tão a ver com o ego e um enraizado pensamento de morar no que é seu ( a divida é sua, não o imovel), não importando o preço futuro dessa “conquista”. Já desisti de discutir com familiares com mentalidade dos anos 70 que, na experiencia deles, mais vale ter um carnê de 20 ou 30 anos na mão, pois assim vc é obrigado a pagar (mesmo que seja 3x o valor do imovel, rs). Se tens a capacidade de assumir 20 anos de dividas, pq não assume 20 anos de seu proprio carnê no mercado de ações! Fugirá do nefasto finaciamento, taxas e juros, terá seu pé de meia a longo prazo e dormirá um sonho melhor. Sei que falar é facil, mas um hábito saudável se cultiva com o tempo, só precisa dar o primeiro passo e aprender a comprar ATIVOS e não PASSIVOS.
Essa ignorancia financeira assusta a mim e minha namorada, tanto que sempre ouvimos opinião de muitos parentes q sabem tudo de finanças e apoiam o colecionar de carnês para a aquisição de tudo (fazer o que né…), uma coisa é certa, graças a leitura frequente de seu blog e de muitos outros estudos, preferimos ter nosso dinheiro aplicado, ao invés de “investi-lo” em algo q nos endividaria por meses a fio. Pagar um aluguel de 300 reais no centro de Campinas SP, e ter uma bela quantia em $ guardada pra fazer o que der na telha…não tem preço!
Bom dia Amigo Compartilho da mesma opniao, casa propria, carro, planos de saude cesta basica, educacao tem um peso enorme no conjunto do Brasileiro, mas ja estamos melhores do que a 16 a 25 anos atras!
Bom Dia Ricardo
Nunca fui adepto do longo prazo ou do prazo a perder de vista, como são estes financiamentos de imóvies, bem como os atuais financiamentos de carros novos com um carnê com “suaves” 60, 72, 84 parcelas mensais…..
Comprei um terreno de uma loteadora nas imediações de Porto Alegre - em 60 parcelas. Paguei em 24. No final do ano, investia o 13º salário mais o dinheiro das férias para adiantar as prestações….Coloquei uma casinha de madeira, como chamamos no RS, de um galpão…. Este apodreceu em poucos anos. Projetei uma casa de dois pisos. Jamais entrei num banco para financiar a construção. Sempre usei a Cooperativa de Crédito dos Servidores da empresa onde trabalho, fazendo empréstimos pagáveis em até 18 meses, a juros muitíssimo abaixo do mercado tradicional (dos grandes bancos). Depois de dez anos, a casa tá pronta e paga…. Acho que fiz um bom negócio, pois o terreno e a respectiva casa estão QUITADOS.
[...] Leia a materia completa no dinheirama.com. [...]
post interessante…
concerteza é algo que aflinge a todos
uma boa educação e disernimento são chaves basicas para o sucesso profissional e pessoal….
realmente a felicidade não tem preço e é algo muito importante e vital, mas também a vida não é um mar de rosas principalmente hoje em dia nesse caos urbano em que vivemos onde não sabemos o que seremos e onde estaremos daqui a cinco minutos…
Concordo em partes com o artigo. Quando decidi casar, tinha a certeza de não alugar e sim comprar um apartamento.
Logo que comprei já fiz um reforma total no apartamento, o que o valorizou muito.
O que não foi citado no artigo, é que as parcelas de um financiamento podem ser decrescentes e ele pode ser quitado antes do tempo.
E que um apartamento “usado” não tem seu financiamento em 100%.
O que eu acho impossível é guardar esse dinheiro que teoricamente seria do financiamento. Em um país com valores que oscilam de uma simples taxa de banco ao preço dos alimentos (e o salário não acompanha).
Discordo em algumas partes, pois no exemplo assim comenta alugar para não ter uma divida de 1.100,00 por mês, mas se você tiver um aluguel de 800,00 e poupar 300,00 todo mês, você terá o mesmo gasto de 1.100,00 por mês, correndo o risco de não poupar mensalmente e também de fazer retiradas imprevistas. Obs. daqui a 20 anos 170mil, que seria o valor poupado, não pagaria um apartamento de 2 quartos em SP.
E também no exemplo do valor final da apartamento cerca de 290mil é ilusório pois possui parcelas decrescentes, e também analisando o índice de valorização do imóvel, daqui a 20 anos ele valerá a mais que o valor total do financiamento.
Sou total favor do financiamento imobiliário, se dado no mínimo 30% do valor na entrada.
Boa tarde Pedro, muito bacana sua participação, acredito que você está no caminho certo, tudo tem seu tempo e quem decide isso é você. Abraço
Luis Claudio ótima contribuição, espero que continue a nos prestigiar.
Aureo, como sempre muito pertinente seus comentários. Obrigado.
Ramon obrigado, concordo com você uma boa educação e o conhecimento das possibilidades financeiras, poderá fazer toda a diferença. Obrigado pelo comentário.
