O PIB, o trimestre de ouro e as perspectivas para o futuro
Publicado por Ricardo Pereira em 10.12.2008 na seção Economia Geral
Eis que surge, coberto de glórias, o resultado do terceiro trimestre do PIB brasileiro de 2008. De acordo com o IBGE, a expansão do Produto Interno Bruto do país chegou a incríveis 6,8%. Incríveis por conta da crise financeira mundial que traz, em todo canto, um pessimismo contagiante e problemas nas economias de diversos países (Brasil inclusive). O número é sensacional, mas infelizmente devo lembrá-lo de que a realidade e os acontecimentos brasileiros de outubro e novembro é que “são elas”.
Quando falamos em PIB e como o número final é composto, muita gente torce o nariz, já que, via de regra, o assunto acaba se tornando técnico demais - quase ninguém realmente entende os detalhes econômicos da composição. Assim, deixando o economês de lado, o mais importante agora é entender de onde veio esse crescimento e se ele vai ou não manter o mesmo ritmo em 2009. Não, não vai.
O primeiro ponto importante que devemos apontar é que o consumo e a situação financeira das famílias brasileiras deu um salto expressivo - dois dos grandes pilares do crescimento. É fato, as pessoas tomaram gosto pelas compras e foram atrás de automóveis, casa nova, troca de apartamento e etc. – mesmo, na maioria das vezes, se endividando.
Outro ponto de forte impacto no crescimento foi a participação maciça em investimentos por parte do governo. O chamado PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) trouxe ao país inúmeras obras e impactou positivamente os dados medidos pelo IBGE.
Sob o aspecto prático, o que aconteceu nesse terceiro trimestre mostra como o país aproveitou os últimos momentos em que a crise ainda era uma “marolinha”. Aos poucos, a onda foi crescendo e agora vem despedaçando, de maneira inédita, empresas, bancos e economias mundo afora. Segundo o economista José Julio Sena, o governo Lula pode ter tido nesse 3º trimestre de 2008 o seu último momento de crescimento:
"O terceiro trimestre já ficou para trás. E, definitivamente, pode ser o último de crescimento forte do governo Lula"
Trata-se de um risco real, dada a forma como a política econômica vem sendo conduzida. Todos nós, em algum momento, já discutimos a maneira como o Banco Central “jogou” com a política de juros básicos. Eu mesmo fui um forte critico - dou minha mão à palmatória, já que exagerei nas críticas. Mas, agora, a situação é nova e o desenvolvimento e crescimento do país nos próximos meses e anos se darão a partir do que for decidido nos próximos meses. Abusando deste espaço e de sua paciência, lanço novas (velhas) críticas:
- Não podemos mais conviver com os juros absurdamente altos que o governo leva ao mercado através da Taxa Selic;
- Não podemos mais conviver com os “juros assassinos” que os bancos usam suas operações financeiras. Tais taxas deveriam ser qualificadas como crime contra a economia popular.
O país, hoje mais do que nunca, precisa ser empreendedor, apoiar as ações de micro crédito e o desenvolvimento de negócios sustentando e desonerando as pequenas e médias empresas. Não é verdade que foram feitos pacotes milionários de ajuda aos bancos? Esta ajuda chegou pra valer nas pontas? As empresas se beneficiaram?
Por que não brindar a economia como um todo e seus contribuintes, encarando o problema de frente e diminuindo, por exemplo, a carga tributária? É desmotivador e chato para qualquer ser humano trabalhar quatro meses do ano para pagar impostos e não ver retorno expressivo e de qualidade nos serviços através deles financiados.
O presidente Lula e o Ministro Mantega estão corretos ao afirmar que o Brasil de hoje está muito mais preparado para enfrentar crises internacionais do que no passado. Estamos, sim, mas não podemos agora errar e subestimar o potencial devastador da crise. Cadê a seriedade? O mundo busca possibilidades de crescimento, oportunidades na crise.
