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Crise financeira: (re)começando e (re)aprendendo a investir

13comentários

Crise financeira, hora de aprender alguma coisaO mercado financeiro mundial atravessou, nas últimas semanas, um período de fortes emoções. No Brasil, como no mundo, os reflexos levaram a fortes quedas do índice Ibovespa e de quase todas as ações que dele fazem parte. A crise, criada nos EUA e agravada esta semana mundo afora, parece, enfim, dar seus primeiros movimentos em nosso país. Já há diminuição do crédito e encarecimento do dinheiro em curso. Muito se falou e se discutiu, mas quais as lições que ficam para o investidor?

Quem tem aplicação em renda variável se viu no centro de um furacão, cujo primeiro momento foi devastador. O investidor[bb] que optou pela bolsa e passou a investir em ações apenas nos últimos doze meses tem a decepcionante sensação de ter entrado em uma “gelada”, afinal todos os jornais, revistas e emissoras de TV bombardearam nossas casas com informações sobre a crise e seus desdobramentos.

Quebra do Lehman Brothers, venda, no saldão, do Merrill Lynch, socorro emergencial à seguradora AIG, emissão de títulos da dívida americana de curto prazo, flight to quality. Ufa! Tudo isso trouxe aos nossos ouvidos falas e frases de personagens que passaram a fazer parte de nosso dia-a-dia, como Ben Bernanke (Presidente do FED) e Henry Paulson (Secretário do Tesouro dos EUA). Agora, suas aparições são comparadas às de estrelas de cinema, mas com responsabilidade infinitamente superior.

O Navarro abordou importantes aspectos pessoais decorrentes da crise, o que, de certa forma, me motivou a escrever este texto. O que muito me chamou a atenção nos últimos dias foi o fato de que algumas velhas e sábias lições de mercado foram subitamente esquecidas. Embora o texto aborde aspectos comentados pelo Navarro em seu artigo de quarta-feira, preferi abordar os temas de forma mais referencial, com alguns números e representações.

Para nossa alegria, temos recebido inúmeros e-mails de pessoas interessadas em entender os problemas e aprender sobre a questão, para só então começarem a investir. O leitor Braga, por exemplo, pede que apontemos os fatores capazes de direcionar os ainda novatos no mundo dos investimentos em ações[bb]. Pois bem, com enfoque mais teórico e informativo, arrisco-me a citá-los:

Renda variável
É um mercado de risco, marcado pela volatilidade. O período 2003-2007, de retornos muito acima da média, animou muita gente e trouxe investidores carregados de emoção e pouca informação. Como o próprio nome já diz, renda variável é um tipo de aplicação que varia bastante, o que significa ver retornos positivos e negativos.

O investidor precisa estar certo de que, muitas vezes em uma velocidade espantosa, tudo pode mudar. A viagem ao sucesso depende do desenvolvimento das habilidades financeiras de cada um, do prazo determinado e das estratégias escolhidas. Por exemplo, diversificar (manter parte do patrimônio em renda fixa, parte em ações etc.) ajuda.

O fator tempo
Quem comprou ações da Petrobras há 10 anos, e mantém os ativos em sua carteira, tem hoje rentabilidade aproximada de 1900%. Que tal? Pois é, mesmo após todo esse sobe e desce, diversas crises financeiras (quem se lembra do problema com a Ásia?), o retorno acumulado é muito expressivo. Ah, o famoso longo prazo, não é mesmo?

O tempo é fundamental para o investidor, diferente do que ocorre com o especulador. Quem pensa no futuro precisa entender que o risco para o investidor[bb] de longo prazo é sempre menor, pois está diluido e expõe menos o capital investido. Dessa forma, pensar no longo prazo significa maximizar o horizonte de valorização. A questão é a pressa, comum nos dias de hoje. Pra que correr?

Comprar na alta e vender na baixa
Esta ai uma das afirmações mais usadas diante desta crise. A lição é importante, mas é preciso interpretá-la com cuidado. Muitos entraram na bolsa em meados de 2007, ao final de um forte ciclo de valorização. A crise traz um novo teste: é possível sustentar o prejuízo e mirar o longo prazo? De novo, o tempo.

Porque é sempre fácil falar, dizem alguns. Mas, felizmente ou infelizmente, é assim que funciona: aquele que enxerga uma crise como oportunidade pode ter, no decorrer dos anos (o bendito tempo), ganhos significativos, pois existe a possibilidade de adquirir ativos subvalorizados. Para quem investe pensando assim, comprar na baixa e vender na alta parece não ser algo muito complicado.

Não direcionar todo seu patrimônio para a renda variável
Nós insistimos. Muito. Por inúmeras vezes, conversando com alguns leitores e amigos, afirmei que não era financeiramente saudável alocar todo o poder de poupança e dinheiro disponível em ações e produtos de renda variável. “Eu gosto de correr riscos” era resposta comum.

Com dinheiro[bb] não se brinca, mas isso todo mundo sabe. O risco pode até ser calculado para aqueles que planejam, mas a verdadeira diferença está no cuidado com a gestão das finanças, na atenção aos detalhes, ao noticiário e ao que se lê por ai. Nossas avós sempre diziam que “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.

Por que falar de tudo isso durante a crise?
Falamos antes, falamos durante e falamos depois. Falamos sempre. Durante porque é importante lembrar aos que ainda vivem o terror da crise que há saída, há horizonte possível no longo prazo. Durante porque aqueles que jamais vivenciaram um crise capaz de devorar seu dinheiro podem aprender e incorporar importantes lições.

