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Crédito pessoal é sinônimo de dívida?

Publicado por Ricardo Pereira em 21.1.2009 na seção Finanças Pessoais

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Crédito pessoal é sinônimo de dívida?Como o Navarro bem frisou em seu artigo "Quando o melhor investimento é guardar dinheiro", uma triste realidade assombra a população brasileira: temos aproximadamente 80 milhões de pessoas endividadas. Repito: 80 milhões de pessoas com problemas financeiros. Se levarmos em conta que somos cerca de 180 milhões de habitantes no Brasil, mas não sua totalidade representando a população com renda, o número assusta mesmo. Daí a enorme importância de trabalharmos juntos a educação financeira[bb] deste país.

A preocupação se torna ainda maior se analisarmos mais a fundo estes 80 milhões de cidadãos com problemas. Do total de 180 milhões de habitantes, considera-se a população economicamente ativa como sendo algo em torno de 100 milhões de pessoas. Através de um cálculo simples, chega-se à conclusão de que 80% da população (economicamente ativa) se encontram com problemas graves de endividamento.

De onde surgiu esse endividamento?
Se de um lado existe um devedor, de outro lado existe um credor. Muitos tomam emprestado e poucos emprestam - cobrando caro por isso. As pessoas se endividam para adquirir bens ou serviços de que, na maioria das vezes, não precisam ou não querem (fazem para impressionar) e se deixam vencer pelo apelo da mídia ou pela simples “manutenção do status”.

Falando nisso, uma das definições de status mais brilhante que ouvi nos últimos tempos surgiu no último final de semana, a partir das palavras de um educador financeiro: “Status é o sentimento que move alguém a comprar coisas que não precisa, com o dinheiro que não tem, para agradar alguém que não gosta”. Como bem concordou a amiga Nanny Costa em seu artigo "Precisamos ressuscitar o porquinho", trata-se da mais pura verdade!

Nos últimos anos fomos envolvidos por grandes campanhas que ofereciam crédito quase que como frutas ou legumes que encontramos nas feiras livres. Bastava escolher a "melhor banca" e o "melhor produto", mas com um diferencial: pagamentos a perder de vista. A estratégia arriscada não é nova e a prática comprovou que se trata de um tiro no pé do consumidor – ele se satisfaz momentaneamente e cria (muitos) problemas para o futuro.

O velho conto do crédito fácil caiu como uma luva para situação do brasileiro comum, aquele que nunca buscou a educação financeira e o investimento[bb] como formas de realização de seus sonhos e objetivos. Provavelmente, isso aconteceu devido à falta de sonhos e objetivos. Aliás, quais são os seus sonhos? Já parou para pensar nisso?

Ao usar o dinheiro fácil oferecido por tantas instituições, o cidadão perceberá, talvez tarde demais, que o pior é o preço desta facilidade. O crédito fácil é caríssimo – sempre foi e sempre será. Devido ao meu envolvimento com o tema, ouço relatos impressionantes de pessoas que hoje não enxergam uma luz ou um caminho para sair desse buraco financeiro.

Sim, a situação pode ficar crítica. São pessoas que vivem a base de remédio, que dizem não ter mais motivo para viver ou que não conseguem nem mesmo comprar alimento para os filhos. A verdade parece distante. Não conte com isso. A realidade está logo ali, na família vizinha, ou mesmo mais perto do que imaginamos - é o nosso amigo, irmão ou nossos pais.

O choque de realidade.
A saída para essa situação passa, necessariamente, pelo controle financeiro[bb], seguido e alimentado pela priorização de seus objetivos e a construção de sonhos. Não podemos simplesmente trocar nossas metas futuras por carnês, prestações ou taxas por um prazer imediato duvidoso.

Cada um de sabe quanto esforço representa o salário que recebe. Infelizmente, em certas famílias todo o trabalho não chega a ficar uma semana na conta corrente. Precisamos, e volto neste ponto, nos revoltar contra o pagamento abusivo de juros, que contribui para o enriquecimento dos outros. Pense mais em você.

Se você passa por situação semelhante, faça um raio-X de seus gastos e estipule um valor mensal para o pagamento das dívidas. Mas lembre-se, e isso é super importante, seu salário não pode ser integralmente ligado ao pagamento das dívidas. Coloque prioridades e, se necessário, rebaixe momentaneamente seu padrão de vida.

