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O novo embate entre a poupança e os fundos de renda fixa

17comentários

O novo embate entre a poupança e os fundos de renda fixaJuliano comenta: “Navarro, assistimos recentemente o Copom reduzir em 1,5% a Taxa Selic – a taxa básica de juros de nossa economia. Agora em 11,25%, patamar mais baixo da história, parece-me que fundos de renda fixa (DI, por exemplo) cujas taxas de administração são altas não trarão rentabilidade tão interessante quando comparados a outras alternativas. Estou certo? Imposto de renda e taxa de administração alta não farão da caderneta de poupança uma opção mais interessante para 2009? Será que o governo vai permitir isso? Obrigado.”

O assunto é muito relevante. Por comodidade, insistência de gerentes e até mesmo desinformação, milhões de brasileiros investem em fundos de investimento conservadores com taxas de administração maiores que 1,5% – número que considero razoável. Na prática, isso significa receber menos juros e correção do que seria possível com risco equivalente, mas um pouco mais de interesse e conhecimento. Preste atenção: eu disse fundos de investimento conservadores, o que significa produtos que investem basicamente em títulos (públicos e privados).

A razão para fugir de produtos deste tipo, com altas taxas, é simples. Qualquer investidor pessoa física pode adquirir títulos pré e pós-fixados, privados (CDB) ou públicos (Tesouro Direto), de forma direta e sem ter que pagar taxa de administração. Como os retornos com estes produtos sempre foram relativamente altos, poucos se preocupavam. Agora, com o prenúncio de mais quedas na Selic, a situação mudou: a boa e velha caderneta de poupança já é melhor que muitos fundos por ai – e você verá números sobre isso.

Você acredita na queda progressiva da Selic?
Esta pergunta é importante pois ditará suas atitudes em relação ao produto conservador de investimento que deverá escolher. As vozes do mercado já projetam nossa taxa básica de juros na casa de um dígito ao final de 2009, podendo chegar a 9%. Para se ter uma idéia, o contrato de juros futuros negociado no pregão da Bolsa de Mercadorias e Futuros que vence no final de ano está no patamar de 9,90%.

Diante dos cada vez mais sentidos impactos da crise internacional e dos rumos da economia nacional, parece que o caminho de baixas sucessivas na taxa Selic veio mesmo para ficar. Isso, claro, se a inflação não voltar a assustar – razão óbvia para se voltar a elevar os juros básicos. Não creio em uma nova explosão do consumo como a que vimos recentemente. Logo, tudo indica que finalmente rumamos para uma taxa de juros de um dígito. Quem diria, hein?

A renda fixa “apanha” da caderneta de poupança
O jornal Valor Econômico de ontem deu destaque para a importante comparação entre as rentabilidades de fundos de renda fixa e da caderneta de poupança. Segundo o jornal, simulações feitas por uma consultoria indicam que, nos próximos 12 meses, usando a atual projeção de juros futuros (de 9,95%), a poupança renderia 6,39%, empatando com um fundo DI com taxa de 2% ao ano – que não é tão fácil de encontrar. A tabela a seguir, extraída da mesma edição do Valor, mostra como a competitividade entre os produtos de renda fixa e a poupança tendem a esquentar bastante:

Rentabilidade da Poupança versus renda fixa
Fonte: Valor Econômico – 16/03/2009

Repare como a poupança vence todos os confrontos quando a taxa de administração é maior que 1% ao ano. Além da taxa, incide também sobre os fundos o Imposto de Renda, cuja alíquota varia de acordo com o período no qual o dinheiro fica aplicado (de 22,5% até 15%). Das observações e da tabela lanço algumas observações:

