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A crise financeira, o G-20, Gordon Brown e o Brasil

11comentários

A crise financeira, o G-20, Gordon Brown e o BrasilNos últimos meses, e durante todos os dias, analistas dos mais diversos países e setores observam com lupa – e muita preocupação – índices econômicos e produtivos que são constantemente divulgados. São análises e opiniões sobre a possibilidade de crescimento dos países, de estagnação econômica, de desemprego e por aí vai. De concreto, e com base nesses números, tem-se feito muito pouco: as ações têm sido concentradas em dar liquidez aos bancos.

A discussão no momento passa por uma possível estatização dos bancos – como última e decisiva alternativa para a crise de crédito. Eu mesmo observo com certo interesse o assunto, afinal bilhões de dólares já foram gastos com “socorro” financeiro e não se sabe ao certo se o efeito será o desejado.

Durante o mar de agitações, esteve no país nesta semana o Premiê Britânico Gordon Brown. A viagem faz parte do tour preparado para costurar uma aliança global para a próxima reunião do G-20 (grupo que reúne representantes de países ricos e dos principais emergentes), em Londres, na próxima semana. Alguns especialistas acreditam que este encontro será decisivo para os rumos da economia[bb] mundial.

O que esperar do G-20?
Sinceramente, não acredito que teremos novidades significativas neste encontro. O problema que criou a crise não foi resolvido e parece que muitos ainda saíram premiados – basta lembrar-se do caso dos bônus milionários que estão sendo devolvidos pelos executivos da AIG, por exemplo.

Como era de se esperar durante a viagem de Brown, algumas declarações foram apresentadas à imprensa em geral: uma delas diz respeito à proposta de injeção de 100 bilhões de libras (algo em torno de R$ 326 bilhões) para financiamentos, a fim de incrementar o consumo internacional.

De fato, o consumo – desde que consciente – é o principal caminho para a recuperação da economia do mundo. Sua queda foi responsável pelo pior da crise: o desemprego. Por isso é preciso diferenciar o endividamento do consumo, ou pelo menos deixar claro que um não depende necessariamente do outro, desde que o consumo seja feito com controle e, principalmente, planejamento[bb] e disciplina.

  • Mas, será que colocar apenas dinheiro é o caminho?
  • O que dizer da abertura do comércio mundial, por exemplo?
  • Pois não seria esse o melhor momento para que a Rodada de Doha pudesse ser finalizada de forma concreta?

As barreiras impostas pelo protecionismo europeu e americano são, no mínimo, uma estupidez desmedida, visto que a crise é mundial e seus efeitos são catastróficos para todos. Sinceramente, espero que as discussões no G-20 caminhem nesse sentido e que de concreto saia um compromisso real e honesto sobre o melhor caminho para resolução da crise – com compromisso de incentivo ao comércio entre países.

A mensagem que precisa ficar clara é que hoje os problemas são de todos; e que em muitas partes do mundo, sobretudo nos países mais pobres, as crises não cessam de forma simples. Temos no mundo milhões de pessoas morrendo de fome, sem acesso a uma única refeição digna, sem água e, principalmente, sem esperança.

Ao olhar esses países que hoje se acabam em guerras, morte e violência, parece estranho ver a discussão de bilhões e mais bilhões de dólares indo para lá e para cá. Afinal, a miséria é uma crise constante que a humanidade ainda não enfrentou.

As palavras de Lula
Sobre esse aspecto, a declaração do Presidente Lula, que afirmou que a “crise financeira foi causada por gente branca, de olhos azuis” ganha destaque. O recado, todos sabemos, é objetivo e tem como alvo os países desenvolvidos. Entretanto, estamos todos na mesma “nave mãe” chamada Terra e a solução dos problemas precisa de consenso e mobilização geral.

O crescimento do Brasil, e conseqüentemente nosso futuro, passa pela forma como as decisões dos mais ricos serão tomadas. O crescimento de nossa indústria depende também da recuperação da economia mundial. O ambiente propício aoinvestidor[bb] também. Mais do que pensar em atitudes egoístas, é necessário aprender que ninguém mais está sozinho. Isso é bom? Ruim? Quem sabe?

——
Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Matteo

    A frase do nosso querido presidente me deixou (ainda mais) indignado com o governo q governa este país. O q a crise tem a ver com cores?? Independente do q ele quis dizer, ele deveria saber como usar as palavras ! Se a frase fosse minha – e eu mudasse para “pretos de olhos negros” – eu seria chamado de racista!
    Realmente triste!

