Juros altos, os bancos e o bolso do povo brasileiro
Publicado por Ricardo Pereira em 14.11.2008 na seção Economia Geral, Finanças Pessoais
“Nunca na história desse país os juros praticados pelos bancos e financeiras foram tão imorais e prejudiciais a saúde financeira das pessoas e do país”. Vocês não imaginam quantas vezes já ouvi esta frase nos últimos meses. Muitas vezes, pode acreditar. E, quer saber? Concordo e assino embaixo. O crédito brasileiro é muito caro e, de forma nada silenciosa, vem arrebentando com as finanças de muitas famílias. Como consequência, muita gente está sem condições de honrar seus pagamentos. A situação preocupa.
Um amigo disse que a frase do parágrafo anterior até parece uma máxima do Presidente Lula. Que eu saiba, ele não disse algo assim (ainda). Deveria dizer – ou já poderia ter dito. Afinal, trata-se da constatação imediata que encontramos ao olhar os resultados de inadimplência e os recordes de aumento dos juros no sistema financeiro brasileiro. E agora? Será que estou fazendo drama demais ou é o caso de ação corretiva, de “botar a boca no trombone”?
A importância do crédito
A origem da crise é conhecida (é o que dizem). É público e notório que ela surgiu justamente de questões relacionadas ao crédito e se alastrou por conta da desconfiança e falta de crédito (de novo?) para financiar o consumo da população e o giro da economia. Crédito, só se fala em crédito?
Diversos países, dentre eles também o Brasil, lançaram pacotes e mais pacotes com o objetivo de vitaminar a economia e garantir, ao mercado financeiro e aos cidadãos, que compromissos seriam honrados e que as instituições financeiras estariam, de certa forma, “garantidas” pelos governos. Muito bom. Mas, como fica a população?
Não são apenas os bancos que passam por dificuldades. Eles na verdade são o fim (ou será começo?) de um processo que surge da incapacidade das pessoas em honrar suas despesas e compromissos financeiros.
O caso brasileiro
Desde 2002, a partir do crescimento econômico, o brasileiro descobriu o crédito e tomou gosto pelos financiamentos como forma de conquistar bens de todos os tipos, como carros, casas e eletrônicos de uma forma geral. Não que tal atitude não fosse comum, mas houve grande intensificação nestes últimos anos.
De 2006 até o inicio do terceiro trimestre de 2008, presenciamos vendas recordes de carros e um crescimento fortíssimo da indústria automobilística nacional. Nunca tantos carros novos foram vendidos por aqui. As pessoas consumiam vorazmente, através das parcelas relativamente pequenas e prazos longos, jogando dívidas e mais dívidas para dentro do orçamento. O consumo diminuiu, as dívidas permanecem.
Tempo, o senhor da razão.
A crise chegou e os juros foram aumentando ainda mais. Brasileiros acostumados a usar o rotativo do cartão de crédito e o limite do cheque especial como parte da renda se afundaram em dívidas. O que fazer com o colégio das crianças, com as despesas do supermercado, com a TV a cabo, a Internet e, finalmente, com a parcela do carro novo? Pois é, com o orçamento mais (bem mais) apertado, a inadimplência deu novo salto:
“A inadimplência de pessoa física cresceu 7,5% nos dez meses de 2008, em relação ao mesmo período de 2007, aponta o Indicador Serasa, divulgado nesta sexta-feira pelo órgão de proteção ao crédito. Se considerado o índice de outubro, a inadimplência do consumidor cresceu 6,9% na comparação com outubro de 2007. Já na variação mensal, de setembro para outubro, a inadimplência avançou 4,9%.
Segundo a Serasa, ‘a evolução da inadimplência, entre janeiro e outubro de 2008, é reflexo do maior endividamento da população, do crédito mais caro, e da redução na capacidade de pagamento do consumidor, devido à alta da inflação, que refletiu principalmente no preços dos alimentos’”. Fonte: Folha de São Paulo, 14/11/2008.
Sua pergunta deve ser: o que o governo tem feito nesse meio tempo? Bom, as ações do governo são no sentido de liberar o compulsório e aumentar o nível de crédito. Certo, parece inteligente e eficaz, já que o objetivo é não deixar a economia “travar”. Mas, ai vem outra pergunta comum dos últimos dias: por que o governo concede milhões de reais aos bancos e estes, ainda assim, aumentam ainda mais os valores dos juros?
Não tenho resposta para tal pergunta. Parece que eles não querem correr riscos ao emprestar e dizem estar captando dinheiro mais caro lá fora. O spread é alto, nós pagamos grande parte da conta. Parte da resposta também fica clara se analisarmos os números dos bancos brasileiros e seus respectivos recordes de resultado, mesmo no meio da crise.
