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O brasileiro com a “corda no pescoço”

18comentários

O brasileiro com a "corda no pescoço"Como educador financeiro, vivo atualmente acompanhado de uma triste realidade financeira: a constatação de que milhares de brasileiros estão com “a corda no pescoço”. Este assunto parece recorrente (e de fato é), mas precisamos encontrar uma forma de ajudar essas pessoas com informações de qualidade para que não afundem ainda mais no calabouço das dívidas e possam, com inteligência e esforço saírem de um mundo de problemas para um universo de poupança e investimentos[bb]. Temos falado muito em endividamento, de forma intencional, porque este é o grande mal da economia doméstica de muitos cidadãos.

Um exemplo prático é um e-mail que recebi de uma senhora, gerente comercial de uma empresa do setor automobilístico. A Sra. Helena (nome fictício) tinha uma renda de aproximadamente R$ 5 mil. Tinha débitos em 8 cartões de crédito que chegavam a R$ 30 mil. A situação estava já tão descontrolada que ela já não conseguia pagar nem o mínimo das faturas.

Não bastando, a Sra. Helena ainda devia 3 empréstimos contraídos para pagar outras dívidas e o cheque especial. A renda estava totalmente comprometida com empréstimos. De repente, surgiu em sua vida a pergunta fatídica que acompanha atualmente muitos de nossos conterrâneos: e agora, o que fazer?

Antes de qualquer coisa, é preciso que a pessoa entenda e aceite a sua verdadeira situação e esteja disposta a ir atrás de sua recuperação financeira. Consciente de sua situação de devedor – o que significa aceitar que é o culpado -, é indispensável mudar o comportamento do indivíduo. Quer começar? Quebre a barreira das dívidas se desfazendo imediatamente dos cartões de crédito.

Então faça um diagnóstico de sua real situação financeira, afinal os problemas não podem fazer com que o mínimo de gastos de sua sobrevivência sejam comprometidos. Por exemplo, as conta de luz, água e serviços básicos devem ser honradas.

No caso da Sra. Helena, a primeira atitude[bb] incorreta que ficou clara foi sua insistência em negociar e comprar usando como base seu salário bruto (e não líquido). O salário de R$ 5 mil não representa o montante disponível, afinal temos impostos e outros descontos que precisam sem contabilizados.

Depois do diagnóstico é preciso ter em mente um objetivo claro, algo que o faça sonhar e se motivar a reverter a péssima situação. Com os dados na mão, é importante já reservar, mesmo nesse momento complicado, um pequeno valor para a realização de seus sonhos futuros.

Sabendo quanto você poderá usar para pagar as dívidas, faça uma negociação direta com o banco ou financeiras responsáveis. Não aceite ajuda de empresas de recuperação de crédito, que no final realizarão um trabalho que você próprio pode realizar. Mostre sem medo sua cara ao gerente do banco e descubra o quanto poderá aumentar seu potencial de negociação dessa forma.

Não aceite, e principalmente não se abata por chantagens ou ameaças. Descubra o seu poder de reverter a situação, afinal o interesse em receber é um item que não pode ser desprezado – e qualquer valor é melhor do que nada. Acredite, o credor quer receber e vai ouvi-lo com muita atenção. Adéqüe o seu padrão de vida ao montante que representa a diferença entre sua renda líquida, o valor dos seus sonhos e o valor utilizado para o pagamento de despesas e dívidas. Ou seja:

Dinheiro para viver = renda líquida – valor poupado para os sonhos – montante para dívidas e despesas

Esse é o melhor momento para deixar alguns gastos para um momento posterior. Experimente cancelar aquele pacote completo da TV[bb] por assinatura e Internet. Deixe de almoçar fora toda a semana e contente-se com o cinema uma vez por mês. No caso que ilustra este texto, trata-se de uma situação que exige medidas extremas. Entrar de cabeça na resolução dos problemas financeiros só dá resultado com mudança de comportamento.

No caso da Sra. Helena, o valor da dívida era expressivo. A tática que precisamos impor foi algo bastante agressivo, mas que já começa a dar resultado. A negociação dos cartões foi um sucesso e o valor a pagar foi reduzido a praticamente metade. O cheque especial foi cancelado e a dívida substituída por outra com juros menores.

Ela se matriculou em um curso de educação financeira e caminha a passos largos. Dentro do planejamento, serão 5 anos pagando a dívida – pouquíssimo tempo perto de uma vida nova que ela terá logo logo. E mesmo durante esse tempo ela estará poupando para a realização dos sonhos. Pois é, mesmo diante de tantos problemas ela alimentou sonhos e os está perseguindo com unhas e dentes. A dívida se mostrou uma oportunidade para o despertar rumo a um mundo novo, onde o consumo consciente abre janelas que passam muitas vezes despercebidas em nossa vidas.