  • ramiro

    Existe um livro recém lançado chamado “QUE CRISE É ESSA?”Ed Juruá, que de forma didática e simples explica a crise. Traz também o efeito sobre o Brasil e dicas para pequenos empresários e profissionais de empresas privadas enfrentar e vencer a crise. Gostei do livro pela simplicidade e objetividade.

    RAMIRO GONÇALEZ – 28 de março, 2009 – 20:35

  • http://aavir_8@hotmail.com Antonio da Silva Sousa

    Ricardo, Bom dia
    Perguntar não ofende.
    O que seria melhor salvar os bancos ou dividir o quanto estão gastando para a população do mundo?
    Veja exemplo só o que será gasto na Espanha, se dividisse com a população.
    Que achas?
    Parabens garoto, com sua tenra idade, bem casado e com uma garotinha de pouco mais 2 anos.
    Sendo economista, pense 20 anos a frente e plante já para sua linda filha.
    Um abraço amigo.

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    Boa Noite Matteo, Ramiro e Antonio da Silva Sousa.

    Muito obrigado pelos comentários.

    Sinceramente acredito que sem o socorro aos bancos a crise e seus desdobramentos seriam maiores e mais prolongados. O que é inadimissível é que esse dinheiro simplesmente seja “dado” de mão beijada. Os responsáveis pela farra financeira dos últimos anos tem nome e endereço conhecidos e existem formas de garantir controle e regras mais rigidas para que não mais tenhamos uma crise por esse mesmo motivo.

    Forte abraço.

  • Liyoma

    .
    .
    Quem diria se eu pudesse fazer investimentos equivocados e depois contar com a ajuda do governo pra repor meu money!!!
    ..
    ..

  • Henrique

    “Ao olhar esses países que hoje se acabam em guerras, morte e violência, parece estranho ver a discussão de bilhões e mais bilhões de dólares indo para lá e para cá. Afinal, a miséria é uma crise constante que a humanidade ainda não enfrentou.”

    É triste, não é? Mas quem disse que o mundo foi feito para dar dignidade às pessoas pobres e melhorar a vida da humanidade? O mundo é de quem consegue tirar proveito dele, tire você a sua fatia do bolo, ou chore com os idealistas que não querem ou são incapazes de entender isso.

  • Mauri

    Acho q é necessário criar mecanismos para distinguir o verdadeiro investidor do expeculador financeiro, esse último deve ser extinto, sem mais nem menos. Comunista? Não, realista! Também seguindo a mesma lógica dos mercados afirmo sem dúvida nenhuma que a inclusão de milhões de famintos pode salvar a economia mundial, mais consumo, mais produção, mais dinamismo… não é comunismo isso, é lógica!

  • http://www.tradersemmisterios.com.br Andre Motta

    Gente,

    Temos todos de ter em mente que temos um Sistema Financeiro, onde os Bancos tem papel fundamental, sem eles não há financiamento. Quando um Governo injeta dinheiro em um Banco, não está simplesmente doando recursos aos donos do Banco, mas sim lubrificando o Sistema Financeiro como um todo e salvando o dinheiro dos correntistas daquele Banco e de outros a quem este mesmo Banco deve, por isso o problema é sistêmico, se um Banco quebra os efeitos se alastram por todo o sistema, podendo criar uma bola de neve que trará prejuízos muito maiores para a Sociedade, superando as injeções de capital que o manteriam funcionando.
    Não pode-se dizer que um acionista do Citi que viu suas ações a U$86 estejam ganhando com suas ações a U$2 ou U$3, eles já perderam U$84,00 não se esqueçam disso.

  • http://www.futepoca.com.br Glauco

    Matteo, quando o Lula falou isso quis se referir aos países ricos, como vem reiterando inclusive em seus discursos na Europa. Achar que houve uma conotação racista é um exagero, até porque não existe registro na História de um sistema de discriminação contra brancos de olhos claros, ao contrário do que aconteceu (e acontece) com os negros e indíos, por exemplo.

    Acho que, sinceramente, o G-20 vai avançar pouco. Mas uma medida que teria que ser debatida é o papel que os organismos multilaterais têm desenvolvido não só nessa crise como em outras situações de risco para os países.

  • http://alfaomega.com.br/ Editora Alfa-Omega

    A editora Alfa-Omega lançou o primeiro livro a tratar da crise financeira global, escrito por João Carlos M. Ferraz – um espectador privilegiado do momento econômico devido ao alto posto que ocupa na Petrobrás. Trata-se do “Manual da Crise”. Veja: http://alfaomega.com.br/manualdacrise.php

  • Bruno

    para mim o Lula é um otimo presidente e esta fazendo muito pelo Brasil com investimentos e prejetos errou em algumas coisas, mas tos erram Lula esta saíndo muito bem nesta crise que pegou todos despreparados

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