Investimentos, projetos de vida e o tempo
Publicado por Ricardo Pereira em 10.09.2008 na seção Aposentadoria, Educação Financeira
Qual o seu foco nos investimentos? Difícil responder? Não se assuste, o silêncio diante da pergunta ainda é muito comum. Que tal uma pergunta mais direta: você investe com que objetivos? Sim, porque só tem disciplina aquele que sabe onde quer chegar e o que quer conquistar. Ao tentar responder esta pergunta, o investidor pode se deparar com diversas possibilidades e porquês, mas o crucial é manter a qualidade nos investimentos.
Qualidade? Como assim?
Hoje, a idéia de que apenas pessoas com grandes somas de dinheiro conseguem poupar e investir é, felizmente, coisa do passado. O pequeno investidor já aprende e compartilha a idéia de que, quando falamos de independência financeira, melhor que quantidade é a qualidade no trato com o dinheiro.
O bacana é que a busca pela qualidade nada mais é do que a busca pelo conhecimento, pela capacitação em operar diferentes produtos, com complexidade e quantia maiores com o passar do tempo. Quem não estiver disposto a suar a camisa em busca do aperfeiçoamento não encontrará rentabilidades interessantes. É o famoso “no pain, no gain” da vida corporativa.
Nosso país ainda engatinha quando o assunto é a tranqüilidade financeira na “melhor idade”. A estabilidade econômica na aposentadoria continua sendo um sonho para a grande maioria da população. Não raro, idosos dependem da renda dos filhos – já que os valores pagos pela Previdência Social cobrem, no máximo, gastos com remédios.
O fator tempo
Aliado ao contexto de qualidade nos investimentos existe um componente fundamental para o sucesso financeiro: o tempo. Quem não quer chegar à fase de aposentadoria com a vida financeira estabilizada? Felizmente, hoje em dia sabemos que, com valores pequenos, é possível usar o tempo em nosso favor e transformar essa realidade.
Mais, esse contexto de tempo e qualidade em beneficio da elevação do patrimônio financeiro parece não ficar restrito à fase da aposentadoria, o que é uma ótima notícia. Muitos já pensam em poupar desde muito cedo para garantir a formação acadêmica dos filhos e seus sonhos futuros.
Os movimentos do mercado
Produtos de previdência complementar destinados ao público jovem começam a se beneficiar dessa realidade. Só no primeiro semestre de 2008 o setor cresceu 154%. A arrecadação total dos planos para esse público chegou a R$ 2 bilhões em 2007. A demanda é tão grande que as seguradoras começam a flexibilizar algumas regras para os produtos, facilitando novas adesões.
Pesquisando já podemos encontrar produtos com contribuições iniciais de apenas R$ 30,00. O valor pequeno garante a oportunidade e acesso para famílias mais numerosas e(ou) de renda mais baixa.
Claro, existem outras opções para se fazer poupança desde cedo: ações, fundos, clubes de investimentos ou mesmo produtos mais conhecidos, como caderneta de poupança, são alguns exemplos. O importante é definir objetivos é começar, já que nada impede a mudança no mix de produtos ao longo do tempo.
Mais do que nunca, fica claro que juntar dinheiro desde o inicio da vida, garantindo dessa forma recursos para projetos de educação dos filhos e realização de sonhos, é o melhor caminho para uma vida plena e uma aposentadoria tranqüila. Aprender a controlar o que se ganha e planejar são atitudes fundamentais para o sucesso.
Alguns simuladores financeiros e planilhas disponíveis no Dinheirama ajudam você a construir o seu plano de metas e objetivos. Aproveite! Utilizar esse tipo de ferramenta ajuda o investidor a enxergar quanto ele precisará poupar para que seus projetos saiam do papel. Que tal?
Afinal, quanto custa um intercâmbio internacional, uma especialização em uma universidade de ponta, uma reforma em casa ou até mesmo um carro? A resposta não depende só do preço e de quanto custam tais projetos, mas sim de quando você começou a investir neles. No pain, no gain. Bons negócios!
——
Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
▪ Quem é Ricardo Pereira?
▪ Leia todos os artigos escritos por Ricardo
Crédito da foto para stock.xchng.
