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Banco do Brasil: entre os (des)interesses públicos e a gestão privada

11comentários

Banco do Brasil: entre os (des)interesses públicos e a gestão privadaEis que o Presidente Lula, após alguns anos de mandato, resolve cobrar juros baixos dos bancos. Ufa, mas como começar? Segundo ele, o exemplo deve ser dado pelos bancos públicos. Não é novidade que os bancos brasileiros estão entre os que mais ganham com os juros altos, o que, de certa forma, também impede os brasileiros de formar novas dívidas. Afinal, se o juro é muito alto, a prestação pode não “caber no bolso”. Mas, isso é só como gostaríamos que fosse.

Para tudo na vida existe o lado ruim e o lado bom.
O lado ruim não é segredo: são os próprios juros altos, que deixam a economia travada, afetando a capitalização de diversas áreas produtivas, além de diminuir a circulação de dinheiro[bb] na praça, deixando os empresários receosos em investir e criar novas oportunidades – inclusive empregos. O lado bom, pelo menos hipoteticamente e com base em aspectos econômicos, é que as altas taxas já são limitadores de crédito, freando de certa forma o endividamento. Quem tem o mínimo de informação financeira não financiou e não se endividou; preferiu poupar, aplicar e comprar seus bens à vista.

Juros altos: o consumo tem a hora certa.
Nem tudo são flores. É claro que muitos brasileiros se endividaram. Muitos por desconhecer que os juros também podem jogar a favor do consumidor, e que um pouquinho de paciência poderia representar uma grande economia. O fato é que com a nova direção do Banco do Brasil o mercado aguarda uma redução dos juros – ou mesmo uma nova visão estratégica do banco.

O governo se antecipou e já diz que não pretende realizar mudanças no comando da Caixa Econômica Federal, mas já ouvimos, há pouco tempo, discussões sobre a viabilidade de o governo ter dois bancos públicos. Minha opinião é que a unificação dos bancos criaria  um gigante financeiro – e esta ação faria com que a nova instituição ganhasse em competitividade com os bancos privados, talvez forçando-os a mudar em algo.

Qual exemplo seguir?
O engraçado é que o Banco do Brasil é um banco público com ações em bolsa[bb]. Ou seja, ele precisa ser competitivo e precisa ter técnicas de gestão semelhantes às dos outros bancos. O que não pode acontecer são declarações como as da ministra Dilma Russeff, que disse recentemente que “o governo está combatendo dirigentes públicos que agem como privados”.

Assim fica difícil de levar a coisa toda a sério, pois não é justamente profissionalismo e gestão coerente dentro dos negócios que cobramos no governo em todas as suas esferas? Qual é o modelo que deve seguir como exemplo: o público ou o privado? É inegável que o setor privado está anos luz à frente em eficiência e comprometimento com resultados. O resultado de tais declarações e as incertezas que pairam a partir de agora sobre a instituição fizeram despencar o preço das ações do BB.

Outras medidas para baixar os juros
Quando descobrimos falcatruas mil, que são noticiadas em toda a imprensa, a coisa mais difícil de ocorrer é a demissão ou exoneração do servidor público. Mandar embora alguém contratado pelo Estado parece ser impossível. Isso está certo? Enfim, temos outras questões para abordar e elas se interpolam com a necessidade de baixar os juros diretos ao consumidor. Queremos eficiência na máquina pública.

Ora, que os juros precisam baixar não existem dúvidas. Uma economia[bb] eficiente depende de juros praticáveis, mas, fundamentalmente, a questão não é essa. Se o governo quer juros baixos, tem instrumentos para baixar os juros. Um dos exemplos é a diminuição da carga tributária para operações financeiras, mas isso o governo nem cogita.

O que ficou claro nesse episódio é que o Banco do Brasil foi utilizado como instrumento de política. E, pior, não existe a menor garantia de que se obterá o resultado desejado. Com “boas intenções”, a pouco tempo de uma eleição e usando a popularidade conquistada, o governo dá suas tacadas. Voltou-se a fazer política por política? Espero que não!

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Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • alpha

    esse lula… na eleição passada lula soh naum ganhou entre as pessoas com diploma de ensino superior…isso quer dizer alguma coisa!

  • Renato S. Pádua

    Excelente texto Ricardo. Concordo com sua visão, acho que estamos diante de uma enorme manobra política. Vejamos que desdobramentos surgem. Os juros baixos serão o resultado? Será?
    Parabéns. Abs.

  • Emerson

    Acho que o foco do artigo é equivocado. Deveria ser o seguinte: investidor se vai comprar ações, avalie quem dirige a empresa. A empresa é de capital misto (estatal com ações em bolsa) sendo que o principal acionista é o governo? Não confia no governo? Então não compre ações dessa empresa que estará, SEMPRE, sujeita a atos políticos do governante de plantão. Para o bem e para o mal. Para citar um caso do bem (já que o artigo achou um “mal”) vejo o caso da Petrobrás que nos últimos anos incluiu em seu planejamento estratégico investir forte em energia alternativa como o biodiesel. Poderia não tê-lo feito mas por decisão política o fez. No caso do BB se a nova gestão focar em aumentar o crédito (que sumiu com a crise) para os micro e pequenos empresários ao invés de gastar dinheiro comprando bancos dos Emírios de Moraes já será uma mudança muito bem-vinda para o país e desejável do que se espera de um banco cujo principal acionista é mantido com nossos impostos.