A mensagem que fica para os amigos que se encontram em situações semelhantes é que com um pouco de dedicação e foco é possível vencer o obstáculo das dívidas. Mas, antes, é preciso acreditar que o comportamento faz a diferença e que atitude e perseverança serão mais importantes que o próprio dinheiro.

——
Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Link Curto: http://bit.ly/xEL5GL
  • Vilas Boas

    É a mais pura verdade!

  • EMERSON FIGUEIREDO

    OLÁ SR. RICARDO..
    MINHA SITUAÇÃO NAO É TAO GRAVE SE COMPARADO CO A DA SR. HELENA, ESTOU COM A CORDA NO PESCOÇO ESTE MES POR CONTA DE UMA CONSTRUÇAO ESTREMAMENTE NECESSÁRIA EM MINHA CASA, O QUARTO DE MEU FILHO QUE NASCEU ESTE MES. MEU PLANEJAMENTO FOI PRO ESPAÇO E APARTIR DESSE MÊS ESTOU COM UMA DIVIDA ENTORNO DE R$ 4000,00 ACIMA DOS MEUS GANHOS..
    QUAL A SUA ORIENTAÇÃO..

  • Glauce

    A gente tem que aprender a controlar as emoções… comprar por impulso é o que mais gera dívida! parabéns pelo post!

  • http://webmasterdinheiro.blogspot.com/ Jonatan

    É inclivel! como que pode o “povo” sempre gosta de gasta dinheiro, eu ganho pouco mais consigo guarda 50 % do meu salário, eu espero fazer minha idependencia aem uns 6 anos, o problema é o modismo.

  • Matteo

    Concordo com a Glauce, acho q a compra por impulso é muito comum. Ainda mais, em uma sociedade tão consumista como a nossa, aonde so se fala em “gastar e comprar” e nunca se fala em poupar!
    Aliás, se fala mais em “parcelar e financiar”, mais do q qquer coisa.

  • alpha

    vendi a casa da familia pra honrar dividas. be melhor ter liquidez, naum dever a ninguem e viver de aluguel do que ter casa propria pagando mais da metade do salario de dividas e sem um misero real no bolso. casa propria nunca mais.

  • Hildon

    Casa própria nunca mais???? Já não basta todo mês água, energia, telefone, e ter q conviver eternamente com aluguel???

  • http://www.icommercepage.com/artigos_variados.php?id=1223970046&amp icommercepage

    Para mim a melhor socução para quem está até o pescoço, em primeiro lugar, consultar um bom gerente de banco, financiamentos imobiliários são bem baratos pois não tem risco, já que a escritura do imóvel vale como garantia, em segundo lugar fazer uma boa pesquisa em todos os bancos para ver quem oferece a melhor proposta, isso antes do crédito ir para o espaço porque, quando isso acontecer, a vaca vai para o brejo.
    No caso desta senhora, super endividada, eu recomendaria procurar um advogado, fazer um bom levantamento da dívida, como começou, quem são os culpados, tenho certeza que irão aparecer dados muito importantes.
    Ninguém se endivida porque quer, por outro lado nenhum comerciante vende para quem está atolado em dívidas. Portando, alguma coisa deve estar errada.

  • http://www.edmarjunior.eti.br/ Edmar Junior

    Ricardo, parabéns, excelente artigo! Ilustrou muito bem a metodologia proposta no livro Terapia Financeira.

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    Olá Vilas Boas, obrigado pelo apoio de sempre.

    Olá Emerson Figueiredo, a situação é crítica R$ 4 mil acima dos ganhos é um valor consideravel, mas a orientação é a mesma que para quem tem valores menores ou maiores. Anote por um mês todos os seus gastos e tenha um raixo X de sua vida financeira.

    Após conhecer sua realidade, adeque seu orçamento ao seu padrão de vida, acho que é a hora de rever as suas prioridades e buscar o equilíbrio, até que ponto é extremamente necessário o quarto do seu filho, já que um recém nascido requer cuidados por um bom tempo. Talvez você pudesse guardar o dinheiro e mais a frente construísse um quarto inclusive com móveis que teriam um tempo maior de utilização.

    Glauce, controlar as emoções consumistas é díficil. Entretanto quem tem sonhos, objetivos bem definidos consegue controlar os impulsos. Muito obrigado pelo comentário.

    Jonatan, como vai? Gastar dinheiro é muito bom não é? Melhor ainda quando os gastos podem ser organizados e planejados. O bolso sempre agradece.

    Matteo, boa tarde tudo bem?
    Vamos juntos levar a consciência financeira do quanto é importante poupar. Abraço.

    Alpha, o assunto Alugar X Comprar imóveis desperta opiniões diversas. Compartilho o mesmo pensamento seu.

