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Os bancos e suas campanhas de educação financeira

10comentários

Os bancos e suas campanhas de educação financeiraOntem foi o Dia Mundial do Consumidor. Como era de se esperar, muitos consumidores “celebraram” a data consumindo, usando seus cartões de crédito, dinheiro e outros recursos. Menos que em outras ocasiões, é verdade, mas ainda assim de forma insistente e terrivelmente prazerosa. Afinal, quem não gosta de gastar dinheiro com traquitanas e desejos pessoais? Pois é, apesar das inúmeras demissões e da expectativa de crescimento nulo da economia brasileira em 2009, ainda há espaço para o consumo – e entra em cena a figura da instituição financeira (vulgo banco), que oferece crédito facilitado e valoriza sua função de “facilitar” a realização de sonhos.

O grande banco laranja, agora maior ainda depois de engolir o banco azul, lançou uma campanha para comemorar o dia 15 de março. A dica de ontem foi a seguinte: “se todo mês você entra no cheque especial, opte por fazer um empréstimo pessoal parcelado, que tem taxa de juros mais baixa”. A afirmação é válida e correta, mas não é totalmente útil. Os juros são mais baixos no empréstimo pessoal, mas será essa a saída para o cidadão que usa o cheque especial de forma irresponsável?

A reflexão não tem caráter depreciativo, afinal trata-se de uma campanha publicitária. Aliás, de uns tempos para cá é comum notar diversos materiais sobre educação financeira sendo criados e patrocinados por grandes bancos brasileiros. Cartilhas, campanhas publicitárias (on e off-line), material para download, palestras com consultores renomados, simuladores e planilhas são alguns exemplos facilmente encontrados em agências e sites de bancos na Internet.

  • Qual será o resultado efetivo destas ações?
  • Será que os bancos estão investindo em campanhas de educação financeira para incentivar as pessoas a reduzirem seu grau de endividamento e alcançarem a independência financeira? Ou será que é para recuperar prestígio e diminuir o crescente número de inadimplentes? Todas as alternativas?
  • Como a população reage aos estímulos deste tipo vindos de grandes interessados em sustentar altos spreads e cobrar caro pelo dinheiro?

São simples perguntas, mas para as quais não tenho resposta. E são um pouco tendenciosas, é claro, afinal nasci e vou morrer desconfiado – sou mineiro, nunca se esqueça. Mas meu objetivo não é falar mal dos bancos ou de suas atitudes, e sim questioná-las sobre o ponto de vista de quem encontra diariamente casos de pessoas com reclamações sobre seus serviços, tarifas e taxas de juros. Curiosamente, uma lista com os líderes em reclamações no Procon foi publicada no UOL esta semana e alguns bancos figuram entre os mais citados pelos consumidores.

Mas, é verdade, a culpa é de quem optou por aderir ao produto e concordou com os termos do contrato apresentado quando do empréstimo. Pior, a culpa é da família que simplesmente usa o cheque especial como parte das receitas mensais. Assim aprendemos aqui. Sim, tudo isso é verdade, o que nos leva de volta às perguntas: será que nossos bancos têm genuíno interesse em acabar com estas decisões equivocadas? Como responsável que sou, acredito que sim. A resposta exata, no entanto, deixo para quem quiser se arriscar.

Penso que gente equilibrada e com capacidade de investir fará do país um lugar melhor para se viver, uma nação mais desenvolvida e com inúmeras possibilidades de negócios para os bancos. Mais empresas, mais serviços e mais crescimento. Tudo bem, mas esbarramos em outra questão: como fica a concentração bancária? Basta constatar que as economias e planos financeiros do país estão alocados em pouquíssimos bancos, especialmente se compararmos o Brasil aos países desenvolvidos.

Eis que somos assolados pela grande dúvida que colocou em cheque o sistema financeiro dos “grandes países”: valorizamos a livre concorrência e o surgimento de inúmeros bancos, em um sistema menos desregulado e com maior competitividade ou continuamos com um sistema bancário muito mais rígido e controlado, porém centralizado? A resposta não é trivial e, como sempre, o ideal é buscar o equilíbrio, o meio termo. Mas qual o exemplo de meio termo? Como interpretar os sinais de nossa evolução bancária?