Crie sua própria linha de crédito, onde você dita os juros que mais tarde retornarão para a realização dos seus sonhos. Converse em casa, afinal é importante que todos saibam e entendam qual o seu papel diante da realidade financeira de sua família. O projeto de todos tem que ser único e, principalmente, vencedor! Que tal começar agora?

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Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.


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Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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16 comentários

  1. Imagem do comentarista

    Olha que desde que me conheço por gente minha mãe dizia : 'nunca gaste hoje o que você pode economizar para amanhã'. Tenho uma micro empresa e consegui começar o ano com as contas em dia... Senão estava fufu. O recesso aportou em todos os campos. Alertei minha equipe, quando toda a mídia se voltava a este assunto.
    - O bicho vai pegar por aqui ano qu'entra. Justo e feito.
    Obrigado pelo blog, aparecerei sempre.

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    Luiz Eduardo Eugênio Lopes

    Sou leitor deste bolg a pouco tempo mas já estou impressionado.
    Gostei muito deste post, vivi isso a pouco tempo mas já me organizei para me livrar e estou planejando me livrar de uma dívida para atingir minhas metas poupando.
    Irei apresentar esse blog para minha esposa e juntos iremos estudar formas de controle e melhoria contínua da qualidade de vida e garantia de um futuro cheio de realizações.

    Parabéns pela escrita.

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    alpha

    as pessoas compram coisas que naum precisam com o dinheiro que naum tem pra impressionar quem naum conhecem e ser o que naum saum. (eskeci o nome do outro mas li na isto é dinheiro)

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    Gabriel Agá

    Sou bancário e tenho reparado em algo q, cada vez mais, se torna verdade: o número de pessoas q vai à agência negociar uma dívida é tão grande qto - e inúmeras vezes até maior - o número de pessoas q vai buscar um empréstimo.

    Raros são aqueles que vão atrás de alguma forma de guardar dinheiro - nem que seja a poupança velha de guerra...

    A diferença básica entre os clientes que vão ao banco procurar empréstimos e os que vão buscar investimento é que os primeiros só perguntam sobre a taxa de juros qdo voltam para negociar suas dívidas e os outros tão logo sentam a minha mesa já perguntam sobre ela.

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    Muriell

    Esta realidade só vai mudar quando colocarmos a educação financeira como disciplina base na grade curricular de nossos jovens! Assim como a matemática, português, geografia, historias e outras, a educação financeira deveria fazer parte da grade curricular do ensino fundamental brasileiro.

  6. Imagem do comentarista
    Daniel Pondé

    esse tipo de texto tinha que chegar a todos os brasileiros
    let's send this message out!

    "As pessoas se endividam para adquirir bens ou serviços de que, na maioria das vezes, não precisam ou não querem (fazem para impressionar) e se deixam vencer pelo apelo da mídia ou pela simples “manutenção do status”."

    falou tudo Ricardo, o que mais me deixa revoltado é que as próprias pessoas que fazem isso estão se auto- enganando fingindo que não percebem isso. É simplesmente deprimente.

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    MacarRony, sua presença e seus comentários são sempre bem vindos, tenha esse espaço como seu e participe sempre.

    Luiz Eduardo, obrigado pelo apoio e palavras de incentivo, fico feliz que divulgue o Dinheirama para sua esposa. Um dos grandes desafios na educação financeira em nosso país é quebrar esse tabu de falar sobre dinheiro em casa, tenho certeza que chegarão em seus sonhos e objetivos.

    Alpha, como vai? Obrigado pelas participações de sempre, essa frase pode ser adaptada para várias ocasiões, o importante é absorvermos o seu sentido prático e não cairmos nesse erro. Forte abraço.

    Gabriel Agá, mesmo não presenciando diariamente esse movimento dentro dos bancos, tenho muito contato com pessoas que passam por problemas crônicos de dívidas. Percebo que muitos se endividaram sem necessidade e sem foco financeiro entraram em um buraco sem fundo. Nosso papel é tentar ajudá-los criando estratégias e priorizando alguns pagamentos, mas principalmente alertando para que outros não caiam na mesma cilada.

