Será que vale a pena emprestar seu dinheiro?
Publicado por Ricardo Pereira em 09.01.2009 na seção Educação Financeira
Muitas pessoas passam a enfrentar problemas financeiros após realizarem um ato que, em um primeiro momento, parece ser o mais correto e apropriado: emprestar dinheiro para alguém da família ou para um amigo. De acordo com o dicionário on-line Michaelis, emprestar significa “confiar, dar alguma coisa a outrem com a obrigatoriedade de restituição: Emprestou um livro ao colega. Emprestei-lhe várias quantias”. Na prática, sabemos que emprestar pode ser sinal de dor de cabeça e chateação. Em resumo, ao emprestar valores nos expomos a duas situações problemáticas:
- Quem precisa de dinheiro emprestado, pela dificuldade que passa, terá muita dificuldade em honrar mais este compromisso assumido. Aceite que o risco de calote é alto;
- A segunda situação acontece como conseqüência da primeira: muitas amizades verdadeiras e de muito tempo terminam por conta de um ou mais empréstimos sem retorno.
Não empreste, doe!
Ao emprestar dinheiro a alguém nós combatemos um efeito. Podemos ajudar resolver um problema emergencial que, de fato, pode não representar uma solução definitiva para a vida do ente ou amigo que precisa. Se você tem mesmo condições e disponibilidade, prefira doar o dinheiro a emprestá-lo. Porque uma amizade verdadeira não tem preço e não vale a pena correr o risco de perdê-la.
Na verdade, o ideal que deve ser passado e ensinado a um amigo em dificuldades é a importância e necessidade de educação financeira. No longo prazo, isso é mais importante que qualquer quantia - o acesso à boa informação acaba sendo mais útil do que dinheiro. Ajude-o a montar uma estratégia para sair das dívidas. Como?
- Priorizando o que deve ser pago;
- Mostrando o caminho correto e razão para o esforço;
- Ajudando-o a fazer um raio-x de suas despesas;
- Anotando, dia após dia e por no mínimo 3 meses, todas as despesas - desde as pequenas até as maiores;
- Analisando os números ao seu lado, com paciência.
Assim, seu amigo perceberá o quanto sua amizade é leal. De posse dos números, finalmente você pode ajudar seu amigo a voltar a sonhar. Sonhar de forma mais interessante, com a chance de realização e com as possibilidades que se abrirão através do forte trabalho da educação financeira.
Aprendizado mútuo, alegrias compartilhadas
Serão momentos de troca constante. Além de ajudar seu familiar ou amigo, você aprenderá muito com as situações e desafios decorrentes desta experiência. Mesmo conseguindo pagar as dívidas, deixe claro a importância de se pensar no futuro. Os objetivos precisam ser cultivados e, para isso, no mínimo 10% do orçamento devem ser reservados mesmo antes do pagamento de qualquer conta.
Aja com sinceridade e honestidade. Mostre que o orçamento deve se encaixar dentro desse novo padrão e que o estudo dos pequenos gastos feitos antes será a chave para independência financeira futura. Insisto, mude a vida de um amigo deixando bem claro que pelo menos 10% das receitas devem ser poupadas antes do pagamento de qualquer outra despesa.
Importante lembrar que os compromissos precisam ser honrados, mas que a negociação realizada com paciência e inteligência (inclusive utilizando o tempo como aliado) pode trazer ótimos resultados. Deixe que o credor também se preocupe em receber e crie uma boa oportunidade de pagamento.
Transforme um amigo endividado em investidor
Ao ajudar seu amigo endividado o levará através de um novo caminho. Mostrará que com um controle mais apurado, logo ele poderá chegar ao patamar de investidor - quando só 10% será pouco perto do seu potencial como investidor. Com o tempo, os sonhos se renovarão e surgirão novos objetivos. Tudo porque você deu mais do que dinheiro. Deu esperança, boa vontade e educação financeira.
——
Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.
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12 comentários
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ADOREI!
É isso mesmo que devemos fazer e a surpresa boa será receber de volta o que emprestamos.