  • Se você acredita que a economia e seus termos mais distantes do dia-a-dia (como a Selic) não influenciam a rentabilidade de seu dinheiro, fique esperto. Entender um pouco de “economês” e sua influência no dia-a-dia de nossas aplicações é tão importante quanto ter dinheiro para investir;
  • Se você sempre achou a poupança atraente, fique esperto. Ela é interessante porque não tem taxa de administração, nem incidência de IR. Mas é preciso levar em conta a rentabilidade líquida e os riscos do investimento. Há quem nem conheça os CDBs ou títulos públicos pré-fixados e defenda a poupança. Você é assim?
  • Se você aceita taxas de administração de até 3% sem reclamar, fique esperto. Quando for investir seu dinheiro, preste atenção no rendimento líquido da aplicação. Ou seja, quanto de retorno você vai ter depois da taxa de administração e da incidência do IR. Afinal, momentos como atual serão mais freqüentes em sua vida futura;
  • Se você for usar o dinheiro em menos de um ano, a caderneta de poupança é a solução ideal no momento. Por conta da taxa de administração e IR para os fundos e do IR para o CDB, a rentabilidade dentro de um ano é mais atraente na caderneta de poupança. Cerca de 0,65% ao mês contra 0,55% dos fundos DI e 0,64% do CDB.

Em suma, a situação é semelhante àquela vivida em 2007 – quando também falamos da atratividade da poupança -, mas parece que desta vez perdurará por mais tempo. Economia em ritmo mais lento, inflação sob controle – e lá embaixo -, diminuição no ímpeto de consumir e oferta de crédito mais controlada são algumas razões para acreditar que os juros de dois dígitos serão deixados para trás.

Então que tal piorar a poupança?
Claro, por que não? Se ela está tão atraente frente aos fundos de investimento conservadores, vamos deixá-la com rentabilidade menor e menos atraente. Este é exatamente o raciocínio do governo, até por pressão das instituições e da necessidade de manter clientela para seus títulos. Segundo expectativa do mercado, o Banco Central aplicaria um redutor no cálculo da TR (Taxa Referencial), que faz parte da composição da poupança. Expectativa. Por enquanto apenas especula-se que o governo deva alterar algo para deixar a caderneta de poupança menos atraente.

Portanto, fique atento ao noticiário econômico e às cenas dos próximos capítulos deste embate. Por hora, a boa e velha caderneta de poupança mantém a dianteira e atrai muitos investidores. Mas, amanhã a história pode ser outra. Ufa. Bons investimentos!

——
Conrado Navarro, educador financeiro, formado em Computação com MBA em Finanças e mestrando em Produção, Economia e Finanças pela UNIFEI, é sócio-fundador do Dinheirama. Atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente.

Crédito da foto para stock.xchng.

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Conrado Navarro

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Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • http://mrsandman79.wordpress.com Mr. Sandman

    Bem, estou atolado em títulos públicos (Tesouro Direto) e privados (CDB). Estou super satisfeito com as rentabilidades, principalmente dos títulos do governo! Quanto aos fundos, pulei fora recentemente.

    Mas e a poupança… Notícias recentes dizem que a redução da rentabilidade é inevitável!

  • Fábio Costa

    De qualquer forma… dinheiro na poupança é dinheiro perdido… só é melhor do que deixar dinheiro debaixo da cama [que desvaloriza mais rapido]. Pois a inflação é maior que a “rentabilidade” da poupança…. sempre vai ser assim.

    Um dígito pra SELIC??? Quem diria[2]. Mas será? Pois.. já houve uma redução de IPI…. SELIC… isso tudo significa inflação amanhã, certo? Isso me parece “bom demais pra ser verdade”.

    Parabens pelo topico.

  • Matteo

    Não tenho tido muito tempo para aconpanhar algumas notícias, mas a Poupança não é uma boa opção para se ter um dinheiro guardado para emergências? A liquidez é diaria, vc deposita-saca quando quiser (e quanto quiser)……não é uma boa?
    Eu vejo a Poupança sobre esta ótica – NÃO como uma opção de investimento – , ….se eu estiver enganado, por favor argumentem e me iluminem !! : )

