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A valorização do Real e seus reflexos na economia

8comentários

A valorização do Real e seus reflexos na economiaNas últimas semanas, o real vem ganhando força e valor frente à desvalorização da moeda americana, o dólar. Nos momentos mais críticos da crise, especialmente no final do ano passado, a cotação da moeda norte-americana disparou, levando muitos a acreditar que comprar essa moeda seria um investimento[bb] interessante.

Em artigos específicos chegamos até a comentar que o dólar, ao menos sobre o aspecto prático de comprar a moeda e deixá-la em casa, não era exatamente um investimento, mas sim uma operação de hedge. Ou seja, comprar valeria a pena para quem pretendia utilizar a moeda no curto prazo e que, com a tendência momentânea de alta, se protegeria comprando mais barato.

Quando pensamos em um país forte e economicamente estável, faz todo sentido ter uma moeda forte e parruda. Na verdade, o correto é ter uma paridade que premie uma economia ajustada e competitiva. Entretanto, temos alguns problemas crônicos em nossa economia que deixam brechas e problemas circunstanciais que precisam ser tratados. E vamos discuti-los.

O primeiro diz respeito à competitividade de nossos produtos no mercado externo, que deixam de ser tão baratos por inúmeros motivos – não só pela questão da moeda. É importante lembrar que o custo da mão de obra no Brasil (encargos e sistema de trabalho engessado), a baixa produtividade e alta tributação influenciam o preço, que se mostra alto para todos os padrões – inclusive os nossos.

Outro ponto que representa um perigo real é a questão da dívida pública. Atualmente, somos credores líquidos em dólar, o que significa que nossos ativos em dólar são maiores que nossa dívida em moeda americana. Simplificando, se o dólar cai a dívida sobe e vice-versa. A dívida, que no final de abril representava 38,4% do Produto Interno Bruto do país, foi um dos itens negativos avaliados quando recebemos o chamado grau de investimento há pouco mais de um ano.

A grande verdade é que os investimentos em moeda estrangeira no Brasil parecem ser o principal motivo para a enorme e rápida valorização da moeda nacional. A velha lei da oferta e demanda faz a regra valer. Muita gente querendo participar de nossa economia[bb], comprando reais e vendendo dólares, e o valor da moeda estrangeira cai.

De acordo com o site do jornal Valor Econômico, a NGO Corretora aponta uma operação conduzida pelo Banco Central no mercado de derivativos e swaps cambiais, no valor de US$ 3,4 bilhões com vencimento para agora, como um fator importante na formação do preço. A operação, iniciada em 5 de Maio, quando o dólar tinha sua cotação em em R$ 2,14, faz com que os vendedores levem a cotação da moeda para baixo, desta forma se beneficiando da variação negativa da moeda e da taxa de juros.

O Banco Central continua suas intervenções diárias no mercado[bb], comprando dólar e aumentando substancialmente as reservas cambiais. O próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, defende o câmbio flutuante e a variação constante da moeda. Resta saber se a cotação atual é real ou artificial por conta do grande fluxo de capital estrangeiro. Parece-me que o equilíbrio está acima de R$ 2 por dólar, o que deve acontecer ao longo do ano.

O importante para o investir é estar atento ao papel do câmbio e do dólar em nosso cotidiano, interpretando de forma objetiva se seus movimentos deixam o país mais competitivo e cada vez mais interessante para quem busca bons retornos. Viver o patamar de R$ 1,60, como no ano passado, não parece ser a lógica do momento. Talvez a reversão na tendência de baixa esteja próxima. Talvez não. Estamos de olho e traremos novidades sobre a questão em breve.

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Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • João

    Olá Ricardo, belo artigo !

    Pelo que entendi você não recomenda a compra de dólares na baixa como investimento, poderia explicar o por que?

    Venho pensando em investir um pouco de dinheiro na compra de dólares para vender na alta. Meu pensamento é muito simplista? Existem taxas? Se sim, quais são?

    Estava pensando no começo em comprar apenas 100 dólares e vender numa alta expressiva. Apenas para ver como funciona.

    Dede já agradeço a atenção.

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    Olá João, como vai?

    Obrigado pela participação no Blog. Espero que continue conosco e nos ajude a divulgar assuntos tão importantes para o maior número de pessoas.

    Bom, você entendeu bem, não recomendo a compra de dólares como investimento. Justamente, porque não considero comprar dólares, como investimento. Simples assim! O dólar é uma moeda, e principalmente nesse momento a tendência de paises com uma economia com consistência e bons fundamentos é se manter estável. Como você percebeu o dólar, após o período de turbulência recuperou a tendência de queda. Óbvio, podem ocorrer outras quedas, sim podem. Mas me parece um jogo de adivinhação sem muita lógica.

    O dólar deve ficar por um bom tempo na faixa de de R$ 1,90 a R$ 2,10 no máximo, não percebo que ao comprar US$ 100 você possa auferir algum retorno interessante.

    Entretanto, se pretende fazer alguma viagem para o exterior, comprar agora pode ser um bom negócio pois você estará se protegendo de possiveis instabilidades sazonais, afinal ao comprar com cartão de crédito por exemplo, você efetuará o pagamento de acordo com o câmbio dia.

    Existem algumas outras opções de investimento de dólar, como o mercado de derivativos, mas é um terreno perigoso e propicio para especialistas. Empresas com grande renome se deram muito mal com essas operações.

    Grande abraço, espero ter satisfeito suas dúvidas.

  • João

    Obrigado pelo retorno Ricardo, você esclareceu as minhas dúvidas.

    Obrigado.

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  • Helder

    Sou completamente ignorante no assunto, mas pelo que entendo com as informacoes e com o que voce escreveu, sempre teremos uma moeda mesquinha e nunca poderemos desfrutar dos beneficios de um Pais onde a moeda e muito forte como no Reino Unido onde more atualmente por exemplo.

  • Suha

    Gostaria de saber a data da publicação…

    • Tiago

      29/05/2009

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