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PIB, crédito consignado e o destino do Brasil

Publicado por Ricardo Pereira em 11.3.2009 na seção Economia Geral

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PIB, crédito consignado e o destino do BrasilHoje é dia de conversarmos um pouco sobre economia e conjuntura econômica. E quantos acontecimentos tivemos nos últimos dias que merecem destaque, não é mesmo? Para iniciar nossa conversa, que tal falarmos do resultado do PIB do último trimestre de 2008? Você está surpreso com a queda de 3,6%? Surpresa geral? Só para o governo. Na verdade o mercado[bb] já trabalhava com números negativos.

O que aconteceu foi a constatação de que a economia brasileira não escapará imune da crise Financeira e, como o restante do mundo, sofre na pele os efeitos causados pela falta de crédito e investimentos. Interessante que nesse meio tempo a carga tributária nacional representa 36,56% do PIB, segundo dados apresentados pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) - alta de 1,02% em relação ao ano de 2007:

"O crescimento da arrecadação federal foi de R$ 88,70 bilhões (13,63%), dos Estados R$ 36,55 bilhões (15,66%) e dos municípios R$ 8,02 bilhões (20,64%), crescimento que gerou acréscimo de 13,24% na carga tributária per capita de 2008"

Voltando aos dados alarmantes do PIB, no quarto trimestre a indústria teve queda de 7,4% na comparação com o terceiro trimestre de 2008. Obviamente que quando a crise começou e os investimentos diminuíram o próprio sentimento de desconfiança e medo levou as pessoas a reduzirem o consumo, prejudicando substancialmente o mercado produtivo.

O resultado desses números de 2008, que parecem ultrapassados - afinal estamos praticamente na metade de março, – são muito reveladores porque mostram que mais do que uma “marolinha”, estamos sim no meio da tempestade. Tudo bem, nem tanto. A dúvida do momento já é o que esperar do desempenho de 2009. O governo que antes trabalhava com 4% de crescimento já reviu para 2% sua expectativa de crescimento do PIB. Sinceramente, vamos ter que ter muita sorte pra conseguir isso – aliás, precisamos mesmo de muito trabalho e de um pouco de sorte.

Sorte no sentido de o ânimo e a confiança retornarem e trabalho por parte do governo em finalmente encarar que a crise é um problema grave - e assim começar a agir. Uma das primeiras atitudes é reduzir os juros básicos da economia. Aliás, o corte de 1,5 pontos percentuais realizado hoje levou a Taxa Selic a 11,25%, patamar de um ano atrás. Foi uma importante decisão.

Esqueçam neste momento a inflação, afinal a crise e a falta de consumo regulam imediatamente esse perigo real (que já não é mais tão imediato). Quando falamos em economia[bb], os resultados não são absorvidos rapidamente e os efeitos desta diminuição da Selic serão sentidos de forma direta mais à frente.

E dá-lhe crédito...
Enquanto isso, o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) autorizou a ampliação de 20% para 30% do valor de pensão ou beneficio do segurado para receber empréstimo consignado. Se cômico, se não fosse trágico. Porque essa ação leva muito mais pessoas a contrair dívidas que em pouco tempo tomarão suas vidas e as levarão para um buraco fundo e difícil de sair. Em outras palavras, dá mais corda para as pessoas se enforcarem.

Seria muito mais propicio uma campanha efetiva de conscientização de uso do dinheiro[bb], respeitando a renda de cada um e mostrando a importância de poupar e não consumir indiscriminadamente. Mas a economia precisa se aquecer, senão... Pois é, resolve um problema criando um mega-problema para o futuro.

Mais do que nunca precisamos reforçar a importância de planejar os nossos próximos passos. A crise está na frente de nossos olhos. Mágicas e ações isoladas não terão resultados significativos e enxergar um palmo à frente dos olhos nunca foi tão necessário. Chega de financismo.

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Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.