Eles estão errados?
Não. Fazem porque há espaço e podem fazer. Aqui entra meu desabafo pessoal: errado está o governo, que não exige nem determina o fim dessa imoralidade que são os juros aplicados dentro do país. Nós, consumidores, temos grande parcela de culpa: aceitamos e nos sujeitamos diariamente a essa política de juros, quase sempre calados. Enfim, discutir desejos e compra de bens é sempre algo espinhoso.
Diga não aos juros exorbitantes cobrados no Brasil! Ok, não é tão simples assim. Os juros da nação são elevados também, o que acaba balizando muito do que se negocia internamente. Mas eu precisava desabafar. Compre à vista tudo o que puder e procure educar-se financeiramente. Descubra, como poucos ainda fazem, que orçar e poupar para garantir a compra de algum bem podem ser o melhor caminho. Bom final de semana.
——
Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.
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14 comentários
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Olá Ricardo,
Parabéns pelo post, muito bom.
Economizar e Poupar não é bem fácil, é necessário uma educação financeira desde a juventude. O que infelizmente não ocorre. Devido a essa falta de educação as pessoas se atolam em carnês sem nem mesmo saber a quantidade de juros que estão pagando em cima.
Abraços e sucesso!
minha familia eh oneomaniaca e com isso EU pago pato, digo, a conta. das economias relevantes o brasil soh perde em taxa de juros pra turquia. é um disparate. eu que opero alavancado só consigo no consignado. fora isso eh impensavel alavancar com cdc.
E infelizmente enquanto os governos desenvolvidos de outros países se preocupam em preservar o poder aquisitivo da população e a liquidez do mercado, o nosso magnífico governo brasileiro só pensa em arrecadar mais tributos e não faz o seu papel de regulador o que deixa nosso povo cada vez mais explorado e escravizado nesta ciranda financeira que só beneficia as instituições financeiras que cada vez tem tido lucros maiores, não que eu seja contrario a lucro mais da forma de exploração que acontece no Brasil com juros/taxas abusivas e que realmente nos deixa preocupados.
Pois é e nessa época de final de ano o 13° salário escapa pelo vão dos dedos, para pagar contas feitas durante o ano, e o bolso fica vazio novamente.E assim o brasileiro se obriga a comprar a prazo novamente, para começar o próximo ano endividado.Isso vira um ciclo vicioso da economia pessoal, deixando o dinheiro sempre comprometido para frente sem ter chances de poupar ou investir em algo mais.´Por esse motivo é preciso controlar os gastos agora para ficar aliviado no próximo ano, pois com a crise global não se sabe se teremos emprego no ano que vem, ou se o mercado vai ser generoso conosco, o importante em caso de dúvida procurar especilaistas e pedir algumas orientações.Não podemos cair na roleta russa da economia neste fim de ano..
Eu concordo.
E acho que com essa crise mundial, ainda vamos ter más notícias e muitas delas vindas dos EEUUs. Ele tão numa situação tão ruim. O Bush afundou a economia de tal modo que algumas pessoas influentes lá como por exemplo o jornalista Hal Turney acreditam numa superdesvalorização do dólar ou até a sua extinção como moeda em contrapartida um calote no povo americano e em todos que tem aquele ativo. Daí fiquemos de olho. Pois Os EEUUs já estão fazendo operações de troca de moedas e outros ativos com outras economias, como a recentemente troca de 30bilhões de dolares por 30 bilhões de reais.
Éhhh, o inferno de uns é o paraíso de outros. Mesmo com fundo liberado, os banqueiros (não todos) se fingem de desesperados para nadar de braçada, a pretexto da crise extrapolam a taxa de juros. Os imóveis estão custando fortunas, isso prevendo a inadimplência que vem por ai, os pagadores vão pagar o pato dos que não pagam, mas têm fome de compras. Os veículos, mesma situação, já-já tudo vai cair de preço, muita coisa vai para leilão, vai ser o inferno para uns e o paraíso para outros. OHHHH BAMA DAY, Ohhh Bamma Dayyyy… eis que surge o salvador. Esse homem pode salvar o mundo? A mídia explora a esperança do povo, estampa capas de revistas. Examinem, Vejam, Os TEMPOS são delicados… tempo de reter a economia, não comprar, guardar, dar uma banana para os juros e participar de leilões de leões. Eles, os leilões, acontecem às quartas-feiras, quem quiser ir poe o dedo aqui que já vai fechar. Falando em dedo, onde está nosso Excelentíssimo para colocar ordem no ganha-ganha desses banqueiros?
Ricardo
Ótima discussão levantada !
Discordo apenas de sua conclusão que “errado está o governo, que não exige nem determina o fim dessa imoralidade que são os juros aplicados dentro do país”.
