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A Psicologia Econômica e a sorte de achar dinheiro

Publicado por Marcelo Stefanelli em 11.11.2008 na seção Finanças Pessoais

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A Psicologia Econômica e a sorte de achar dinheiroImagine que esteja andando pela rua e encontre, digamos, 50 reais. Fantástico, não? Após a satisfação inicial causada pela sensação de “estar com sorte”, qual seria sua reação seguinte? Comemoraria o achado, gastando a pequena quantia assim que tivesse oportunidade ou simplesmente contabilizaria o valor junto ao seu patrimônio total? E se, na situação inicial, a quantia fosse maior? Digamos, 500 reais? Sua reação seria a mesma? Pense bem.

E ai? Bom, vamos analisar outra hipótese: se este valor fosse a recompensa por um trabalho realizado (como, por exemplo, uma parcela de um curso ministrado), sua reação mudaria? Todas as hipóteses levantadas poderiam ser cenários de estudo para o que tornou-se conhecido como contas mentais na Psicologia Econômica[bb]. A tendência da grande maioria das pessoas é tratar o dinheiro “achado” com mais displicência que aquele conseguido a duras penas.

Não há nada de errado nesta reação, a não ser o fato de que, infelizmente, há situações em que recursos conseguidos com esforço não aparente podem ser colocados na “conta” dos “achados”. Para simplificar o entendimento, é possível citar dois exemplos bastante didáticos para aqueles que são assalariados: a restituição de imposto de renda e o décimo terceiro salário.

Numa interpretação menos profunda, não nos parece que a restituição do imposto de renda é um recurso que acumulamos com grande esforço. Mas tudo fica mais evidente se imaginarmos que esta é uma poupança[bb] compulsória que realizamos mensalmente junto ao governo federal. Ou seja, são recursos que deveríamos receber integralmente, juntamente com a remuneração mensal, mas são devolvidos com desconto um ano depois da retenção.

O décimo terceiro salário também deveria ser encarado como outra poupança compulsória, trocando apenas a entidade que realiza a retenção, de governo federal para a empresa que o contratou. O raciocínio encaixa com sua opinião a respeito de cada uma dessas variáveis? Sendo assim, que atitude poderia ser tomada em relação a qualquer novo “prêmio” que recebemos ou venhamos a receber?

Possivelmente, incorporar o valor ao patrimônio colocando-o, por exemplo, em uma das muitas alternativas de investimento[bb] disponíveis hoje em dia (caderneta de poupança, títulos, fundos e etc.). Isso para deixar que a euforia/emoção inicial dê lugar a uma atitude mais racional sobre a utilização deste recurso extra - que inclusive já poderá ter rendido bons frutos (juros) dependendo do tempo de espera.

Faz sentido? Tratam-se de conclusões e decisões óbvias? Pois é, aprenda a questionar-se e a avaliar seu comportamento diante do dinheiro. Seu futuro financeiro agradece! Pense nisso sempre!

——
Marcelo Stefanelli Santos é leitor assíduo do Dinheirama, vencedor da promoção “Investimentos Inteligentes no Dinheirama”, e grande estudioso da Psicologia Econômica e seus efeitos no cotidiano financeiro dos brasileiros.

Crédito da foto para stock.xchng.

4 comentários
  1. Imagem do comentarista

    A maioria das pessoas que conheço não trata o 13º com displicência pois eles já serão utilizados para pagar os impostos anuais e outros custos como IPTU, IPVA e Seguro. Eu mesmo utilizo o meu para pagar o Seguro do carro e parcela do IPVA.

  2. Imagem do comentarista

    Cara.. que coincidência…. hoje, vindo para o trabalho, achei R$ 5,00 na rua, e ao abrir meu gReader encontro esse artigo falando justamente sobre o assunto.. nossa!

    Infelizmente só achei 5 e não 50 como no artigo, mas já valeu a pena…

    Abraços,

  3. Imagem do comentarista
    Romeu A. Noronha

    Marcelo, parabéns pelo excelente e reflexivo texto. São embasamentos interessantes para a famosa afirmação “tudo que vem fácil, vai fácil”. Confesso que muito de minhas atitudes já estavam no automático, mas agora fiquei preocupado. Seu alerta veio em boa hora, como todas as fantásticas dicas e opiniões publicadas neste que é um dos melhores blogs do Brasil.

    Enviei seu texto para minha esposa, que certamente irá concordar com tudo o que disse. Vamos exercitar mais este cuidado emocional, prometo! Obrigado.

    Abs.
    Romeu N.

  4. Imagem do comentarista
    Eduardo

    Por falar em coincidência…
    Hoje também achei uma nota de cinco reais no chão. Como estava acompanhado por uma colega de trabalho, ofereci o dinheiro a ela. A primeira reação dela ao receber o dinheiro foi dizer: vou gastar tudo em bala já que não contava com esse dinheiro. Na hora pensei que era uma decisão que eu não tomaria. Com certeza ia deixar pro almoço do dia seguinte. Enfatizando o texto do Marcelo fica o alerta para pensarmos melhor nos detalhes das nossas decisões. A questão aqui é a escala. Hábitos são difíceis de mudar.
    Abraço a todos.

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