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A crise, indicadores econômicos e algumas reflexões

Publicado por Ricardo Pereira em 24.4.2009 na seção Economia Geral

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A crise, indicadores econômicos e algumas reflexõesAlguns dados conflitantes trazem reflexões interessantes nesses tempos em que a crise parece ficar mais nítida aos olhos brasileiros. É consenso que fomos atingidos pelo mar de pessimismo que cerca o mundo. Hum, pessimismo, talvez esta seja a grande palavra da crise atual. Dentro do desempenho econômico de um país, um dado específico parece demonstrar a direção (a expectativa de rumo) do país: o índice de confiança do empresariado.

Afinal, são eles os grandes responsáveis por contratar, demitir e fazer a economia girar. São figuras importantíssimas ao longo da cadeia produtiva. Segundo levantamento trimestral da Conferência Nacional da Indústria (CNI), os empresários continuam encarando o cenário com um pessimismo evidente. O índice está dois pontos acima da última pesquisa, agora em 49,4 pontos, mas ainda abaixo de 50 pontos - número considerado o ponto de equilíbrio entre o pessimismo e otimismo.

Indicadores, resultados e mudanças...
Esses dados podem significar e mostrar como alguns números começam a fazer mais sentido. Tomemos, por exemplo, o aumento da taxa de desemprego, que agora está na casa de 9%. Quando o cenário é visto como nebuloso, as empresas deixam seus investimentos de lado e optam por reduzir custos. Assim, o desemprego passa ser uma saída e a principal medida de contenção.

As grandes empresas divulgam semanalmente dados sobre suas operações e reiteram a intenção de demitir milhares de trabalhadores pelo mundo todo. Por aqui, também não escapamos desse cenário e fomos, no passar dos meses, sentindo o peso de tal situação.

Enquanto isso, o governo aumento o número de meses para concessão do seguro desemprego, medida também adotada em outros países que remedia o problema, mas que, na prática, não o soluciona. O crédito no Brasil, que chegou a níveis alarmantes, começa a voltar aos patamares registrados no período pré-crise, mas com um custo financeiro muito maior. O índice de inadimplência também subiu ao maior patamar desde novembro de 2006, em alta de 5,1% em março deste ano e tendo como principal atores nesse cenário os empréstimos concedidos às empresas.

Algumas boas notícias
Se o empresariado ainda continua vendo o cenário econômico com pragmatismo, de outro lado os consumidores mais rapidamente dão sinal de que estão dispostos a retomar o ritmo de consumo. Um dos principais termômetros desse movimento é a busca pelos carros novos, que a cada novo mês repete o bom desempenho do ano de 2008.

A redução de impostos parece ser uma arma poderosa no convencimento ao consumidor. A pergunta que se faz é: será que esses números fabulosos serão “testados” na hora do recebimento? O ponto positivo é que os prazos para pagamento foram reduzidos, obrigando os compradores a desembolsar valores maiores de entrada – ou, na pior das hipóteses, a assumir parcelas mais salgadas. E, assim, as chances de pagamento são maiores.

Que fique claro que essa “salada” de números não significa a manutenção ou o final da crise financeira. São seus reflexos. Para quem quer aproveitar as oportunidades que surgem durante a crise, vale a pena conferir o bom desempenho de alguns investimentos, como a tão maltratada bolsa de valores. Mesmo com alta volatilidade, o cenário para quem tem disposição para investimentos no longo prazo parece mais favorável que nunca.

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Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Crédito da foto para stock.xchng.


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Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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3 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Henrique Oliveira

    Parabéns pelas informações Ricardo.

    Somente para colocar ''mais lenha na fogueira'', o que tem-se dito bastante a respeito das Empresas é o fato delas terem lucrado o ano inteiro de 2008, e com o acontecido no final do mesmo ano, terem demitido números alarmantes de pessoas em 2009
    É justo para com aqueles que contribuiram ao longo de tanto tempo para o desenvolvimento destas empresas? A pequena insegurança que você comentou deve ser utilizada como base para tais demissões?
    Quero dizer que acompanho quase que diariamente este blog, e gosto muito.

  2. Imagem do comentarista
    Samuel

    Li uma informação sobre hiper poupança do Bradesco e de outros bancos, o que mudou de la pra cá em relação a TR, IR e hoje sem CPMF que naquele ano de 2007 ainda havia esse imposto.

  3. Imagem do comentarista
    oneide

    o brasil não vai entrar na crise pq nunca saiu dela, o que existe e apenas ilusões temporarias, não ouve alteração alguma .
    continua o estado paternalista dando bonus aos amigo do rei,continua a sindrome do concurso publico, continua o conto do superavit primario,continua a falta de concorencia no setor privado onde grandes empresas são detentoras do mercado(o CADE não existe e so figura de decoração),bancos não empresta ao mercado prefere emprestar ao estado(melhor cliente).
    o pais desenvolve se na base do brio do povo de resolver seus problemas, não por merito do estado, de alguma politica qualquer.
    Se o estado não atrapalhar ja ajuda (nem que pra isso tenhamos que dar a ele 40% ou mais em impostos).
    por isso que digo o brasil não vai entrar na crie ele nunca saiu não tem como entrar.

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