Taís e Henrique Tsubamoto, desculpem a ousadia, mas tomarei a liberdade de comentar aos dois juntos dado a semelhança nos comentários.
Primeiro muito obrigado pelo feedback.
A idéia de todos os artigos é levantar uma discussão, não leve nem o que eu nem o que qualquer pessoa escrever como verdade absoluta, é uma idéia, uma tese, um pensamento.
A questão de comprar ou não um imóvel financiado é um assunto realmente muito polêmico. Poupar a diferença entre o valor do aluguel e do financiamento é possível sim mas depende muito de austeridade e perseverança financeira. Para isso é indispensável um bom planejamento e metas bem definidas?
Quanto a questão dos exemplos, a valorização projetada para o imóvel se valorizar ou não, é uma questão subjetiva, já comentei aqui anteriormente que um amigo conseguiu comprar há pouco tempo um apartamento em uma região valorizada aqui de São Paulo com um super desonto, um bom negócio com ampla perspectiva de valorização. Mas, do nada surgiu uma nova situação, o lugar passou a ser frequentado por usuários de drogas que foram “expulsos” de outra região da cidade por uma ação da prefeitura. O imóvel valia R$ 210 mil. Hoje não consegue vendê-lo por R$ 130 mil. Ou seja, tudo pode acontecer.
Quanto proponho em um exemplo prático que 20 anos na poupança o valor aplicado chegaria a R$ 170 mil. É apenas um exercício de lógica, que nos remete ao passar do tempo com valores mais expressivos a investir em outros produtos bancários inclusive com maior rentabilidade.
A realidade é que nem sempre financiar a casa ou apartamento que seja é o melhor negócio a se fazer. Vale sempre analisar caso a caso e descobrir o melhor caminho.
Mais uma vez obrigado pela contribuição de todos.
Abraço
Acho que pagar aluguel é jogar dinheiro fora porque nunca mais vc ve esste dinheiro.Melhor é investir em um apartamento ou casa.Só que sozinho é difícil melhor é quando os dois pagam juntos.Prabens para aqueles que conseguem pagar juntos e que pensan em um futuro juntos eu infelizmente ainda não consegui minha casa própria pois meu companheiro não me ajuda.Assim fica difícil quem sabe um dia eu consiga sozinha não é.abraços….
Estou no dilema de comprar o imóvel ou não. Já dei uma entrada de 55 mil num sobrado, vou financiar 85 mil em 10 anos, com prestaçoes decrescentes e a 1ª fica em torno de 1700,00; mas tenho pensado muito sobre o valor final do financiamento e estou meio desconfiado que não seja um bom negócio. Foi muito legal ler todas as opiniões sobre esse assunto, tomara que eu faça a coisa certa. Abraços
li em um livro do mauro halfeld que disse que o preço justo do aluguel de um imovel eh de 0,6% ao mes. se for menos eh interessante alugar, se naum for procure outro. eu nunca vou ter nada em meu nome. vou viver pra sempre em casa alugada e carro no leasing. esse desesperod em IMOBILIZAR essa quantia enorme de dinheiro em troca de um teto nada mais é do que panico em relaçao ao dinheiro. eu naum tenho medo de dinheiro na mão, na verdade ele eh ateh meu amigo.
ainda sonho com uma lancha no leasing
[...] por aí encontrei um artigo bem legal lá no Dinheirama. Abriu um pouco a minha mente e vi os prós e contras. Entendi que não existe bem uma verdade [...]
Bom Artigo!!!
eu acho que fiz um bom negócio…
Sou do Rio de Janeiro e comprei um apê de R$40.000,00 numa localidade onde eu ia pagar R$400,00 de aluguel. Esse valor e o que pago hoje nas prestações, por isso acho que fiz um bom negócio..
grato..
OLHA eu só qria ser feliz , nossa isso entra na minha mente fica tão dificil de pensar hein algo numa hora dessas , meus pai falando de um lado meu sogro e sogra falando de outro , eu na minha opnião acho a o melhor negocio a fazer e quardar uma boa grana e dali hein diante pensar no futuro a dois , q nao eh facil .
Acho q eu to no caminho certo , estou guardando um dinheiro conforme eu posso , e na hora certa eu vou pedir opnião de pessoas mais vividas , mas q é dificil a vida é viu , tbm si fosse facil nao teria graças …
abraço e fiquem todos co DEUS …
Venho estudando sobre o mercado financeiro e tenho investimento em ações. Moro de aluguel e espero continuar assim, até que eu, ou alguem me convença que morar de aluguel é ruim. Agora estou lendo Fundos imobiliarios. Alguns fundos pagam em média 0,85% ao mês do valor aplicado no fundo. Para quem mora de aluguel, será que nao seria interessante que ao invés de entrar num financiamento ir comprando cotas do fundo imobiliario e ir abatendo o rendimento do fundo do valor do aluguel. Assim quando vc tiver recebendo 100% do valor do aluguel em rendimentos do fundo, será como se nao pagasse aluguel e poderá optar entre comprar o imovel ou ficar recebendo os rendimentos e pagar o aluguel.