Opções: renda extra na carteira de açõesA volatilidade apresentada pelo mercado de ações[bb] nos últimos meses atinge níveis surpreendentes, especialmente em papéis tradicionais como os da Petrobras e Cia Vale do Rio Doce – que antes costumavam apresentar vigorosas e compassadas tendências e agora oscilam violentamente chegando a atingir percentuais diários de valorização ou desvalorização com até dois dígitos. Esse cenário altamente volátil abre espaço para que investidores com perfil de curto prazo possam operar com maior frequência, principalmente em operações de day-trade ou no mercado de opções, tanto na ponta compradora quanto na vendedora.

Se você tiver em carteira ações como PETR4 ou VALE5, que possuem um mercado de opções efervescente, pode obter uma remuneração adicional com o lançamento de opções de compra. A operacionalidade do lançamento é muito simples e, normalmente, ele pode ser feito por meio do seu home broker – de casa mesmo ou do trabalho. Na verdade, a operação é semelhante a uma venda normal. A diferença é que você não estará vendendo suas ações e sim um contrato, onde se compromete a vender suas ações por um determinado preço, numa determinada data, independente da cotação vigente nessa data.

Cada opção vendida, corresponde a uma ação de sua carteira, assim, se tiver 1.000 ações da Petrobrás, poderá lançar até 1.000 opções de compra no mercado. Se vender todas as opções, todo o seu lote de Petrobras ficará bloqueado em garantia das opções lançadas e você não poderá dispor delas até a data de vencimento das opções. Se, no dia do vencimento das opções, a cotação da ação estiver abaixo do preço estabelecido pelas opções que você vendeu, ninguém terá interesse em exercê-la, pois seria mais barato comprar essa ação diretamente no mercado à vista. Ela “vira pó”, como é comum dizer no jargão técnico do mercado.

O interessante é que, estatisticamente, 75% das opções negociadas no mercado nunca são exercidas, independente do fato da cotação estar abaixo ou acima do preço definido. Uma vez vencido seu prazo de execução, elas perdem a validade – as ações que estavam bloqueadas em sua garantia são liberadas e pode-se negociá-las novamente. Nesse caso, o dinheiro[bb] obtido com a venda dessas opções ficou no bolso do lançador. Descontados o IR, as taxas e a corretagem, que compõem um valor muito pequeno, sobra um belo lucro.

Obviamente existe o risco de ser forçado a vender suas ações na data de vencimento se a cotação de mercado ficar acima do preço estabelecido, mas existe uma forma de reduzir esse risco comprando de volta opções da mesma série que você lançou. A recompra zera sua posição vendida junto à CBLC e suas ações são liberadas do bloqueio como garantia.

A estratégia, então, é observar os movimentos que esses papéis apresentam e operar lançando opções em pontos de reversão de alta para baixa. Quando perceber que ocorreu uma reversão, você lança opções de uma série com um preço pouco acima desse patamar. Em condições assim, se estiver a mais de dez dias da data de vencimento, é possível conseguir preços próximos de R$ 1,00 (um real) por opção. Se a queda no preço das ações prosseguir por alguns dias, o preço das opções que você lançou vai despencar, quase em progressão geométrica.

Depois de assumir a posição vendida, é necessário ficar de olho no mercado para perceber se o preço da ação começa novamente a subir. Se isso ocorrer, o preço da opção também subirá e você terá que agir rápido para proteger sua carteira, recomprando as opções que vendeu antes que elas atinjam novamente o preço pelo qual as vendeu.

Na verdade, você pode assumir essa postura defensiva independente da reação que ocorra no preço das ações. Digamos que tenha lançado opções a R$ 1,00 logo após uma reversão para baixa e, depois de alguns dias de queda, aquela opção atinja o preço de R$ 0,20. Nessa ocasião, você recompra por esse preço a mesma quantidade de opções que lançou, zera sua posição vendida, desonera suas ações (que deixam de figurar como garantia das opções) e ainda tem um lucro bruto de R$ 0,80 por opção.