Nhá, fala sério… Se o foco do artigo fosse mais “não empreeeeeeste nuuuuuunca” eu enviava pro meu pai ler, que ele precisa… Mas do jeito que está ele não consegue chegar na terceira linha (pra mim também foi difícil). Legal seria uma série de artigos assim: 1° Não empreste; 2° Não seja fiador; e assim por diante, da mesma forma que o Conrado fez com os títulos de capitalização… Não há planejamento financeiro que aguente dívidas dos outros!
Navarro, muito interessante esta visão.
Abs,
Marcelo
Caro Gui Rodrigues, acho que a falta de um olhar mais atento mostra porque você e seu pai devem estar precisando da leitura deste e outros artigos. Pelo menos você leu.
Se você tem amigos e quer ajudar, a grande mensagem que pra mim ficou do artigo foi, dar o peixe ao invés de ensinar a pescar.
Adorei o Artigo Ricardo, inclusive já o passei para todos meus amigos e amigas aqui da redação.
Mais uma vez vocês do Dinheirama, surpreendem.
Beijos,
jah tinha liodo sobre isso em algum lugar ma snaum em lembro. realmente, dar o dinheiro eh melhor que emprestar. alias, no meu caso eu cobraria a leitura de pai rico, pai pobre como forma de recompensa e iria sabatinar um mes depois pra saber se tinha lido mesmo e se tinha entendido. em pouco tempo fgaranto que ele voltaria pra me devolver o dinheiro que dei de qualquer jeito. ^^
Ricardo, raramente empresto $, qdo o fiz, fiquei consciente que provavelmente estaria doando, assim como o faço quando atendo fiado uma emergencia médica. As pessoas devem desejar do fundo do coração mudar pra melhor, em qualquer ambito!
Qto mais trabalho, mais sorte tenho!
Gostaria de ter lido esse texto algum tempo atrás.
Perdi um amigo de infância dessa maneira, fui fiador, e em um segundo momento emprestei dinheiro, mesmo já sabendo que poderia levar calote. Depois que vi o tamanho da besteira, fui tentar ajuda-lo e ele encarou como uma cobrança. Se tivesse feito na ordem inversa como está no artigo minha amizade estaria preservada.
De qualquer forma espero que ele leia esse artigo um dia, e quem sabe possa me entender.
Vlw
Dinheirama!
“A segunda situação acontece como conseqüência da primeira: muitas amizades verdadeiras e de muito tempo terminam por conta de um ou mais empréstimos sem retorno.”
–
Exatamente o que aconteceu comigo, a maior amizade que tive na minha vida terminou por conta de um empréstimo que até hoje não recebi.Esse artigo foi um dos poucos que não serviram para mim, mas irá servir para muitas pessoas.Digo que não serviu porque com a experiência que tive, tenho a mesma opnião.Empreste dinheiro para algum amigo ou parente só quando não for contar esse dinheiro, uma espécie de doação sem o consentimento da pessoa.Se ela pagar bem, se não pagar deixa para lá.
Ricardo,
Situação delicada… Acho difícil abstrair sua mensagem (salvo em caso de risco de saúde). Percebo que, quando fazemos uma poupança estamos nos privando, e aos nossos familiares, de alguns desejos e necessidades, somente para garantir um futuro melhor. Ai vc chega e fala em doação! Na vida acredito que aprendemos pela vontade ou pela necessidade. Portanto, deixo a necessidade ensinar meus amigos em dificuldade. Isso faz parte da vida!
Grande abraço,
Ricardo
As poucas vezes que emprestei dinheiro à amigos foram por causas tão nobres que se eles não tivessem pago não teria a menor importância. Mas nunca levei calote.
Em compensação eu “emprestei” tanto dinheiro a uma irmã, que ela nunca pagou, que perdi a conta. Eu sabia que estava doando.
Hoje eu sei que estava errada. Ela se acostumou em receber que não ia à luta para ganhar o que precisava. Tudo tem limites. Concordo com o (a) Guilly: deixei que ela aprendesse com a necessidade. E não foi que ela aprendeu?
Eu acredito ter perdido uma grande amizade por razão de um empréstimo que pedi e demorei muito, mas muito tempo mesmo para pagar, pois não tinha a educação financeira que tenho hoje. Um dos estragas que a falta de educação financeira fez em minha vida.
Abraços,
Na mesma linha deste artigo deveria ser escrito outro direcionado aos “devedores”. Apesar de todos os ítens abordados nele servirem para ambos os lados.