Lembre-se que em TODO E QUALQUER mercado atua a lei da oferta e da procura. Se seu banco te cobra uma taxa de juros de 10% ao mês, por que pegar este recurso emprestado ? Se o povo brasileiro tivesse a cultura de poupança (economizar) como o povo japonês, provavelmente teríamos aquela taxa de juros de lá (próxima de 0,5% AO ANO !!!). Utilizando um exemplo simples, vamos considerar, por exemplo, que de cada 100 brasileiros, 99 poupassem e apenas 1 tomasse dinheiro emprestado. Os bancos teriam muito dinheiro disponível para emprestar mas pouca gente querendo tomar este dinheiro. Será que ainda assim, as taxas seriam tão elevadas ? Ou será que os bancos baixariam as taxas para conseguir emprestar todo o volume de recursos em caixa ?
Daí temos a contrapartida: os bancos têm a opção de emprestar ao governo (com risco baixíssimo e por uma taxa de juros elevada), portanto, não teriam motivação para emprestar aos clientes.
Neste caso, partindo daquele pressuposto que seríamos poupadores, nós mesmos poderíamos “emprestar” ao governo comprando diretamente os títulos públicos e evitando a mera intermediação bancária. Posso até estar sendo otimista demais mas talvez, desta forma, conseguíssemos baixar inclusive a taxa de juros do país, visto que, com mais pessoas poupando teríamos mais fartura (volume) de crédito disponível e, conseqüentemente, uma remuneração (juros) menor para os recursos aplicados.
Desculpe-me pela extensão do comentário, mas o embasamento era realmente necessário.
Se quiser, podemos continuar a discussão via e-mail.
Com certeza, Ricardo, quando diz que o consumidor tem culpa nesse quesito, concordo plenamente. É muito interessante as pessoas reclamarem de juros altos e gastarem todo o crédito rotativo do cartão de crédito!! É como ir ao supermercado, constatar que a carne passou de R$10,00 para R$50,00 o kilo e continuar comprando a mesma quantidade (ou mais!). Na minha opinião, se o produto do banco (empréstimo) está caro, a saída é não adquiri-lo! Apesar de estarem errados cobrando tão caro, o único jeito de fazê-los mudar é utilizando a lei da oferta e da procura. Isso sim, geraria uma mudança rápida e drástica, tanto por parte dos bancos como por parte do governo. Reclamar e continuar utilizando e consequentemente apoiando é o caminho errado! Eles nunca irão querer mudar as taxas assim…
Um grande abraço,
Bernardo
o que aconteceria se todos se negassem a pagar os emprestimos?
Mário, o rombo se alastraria em mais uma direção. Apesar que, seria uma provável solução. Se tá todo mundo em um buraco, na verdadem o buraco deixa de visto.
Olá Ricardo, ótimo texto! Concordo plenamente em dizer que nós consumidores temos uma grande parcela de culpa em aceitar os juros altos quando compramos a prestação. E sem educação financeira não tem mais como viver gastando uma parcela enorme do salário em parcelas de cartão de crédito. É preciso dizer NÃO as coisas inúteis e rever se vale a pena comprar o que tanto deseja. Comprar pra depois pagar causa frustação, como experiência própria eu prefiro guardar o dinheiro da parcela durante os meses (como se estivesse parcelado) e comprar à vista!
Grande abraço
O negócio é usarmos os juros a nosso favor, ou seja, poupar e investir. Se desejamos adquirir algo, nada melhor do que planejar, poupar e pagar à vista. Excelente artigo Ricardo, parabéns!
Precisamos continuar comprando, nos endividando cada vez mais com parcelas que cabem no nosso bolso assalariado, se guardarmos o $ embaixo do colchão a economia não anda…
A propósito, ilustrissimo presidente Molusco, eu achei seu mindinho…lindo!
