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Crédito fácil: não caia nessa conversa!

Publicado por Ricardo Pereira em 03.6.2009 na seção Educação Financeira, Finanças Pessoais

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Crédito fácil: não caia nessa conversa!Baseado nos últimos indícios econômicos e financeiros, a crise financeira parece já ter atravessado o seu pior momento. A calmaria assusta e ainda há muito o que se compreender e viver até que possamos crer no fim da crise. O fato é que, aqui no Brasil, as boas notícias são comemoradas sobretudo em referência à volta do crédito ao mercado[bb] e aos consumidores. Nos próximos meses, ações do governo e de mídia baterão forte na tecla de que devemos consumir através de ofertas e programas governamentais com renúncia fiscal que baratearam os produtos.

Soa como uma ótima noticia, não é mesmo? Calma lá. Depende! Depende da forma como você vai encarar a volta ao consumo e, principalmente, se você planejará a compra de um novo bem. Algumas perguntas devem muito bem respondidas e vamos abordá-las aqui neste texto. A primeira pergunta é simples: será que eu preciso desse bem, nesse momento? Trata-se da questão entre comprar por comprar e comprar por necessidade.

A questão é polêmica, mas precisa ser abordada pela ótica do planejamento. Nós brasileiros somos os reis do desperdício. Quem já teve coragem de verificar o valor dos alimentos que foram jogados ao lixo no último mês? Ou mesmo de mais uma bolsa ou DVD[bb], que depois de pouco tempo ficam lá guardados, por muitos anos, sem uso? Isso sem falar na mania de comprar um celular novo quando o atual ainda funciona perfeitamente e não tem nem mesmo um único ano de utilização.

O consumo precisa ser consciente, inteligente, nem sempre relacionado à vontade, mas dentro de um critério de necessidade e oportunidade.

Surge então a segunda questão: como vou comprar? A volta do crédito fácil é perigosa. Hoje pela manhã, ao lado do meu amigo Navarro, ouvi a seguinte história: uma senhora, depois de alguns anos com o mesmo carro, resolveu trocar o veículo por um mais novo. O valor de manutenção anual do carro já dizia que a estratégia mais inteligente seria a compra de um carro novo.

A senhora dirigiu-se ao banco em que possui conta e com o qual mantém relacionamento e foi “aconselhada” pelo gerente a não mexer no valor de suas aplicações (montante mais que suficiente para a compra do automóvel e para manter uma reserva saudável) e financiar a compra do carro novo.

Percebe-se que muitas pessoas são levadas a acreditar que prazos estendidos e valores pequenos são as melhores alternativas de compra. No caso de nossa história, há bom fluxo de caixa, os investimentos[bb] são alimentados, o fundo de reserva é bom e ainda assim queriam “empurrar” um financiamento. É o tipo de atitude reprovável e condenável.

É óbvio que a grande maioria dos gestores são pessoas sérias e jamais defenderiam uma situação como essa (quero acreditar que seja assim), mas a realidade do fato mostra que isso acontece com certa freqüência. Felizmente, no caso acima o desfecho não foi o desejado pelo gerente, pois a senhora foi orientada por pessoas de seu convívio a não realizar tamanha sandice.

Nota-se que a ingenuidade dos consumidores é explorada. O conselho antes de tomar qualquer decisão que envolva dinheiro é objetivo e direto: procure entender o que está diante de você, informe-se e busque a opinião de outras pessoas, amigos ou parentes. A história verídica se encaixa no contexto do artigo justamente para exemplificar que, mesmo na necessidade, existem formas e maneiras mais apropriadas para se comprar bem.

Comprar financiado deixa o bem mais caro, portanto avalie bem o que fazer. Não caia na conversa de parcelas pequenas. Elas matam o seu poder de investimento e seu futuro financeiro fica comprometido.

De olho no status...
Cabe repetir: cuidado com o desejo pelo simples ato de esbanjar status. Não pense que, ao comprar algo, a compra lhe conferirá poder sobre as pessoas. Ninguém é melhor do que ninguém porque comprou um carro ou um computador de última geração. Muitas vezes, essa compra esconde uma conta negativa e uma vida financeira arruinada. Vale a pena viver “de fachada”?

Merecem respeito todos os cidadãos que já pensam e planejam o futuro. E investem, não só dinheiro[bb], mas parte de seu tempo para ajudar pessoas e melhorar seu conhecimento através de leituras, cursos e bons papos com os amigos. Sempre valorizando o que a vida tem de melhor: o respeito pelo outro e por si mesmo.

Então, cuidado! Não caia na idéia e no atrativo do consumo fácil. Os juros estão baixando, o que é ótimo. Mas continuam altos, muito altos. Se quer realizar o sonho da compra de um bem precioso, exerça seu poder de realização e planeje a compra com sabedoria, disciplina e paciência.

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Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Crédito da foto para stock.xchng.


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Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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4 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Nathália Alckmin

    Todos os brasileiros deveriam ter acesso a informações como essas... É incrível como as propagandas de financiamentos nos confundem e até seduzem! Por isso é preciso estar atento e "ler as letrinhas pequenas" no rodapé das propostas. Endividar-se é fácil, como diz o Navarro: você não precisa de dinheiro para comprar vários bens, só precisa de coragem. Porém, recuperar a saúde das finanças pessoais é outra história muito mais complicada...

  2. Imagem do comentarista
    Valdemar Engroff

    Boa Tarde Ricardo e Navarro

    O lamentável é que quando, em certas grandes redes (pelo menos aqui no Rio Grande do Sul é assim), quando se pretende fazer uma compra a vista, não há o devido desconto, pois a primeira proposta é o parcelamento em 10 ou 12 vezes SEM JUROS. Em termos legais e de Direito do Consumidor, o se pode fazer neste caso????

  3. Imagem do comentarista

    Na minha opnião o brasileiro, no geral, ainda é um povo pobre que, ganha muito pouco dinheiro e, não possui anticorpos contra a propaganda consumista e, se vale da maxima. " QUEM TEM UM VINTEM BEBE LOGO." Daí não valorizar o pouco.

  4. Imagem do comentarista

    vi uma dica em diz que os brasileiros sao' rei dos desperdicios nao meu irmao eu sou Angolana e no mundo nunca vi povo tao' parvo em desperdicios como o meu no's ca temos gente que tem carro de 100mil usd e vive na favela e que tem humer onde nao anda 10kl em uma semana

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