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Investimento em ações e a nova euforia na Bovespa

9comentários

Investimento em ações e a nova euforia na BovespaEnquanto inicio este artigo o índice Bovespa sobe 2,42% no dia e chega ao patamar de 51.894 pontos. O fechamento foi mais modesto, mas ainda em alta de 1,64% em 51.499 pontos. A euforia começa a tomar conta de boa parte da mídia responsável pela cobertura do mercado financeiro[bb]. Se a tendência de alta se mantiver, logo logo veremos uma cobertura cada dia maior. Isso me preocupa.

É claro que a cobertura da mídia é fundamental e no fim das contas cumpre o papel de disseminar o investimento no mercado de capitais, sobretudo na bolsa de valores. O problema é que a euforia traz à tona a famosa relação entre “sardinhas” e “tubarões”, já abordada pelo Navarro no artigo “Oferta, demanda, sardinhas e tubarões”. Investidores inocentes, atraídos pelas notícias, podem se dar mal.

Os fundamentos garantem uma rápida recuperação no Brasil?
Apenas considero que no Brasil as coberturas são muito extremistas. Na baixa, desclassificam o investimento e o tornam algo de grande perigo. Muitas vezes a bolsa de valores é considerada como um cassino, onde apenas o componente sorte é importante. E quando a bolsa sobe por um período mais duradouro, tentam passar a imagem de uma mina de ouro – a verdadeira chance de se tornar milionário.

Quer ficar rico? O primeiro passo é o conhecimento do mercado.
Não negando a possibilidade de enriquecer com os investimentos em ações, a verdade suprema é que o caminho até chegar nesse patamar é cheio de espinhos e dificuldades. No período cataclísmico do final do ano passado, quando a Bovespa despencou dos mais de 70 mil pontos para menos de 30 mil, poucas vozes dentro da mídia explicaram com coerência como lidar com alguns componentes indispensáveis de aplicação na bolsa[bb]:

  • Quase ninguém explicou à grande massa de investidores porque a bolsa de valores é um investimento de longo prazo, principalmente quando falamos nos pequenos e médios investidores;
  • Poucos abordaram a complexidade da crise. Muitas pessoas resgataram seus investimentos (realizando suas perdas) sem nem mesmo saber o significado de subprime;
  • Durante muito tempo foi vendida a idéia de que investimentos em ações era sinônimo de dinheiro fácil;
  • Poucos explicaram às pessoas como é importante buscar o conhecimento e a preparação para conhecer o funcionamento do mercado de ações, suas nuances, seus termos e sua dinâmica;
  • Quase ninguém explicou, mesmo durante o apogeu da crise, que as crises são cíclicas e em algum momento elas terminam. E que, desta forma, países como o Brasil, com fundamentos econômicos sólidos podem sair fortalecidos. Tudo o que se via era pânico;
  • Poucos explicaram que grandes empresas, com resultados positivos e plano de desenvolvimento consolidado (como Petrobras, Gerdau, Usiminas, Vale e etc.) poderiam viver valorização com o final da crise.

Empresas baratas, boas oportunidades
Ainda considero que muitas empresas estão com valores aquém do que valem de verdade, se apresentando como ótimas oportunidades. No entanto, se compararmos com o final do ano, a busca está mais difícil. Os poucos investidores[bb] que se dedicam a estudar o mercado certamente aproveitaram o grande saldão do final do ano. A euforia momentânea pode enganar e o movimento de realização de lucros tende a voltar. Cuidado.

O que precisa ficar claro para quem opta por seguir o mercado de capitais é que ele é mesmo um investimento interessante. Mas, é preciso ressaltar, ainda estamos passando por momentos delicados, em que um simples indicador pode derrubar a bolsa por um bom tempo. Está claro que há muito capital especulativo circulando na bolsa de valores.

Entre no mercado com consciência, andando com suas próprias pernas e suas próprias vontades – e não porque o seu tio conhece alguém que ganhou uma boa grana aplicando em ações. Cuidado com as lindas histórias de sucesso, afinal muitas delas são apenas da boca para fora. Envolva-se de verdade com suas decisões.

