05 nov Economia Mulher

Fusão entre Itaú e Unibanco agita o mercado

Como toda ação tem uma reação, estava demorando para sermos surpreendidos por uma grande notícia no Mercado Financeiro. Pois bem, ontem a notícia mais comentada do mercado (aqui no Brasil, mais do que as eleições americanas) foi a fusão dos bancos Unibanco e Itaú. Como já confessou Salles, do Unibanco, esta fusão nada mais é […]

por Mariana Prates
há 6 anos

Fusão entre Itaú e Unibanco agita o mercadoComo toda ação tem uma reação, estava demorando para sermos surpreendidos por uma grande notícia no Mercado Financeiro[bb]. Pois bem, ontem a notícia mais comentada do mercado (aqui no Brasil, mais do que as eleições americanas) foi a fusão dos bancos Unibanco e Itaú. Como já confessou Salles, do Unibanco, esta fusão nada mais é do que uma resposta ao Grupo Santander, que adquiriu o ABN em 2007.

Fusão significa a união de duas ou mais empresas, que se “extinguem” e formam uma nova companhia, com mesmos direitos e obrigações, cujo controle administrativo fica sob a responsabilidade da de maior representatividade. As empresas se unem com diversos objetivos, como, por exemplo, aproveitar sinergias, unificar processos tecnológicos adicionando vantagens competitivas e minimizar a concorrência.

Importante esclarecer que a fusão em questão ainda é uma possibilidade. Por lei, haverá ainda uma análise de riscos dos negócios, feita pelo Banco Central e uma avaliação de concorrência elaborada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência). A aprovação da fusão é dada como certa por especialistas e participantes do mercado.

A situação dos bancos
Como todos os bancos privados já divulgaram o balanço do 3º trimestre, abaixo encontra-se a situação atual dos bancos no Brasil (as informações dos bancos públicos são do 2º trimestre):

Situação dos bancos antes da fusão entre Itaú e Unibanco

Com a Itaú Unibanco Holding, a situação muda:

Situação dos bancos depois da fusão entre Itaú e Unibanco

Como qualquer brasileiro, suas dúvidas devem ser: o que muda para nós, cidadãos? O que muda para o investidor[bb] e acionista? O que muda para o país? Vamos conversar um pouquinho mais sobre isso, mas gostaria de conhecer também sua opinião a respeito da fusão. Ao final da leitura, não esqueça de deixar seu comentário.

Para os investidores
É fato que a nova empresa, Itaú Unibanco Holding, virou um monstro –  no bom sentido, é claro. A nova instituição tem capacidade de atuação global e, assim, acompanha o crescimento de nossas empresas, que estão se tornando cada vez mais internacionais. A meta dos acionistas é transformar o gigante em um dos grandes players globais.

Com um poder de mercado maior, a fusão proporcionará (segundo os acionistas):

  • Aumento do suporte a empresas em operações nacionais e internacionais;
  • Crescimento nas operações de crédito;
  • Competição no mercado internacional;
  • Ganho de escala em todos os segmentos.

Ou seja, no médio e longo prazo teremos aumento de rentabilidade das ações. Aliás, a publicação disponível no site de ambos os bancos explica como a divisão das ações será feita. Do outro lado, aqueles que não detém ações da companhia, porém dependem de seus produtos, se beneficiarão do crédito, da solidez da empresa, das contínuas inovações e etc.

Para os consumidores
É, para os consumidores, a situação, especialmente no longo prazo, pode não ser tão boa assim. Certamente, no início das operações como uma nova empresa, produtos e pacotes bastante atrativos serão lançados. Porém, no longo prazo, à medida que tivermos menos competidores no mercado, perderemos grande parte do nosso poder de barganha.

No curto prazo nada deverá mudar – órgãos de defesa do consumidor anunciaram que mudanças nas tarifas não poderão ser realizadas. Nossa legislação garante que os correntistas de ambos os bancos tenham os serviços já contratados mantidos da forma que estão hoje. O Procon nos orienta a guardar cópias dos contratos para eventuais problemas futuros.

Os acionistas informaram que as primeiras alterações serão realizadas nos caixas eletrônicos, que serão integrados. Garantem, também, que não ocorrerão demissões, visto que a intenção é crescer, e não retrair. Assista a teleconferência disponível no site do Unibanco, que esclarece muito do que abordei neste artigo.

O que podemos afirmar (visto que não temos bola de cristal) é que a corrida pela internacionalização dos bancos brasileiros começou. Ontem mesmo, diversos sites já divulgaram que o Banco do Brasil e o Bradesco já se manifestaram. Em breve, novas notícias sobre o mercado bancário. Até mais.

——
Mariana Prates é economista pela PUC-SP e pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV. Trabalha em precificação de Empréstimo em Folha e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

Crédito da foto: Divulgação.