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Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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8 comentários

  1. Imagem do comentarista
    alpha

    o governo tem que reduzir seus custos, sua carga tributaria, os juros praticados no pais, pressionar a queda do spread atraves da CEF, dinamizar o sistema de cobrança tributario e expandir a nota fiscal eletronica. tem 200 bi de reserva, dah pra investir uns 20 pra amortecer o impacto da desaceleração acentuada do pib que na minha previsão vai ficar nulo esse ano. a gente tem um presidente analfabeto!!!!

  2. Imagem do comentarista
    Renan

    Olá, Sou novo no site e também novo no assunto de economia, por enquanto sou como dizem entusiasta, mas gostaria de deixar uma dúvida e ao mesmo tempo levantar uma discussão. Tanto se fala a respeito da carga tributária em nosso, e realmente, é muito pesada. Concerteza como cidadão teríamos mais poder de compra se quase 40% de nossa renda não fosse destinada aos cofres públicos. Mas por outro lado, analisando uma das várias situações dos países desenvolvidos, com carga tributária bem menos que a nossa, percebe-se que, como dito anteriormente: "uma das várias situações", a maioria desses países, se não todos, não oferecem ensino superior gratuito. levanto essa questão pois sou estudante de unversidade pública, e se eu precisse pagar para ter uma profissão, somente sonharia em ser engenheiro. A questão é: se o país reduzisse drasticamente a carga tributária ainda assim poderia bancar as faculdades públicas. Claro, esse é uma das várias situações, sei que é difícil de ser analisada somente por esse ponto, mas foi uma das características que eu percebi nos países com carga tributária menor que a nossa.

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    Fábio Costa

    Concordo bem com vc. Temos que pressionar o governo a reduzir as cargas. Outro problema também é que o Brasil reage sempre com uma lentidão... ou não reage. Desde que me entendo por gente, governo Collor então, nunca vi os preços baixarem significamente.

  4. Imagem do comentarista
    Vilas Boas

    Ricardo, vc sabe muito bem q a mentalidade politica aqui é repassar futuros problemas de caixa para a próxima administração, manter e ampliar as benesses governamentais (pois $ existe) e se, ainda pudermos repassar a conta pros nossos velhinhos pagarem, aumentando a chance de endividamento (e eles ainda agradecem!)...estaremos vivendo no melhor dos mundos!
    Pefoal, eu não fi nada, eu não fei de nada!

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    Governo collor, só fez uma coisa de bom, foi liberar 8% a economia.

    Os outros presidentes depois do collor não fizeram nada, somente o pai do real: Itamar Franco, mas esse ficou pouco no governo e fez o plano real, na época de transição era ufir.

    LULA E FHC sinceramente, sempre achei que jogavam no mesmo time, está certo que o FHC privatizou, porém de qual jeito??? O governo LULA só trabalha sobre pressão, logo o povo está perdendo tempo, mas o que faz as pessoas não reagirem são as suas ideologias de esquerda ou direita, porém esquecem que são ambos contribuintes e não tem desconto em nada, logo tem obrigação de exigir e fazer pressão em quem quiser!

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    Paulo

    Sempre o crédito... quanta ignorância e imediatismo.
    Seria muito mais eficaz abaixar impostos sobre produtos - e não sobre a renda - pois afetaria toda a população, inclusive os que mais precisam: a classe baixa e média.

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    Juliano Zimmer

    Pois é o grande problema é que o Brasil gasta muito e gasta mal o dinheiro público, afinal de contas temos 34 ministérios que são totalmente desnecessários ainda mais em tempos de crise. O governo federal aumentou muito nos últimos naos o funcionalismo público, aumentaram os gastos, em contrapartida a produção industrial vem caindo e com ela as demissões em massa. Com tudo isso, o desemprego é inevitável, e com isso as vendas caem, o faturamento cai e o Brasil acaba ficando por muito tempo nesse ciclo indissolúvel. E a marolinha acabará se transformando em um tornado.

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    Michel

    Como tirar da crise um país que tem mais de 300 mil "amigos" aparelhados no poder? São funcionários públicos "com carterinha do partido", são empresas que se dizem privadas, mas vivem do dinheiro público, vendendo serviços ruins por até 10x o valor do mercado para um governo(?) esbanjador e fanfarrão que acha que discurso demagogo de palanque resolve (empurrar com a barriga) crise.

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