Artigos relacionados
Assine os feeds
5 comentários
Deixe um comentário
Os comentários e o teor das palavras aqui colocadas são de total responsabilidade de seus autores. Serão sumariamente excluidos os comentários publicados com e-mail anônimo (ou falso), de cunho preconceituoso ou racista ou que não estejam de acordo com o mínimo bom senso. Se quiser criticar, deixar sua mensagem de descontentamento ou desprezo faça-o usando seu nome e e-mails verdadeiros. O Dinheirama reserva o direito de publicar e(ou) apagar qualquer comentário que julgar inoportuno. Participe com decência da discussão! Obrigado.






















Verdade Ricardo, as pessoas infelizmente não gostam de discutir e planejar suas ações financeiras. São mais do deixa rolar, do vamos indo. Gostei do seu texto porque traz dados interessante sobre os planos de previdência e um alerta muito sério para aqueles, hoje ainda jovens, que pretendem ter uma vida tranqüila e inteligente: poupar e investir é importante e pode fazer a diferença no futuro!
Atenção jovens, atenção! Parabéns pelo Dinheirama pessoal. Abs.
Belo texto, porém pergunto, aonde vamos conseguir aplicações que superem isso: “Dividido, Copom mantém ritmo forte de aumento e juros vão a 13,75% ao ano” …. CDB’s dão muito menos que isso, a bolsa nem se comenta…, fico desanimado em ver meu dinheiro juntado com tanto afinco ao invés de crescer e prosperar, se desvalorizando ao longo dos anos, assim nunca chegaremos a uma estabilidade financeira..
Olá Anderson, como vai? Obrigado por acompanhar o Dinheirama e nos brindar com o seu comentário.
A queda da bolsa pode ser encarada como uma grande possibilidade. O potencial de crescimento de empresas com ações abaixo do preço justo é uma oportunidade de conseguir no médio/longo prazo o que dificilmente encontraremos de novo.
Veja meu caso: se considerados os últimos 12 meses, estou com prejuízo, mas quando olho em um horizonte mais amplo, 24 meses por exemplo, mantenho uma valorização expressiva. O foco da renda variável deve ser sempre o longo prazo.
Crise são ciclícas, não eternas. Certo? Enquanto isso, os CDBs de bancos pequenos e médios estão pagando juros de 14% na média. Os bancos grandes negociam os CDBs com juros de 12,75% na média. Lembre-se que CDBs são interessantes quando pagam no mínimo 95% do CDI.
Forte abraço!
Bom dia grande Ricardo, estou bem obrigado pela preocupação rsrsr
Também vejo esta queda como uma oportunidade de entrar forte no mercado, porém a longo prazo como dissestes e infelizmente hoje estou desfavorecido financeiramente pois estou apenas começando a formar meu capital, essa formação que se estenderá ao longo de 20 anos.
Quanto aos CDB’s atualmente estou conseguindo 93% do DI…. por enquanto tenho que deixar lá pois tenho q retirar grande parte no fim do ano….
abs
Comecei em uma poupança na Caixa e logo que juntei os primeiros R$ 1.000 joguei no fundo Di da Geração Futuro que está dando hoje em média 1% ao mês.
Toda vez que invisto penso não no acumulado, mas sim no quanto aquele investimento me retornará ao mês. Podem ser centavos, mas com o tempo isso vira uma bola de neve e depois de alguns anos já será uma boa grana mensal.
Já tive alguns focos e de uns tempos pra cá vi qual meu custo mensal de vida atual e caso mante-lo assim, quanto terei que guardar por mês para em alguns anos eu “viver de juros”. Claro que essa não é a melhor abordagem já que manter o custo de vida é difícil, mas lutando a gente pode até aumentar o custo de vida, mas o salário também pode aumentar, você pode criar uma empresa, etc etc.
Certa vez comentei com um amigo que se os pais, ao terem um filho, guardar cerca de R$ 120,00 ao mês, quando o filho chegar em uma faculdade, provavelmente só o juros irá pagar seus custos com estudo.
Parabéns pelo artigo.