O Dinheirama é um espaço de aprendizado, como sempre costumamos afirmar. Jamais assumimos a responsabilidade de direcionar seus investimentos[bb] para A, B ou C. Nossa preocupação é, de uma forma bastante sincera, didática e agradável, transformar o universo financeiro, tido por muitos como extremamente técnico, em leitura acessível e em debates de alto nível. O resto é conseqüência.

Reafirmamos aqui nosso compromisso com a responsabilidade de mantê-lo como nosso maior patrimônio. Com crise ou sem crise, levamos adiante a bandeira da educação financeira, do suporte técnico, da opinião honesta e da amizade, valores e atitudes que sobrevivem diante de qualquer tempestade. Bom final de semana.

——
Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Enviar por E-mail
  • Link Curto: http://bit.ly/xkqZTy
  • http://mossadin.com caaoun

    Entenda a crise (explicando para uma criança de 9 aninhos): http://mossadin.wordpress.com/2008/09/19/entendendo-a-crise-financeira/

  • http://www.ideavertising.com.br Thiago Nascimento

    Parabéns pelo artigo, Ricardo. Educativo, didático e honesto. Fundamental para iniciantes como eu.

  • Rhamile

    Valeu Ricardo, como sempre vocês indiscutivelmente acertam!!!! É por isso que o blog é tão visitado e o trabalho muito reconhecido (pelo menos por mim!!!!).
    Sucesso para vocês, sempre e sempre.

  • Daniel Pondé

    Parabéns pelas palavras Ricardo, mais uma vez um excelente texto. Tenho 23 anos, tenho algo em torno de 9 meses investindo na bolsa e dentre os site que considero como obrigatório a conferência diária é o dinheirama. Aprendi e aprendo muitas coisas por aqui. Nesse mundo sempre vão existir aqueles que estão insatisfeitos com tudo e que preferem culpar os outros do que assumir a própria culpa. Até mesmo sobre a vida financeira. Obrigado pelas reflexões. Grande abraço e parabéns mais uma vez.

  • Joliano

    ai que besteirada essa semana no dinheirama todo mundo arrancando os cabelos e desesperando. ja voltou a bolsa onde era antes em menos de 3 dias.

    eu to com TODO O MEU DINHEIRO na bolsa e dando risada de voces que tao com medo ai

    apesar que eu sigo o objetivo de longo prazo tambem pois eu quero comprar um carro com esse dinheiro mais soh la por maio ou junho do ano que vem

  • Aureo Vilas Boas

    Excelente post, básico, sábias palavras, mas as pessoas se esquecem desses detalhes em momentos de provação! Sou inexperiente no poupar e na bolsa, entrei em 2007 (na alta) mas não me arrependi. Tenho minha meta quinzenal de compras pros proximos 10 anos.

  • William

    Você poderia por favor comentar o canal de alta para o período 1963 – 2008.
    Existe uma teoria que o ciclo de baixa iniciado agora vai até +-30000 pontos.
    O que você acha?
    Abr Wiliam

  • http://www.outromodelo.com Thiago Santana

    Joliano, boa sorte pra você meu caro. Se acha que 9 ou 10 meses é longo prazo, você vai pra precisar.

    Eu particularmente acho que 700 bilhões de dolares talvez sejam suficientes para sanar às dívidas, já a crise…

    Excelente texto, como sempre.

  • rebeiro

    Comprar na alta e vender na baixa.
    nao seria comprar na baixa e vender na alta? ou vc quer perder dinheiro?

  • http://dinheirama.com/blog/sobre Conrado Navarro

    rebeiro, obrigado pela participação e comentário. O Ricardo está justamente comentando este problema de perder dinheiro em crises. Repare que no texto abaixo da afirmação ele fala sobre a questão de entrar quando o mercado está em alta e em sustentar prejuízos durante algum tempo. O obejtivo foi mesmo falar da questão problemática de comprar em alta e vender em baixa. Você está certo, ninguém quer perder dinheiro não. Obrigado pela participação.

    Abraços.

  • http://www.blogdocoach.com.br Amauri Nóbrega

    Pois é Ricardo,

    Muito bom o artigo, o que acontece hoje é que muitos que entraram na bolsa, foram a procurada de rendimentos altos e curto-prazo. Não esperavam toda essa e crise, e na hora que está em baixa, com seguidas quedas, tem que ter muito sangue-frio para não realizar prejuízo. Temos na nossa essência, o imediatismo, o brasileiro é assim. Tem que existir uma mudança de cultura, mas de certo modo vejo até com bons olhos essa crise, porque assim aprendemos que nada é eterno.

    Forte abraço,

    Amauri Nóbrega
    http://www.blogdocoach.com.br

  • http://naotenho lucyvania

    fiz um a alicaçaõ de 33.000 mil do vgbl e menos de 07 meses perdi 06 mil o que faco?
    estou com medo de perde tudo o que faço.

  • Sonia Cassano

    Tenho uma aplicação VGBL 40/30 e em um mes perdi 8000 que havia rendido em 3 anos.O que devo fazer agora para não perder ainda mais?

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Quem já falou do Dinheirama?

Conheci o Dinheirama justamente numa fase "transitória" de minha vida... num momento onde estou em processo de total metamorfose e mudança de frequência mental. O Dinheirama está sendo pra mim uma carta de frequências, ajudando a sintonizar minha mente onde ela nunca esteve, no oceano de conhecimento da Educação Financeira, mar que nunca tive oportunidade de navegar no sistema educacional tradicional. Só devo agradecer!

Roberto William

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