A Psicologia Econômica e suas AÇÕES!
Publicado por em 25.11.2008 na seção Ações e Derivativos, Finanças Pessoais
Você tem investimentos? Tem algum investimento atrelado à bolsa de valores? Como estão suas AÇÕES? Neste último questionamento, não me refiro aos títulos que possivelmente tenha em carteira, mas sim à outra definição de "ações" como sinônimo de atitude, de atos realizados para provocar ou reagir a estímulos. As ações que praticamos em nosso dia-a-dia necessitam, em muitas ocasiões, ser cuidadosamente analisadas. A motivação desta análise é avaliar se aquilo que estamos fazendo é resultado de nossa própria vontade ou efeito colateral de alguma decisão passada.
Um exemplo
Você se lembra de alguma vez em que comprou (ou ganhou) um livro/CD/DVD de que não gostou? Qual foi a sua reação? Foi até o final, ouviu todas as músicas ou abandonou tudo pela metade? Que tal outro exemplo ainda mais simples: alguma vez matriculou-se em uma academia pagando juntamente as 3 primeiras mensalidades? Tentou ir durante os 3 meses mesmo sem vontade?
A Psicologia Econômica reconhece estas atitudes exemplificadas como falácias dos recursos investidos. Em resumo, são situações em que tendo investido algum tempo ou recurso financeiro, continuamos "insistindo" naquela atividade mesmo que, intimamente, ela vá contra nossa vontade. Vamos conversar sobre isso e envolver investimentos financeiros na história.
Emoção na Bovespa
Voltando às ações da bolsa de valores, como andam suas decisões? Desfez-se das ações enquanto ainda estavam em patamares elevados, usando o famoso jargão "vender na alta"? Continua mantendo as ações em carteira com tranqüilidade ou está sofrendo os efeitos da queda? O que fazer neste último caso? Se você ainda pretende continuar operando na bolsa, tente imaginar (se possível!) que não tem nenhuma ação e só então pense no que faria neste atual cenário:
- Compraria acreditando que os preços estão baixos o suficiente?
- Continuaria aguardando um momento melhor para a compra?
- Adotaria uma estratégia de venda acreditando que os preços ainda podem cair mais?
Tente decidir sem que os fatos passados interfiram nas novas decisões e procure precaver-se nas próximas operações, estudando, por exemplo, mecanismos específicos como vendas automáticas (também conhecidos como STOP). Acredite, as decisões planejadas para que ocorram automaticamente poderão livrá-lo de perdas maiores quando estiver indeciso em relação a abandonar um investimento com prejuízo. Agir assim no mercado de ações é fundamental.
Quando estamos envolvidos pelo calor da emoção (esta sendo uma das frentes de pesquisa da Psicologia Econômica), normalmente tomamos decisões inadequadas - ou simplesmente deixamos de decidir. Portanto, procure sempre tomar decisões que possam maximizar seu bem-estar, além de abandonar aquelas que, inconscientemente ou não, esteja realizando (ou deixando de realizar) para livrar-se de algum equívoco do passado.
Sugiro que faça uma avaliação de suas últimas decisões financeiras e procure interpretá-las segundo o viés apresentado pelas reflexões deste artigo. Intencionalmente, provoquei muito mais que esclareci, a fim de que você possa refletir sobre seus atos e observar-se mais. Boa sorte e bons investimentos! Até a próxima.
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Marcelo Stefanelli Santos é leitor assíduo do Dinheirama, vencedor da promoção "Investimentos Inteligentes no Dinheirama", e grande estudioso da Psicologia Econômica e seus efeitos no cotidiano financeiro dos brasileiros.
Crédito da foto para stock.xchng.


























Olá, Marcelo.
É bem interessante quando converso com amigos meus e eles ficam surpresos com o fato de eu não ter vendido ações e nem estar muito preocupado, e não entendem mesmo quando falo que meu planejamento é de longo prazo.
Claro que te afeta o fato de que seu patrimônio retrocedeu ao nível de alguns anos atrás, mas na minha opinião tudo depende de ter um planejamento. Tendo um planejamento bem definido, estudando bem o mercado e cumprindo seus planos, você minimiza os efeitos da crise.
Já no meu caso, o problema é, como você comentou, saber quando voltar a comprar.
stefanelli, tem algum livro sobre psicologia economica ou psicologia do consume(se é que isso existe) pŕa indicar? eu keria muito ler um livro sobre o comprtamento das pessoas na hora da compra, o efeito do marketing, a peer pressure enfim, essas coisas. alguma sugestão? esse artigo foi muito bom!
Eu não venderia na baixa, aliás não vendi. Sei que depois que a poeira baixar tudo voltara o normal.
Tenho apenas títulos de empresas sólidas que não correm risco de falir.
Aliás, se tivesse um reserva eu compraria agora tudo que pudesse.
Marcelo, em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pelo excelente artigo, continue nos brindando com os textos de ótima qualidade.
Quanto aos amigos que se interessem por mudança de comportamento, indico o livro "Terapia Financeira", que apresenta ao grande público a Metodologia Comportamental DiSOP.
Quem tiver interesse em conhecê-la eis nosso link para compra do livro:
http://www.submarino.com.br/produto/1/21377310/?franq=247523
Forte abraço à todos.
Filipe e Rocky
Parabéns pela consciência e o planejamento de longo prazo !
Quando temos objetivos, as oscilações de curto prazo têm pouca influência no nosso "humor".
Alpha
Se tiver intimidade com o idioma inglês, sugiro que leia as colunas deste site: http://www.marketwise.com/Xigla/News/templates/MW_Template_Psych.asp?articleid=896&zoneid=3
Há inclusive a possibilidade de assinar o RSS e receber as atualizações automaticamente. Recebi muitas indicações de livros bons a partir destes artigos.
Se tiver dificuldade com esta leitura, há material em português publicado pela Vera Rita Ferreira em http://www.verarita.psc.br e inclusive um livro escrito por ela chamado Psicologia Econômica.
Boa leitura.
valeu ricardo, vou comprar!
Assim como o Filipe Coimbra também não vendi as ações da minha carteira, o baixo valor das cotações trouxe uma sensação esquisita no início, mas que logo passou, afinal investi para longo prazo. Como comentou o Rocky, também vejo o momento como boa oportunidade para acumular novas ações.
Mas o interessante é analisar nossas decisões até aqui, aprender com elas para tomar futuras e acertadas decisões.
Olá,
A pior característica de um investidor é querer ganhar muito e depressa optando por usar os diversos instrumentos financeiros para alavancar em vez de cobrir riscos.
Hedging tem a ver com cobertura de risco. Ora ao se alavancar, tanto se pode ganhar muito ou perder muito.
Há que pensar nos fundamentais das empresas em que se investe e equilibrar os investimentos, não os colocando no mesmo cesto.
Algo que as entidades reguladoras deverião controlar mais rigidamente são os influenciadores de mercado.
Fiquem bem,
José
Hoje recebí um extrato da Previdência Privada do meu filho, que tem os ganhos atrelados a Bovespa,e pude sentir o "choque" da Bolsa no meu Bolso....O rendimento no ano foi negativo ( pouco, mas pra mim é muito : R$ - 477,09.
A pergunta é : "devo interromper por um tempo as mensalidades , até a Bolsa voltar pelo menos ao "normal" ?
Ou devo continuar pagando normalmente, como se não estivesse perdendo...
Afinal, são 03 previdencias na minha casa....
Muito bom....estou adorando ler este blog