    Muriell, como vai? Esse é nosso grande sonho. Vamos em frente para conseguir colocar a Educação Financeira nas escolas do Brasil. Abraço

    Daneil Pondé, simbora divulgar esse e outros textos para os amigos do Brasil, se enviarmos para um amigo com o comprometimento desse encaminhar para um outro criaremos uma corrente do bem, uma corrente da informação e educação financeira que em breve poderá proporcionar um ótimo resultado. Muito obrigado pelo apoio de sempre.

    Forte Abraço à todos.

  8. Imagem do comentarista
    Robson

    Experimentei os dois lados da moeda. To devendo e durante o ano ressuscitei o porquinho... Coloquei nele apenas moedas de R$1, R$0,50 e R$0,25. No final do ano passado, ao abrir, a alegria: R$490!!! Deu pra passear sem criar "maiores" dívidas. O resto eu vou pagando, daqui um tempinho eu acabo.....

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    Aureo Vilas Boas

    Meu ego e minhas dívidas... comecei 2009 me livrando do último carnê de leasing e prometi nunca mais comprar nada financiado!

  10. Imagem do comentarista
    Abbadon

    Para mim, eu sou um poupador de guerra. Trabalhei mais de dois anos fora de casa, morando numa republica meia-boca, colocando todos os meses 60% de meu salario em fundos de renda fixa e em acoes, e me virava com o que sobrava pelo resto do mes, e resistia à tentacao de comprar coisas (como os meus colegas que viviam comprando tudo - carro, computador, viajar, etc), pagava à vista, e muitas vezes conseguia fechar o mes no azul (apesar do apelido de Tio Patinhas que o pessoal me punha) e qdo meu trabalho terminou, voltei para casa com mais de 60 mil reais no bolso. E mantenho uma tabela Excel no computador, atualizada todos os dias, com todos os lancamentos passados, presentes e futuros. Posso me orgulhar que jamais fiquei devendo para ninguem, e tambem, que nunca empresto nem um real para alguem.

    E meus colegas que moravam na republica comigo, permanecem onde estao, todos endividados e sem nenhuma poupanca.

  11. Imagem do comentarista

    Entendo que há tipos de dívida, aquelas contraídas através de decisões emocionais que nos fazem adquirir supérfluos e aquelas oriundas do crédito fácil que nos fazem adquirir suposto status, não considero como dívidas interessantes. Entretanto para adquirir alguns ativos de mais relevância para nossa vida acabamos tendo que obter crédito para financiar a aquisição destes, neste ponto o importante é pesquisar, negociar com empenho e inteligência. O ideal, seria sempre pagar tudo a vista com bons descontos, em algumas situações é perfeitamente possível adiar a decisão e poupar para adquirir a vista, mas em nem todas a situações por motivos específicos isto é possível. Quando necessário utilizar crédito o importante e fazer de maneira consciente. Não sei se devo me considerar dentro dos 80 milhões de pessoas endividadas citadas no artigo, pois menciona problemas financeiros, no meu caso minhas dívidas são para aquisição de ativos relevantes para mim e minha família, foram planejadas e estão sob controle intenso.

  12. Imagem do comentarista
    Cleyton

    Só uma observação, a frase correta é "Status é comprar o que você não quer, com dinheiro que você não tem, pra mostrar pra pessoas que você não gosta, uma coisa que você não é" (meus dois centavos)

  13. Imagem do comentarista

    [...] que as vezes ficam perdidos. Achei muito interessanteum post do Ricardo Pereiraque comenta que o crédito pessoal é sinônimo de dívida. Uma situação muito ruim é quando precisamos de dinheiro rápido e recorremos a amigos e [...]

  14. Imagem do comentarista

    Eu já passei por alguns apertos, e o credito ajudou me num momento menos bom, mas o segredo é mesmo o equilibrio...

  15. Imagem do comentarista

    [...] Compras Estamos tão acostumados a comprar que às vezes não nos damos conta do por quê o fazemos. Será que realmente precisamos trocar de carro, computador, bicicleta e celular todos os anos? Ou será essa mais uma forma de manter nosso status? Se for essa a razão, saiba que status não é nada mais do que “comprar o que você não quer, com um dinheiro que você não tem, para mostrar a quem você não gosta, uma pessoa que você não é”, como comenta o Ricardo em seu artigo “Crédito pessoal é sinônimo de dívida?”. [...]

  16. Imagem do comentarista
    JOSE DIVINO NEVES

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