  • Pablo

    Todos falam em piorar a poupança, que esta vai abocanhar o dinheiro que iria para os fundos e etc., mas porque não diminuir o valor de IR que incide nestes investimentos (para o governo), ou, no caso dos bancos, diminuir as taxas de administração? Muito me intriga que a única opção que é trabalhada seja delapidar a rentabilidade da única via de aplicação para muitas pessoas. Ê, brazilzão…

  • http://www.sofaltatestar.blogspot.com Gilliano

    Mas se todos buscarem a caderneta de poupança pelo fato de sua rentabilidade estar próxima a de outros tipos de fundos de investimentos, não implicaria em uma baixa na reserva para fundos utilizados pelo governo para tocar obras? Pelo que entendi do artigo, a curto prazo, buscar a caderneta de poupança será interessante. Mas quais seriam as implicações para toda a economia nacional no mesmo período?

  • http://www.betoveiga.com Beto Veiga

    Olá, Conrado,
    Meus parabéns por mais este caprichoso artigo.
    Deixe eu colocar minha colher no assunto, uma vez que estou envolvido com ele no momento.
    O primeiro comentário que faço é com relação à sua informação de qua palicações em menos de um ano é melhor utilizar a poupança. Sei que você tenta ser generalista, com o que eu concordo, mas os CDB ou mesmo fundos de investimento com taxas de administração baixas podem ganhar ainda da poupança.
    O CDB precisa ser negociado com taxas superiores a 98%, por exemplo, para garantirem o retorno.
    Apesar desse comentário, concordo, mais uma vez, com a sua “teoria da simplificação” para o caso do investidor descuidado.
    Quanto ao comentário do Plabo, concordo com ele. É uma boa solução, com o pequeno problema de que, num momento de crise, isentar investidores não geraria aumento da demanda, apenas aumentaria a sua poupança. Nesse sentido, uma opção seria tributar a poupança para valores maiores que um determinado teto (calma! não vão xingar!). Esta opção poderia preservar o rendimento dos pequenos investidores.
    Quanto a baixar a a taxa de administração, é uma decisão dos bancos e o governo só conseguirá influir se deixar tudo como está.
    Fiz uma notinha mais modesta que esta do Conrado em minha página, que ajuda a esclarecer alguns pontos obscuros da discussão. Cliquem aqui para ler.
    Abraço a todos do Beto

  • Bruno Teixeira

    Quando se diz “fundos de renda fixa”, não se deveria dizer ” fundos de renda fixa pós-fixados”, visto que os mesmos são atrelados às taxas de juros? Os fundos de renda fixa pré-fixados não se beneficiam da queda da taxa de juros, ficando cada vez mais atrentes?

  • Eduardo Severino

    Eu indicaria a poupança para pessoas que possam a vir necessitar do seu dinheiro em um curto prazo, do contrário eu aplicaria no tesouro direto pré-fixado, eu apliquei à alguns meses atrás e me dei bem e seguindo dicas do dinheirama ,, A PROPÓSITO OS SENHORES SE LEMBRAM DESDE POST DO NAVARRO? “Tesouro Direto: boa opção de investimento em 2009?
    Publicado por Conrado Navarro em 07.1.2009 na seção Renda Fixa”. Fiquem ligados, BOA NAVARRO!!!!!

  • http://www.icommercepage.com/ver_artigo.php?id=22 Janio da icommercepage

    A economia no Brasil sempre foi e sempre será uma grande aventura, com a crise mundial, maior ainda.

    Como todos estamos cansados de saber, a economia envolve muitos elementos, fora isso, tudo é perspectiva ou especulação. Como podemos notar nos noticiários, há vários pesos e medidas, por um lado do governo, por outro da iniciativa privada, isso só para falar do interesses envolvidos, Se fosse governo da direita, seria bem mais previsível.

    O último elemento, nem por isso menos interessante, seria a próxima eleição, sabemos da tendência populista do partido do governo, que só perde para o Senor Chaves, isso protegerá a poupança a longo prazo.

    Contrariando a todos os comentários acima, o melhor investimento quem faz são os empreendedores brasileiros bem preparados, o melhor investimento esá em nós mesmos, nossa empresa, nossa família, nossa saúde, de resto, é tentar escapar do leão, das altas taxas de juros e da maldita carga de impostos a que somos submetidos.

