A riqueza, o dinheiro e as verdades da vida
Publicado por Ricardo Pereira em 03.4.2009 na seção Finanças Pessoais
Ontem, ao passar por uma livraria alguns livros me chamaram a atenção. Não pela só pela qualidade de alguns (ou pela falta de qualidade em outros), mas pelo tema abordado: “como ficar rico?”. Obviamente, existem algumas formas de enriquecer, seja através do trabalho ou mesmo da sorte; ou ainda, como acontece na maioria das vezes e com os grandes profissionais, com a soma de trabalho, oportunidade e sorte.
O que mais me intrigou foi justamente a forma como a riqueza é tratada e discutida - ou pelo menos como a idéia de enriquecer é vendida. Reparei que tudo soa como uma receita milagrosa e certeira, do tipo compre e fique rico. Riqueza, creio eu, vai muito além do dinheiro. Penso assim: alguém só consegue ser rico a partir do momento em que se torna uma pessoa realizada.
O dinheiro vem com o sucesso e a disciplina. O que fazer com o dinheiro é um assunto pouco explorado e quase ninguém se preocupa, de verdade, como o fato de que ter dinheiro modifica a vida das pessoas, para o bem ou para o mal. Fala-se pouco de dinheiro como algo natural.
Independência Financeira
Prefiro pensar na independência financeira como um grande objetivo, mas que seja parte de um todo que envolva realização pessoal. No final, o dinheiro será uma condição para a independência financeira, algo que propicie tranqüilidade e oportunidade de busca por novas realizações.
Tenho verdadeiro medo daqueles que vivem para o dinheiro e vêem nele um fim - e não um meio. São os mesmos que elevam artificialmente seu padrão de vida e aproveitam pouco da vida em seus pequenos detalhes. Afinal, temos muito mais do que uma vida para cuidar; devemos lutar pela família e fazê-los crescer conosco, com humildade e amizade.
Aliás, as amizades são os maiores valores que o ser humano pode guardar. Poucos percebem o hiato que existe entre o dinheiro e o sentimento de ser querido pelos amigos e pela família. Alguns pensam nos amigos e os misturam com dinheiro. É triste, mas é verdade.
Como anda a sua família?
Você dedica tempo e atenção para sua família? Se não, é uma pena. Família deve ser prioridade, afinal é ela que nos move, nos guia e nos auxilia nos momentos bons e ruins. É por eles que nos esforçamos mais e desejamos fazer a diferença. Os melhores negócios que consegui em minha vida foram graças ao pensamento e ao planejamento, sempre levando em conta o nosso futuro (meu e de minha família).
Escrevo para vocês e para mim.
Por muito pouco, eu mesmo não percebi isso. Mesmo sempre dizendo e escrevendo sobre os verdadeiros tesouros das pessoas, por pouco não coloquei meu barco à deriva. No mundo, as coisas acontecem em uma velocidade impressionante e eu estava perdendo momentos preciosos que dificilmente vou conseguir recuperar.
Muitos de vocês devem estar pensando que é difícil conciliar família, sucesso, dinheiro e trabalho. Vocês têm razão, isso não é nada fácil. Mas perder a verdadeira simplicidade da vida é muito mais difícil. A solidão pesa e transforma pessoas em robôs, em escravos de sua própria vida. Você já assistiu ao filme de comédia “Click”, com Adam Sandler? A lição clara, embora em um contexto engraçado, é a de que viver intensamente é muito importante para nossa felicidade.
Não deixe de estar ao lado de quem você ama.
Falamos muito de dinheiro, mas ele sozinho não resolve nada. A ausência custa muito mais do que qualquer taxa de juros, seja ela de cartão ou cheque especial. Ao investir tempo ao lado de quem amamos temos as melhores rentabilidades possíveis – e de longo prazo. Teremos como recompensa a sinceridade, a honestidade e o companheirismo de quem amamos. Isso, o dinheiro não compra.
A vida é bela para quem aposta nela. Os sofrimentos a que muitas vezes somos submetidos são oportunidades de aprendermos e mudarmos. Nunca é tarde para mudar, especialmente enquanto aqueles que te amam ainda te olham nos olhos. Dedique o final de semana para analisar como anda sua relação familiar: é a oportunidade para colocar em ação sua estratégia pessoal, ser uma pessoa rica de verdade; ser uma pessoa feliz.