  • http://www.simpatiaeesculacho.blogspot.com Marcoa

    Desde a última reunião do Copom que é esperada uma baixa nos juros. Lula apenas livrou-se de dividir uma possível injeção de ânimo na economia com um sipatizande tucano, que é o ex-presidente do BB defenestrado.

  • oneide

    juro=risco não vejo mudança neste ponto.
    questão do brasil e que se vc tem um empregado e paga 1mil reais,ele custa custa 2mil e para valer a pena ter o empregado ele tera que gerar 10 mil reais com seu trabalho,para um custo de 20% de mão de obra no produto que ja e alto digamos.
    destes 1mil reais que o trabalhador recebe e na verdade 600reais pq e 40% de imposto diretos indiretos taxas etc.
    destes 600R$ recebidos 200R$ serão usados para compensar a falta do estado saude,segurança,educação etc.
    então a equação da miseria e esta
    gera 10mil R$ custa 2mil R$ recebe 1mil R$ que na verdade e 600R$ e gasta 200R$ pra compensar ,total valor real = 400R$ .
    tb pode ser aplicado esta conta em todos os ramos da economia.
    a distancia do que se gera e o valor real recebido ea toda a questão ainda adicionando juros a esta conta da pra entender toda a miseria nacional.
    teria que ver como e em outros paises, de quanto um chines ou europeu gera de R$ e de quanto recebe de valor real.
    mesmo que tenha digamos 100mil R$ vc tem de valor real = 40mil R$.

  • http://www.tradersemmisterios.com.br Andre Motta

    Ricardo,

    Muito pertinente o artigo, porém alguns pontos levantados pelo Emerson também merecem atenção.
    Acho que o mais importante neste caso, não é o como o Governo faz a gestão do BB, mas se faz o que efetivamente anunciou que iria fazer, o problema são as surpresas!
    Se hoje anunciam que irão sacrificar o lucro do BB em prol teórico da economia do País Ok! todo mundo sabe e fica no barco quem quer. O que não se pode aceitar é que se tape o sol com a peneira em casos como este.

    Escrevi um post também na semana passado sobre este assunto lá no tradersemmisterios.com.br, convido todos a dar uma lida.

  • José Carlos dos Santos

    Proponho algumas reflexões sobre o tema para fundamentar um juízo a respeito desse tema:

    1. Pode e deve um acionista majoritário exercer o poder que tem e implantar a sua política, especialmente num momento de crise financeira internacional, com alguns efeitos em seu país?

    2. O Banco do Brasil é um banco como outro qualquer e, por isso, deve atuar exclusivamente com base nas leis de mercado?

    3. É anti-natural o acionista majoritário substituir o dirigente maior da sua empresa?

    4. Estamos vivendo um momento de normalidade em que pareça absurdo impor à empresa uma política de redução dos juros, ou melhor, facilitação do crédito?

    5. Se não estamos, não parece mais correto impor essa política do que deixar o barco à deriva?

    6. A Constituição Federal diz em seu Artigo 5º: Inciso XXII – é garantido o direito de propriedade; Inciso XXIII – a propriedade atenderá a sua função social. Será razoável utilizar uma empresa mista para cumprir uma relevante função social de favorecer o crédito para que o país cresça e garanta empregos e renda?

    7. Será que a Oposição quer o pior para o país, para tentar colher dividendos eleitorais em 2010, e por isso é contra a troca de presidentes do BB, coisa que eles fizeram em grande quantidade, no período em que governaram o país?

    E olha que o governo apenas trocou um simpatizante petista por outro simpatizante petista. Imaginem se fosse um tucano por um petista?

  • Tiago

    O problema é que o Lula demitiu o presidente de banco errado, o alvo deveria ser o Meireles e sua política adotada no Banco Central.

    E falar que “o Lula só não ganhou entre as pessoas com diploma de nível superior” é um enorme preconceito.
    Medíocre e tapado é aquele que pensa que pensa que o presidente é um sujeito ignorante e tapado.

  • Vilas Boas

    O presidente é de fato, ignorante e tapado, aconselhado por petralhas aloprados. Não vejo problema algum em confundir o publico com o privado, afinal somos bem comportados e ninguém reclama, e se alguém reclama, fica tudo por isso mesmo pq o proximo escandalo será bem pior.
    Isso não pode ser um país sério. Que saudade de De Gaulle.

  • Ismael

    O BB, assim como outras estatais é apenas “moeda de troca” da esquerdalha brasileira que não quer largar o osso de jeito nenhum, porque no setor privado teria que trabalhar, coisa que elles detestam, por isso a mocréia de plástico, assaltante Dirma ficou fula com a tentativa de profissionalizar as estatais, aí, não sobraria vaguinhas para membros das FARCs e do PT/PMDB no pudê. Os juros? as taxas? Que se fo… quem paga e o populacho mesmo…

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