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A valorização do Real e seus reflexos na economia

Publicado por Ricardo Pereira em 29.5.2009 na seção Economia Geral

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A valorização do Real e seus reflexos na economiaNas últimas semanas, o real vem ganhando força e valor frente à desvalorização da moeda americana, o dólar. Nos momentos mais críticos da crise, especialmente no final do ano passado, a cotação da moeda norte-americana disparou, levando muitos a acreditar que comprar essa moeda seria um investimento[bb] interessante.

Em artigos específicos chegamos até a comentar que o dólar, ao menos sobre o aspecto prático de comprar a moeda e deixá-la em casa, não era exatamente um investimento, mas sim uma operação de hedge. Ou seja, comprar valeria a pena para quem pretendia utilizar a moeda no curto prazo e que, com a tendência momentânea de alta, se protegeria comprando mais barato.

Quando pensamos em um país forte e economicamente estável, faz todo sentido ter uma moeda forte e parruda. Na verdade, o correto é ter uma paridade que premie uma economia ajustada e competitiva. Entretanto, temos alguns problemas crônicos em nossa economia que deixam brechas e problemas circunstanciais que precisam ser tratados. E vamos discuti-los.

O primeiro diz respeito à competitividade de nossos produtos no mercado externo, que deixam de ser tão baratos por inúmeros motivos - não só pela questão da moeda. É importante lembrar que o custo da mão de obra no Brasil (encargos e sistema de trabalho engessado), a baixa produtividade e alta tributação influenciam o preço, que se mostra alto para todos os padrões - inclusive os nossos.

Outro ponto que representa um perigo real é a questão da dívida pública. Atualmente, somos credores líquidos em dólar, o que significa que nossos ativos em dólar são maiores que nossa dívida em moeda americana. Simplificando, se o dólar cai a dívida sobe e vice-versa. A dívida, que no final de abril representava 38,4% do Produto Interno Bruto do país, foi um dos itens negativos avaliados quando recebemos o chamado grau de investimento há pouco mais de um ano.

A grande verdade é que os investimentos em moeda estrangeira no Brasil parecem ser o principal motivo para a enorme e rápida valorização da moeda nacional. A velha lei da oferta e demanda faz a regra valer. Muita gente querendo participar de nossa economia[bb], comprando reais e vendendo dólares, e o valor da moeda estrangeira cai.

De acordo com o site do jornal Valor Econômico, a NGO Corretora aponta uma operação conduzida pelo Banco Central no mercado de derivativos e swaps cambiais, no valor de US$ 3,4 bilhões com vencimento para agora, como um fator importante na formação do preço. A operação, iniciada em 5 de Maio, quando o dólar tinha sua cotação em em R$ 2,14, faz com que os vendedores levem a cotação da moeda para baixo, desta forma se beneficiando da variação negativa da moeda e da taxa de juros.

O Banco Central continua suas intervenções diárias no mercado[bb], comprando dólar e aumentando substancialmente as reservas cambiais. O próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, defende o câmbio flutuante e a variação constante da moeda. Resta saber se a cotação atual é real ou artificial por conta do grande fluxo de capital estrangeiro. Parece-me que o equilíbrio está acima de R$ 2 por dólar, o que deve acontecer ao longo do ano.

O importante para o investir é estar atento ao papel do câmbio e do dólar em nosso cotidiano, interpretando de forma objetiva se seus movimentos deixam o país mais competitivo e cada vez mais interessante para quem busca bons retornos. Viver o patamar de R$ 1,60, como no ano passado, não parece ser a lógica do momento. Talvez a reversão na tendência de baixa esteja próxima. Talvez não. Estamos de olho e traremos novidades sobre a questão em breve.

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Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Crédito da foto para stock.xchng.


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Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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4 comentários

  1. Imagem do comentarista

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  2. Imagem do comentarista
    João

    Olá Ricardo, belo artigo !

    Pelo que entendi você não recomenda a compra de dólares na baixa como investimento, poderia explicar o por que?

    Venho pensando em investir um pouco de dinheiro na compra de dólares para vender na alta. Meu pensamento é muito simplista? Existem taxas? Se sim, quais são?

    Estava pensando no começo em comprar apenas 100 dólares e vender numa alta expressiva. Apenas para ver como funciona.

    Dede já agradeço a atenção.

  3. Imagem do comentarista

    Olá João, como vai?

    Obrigado pela participação no Blog. Espero que continue conosco e nos ajude a divulgar assuntos tão importantes para o maior número de pessoas.

    Bom, você entendeu bem, não recomendo a compra de dólares como investimento. Justamente, porque não considero comprar dólares, como investimento. Simples assim! O dólar é uma moeda, e principalmente nesse momento a tendência de paises com uma economia com consistência e bons fundamentos é se manter estável. Como você percebeu o dólar, após o período de turbulência recuperou a tendência de queda. Óbvio, podem ocorrer outras quedas, sim podem. Mas me parece um jogo de adivinhação sem muita lógica.

    O dólar deve ficar por um bom tempo na faixa de de R$ 1,90 a R$ 2,10 no máximo, não percebo que ao comprar US$ 100 você possa auferir algum retorno interessante.

    Entretanto, se pretende fazer alguma viagem para o exterior, comprar agora pode ser um bom negócio pois você estará se protegendo de possiveis instabilidades sazonais, afinal ao comprar com cartão de crédito por exemplo, você efetuará o pagamento de acordo com o câmbio dia.

    Existem algumas outras opções de investimento de dólar, como o mercado de derivativos, mas é um terreno perigoso e propicio para especialistas. Empresas com grande renome se deram muito mal com essas operações.

    Grande abraço, espero ter satisfeito suas dúvidas.

  4. Imagem do comentarista
    João

    Obrigado pelo retorno Ricardo, você esclareceu as minhas dúvidas.

    Obrigado.

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