Perguntas e mais perguntas. Será que existirá meio termo se a população continuar gastando além de suas posses, apelando para o crédito fácil? Mais bancos, com competição acirrada e taxas menores farão a população consumir ainda mais, esquecendo de vez da necessidade de planejamento? Mais dúvidas, poucas respostas. As saídas não parecem simples e o ciclo parece fadado a continuar como está, mas nossa luta continua: educação financeira sempre.

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Conrado Navarro, educador financeiro, formado em Computação com MBA em Finanças e mestrando em Produção, Economia e Finanças pela UNIFEI, é sócio-fundador do Dinheirama. Atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente.

Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • http://www.monthiel.com Monthiel

    Eu não sabia da existência do dia do consumidor. Obviamente que o dia foi comemorado com mais gastos. Gente que mau tem o que por na mesa fazendo mais parcelas e/ou mesmo entrando no cheque especial. Creio que o dia do consumidor não é uma boa idéia.

    Abraços,
    Monthiel

  • Célio Bomfim

    dia do consumidor é como celebra a páscoa com ovos ou o natal com presente, árvores e papai noel.
    Medidas inteligens de um sistema capitalista que continua iludindo os descontrolados.

  • Tina

    q novidade é esta? Dia do Consumidor? é … briga bem x mal
    os grandes interessados em conquistar lucros as custas dos sonhos, carência afetiva, emocional e blá blá não vai ficar parado percebendo a cada dia um numero maior de consumidores conscientes.

  • Vilas Boas

    Mas o gerente de meu banco é tão simpatico e atencioso…

  • Cecília

    Oi gente, vamos realizar a cena:

    Estou afundada no limite do meu cheque especial que é de R$ 10 000,00. Isso mesmo, dez mil reais porque eu tinha um emprego razoável quando abrí a conta e sempre gostei de gastar “um pouquinho” do limite, o que deixava meu gerente muito satisfeito, afinal, eu me afogava em pagar juros, mas nunca passei da metade do limite e todos éramos “felizes”.

    Confesso que A D O R O um financiamento, um parcelamento, e um emprestimozinho consignado e o resultado foi que, com essa crise eu me perdí em contas porque não soube baixar o consumo e acabei chegando ao fundo do poço, leia-se do limite do cheque especial.

    Para comemorar o Dia do Consumidor minha gerente me chamou em seu cercadinho, leia-se escritório, e me propôs emprestar R$ 10.000,00, isso mesmo, dez mil reais, (ou até mais um pouquinho, se fosse o caso), com metade dos encargos do cheque especial, para eu pagar em vinte e quatro prestações e assim acabar com a minha inadimplência que já não tem mais como continuar, haja vista que eu não tenho mais como afundar no cheque especial que eu utilizei para pagar todas as outras dívidas que tinha na praça.

    Pela proposta dela, isso me daria fôlego para atravessar o período difícil que estamos vivendo, mas, como não havia sido exigida garantia para o limite do cheque especial, a única exigência foi que eu oferecesse um avalista para a operação.

    Tudo muito fácil: eu arrumo o avalista com garantia real para oferecer, ambos concordamos com todos os termos impostos pelo banco, aguardamos a aprovação, eu pago uma taxa que nem perguntei de quanto e, depois de uns quinze dias o empréstimo sai direto na minha conta corrente, que assim volta a ser positiva e, para eu não cair em tentação, meu cheque não será mais especial.

    Além disso, e aí vem a melhor parte segundo ela, diante da preocupação da instituição com a minha recuperação financeira, vou ficar algum tempo, nem perguntei quanto, sem receber talão de cheque para me habituar a trer dinheiro na mão e saber respeitar o seu valor.

    Ah, só mais uma coisinha; tem umas despesas de aprovação de cadastro e mora pelos tais quinze dias, que serão debitados da minha conta corrente e assim devo assumir o compromisso de efetuar depósitos mensais de, no mínimo, uma vez e meia o valor da prestação pelo prazo de três meses, sob pena das prestações todas se vencerem de uma só vez com a perda de todo o subsídio e execução imediata do meu avalista (coitado…).