Cada país merece os lideres que possui…
Ricardo, achei seu comentário bastante lúcido e permita-me acrescentar. Toda essa armação que estamos vivendo, chamada crise, tem um nome: Ganância. Na verdade enquanto uns perdem outros ganham, é apenas uma transferência de propriedade dos recursos. Sempre terá alguém ganhando e alguém perdendo, esse é o jogo. O que não dá para entender, no caso brasileiro, é o alarde e clima de apocalipse que fazem esses agiotas oficiais, que são os banqueiros, em cima da miséria alheia. Tudo isso acobertado e bem acobertado por um presidente despreparado e medíocre que temos. Um homem que dantes era o fiel escudeiro da classe trabalhadora, contra a especulação do capital, contra o imperialismo, e que, alçado a condição de chefe de uma Nação, de repente muda completamente seu discurso, e torna-se conivente com o que mais combatia. E aí? palavras, palavras, ditas ao vento nas campanhas pré-eleitoreiras, hoje já não tem mais nenhum valor. E o povo? o povo que exploda, ou melhor f…-se. Essa é a realidade! O que estamos assistindo são os bancos com seus lucros fabulosos, e que não querem ceder um milímetro de suas margens de lucro, em prol de um sacrifício coletivo, que venha a redundar adiante num melhor patamar de vida aos cidadãos. Quando a figura chamada presidente assumiu, a taxa de juros Selic girava em torno de 25%, herança do desgoverno FHC. Diante de fatores externos e internos favoráveis, a nossa economia deu uma respirada, permitindo que a a taxa Selic fosse sendo reduzida, chegando próxima aos 12%. Cogitava-se que os banqueiros estendessem a redução verificada, às taxas cobradas pelos serviços oferecidos, cheques especiais, cartões, etc. Tal não aconteceu, pelo contrário, a cada anúncio de reunião do Copom, mais se especulava em torno do aumento das taxas e juros desses serviços. Mas porque, diante deste quadro ganancioso, o nosso patriota e trabalhador presidente, não peitava os banqueiros como dantes??? é estranho que o seu vice até se comove ou tenta passar a imagem que discorda das taxas abusivas, mas ninguém faz PN (porra nenhuma) para mudar este quadro e aí? sabem porque? porque a política e os políticos deste país estão, historicamente falando, intrinsecamente interligados, de modo tal, que um nunca irá deixar de apoiar o outro. Se isso acontecer o Estado (dito) Democrático de Direito iria se enfraquecer, por outro lado a Ganância (olha ela aí de novo) pelo Lucro fácil deixaria de ocorrer. Quando existia o “câncer” chamado “correção monetária” dentro do nosso (será que ainda é nosso mesmo?) país, tudo aqui dentro girava em função dela, com a doce ilusão de uma poupança corrigida, lá se ia cambaleando a nossa economia. Veio o Cruzado e depois o Real e o “câncer” retro-mencionado foi extirpado. Ora viva, agora sim a nossa economia irá deslanchar, pensavam os mais esperançosos, acabou-se a especulação financeira, os aluguéis irão baixar, as taxas, os juros dos cartões e cheques especiais, também irão cair. Tudo irá mudar, assim pensavam milhares de brasileiros, que nem eu e vc. Ledo engano, os espertos que viviam e continuam a viver da ciranda financeira, logo logo teriam que criar algum índice ou algum fator de correção, porque a Ganância é que impera e é ela que tem que prevalecer, afinal é o poder econômico que está em jogo e nessa batalha nós não podemos perder, pensavam do outro lado eles os banqueiros, veio FHC, com a sua política neo-liberal e a primeira coisa que fez foi restringir o crédito, com medo que ela voltasse, a inflação. Tudo isso gente era apenas jogo de palavras. Desde aquela época o projeto FHC era congelar salários para evitar, via consumo, a elevação, ou o retorno do período inflacionário (antes do Cruzado), veio o Lulão, aquele da “esperança venceu o medo” e, pimba tome ferro em cima da gente. Aliou-se, ou melhor encaixou-se perfeitamente ao pensamento e “modus operandi” dos banqueiros tupiniquins, favorecendo-os em inúmeras ações, como a reforma da previdência (vide previdência privada), liberação cobrança de taxas e serviços (cada banco cobra o que quer), acesso aos órgãos públicos das três esferas de poder (e tome-lhe crédito consignado pra os servidores, pensionistas e aqueles velhinhos da previdência, que um dia FHC apelidou-os de “vagabundos”. E, por outro lado, o “operário presidente” manteve de forma cruel a política iniciada pelo seu antecessor, continuando a manter a inflação sob um rigoroso controle às custas de congelamento de salários. Ora, se o seu salário nominal não é devidamente corrigido pela inflação de um determinado período, a cada dia, a cada ano o seu salário real irá cair, isso significa que o seu poder aquisitivo irá também diminuir. Controlar a inflação dessa forma é muito simples e bem mais fácil não é sr. presidente? ainda que isto implique (em todas as cidades, do Oiapoque ao Chuí), num aumento desenfreado da violência, do desemprego, da fome e da miséria de um povo, mas pouco importa o que importa é que o povão analfabeto, este sim está satisfeito, pois tem o bolsa família, bolsa escola, bolsa motel, bolsa enterro e uma série de bolsas por aí…aliás este povão analfabeto, não tem nem computador em casa mesmo, como irão saber o que se passa em sua volta, bem debaixo do seu nariz, querem mais é dizer: Viva o Rei! que seria de nós sem esse hôme, se com nove dedo faz tudo isso por nós, imagina se tivesse os dez dedo, né cumpade?
Boa sorte a todos e que Deus olhe por cada um de nós!