Supondo que o lote de lançamento tenha sido de 2.000 opções, você, investidor[bb] inteligente, teria um lucro bruto de R$ 1.600,00 com essa negociação. Nada mal, não é?

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Carlos Alberto Debastiani é empresário, investidor e autor dos livros “Candlestick”, “Análise Técnica de Ações” e “Avaliando Empresas, Investindo em Ações”.

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Comentários

  • Anônimo
  • Anônimo
  • Anônimo
  • Caracas. Sensacional esse texto. Sou leigo nesse negócios de ações e investimento, mas tenho lido o dinheirama a bastante tempo e tenho aprendido muito.

    Abraços,
    @monthiel

  • Eduardo Severino

    Ultimamente ando chateado com o assunto, “investir em ações!” Entrei no simulado da folha invest a e estou no segundo ano e ainda tomo cada tombo , qdo acho que vou disparar para cima , disparo para baixo, coloco stop , start, nem me fale ,, ja li varios livros sobre açoes e nada, agora estou investindo em previdência e tesouro direto para acabar com esssa agônia.

  • Oi Eduardo,

    O simulado tem seus méritos, mas acho que nos deixa um tanto acomodados, já que o “dinheiro” movimentado não é nosso, e tanto faz perdermos ou ganharmos. Antes de entrar pra valer no mercado de ações, eu me inscrevi num destes, comecei com R$ 10.000,00, “comprei” ações de 4 ou 5 empresas, e deixei lá, mofando. Depois de um ano (já operando de verdade), fui ver o relatório daquelas ações que tinha deixado, e o site informava prejuizos de algo como -140% em uma ação, -105% em outra, -164% (isto mesmo, rentabilidade negativa. Como posso perder mais do que eu tinha investido? Tá certo que teve a crise, mas mais do que 100% ninguém pode perder.

    Acho que o único modo de aprendermos realmente, é operando de verdade, buscando informações, estudando, acompanhando diariamente o mercado e o pregão (claro, não vai passar o dia em cima do HB, a não ser que seja um trader, mas uma olhada de vez em quando, pra evitar alguma surpresa, é válida). E usar os stops.

    No meu caso, após 1 mês e meio operando (totalmente principiante), levei meu 1º tombo, tive um prejuizo de 31% em GGBR4. E de lá pra cá, esta ação nunca mais chegou aos R$ 15,23 que eu a tinha vendido. Sei que é uma boa empresa, e que após esta crise, suas ações irão se recuperar. Mas preferi investir em PETR4, sem nem entender muito ainda sobre opções, comprei apenas pelo ativo. Quando me informei melhor sobre venda de opções de compra cobertas, comecei a lançá-las, até agora só tendo lucros, e diminuindo o preço médio das PETR4. Neste último pregão, vendi as BICB4 que eu tinha, e somando os lucros das opções, finalmente sai do prejuízo com alguma folga.

    Longe de te dar uma “receita de bolo” do que fazer (o que fiz já é passado, do futuro nada sabemos), desejo apenas mostrar que é possível, mesmo na baixa, ganhar. Nas minhas primeiras operações, eu comprava (pouco), e torcia para a ação chegar às nuvens em um mês. Depois vi que isto é burrice. Se eu (que sou longo-prazista e quero me aposentar recebendo dividendos) quero ter uma gorda carteira de ativos, a alta não é tão boa assim, e pra mim esta recuperação (?) que a Bolsa teve nos últimos tempos já está me deixando preocupado, pois eu já comprei PETR4 a R$ 19,20 e hoje vejo que ela está custando em torno de R$ 30,00. O que me alivia um pouco é a venda de opções, que pode ser usada para baixar o preço médio (meu P.M. PETR4 com JCP = R$ 17,90). Mas o mercado é isto, me acostumei mal, mas tenho que me adaptar a esta nova realidade de ativos “caros”. Ou esperar uma nova crise 🙂

  • Muito Bom!!!

  • eu adorei muito seu post
    ele é bem explicativo
    ira me ajudar muito
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    e deixe um comentários