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O Carnaval no Brasil, a China e a crise

7comentários

O Carnaval no Brasil, a China e a criseFicou para trás o Carnaval de 2009. Quem teve a oportunidade de acompanhar um pouco a festa de Momo teve a oportunidade de notar os reflexos da crise nos desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo. O luxo não foi tão nítido como nos últimos anos e mesmo os ingressos tiveram suas vendas realizadas com certa dificuldade. Mas, enquanto o Brasil parava para comemorar, o mundo continuava dando mostras de que a crise continuará forte nos próximos meses.

O que de fato mais me preocupa são os dados apresentados pela economia chinesa, última esperança do mundo (e do Brasil) em sofrer menos os reflexos da crise. O governo chinês injetará uma montanha de dinheiro[bb] na economia tentando promover o crescimento e principalmente a criação de mais empregos.

Nos Estados Unidos, fica claro que o Governo Obama terá um mar de espinhos pela frente para aprovar medidas financeiras que não são consensuais – nem mesmo dentro do seu próprio partido. Que os EUA vivem e viverão tempos difíceis em 2009 (e quem sabe 2010), todo mundo sabe. Mas e a China?

O “PAC chinês” (referência ao Plano de Aceleração do Crescimento) terá ao todo US$ 586 bilhões investidos (boa parte em infra estrutura). Veja tabela a baixo:

PAC Chinês - Tabela

Por que a preocupação com a China?
A tabela mostra números expressivos e que revelam o tamanho de uma economia que, ao que tudo indica, crescerá entre 6,5% e 8% em 2009. Hoje a China é nosso segundo maior parceiro comercial, atrás apenas dos EUA. Entretanto, a partir do segundo semestre começamos a sentir o peso da recessão e alguns setores começaram a ter seus pedidos cancelados ou diminuídos.

O caso mais nítido dessa nova disposição mundial foi expressa nas incertezas sobre o mercado[bb] de commodities, nosso carro chefe comercial com a China. A China compra muita matéria prima no Brasil, posteriormente usada na fabricação de seus produtos – que então são vendidos para os EUA, Europa e Japão.

Logo, se Japão, EUA e Europa não compram da China, a China não busca a matéria prima no Brasil, que dessa forma é atingido pela crise, gerando inúmeros problemas (entre eles menor crescimento, demissões em massa e etc.). Pior, o que se espera é o aumento da agressividade dos produtos chineses no mundo inteiro, o que explica algumas medidas protecionistas surgidas em muitos países.

Com o desemprego batendo a porta aqui e acolá, algumas verdades ficam  claras:

  • No mundo atual, não existe problema do vizinho. Todos estamos miseravelmente envolvidos em tudo. O que acontece na China influencia, e muito, as aventuras em nosso quintal; e vice-versa;
  • Algumas idiotices estão ficando óbvias. A mais clara delas é a pornográfica taxa de juros reais aplicadas no Brasil. As pessoas não terão como manter em dia seus pagamentos.

Ah, os juros…
Quem entrou na ilusão de comprar sonhos com o dinheiro dos outros (crédito), acordará dentro de um pesadelo de juros e taxas. Ontem, por exemplo, o jornal Folha de São Paulo divulgou dados dando conta do aumento da devolução de veículos por conta da inadimplência.

No melhor dos cenários, parece que no último trimestre de 2009 as ações do Presidente Obama começarão a dar alguns resultados – trazendo de volta a confiança ao mundo e seus negócios[bb]. Quem sabe influenciados pelo espírito de Natal o mundo experimente os primeiros sinais de recuperação.

No pior dos cenários, o governo americano precisará estatizar definitivamente alguns bancos e repassar ao contribuinte a conta de anos e anos de pura especulação. Dessa forma, os olhos de todos no mundo passariam a enxergar apenas o próprio umbigo, imaginando o que irá acontecer e se precavendo de todas as formas possíveis – o protecionismo entre elas.