Mariana Prates

Economista pela PUC-SP, pós-graduada em Administração de Empresas pela FGV e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Trabalha no departamento comercial da Editora Novatec e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

Leia todos os artigos de Mariana Prates
Importante: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.
  • simone

    O que realmente preocupa será a falta de competitividade a longo prazo. Os correntistas certamente sofrerão com essa fusão, cedo ou tarde.

  • Daniel Pondé

    O que penso é o seguinte: De acordo com os presidentes de ambas as intituições as negociações vinham ocorrendo há algum tempo. Sigilo total, pois não ouvi nenhum mínimo comentário a respeito da possibilidade da fusão de ambos os bancos, e olha que as reuniões entre as empresas ocorriam há mais de um ano. Agora fica a pergunta, será que isso vai virar moda? bancos comprando bancos? ok Possuimos uma situação privelegiada frente ao mercado internacioanl e a crise, mas será que não há como apontar possíveis conseq. a longo-prazo?
    Mavilha possuimos mais um grande banco dentre os maiores no mundo mas e quais são realmente os pontos negativos? Afinal de contas o termo longo prazo é importante não é mesmo?

  • http://monthiel.blogspot.com Monthiel

    “…mudanças nas tarifas não poderão ser realizadas…” Isso se deve ao fato deles terem aumentado as tarifas recentemente.. não poderia ocorrer um novo aumento…

  • Moisés Miranda Jr.

    Mariana, você acredita que a tendência será a substituição (retirada) da marca “Unibanco” do mercado? Você acredita em perda de clientes, se isso ocorrer? É correto afirmar que administrar um banco é mais barato?

  • william

    O que mais vai me chatear é o banco conseguindo meios para atração de capitação com mais facilidade no exterior e consequentemente pagar menos para mim quando eu emprestar o meu rico dinheirinho. :D

  • Mario Sena

    Mariana, o Banco Itaú é considerado um banco de Elite, enquanto o Unibanco popular, será que essa fusão vai melhorar o relacionamento com os clientes. Quanto as tarifas com 15 meses de negociação na surdina eles já devem ter ajustado de acordo com a fusão. Espero que os clientes mais populares não venham sofrer com isso, pois são os mais sofredores quando a crise aperta.

  • Ricardo

    Ou seja, mais um player Brasileiro que pode (e deve) se tornar Global, mas, como tudo tem seu preço… menos concorrência para nós na area financeira assim como nas telecomunicações(vide BrOi)… Qual será o novo SuperPlayer Brasileiro? opniões?

    Seria legal na área de Internet… UOL + IG/Ibest + Buscape? também diminuiria a concorrência, mas seria ótimo ter uma grande empresa realmente inovadora de Internet… tipo um Google made in Brasil presente em toda américa latina e quem sabe até america do norte.

    Teremos cada vez mais empresas globais. Brasil!!

    PS: Pq no Opera dá BAD REQUEST?

  • http://www.dinheirama.com Mariana Prates

    Olá pessoal!
    Realmente para os correntistas (e brasileiros em geral) a situação no longo prazo não é a melhor possível. Teremos algumas facilidades, como sacar dinheiro no caixa de qualquer agência, mas, como disse no artigo, nosso poder de barganha será menor. No momento a minha maior preocupação é com relação a funcionários. Eu, como profissional do mercado financeiro, me preocupo com a quantidade cada vez menor de empregos. Com fusões os bancos precisam de menos pessoas para executar determinadas funções. Vagas já estão congeladas, as ofertas de salário estão caindo, enfim…. não é muito bom para uma enorme parcela da população.
    Nesta semana já tivemos “respostas” do BB, que está negociando a compra da Nossa Caixa e Banco Votorantim.
    Bjs a todos

  • Breno

    Gostaria de saber quando os dois bancos vao operar simultaneamente, tais coisas como poder sacar em uma agencia do itau com cartao do unibanco.coisas desse tipo.

  • Magno

    Bom, realmente não precisamos ter bola de cristal. O que é dificil de entrar na cabeça, é imaginar que exemplo um país semicolonial e semifeudal como o nosso, pode oferecer, se comparando com países europeus e os EUA, se expandindo pelo mundo. Um país subdesenvolvido batendo de frente com potencias de 1º mundo. interessante !!
    Essa fusão, mais que uma forma de se internacionalizar, é a velha forma monopolista que o capitalismo abre as portas, para sufocar a concorrencia e ditar as regras do mercado, com altas taxas de juros na movimentação financeira e emprestimos. E, no final das contas, um punhado de magnatas é que saem com os bolsos gordos, e a população, mais endividada do que antes.
    Agora, essa de “virar monstro no bom sentido” é engraçado. Ao mesmo tempo que vc reconhece, vc disfarça. Por favor, explique de verdade as consequencias disso tudo. Não reproduza as formas burguesas de pensamento, por favor !!!