  • http://www.rafaelgaldino.com/blog/ Rafael Galdino

    Conrado, tenho alguns investimentos em renda fixa. Mas também estou investindo na poupança. Acho que o governo tá sempre querendo complicar a vida do povo.

  • Jacques

    Caro Sr. CONRADO, há algum tempo retirei um bom percentual (30%) da boa e velha poupança para aplicar em renda váriavel, até devido à propagandas da própria BOVESPA, para envestir em empresas que fazem a grandeza do BRASIL, até posso citá-las, PETROBRÁS, VALE DO RIO DOCE, USIMINAS, CSN, BANCO DO BRASIL, GERDAU, WEG, e o que vejo: parte do meu patrimônio evaporar de uma hora para outra, dinheiro suado aguentando chefes “malas” e arrogantes, e agora fala-se em reduzir os ganhos já minguados da poupança.
    Mais uma vez o povo é chamado para SOCIALIZAR o prejuízo. Por que não aumentar o ganho da poupança e tirar daí o dinheiro para investimentos que advinham da RENDA FIXA?
    Por que não diminuir um pouco os astronômicos spreads bancários?
    Não queria me alongar muito, mas por que não acabar com as bolsas de valores?
    Esta crise começou como a de 29 no mercado acionário, e que se via naquele momento?
    Queima de produção, matança de porcos, galinhas etc. para elevar os preços, e o povo na mais absoluta miséria.
    Alguma coisa está errada, não quero parecer um esquerdista, embora já pensei como um, longe de mim o socilalismo e o comunismo, e este capitalismo selvagem nem pensar.
    Os três sistemas já mataram muita gente neste planeta.

  • Pingback: A caderneta de poupança atraente demais | Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos

  • laudicéa da silva nunes

    se tenho 15.000 guardado na poupança e so ganho o juro pequeno da poupança, qual o investimento q me dar um juro maior do q o da poupança normal?

  • http://www.mercadoamigos.com.br anderson

    ainda acho que a poupança é a forma mais segura

  • Adriano

    Negócio vai ser aplicar tudo em ações. Melhor o risco da variabilidade dos preços no curto prazo ao risco de ver seu dinheiro suado rendendo menos que a inflação e ainda com IR em cima! Me sinto uma bisteca (ou melhor, só o osso mesmo) com um monte de cachorro em volta abocanhando. O negócio do governo é tirar o máximo que conseguir dos trabalhadores, e está cumprindo muito bem esse papel.

  • Carlos

    Respondendo ao Jacques ali em cima.
    Espero que você esteja vendo a recuperação do seu dinheiro investido na bolsa. Bolsa é isso, muita variabilidade no curto prazo, mas bons resultados no longo prazo, principalmente quando a SELIC está baixa do jeito que está. A única aplicação em renda fixa que ainda pagava um pouquinho, vai começar a ser taxada, isso é uma falta de respeito. Ninguém está pensando na população, querem é que o povo volte para os fundos de renda fixa para os bancos aumentarem mais ainda seus lucros. Dinheiro na poupança ou renda fixa rendendo menos que inflação é dinheiro jogado no lixo… vou começar a guardar embaixo do colchão.

  • http://dinheirama.com/blog/sobre Conrado Navarro

    Bruno, obrigado pela participação e comentário construtivo. A resposta para sua pergunta é sim e não. Produtos pré-fixados contratados antes da queda dos juros certamente são muito atraentes, mas os já comercializados com a mudança passam a pagar menos. Claro que o raciocínio está perfeito, já que se contratamos hoje com juros de 11,25% e daqui a pouco baixam para 9%, continuaremos recebendo 11,25%. Mas isso se contratarmos agora e se os juros cairem. Generalizei de forma a chamar atenção para a comparação entre as rentabilidades, mas deveria ter deixado mais detalhado, conforme sua sugestão. Muito obrigado.
    Grande abraço.

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