O mundo mudou muito em um ano. Em 2008 estávamos preocupados com a inflação, a alta de preços dos alimentos e do petróleo. Agora, a preocupação é outra: não deixar o mundo quebrar. Mais, não deixar que as famílias e os contribuintes quebrem. Quem diria, a economia e o sistema financeiro nos tiraram para dançar…

Fontes consultadas: jornal Folha de S. Paulo (25/02/2009) e Revista Exame edição 937.

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Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Matteo

    Ótimo artigo Ricardo, a minha procupação maior é a seguinte: será q saberemos (Brasil e mundo) tirar alguma boa lição disso tudo, para não fazermos bobajens mais pra frente??
    Acredito nuam recuperação dos EUA, mesmo pq se eles não se recuperarem, quem se ferra além deles, é o resto do mundo.

  • Maurison Borba

    Matteo,

    “mesmo pq se eles não se recuperarem” agora nem é mais questão de querer se recuperar, é hora de trabalhar muito para isto!

    o ‘Sonho Americano’ estouro, acabou, quem compra tem que pagar!
    e ao meu ver se vamos saber tirar boas lições com tudo isto…
    Devemos para nosso próprio bem.

    Ótimo texto Ricado, andei sumido do site por uns meses!
    como o Conrado falo no texto consumistas impulsivos,

    “Vamos voltar com todo vapor”

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  • http://www.tribolider.com André

    Bom artigo Ricardo. Na verdade quem mais beneficia com a globalização são as grandes potências como a China e os USA. A Índia também vai emergir para mandar neste mundo. Aposto nisso.

  • http://www.amigoeconomista.com yannick

    Realmente otimo esse artigo, conheco a pouco tempo o blgo dinheirama, mas ja li ele quase inteiro. Para homenagiar esse blog resolvi criar o meu proprio blog sobre economia, mas modesto que esse com certeza, mas gostaria muito que dessem uma olhada:

    http://www.amigoeconomista.com

    abracos

  • Luiz Antonio

    Com coragem e trabalho dobrado não há crise que resista o Japão pos guerra estava em crise e superou com muito trabalho, este é o momento ouportuno para por todo conhecimento e buscar sabedoria dentro de nós, acreditarmos agirmos abaixar preços ou melhor ganhar mais produzindo mais com menores preço o Brasil já teve em crise muito maior não tinha credibilidade devia. FMI que dava as ordens e superamos, agora e o momentos de avançar esta crise não e nossa vamos produzir mais. Acreditar em nós vamos rever nossa politica de trabalho vamos usar a cabeça vamos mostra que o brasileiros tem pontencial humano nós temos de tudo vamos investir no material Humano Brasileiro, que tem solução, tem muita gente interesada na crise e não em trabalho. aproveitadores que não produz vive especulando não compre a ideia de crise. tralhe mais todos nós, não vamos deixar para o ritmo do brasil . Pra frente Brasil vamos mostra que esse pais não para. Quem para fica vamos avançar todos nos já, Superamos algums tipo de crise já tivemos epoca que não podiamos gastar gasolina aos domingos ja pagamos compusolios hoje estamos em ritimo de avanco não vamos dar ouvidos a crise. Vamos proibir falar em crise dos outros, vamos investir nas micros e pequena e em todas empresa Brasileira vamos criar algum tipo de beneficio direto a todos e todos sairemos ganhando quando todos ganham todos querem continuar jogando a crise la fora e porque não deixam todos ganharem querem ganhar sozinhos que não divide perde
    jogo de dama prar come duas tem que dar uma e assim que fuciona

  • Ibered

    Gostei do artigo, mas gostaria de acrescentar:

    TODAS as Principais Economias do MUNDO pretendem CRESCER – anualmente – à MAIOR Taxa % possível de Seus PIBs.
    Porém no Caminho Há uma PEDRA. “NOSSO PLANETA NÂO CRESCE”.

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