Investir em ações é se tornar sócio de um negócio
Esteja preparado para ganhar, mas também para perder em determinadas situações. Essa atitude propicia ao investidor o aprendizado com erros (seus e dos outros). Uma alternativa inteligente é também ter um fundo de reserva, que propicie maior segurança nos momentos de crise e que permita que você não mexa nas ações por algum tempo.

A regra básica não muda e o que parece fácil, vender na alta e comprar na baixa, precisa de uma estratégia de entrada e saída, estudo das empresas, avaliação das alternativas, definição de preços-alvo e etc. Certo, isso é assunto para um próximo artigo. Até a próxima.

——
Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Eduardo Barros

    Excelente artigo Ricardo!
    Realmente a mídia desvirtua o real momento da bolsa de valores e não se preocupa em mostrar o real mecanismo existente.

  • Daniel Pondé

    Como vai Ricardo?

    O seu artigo vai direto ao ponto..

    Mas eu gostaria de tecer algumas palavras, se é que você me permiti.

    Muitas são as pessoas que tomam como base em suas decisões a opinião de outras (parentes, amigos, analistas financeiros, etc). Mais ainda, muitas são as pessoas que possuem a chamada “memória seletiva” e negam descaradamente. Quem não conhece alguém que sempre tem um caso para contar como: “Um amigo meu entrou com 80 mil e hoje ele tem 40 mil em ações” ou “Fulaninho quebrou a cara e vai continuar quebrando, pois está perdendo dinheiro com ações”. Mas e a memória seletiva? Ah sim! As pessoas costumam, mesmo que de um modo inconsciente (ou talvez não) selecionar apenas os fatos ruins, como em uma viagem à praia na qual dos 10 dias 2 foram problemáticos. Digo isso pois, quem é corajoso o suficiente para dizer que o mercado acionário é ruim? Se fosse, acredito eu, não existiria mais ou talvez não tivesse BILHÕES de capital estrangeiro investido. Eu ja fiz a minha parte e recomendei aos meus amigo (que nunca entraram na bolsa) que entrem. Ano passado foi um ano ATIPICO. Esse ano e os próximos (tavez 15-20) serão os anos de recuperação. Pois para quem sabe, a economia é cícilica.
    Antes de entrar na bolsa é claro, considero fundamental que o investidor (ou especulador, que seja) estabeleça uma meta. Com qual prazo você quer trabalhar? Curto prazo? Otimizar os ganhos?

    CURTO PRAZO- quem sabe…. QUEDA no preço de uma ação e então comprar. SUBIU , 5%,6%,7%, que seja, e então vender? Quem sabe estabelecer uma meta..talvez..6% à cada 20 dias

    MÉDIO PRAZO- 3,4,6 meses, 1 ano..quem sabe comprar e estabelecer o chamado buy-to-hold e a cada período re-avaliar a sua carteira

    LONGO PRAZO- Comprar e buy-to-hold quem sabe..5-10 a anos

    Bom, os exemplos que citei são apenas para elucidar, o mais importante é cada um se informe ao MÁXIMO e estabeleça METAS, o que eu considero mais importante.

    grande abraço Ricardo

  • Xico

    …”bolsa de valores é um investimento de longo prazo”…

    No entanto, “muitas blue chips de hoje poderão ser os micos de amanhã”:

    http://www.bovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/99/Capa.shtml

    Não é só “comprar e esquecer”.

    Até!

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    Olá Xico, boa noite você tem toda razão, quando falamos em investimento em ações como longo prazo jamais mencionamos que deve-se comprar um papel e ficar sentado em cima.

    Quem lida com ações percebe a necessidade constante do acompanhamento em cima de análises e estratégias de compra e venda. Mas o investimento em si, no meu ponto de vista é para longo prazo, como forma de redução de risco.

    Daniel Pondé, comentários sempre muito pertinentes obrigado pela participação.

    Eduardo Barros, muito obrigado pela participação o importante é mantermos a nossa antena ligada e aproveitar o que de bom a mídia propicia.

    Forte abraço à todos!