E, nós, brasileiros, nação tão rica e otimista? O que buscamos na crise? Para onde vamos? Os números do terceiro trimestre impressionam, mas não garantem um 2009, 2010, 2020 de sucesso. Parece-me que o Brasil ainda não encontrou sua direção em meio ao caos: caminhamos rumo ao crescimento ou diretamente para a estagnação? Como brasileiro, quero o melhor, não interessa quem governe. Ufa, que venha o 4º trimestre.
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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo Pereira
Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Um detalhe que não é mensurado na composição do PIB, é o endividamento derivado por seu desempenho, que neste caso atual é um número a ser comemorado porém carrega consigo um dos maiores endividamentos (financiamentos) da história.
Quanto ao desempenho futuro, temo que 2009 pague pela política microeconômica de crédito fácil que deu o Brasileiro o gostinho de adquirir bens que teoricamente outrora não podia comprar, alavancando as vendas a crédito e fomentamdo o consumo.
O Brasil vive um momento especial, pois hoje o Brasil esta mais preparado para crises do que anteriormente,apesar de sabermos a profundidade desta crise que com certeza nos afeta, mas seus efeitos podem ser amenezidos. O Brasil tem um arsenal de medidas para evitar os efeitos da crise internacional,sendo que as medidas ja tomadas fazem parte desta contenção,conforme informa o ministro da fazenda Guido Mantega.Temos que adimitir que para o mundo 2009 sera um ano de muitas incertezas,porem podemos com certeza afirmar que o Brasil crescerá menos em 2009, mas se medidas eficientes de contenção forem tomadas , em 2010 o Brasil volta ao mesmo ritimo de crescimento, mesmo com com este cenário mundial,pois fortalecemos o mercado interno e ficamos menos dependente do mercado externo.
Ao estimular o consumo, a produção e o empreendedorismo fortalecemos a economia brasileira.Aos endividados é obvio que os mesmos devem pagar o que devem antes de adquirem outros produtos, mas aos que tem dinheiro neste momento devem sem sombra de duvidas utilizar,pois é neste momento de crise que aquele carro tão sonhado pode ser comprado a vista, o mercado acionário esta oferecendo grandes oportunidades,pois neste momento de baixa é que se deve comprar e na alta vender (regra básica esquecida), alguns dias atrás estavamos em um bom momento para quem soube ganhar dinheiro, mas hoje é o momento de reflexão pois mais cedo ou mais tarde alguma crise viria e veio e muitos se esquecerem que existem momentos de bonança e momentos de escasses.
Embora tenhamos que admitir que a taxa de juros praticada no Brasil é realmente alta, também temos que admitir que os mesmo juros protejem a economia brasileira, mesmo sendo abusivos.Não sou a favor do consumismo, mas sim do consumo e do endividamento consciente.
Assim como a crise chega um dia ele também se vai, mas a questão é como eu e você estaremos após ela passar, se soubermos aproveitar o momento talvez crise se torne oportunidade,mas se nos deixarmos contaminar pelo pessimismo a crise sera nossa destruição.
[...] meu último artigo, entitulado “O PIB, o trimestre de ouro e as perspectivas para o futuro”, conversamos sobre como seria importante para o atual momento da economia brasileira o governo [...]
[...] meu último artigo, entitulado “O PIB, o trimestre de ouro e as perspectivas para o futuro”, conversamos sobre como seria importante para o atual momento da economia brasileira o governo [...]
O Brasil nunca esteve no centro da crise, pode ser afetado mas nunca será o centro. Os pessimistas vão continuar doentes, os especuladores enganando os trouxas.
A verdade é que o Brasil sempre foi um país rico, como diziam nossos avós, só foi preciso deixar a polícia trabalhar para aparecer dinheiro. Não tem como lavar meu amigo, a máfia brasileira não estava preparada para o PT, eles atiram no pé e continuam atirando, sobra bala para todo lado.
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