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Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo Pereira
Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Parabéns pelo artigo. Eu tenho uma tendência muito grande de priorizar as metas de independência financeira em detrimento da família. Hoje, sábado, vou pensar em tudo que li em seu artigo. Abraço
Belo ponto de vista Ricardo. Partilhamos da mesma opinião.
Me sentir realizado com as coisas que faço é o meu combustível! Acumular fortunas será uma consequência, e não a meta principal de minha vida.
Um abraço
Tenho acompanhado seu site a algum tempo, e lhe dou meu sinceros parabéns, ótimas matérias, e cá entre nós, belos conselhos. Estou aprendendo muito.
Um grande abraço, e continue assim.
Otimo artigo Ricardo, me lembrou daquele ditado: "A vida é o q acontece enquanto vc faz planos".
Abraço
Ótimo comentário! Realmente dinheiro é o combustivel mas o destino é a independecia financeira!
Dio
Parabéns!!! Excelente artigo!!! Abraços...
Riqueza pode ser o fato de morar num sitio, trabalhar em casa numa rede na varanda a hora e quando quiser, sentir o cheiro de chuva e ter a oportunidade de ver a filha crescer. Fazer da alimentação natural um hobby e cortar radicalmente todos os carnês de pagamentos (fui criado tendo em mente que só crescemos, se fizermos dividas e boletos). As vezes me pego pensando que não trabalho, pois o que eu faço todos os dias, eu faria de graça!
Aposentadoria não faz parte de meus planos!
Olha Ricardo, realmente seu artigo está exelente, me deu uma nova, não soh opinião, mas também me abriu um novo ponto de vista, realmente são os pequenos detalhes que trazem a grande realização pessoal, o dinheiro é soh uma consequência. Parabéns pelo Artigo
Parabéns! Eu vejo no meu meio que muitas pessoas visam o dinheiro. Mas dinheiro não é tudo. Chega um momento na vida que tem-se o dinheiro mas não tem outras coisas importantes, acabando com a felicidade.
felicidade para mim é planejar, lutar e conseguir.
Ricardo, parabéns pela belíssima abordagem !
As tuas palavras deixa bem claro que felicidade é uma coisa e dinheiro é outra, cada um tem o seu próprio distintivo.
As crianças nada sabem, ou pouco sabem do significado do dinheiro, e no entanto são incalculavemente mais felizes que os adultos.
Então creio que os valores, de qualquer natureza, é relativo a utilidade , necessidade e satisfação do que possuimos, e a família tem muitos valores.
Se é assim, ser feliz nada tem haver com dinheiro, pode-se pefeitamente ser feliz sem dinheiro, como também pode ser infeliz com dinheiro. Pior é ser infeliz e sem dinheiro...risos
No livro 'Os Segredos da Mente Milionária' o autor pergunta, porque não possuir os dois, dinheiro e felicidade ?
Gaudêncio
Dinheiro não é tudo...
Seu blog é muito bom!
Parabéns pelo Post...
Abraços
Ricardo,
Temos aí a velha questão dos juros... Podemos optar por acumular capital agora em troca de mais tempo e bem estar no futuro, ou então... trazer um pouco deste bem estar para o presente, sacrificando a velhice.
O grande desafio sempre foi achar um meio-termo.
olá Ricardo Pereira.
li o artigo sobre o teu perfil profissional, gostei bastante, bem interessante e importante assunto, eu gostaria que você escrevesse algo sobre como economizar com êxito, pois muitos metem-se a gastar por impulso e frustram-se por ver o sonho ficar mais distante, e muitos que compraram imovéis desistiram por causa da crise, ajude-nos com uma idéia boa.
celso neto
Oi, Ricardo.
"alguém só consegue ser rico a partir do momento em que se torna uma pessoa realizada" PERFEITO! Ser rico não tem nada a ver com dinheiro, e sim com felicidade. Dinheiro por si só cria um vazio interior, que não pode ser preenchido por carros, casas ou roupas. Somente a realização pessoal é capaz de tornar nossa vida plena.
Parabéns pelo artigo.