Quando se fala em emprestar dinheiro para amigos e familiares entram em cena tantas variáveis diferentes, pessoais e que em quase 100% dos casos fogem de qualquer estratégia financeira.
Graças a Deus e a minha doutrina de poupar cada centavo ainda não passei por apertos financeiros e espero não passar. Não temos como evitar, mas podemos tentar amenizar um possível problema.
Este meu costume de poupar vem desde garoto ( desde uns 7 anos, estou com 25 ). Aprendi os benefícios de economizar hoje pensando no amanhã. Olha que em 1990 eu não tinha nenhum conceito de finanças pessoais, só o básico mesmo “quem guarda tem”. Não existia internet e nem eu tinha idade para estudar tal assunto.
Discordo sobre o conceito de doar dinheiro ou quando fazer um empréstimo dependendo da situação já fazê-lo com este pensamento.
Concordo com o pensamento do “Guilly” e adiciono.
Por que será que os bancos e financeiras se cercam de tantos cuidados para emprestar dinheiro ?
PS : Apesar da facilidade obtida nos últimos 2 anos. Facilidade que rapidamente foi suprimida com a chegada da crise financeira em setembro último.
Eles fazem isso por que dependem deste dinheiro para sobreviver e para continuar ganhando.
Exemplo simples foi o “Lehman Brothers” que fez aquela lambança toda emprestando dinheiro e comprando papéis já contando com os recebimentos de emprétismos direcionados ao setor imobiliário. Virou a bola de neve que virou, afetando até alguns nós. E eu que sinceramente nunca tinha ouvido falar neles.
Tratando-se de finanças pessoais acaba sendo diferente, pois como você disse já que vamos emprestar devemos fazer isso com algo que não faça falta.
Comigo ocorreu a 3 anos de planejar com um amigo um negócio de video-games.
Iniciamos o trabalho aplicando R$ 5.000,00 cada. Começamos vendendo aqui e ali, mas vi que não tinha muito futuro visto o grande tempo de trabalho e o baixo lucro em virtude de competir com lojas muito maiores que conseguiam trabalhar com grandes quantidades e preços melhores. Sem contar que meu “sócio” era mais consumidor dos produtos do que vendedor. Era consumista mesmo, do tipo que compra coisas fúteis sem necessidade.
Como eu continuei trabalhando em outra empresa ( ainda bem ), fizemos um acordo que ele trabalharia com o dinheiro que haviamos investido e devolveria a minha em 6 meses. Até aí tudo bem tudo na amizade. Eu deixei dinheiro com ele para que ele pudesse “fazer” mais dinheiro com o trabalho.
Passou 6, 12, 18 meses e nada de eu receber o valor. Quando eu fui conversar com ele só ouvi desculpas e lamentações e que em uma hora oportuna ele pagaria.
Aconselhei ele dizendo que o estilo de vida que ele estava levando gastando muito mais do que recebe mais cedo ou mais tarde traria problemas financeiros sérios. Isso por que acho que o dinheirama sequer existia em 2005. Fui recebido com quatro pedras nas mãos como dizem por aqui.
Já são 3 anos e ainda não recebi, o valor não me faz falta, ao menos não imediatamente. Mas é meu dinheiro adquirido com muito trabalho e honestidade.
O que eu faço com 5 mil ?
Uma bela de uma viagem, uma reforma em minha casa, a entrada de um carro ou mesmo (e melhor ) comprar ações de empresas sólidas que estão baratas neste momento e em 2 anos ver este dinheiro dobrar.
Ou seja, eu acabei me privando de todas as coisas acima e muito mais.
A amizade acabou.
Qualquer interesse nesta pessoa é somente em reaver meu dinheiro.
Lição aprendida : Pessoas mudam, muitas delas ( não todas ) são tão falsas quanto uma nota de 3 reais. Basta um momento mais oportuno que é possível ver o caráter delas. Não se precisa de educação financeira ou de escola para ser honesto, ter índole e respeito ao próximo.
Acabo por não mais emprestar dinheiro a ninguém.
Talvez por causa de 1 eu futuramente não estenda o braço a outros.
Possivelente com o tempo a confiança volte.
Nunca se sabe não é ?
Abraços