    Hildon como vai? Alugar tem suas vantagens, sugiro a leitura desse artigo do Navarro http://dinheirama.com/blog/2007/05/28/imovel-comprar-ou-alugar/

    icommercepage, como vai?
    Cuidado com Gerentes de Banco, lembre-se que eles são profissionais representantes dos bancos, muitas vezes eles podem querer vender produtos que não são de seu interesse, inclusive financiamentos imobiliários.

    Forte abraço à todos e muito obrigado pela participação.

  • http://www.betoveiga.com Beto Veiga

    Parabéns, Ricardo Pereira!
    Excelente texto!
    Se puder me mandar um e-mail, pois não tenho o seu.
    Abraço do Beto

  • http://www.divulgandoweb.com Divulgar Site

    O Dinheirama ensina uma educãção financeira para todos os que desejam ser prosperos e terem familias estruturadas
    parabens!

  • http://www.cashnaweb.com Rafael

    Olá Ricardo,

    Como voce disse: “Então faça um diagnóstico de sua real situação financeira, afinal os problemas não podem fazer com que o mínimo de gastos de sua sobrevivência sejam comprometidos. Por exemplo, as conta de luz, água e serviços básicos devem ser honradas.”. Creio que o que precisamos é ter controle de todos nossos gastos para não chegar a um ponto onde não saber como voltar…

    Algo que sempre falo, nunca gaste mais do que você tem, ou não gaste mais que o seu salário por mês, isso evita o uso de crêditos, compras parceladas e afins…

    Controlar as emoções e se adequar ao seu salário é um ótimo começo para quem quer sair das dívidas!

    Até mais!
    Rafael

  • Pingback: Aprenda a controlar suas finanças | Cash na Web

  • http://www.ondeestaodinheiro.com.br/como-ganhar-dinheiro-buscando-a-liberdade.html Como Ganhar Mais Dinheiro?

    Concordo com as sugestões do Ricardo e gostei muito de deixar aquela fórmula do dinheiro para viver em destaque. É bom que as pessoas começem a aprender esse tipo de coisa. Eu tenho essa mentalidade desde jovem, quando ainda estava na faculdade. Sempre gastei menos do que ganhava e poupava a diferença pra ir fazendo um pé de meia em busca do sonho da independência financeira.

    Sou formado em computação e trabalhei na área por anos. O meu interesse por cuidar bem do dinheiro e ajudar as pessoas a ganhar mais dinheiro só cresceu nesses anos e agora me dedico em tempo integral à essa atividade. Há alguns meses sou leitor do dinheirama, encontro artigos bem interessantes aqui.

    Acredito que os leitores do Dinheirama estejam interessados em aprender a poupar, usar melhor o dinheiro e fazer com que ele cresça através de bons investimentos. Eu lancei um blog complementar para ensinar uma maneira de aumentar a renda, de se ganhar mais dinheiro e conquistar independência financeira. Aprenda como ganhar dinheiro e buscar a liberdade.

  • Daniel Pondé

    Aliás, se fala mais em “parcelar e financiar”, mais do q qquer coisa.

    mandou bem Matteo!

  • Marcos Fernandes

    Olá, abri uma micro empresa ha 10 meses a gerente do banco a minha casa me oferecer conta e cheque especial, no começo não quiz mas como estava sem dinheiro topei, de cara me deram um limite de R$ 10000,
    em 7 meses entrei no saldo devedor, minha empresa esta começando a querer dar certo, mas a divida no banco ja passou de R$ 16000, qual o caminho mais certo? negociar com o banco? pegar um advogado? o que sei é que não vou pagar os juros e taxas exorbitantes, em 2 meses a dívida saltou de 9.000 para 16000, grato pela orientação.

  • Isa

    Divida todos temos, tudo requer dinheiro…temos dividas fixas das quais não podemos deixar de honrar, mais podemos deixar de comprar as coisas que não precisamos e nos controlar pelo impulso do consumismos (marketing e status)…Através de livros e consciência da nossa existência, chegamos a conclusão que devemos abdicar de muitas coisas e ate mudar o nosso padrão de vida para chegar a uma estabilidade financeira. Entre linha; o maior livro existente no mudo já diz: quem não tem controle sobre as suas finanças não saberá administra nenhuma empresa alheia, nem tão pouco terá controle sobre a sua vida. Parabéns para o “dinheirama”, vocês estão ajudando muita gente ter o controle das suas próprias vidas, continue com esse trabalho bonito.

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Quem já falou do Dinheirama?

Enxergo o Dinheirama como uma das principais fontes de informação sobre educação financeira e investimentos na internet. Não porque não existem outras iniciativas com informações úteis, mas sim porque o Dinheirama fala tanto ao público experiente quanto para o público iniciante nessas áreas, e nesse último caso, faz com uma didática admirável e extremamente difícil de se encontrar por aí. Me ajudou muito, me ajuda e ainda me ajudará bastante, com certeza.

Bernardo Pina

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