  • Valdemar Engroff

    Buenos Dias Ricardo

    Ainda não estou em condições de entrar no mercado acionário direto, mas, desde a derrocada (em setembro do ano passado), entrei num clube de investimentos e estou me dando bem, com os meus R$ 500,00 médios mensais na aplicação (aquisição de cotas). A meta é acumular capital, e quando desvalorizar, somente lamentar por não ter mais dinheiro para comprar mais cotas.

  • Aldo Leonardo Silva

    Valdemar concordo e estou na mesma que você, estou aplicando cerca de 2000,00 por mês na bolsa por mês, sempre em BlueChips através do fundo de investimento do Itau, aproveitei a queda de ontem a apliquei mais 1200,00. Acho que essa crise nos fez ter medo de altura (quanto maior é, maior é o tombo hehe). Eu acho que essa alta valorização se deve principalmente à queda da Selic, tem muita gente migrando de outros investimentos, e inclusive da poupança (que está registrando saidas de dinheiro bilionárias) minha teoria é essa, rs (sou um leigo, não sou um expert em ações) mas acho que essa tendencia de alta expressiva na Bolsa se deve à queda no rendimento das aplicações de renda fixa, alinhado com a desconfiança quanto às regras da poupança que devem mudar, enquanto o governo não esclarecer o que vai acontecer com a poupança vai ter muita gente procurando a bolsa.
    Tive um bom rendimento na bolsa nesse ultimo mês e vou continuar com a minha estratégia de aplicação mensal até o final do ano, também acho que a especulação na Bolsa está altissima, mas estou preparado para quedas e não vou realizar prejuizos.

  • http://www.corretorageral.com.br JC

    Olha, sou trade e assessor de investimento. Todos os meus clientes chegam aqui dizendo que querem investir para no logo prazo e em empresas sólidas (Blue Chips). Bom, se queres comprar para o longo prazo, há muitas outras empresas que pagam bons dividendos e não estão nas primeiras páginas dos jornais, mas já que você quer petrobras/vale etc, vamos nessa.. compramos o papel para este tal cliente para o longo prazo. O problema é que no dia seguinte, logo que ele(a) vai dar uma olhada na bolsa, vê seu papel caindo 2%. Sabe o que o cara do longo prazo faz.. fica doido e quer saber se deve vender.. Infelizmente, todos dizem longo prazo, mas a necessidade de vitoria no curto, faz com que muitos objetivos financeiros não sejam atingidos. Quantos de vocês que compraram para o longo prazo e venderam nesta queda, enquanto deveriam estar comprando mais??!!!

    Sou do curto prazo. Aprendi a ganhar dinheiro assim. Há vários mecanismos para te proteger de quedas ou suavizar as perdas, como lançamento de opções. Quem não quer colocar 30 mil em um mês na petrobrás, compre 1.000 de opções e você terá algumas semanas para ver se foi para o lado que você queria.

    Só há uma coisa que não permito ouvir.. gente falando que perdeu tudo na bolsa.

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    JC, boa noite. Como vai?

    Obrigado pelo comentário, veja só acredito que esta ocorrendo um erro de interpretação quando defendemos os investimentos em ações no longo prazo. Longo Prazo, não quer dizer que você vai comprar determinado papel e simplesmente esperar a valorização dele durante 20 anos. Se sua expectativa de valorização dentro do que você projeta para o papel acontecer em um dia, uma semana ou um mês vá em frente e realize o lucro.

    Sou defensor de uma estratégia bem centrada de entrada e sáida, uso e muito os intrumentos de stop loss e stop gain.

    O que defendemos como longo prazo é o investimento em si, isto é invista em ações por um grande período.

    Óbvio, que o caminho mais seguro para o pequeno investidor são as Blue Chips, mas isso não é uma verdade absoluta e sim, concordo que existam ótimas opções que só serão percebidas para quem estudar o mercado e perceber que oportunidades não caem do céu, precisam ser encontradas, cavadas.

    Obrigado pelo contato, e espero que continue contribuindo, sempre com opiniões muito pertinentes.

  • http://www.ig.com.br antonio santtini

    Muitas vezes a bolsa de valores é considerada como um cassino, onde apenas o componente sorte é importante.
    eu,discordo porque as blue chips,são fontes de referencia globais e nao cassinos.

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Humberto Veiga

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