    Pensei que eu não tinha entendido, mas é isso mesmo: o banco me enche de exigências, me submete a mil e uma burocracias e me cobra ainda uma porção de coisas para me emprestar o dinheiro que eu já gastei…. Acredita???

    Saí de lá com a certeza de que esse foi o Dia do Consumidor mais feliz da minha vida porque, afinal de contas, pela primeira vez eu consegui resistir à tentação de recusar um empréstimo especialmente criado para mim.

  • http://perludum.blogspot.com Tiago dos Santos

    Seu trabalho de levar a educação financeira a todos que desejem isso é louvável. Com certeza que seu trabalho já ajudou muitas pessoas, eu mesmo já tirei algumas lições muito boas daqui. Mas infelizmente para o Brasil chegar ao nível de consciência financeira que você citou no texto é necessário que o povo tenha uma educação básica/fundamental muito boa, coisa que a cada ano que passa se torna mais raro em nosso país.

    Mas para conseguirmos uma educação de bom nível, antes temos que ser politicamente educados para que cobremos um combate maior contra a corrupção para que assim o dinheiro que pagamos de impostos sejam usados para melhorias em nosso país, e não para construção de castelos, mansões, carros de luxo, etc.

    Enfim, para o Brasil realmente ser um país maravilhoso nós temos que nos educarmos em várias áreas – financeira, política, ensino fundamental, etc. -, assim sendo cada um de nós contribuirmos com um pouco que conhecemos de alguma área, assim como fazem os autores deste blog, seria um bom começo rumo a um futoro mais promissor.

  • Geraldo

    Os bancos apenas fazem essas cartilhas de uso, pois, de uma lado emprestam e de outro evitam a inadimplência do cliente.
    Estão certos, pense você como dono do negôcio. Banco não é instituição de caridade.

  • Valdemar Engroff

    Bueno! Houve épocas que eu fazia do cheque especial a extensão da minha renda. Mal sabia o furo que estava sendo provocado na minha guaiaca…. Hoje eu utilizo o banco por comodidade apenas, pois minhas contas fixas são todas débito em conta. Saldo sempre no azul, graças à organização e planejamento das despesas e contas a pagar ao longo do mês. Se por ventura precisar de valores extras, faço resgate de alguma aplicação (feita para este fim), na cooperativa de crédito dos servidores da empresa onde trabalho, pois, afinal, o vivente sempre precisa ter uns cobres de reserva, e, de preferência, onde tenha algum rendimento.

    Bueno! Agora falta criar o dia da Educação Financeira!

  • Cecília

    Para o bem de todos e felicidade geral da ñação, após várias consultas ao Navarro, resolví contratar seus serviços e tomei a decisão mais acertada da minha vida: vou vender meu carrinho tão sonhado antes que minha vida vire um pesadelo.

    Com a venda vou poder zerar minha conta bancária e ainda deixar de pagar quase R$ 300,00 de prestação que vou passar a poupar segundo o plano de recuperação financeira especialmente criado para mim.

    A partir de agora vou andar a pé mas vou ter tempo para rever meus conceitos e aprender a sonhar com os pés na realidade.

    A propósito, já tenho um comprador; meu irmão, que há mais de um ano estava na mesma situação que eu e agora é outra pessoa com o que aprendeu neste espaço.

    Obrigada a todos da equipe Dinheirama e ao Navarro que nunca desistiu de mim.

  • http://www.tradernews.webs.com BARROS

    O Tradernews também participa da Comunidade do Orkut o DINHEIRAMA venha participar você também,e quero mandar um grande abraço ao Conrrado Navarro pois os eu trabalho com o Blog está muito eficiente, e quem busca solução busca dinheirama e Tradernews a CASA DE QUEM SABE!!!

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Quem já falou do Dinheirama?

Enxergo o Dinheirama como uma das principais fontes de informação sobre educação financeira e investimentos na internet. Não porque não existem outras iniciativas com informações úteis, mas sim porque o Dinheirama fala tanto ao público experiente quanto para o público iniciante nessas áreas, e nesse último caso, faz com uma didática admirável e extremamente difícil de se encontrar por aí. Me ajudou muito, me ajuda e ainda me ajudará bastante, com certeza.

Bernardo Pina

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