Brasil empresta dinheiro ao FMI e derruba Taxa Selic
Publicado por Ricardo Pereira em 11.6.2009 na seção Economia Geral
Em entrevista coletiva concedida ao final da tarde de ontem, o ministro da Economia Guido Mantega informou que o Brasil emprestará US$ 10 bilhões ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Mais do que o valor a ser emprestado, o simbolismo do ato é que impressiona. Afinal, pela primeira vez na história o país será credor externo da instituição. De acordo com o ministro, esse dinheiro será destinado aos países que passam por situações difíceis por conta da crise financeira internacional.
China (US$ 50 bilhões), Rússia (US$ 10 bilhões) e Índia (sem valor definido) também farão aportes com o mesmo intuito. O Brasil utilizará parte de suas reservas internacionais para compor o valor de sua participação. Atualmente, as reservas internacionais têm quase sua totalidade (cerca de US$ 200 bilhões) aplicada em títulos do Tesouro norte-americano, que, hoje em dia, oferece pouca rentabilidade.
De acordo com o ministro Mantega, os financiamentos ao FMI serão feitos através da compra de bônus (títulos), expressos em direitos especiais de saque. Essa modalidade já existia no fundo e foi restaurada nesse momento pelo Brasil. É como se o Brasil desse um cheque de US$ 10 bilhões ao FMI para ser usado em caso de emergência, e pelo qual o país recebe juros - a taxa ainda não foi definida.
Acredita-se que a rentabilidade não será alta, até porque esse percentual seria repassado ao país que receberá o aporte, o que poderia comprometer a viabilidade da operação. Existe uma expectativa de que essa operação enfraqueça ainda mais a moeda norte-americana, o dólar. Sobre o assunto, o ministro dá seu parecer:
"Não nos interessa enfraquecer o dólar porque isso significa valorização do real, o que prejudica as exportações .Não queremos enfraquecer o dólar, mas, sim, fortalecer os Direitos Especiais de Saque (do FMI)". (Guido Mantega – Ministro da Economia)
As reservas internacionais possuem a finalidade de proteger o país e mostram, a partir de seu volume, a solidez da nação - principalmente em momentos de crise. Muitas pessoas podem considerar a ação de empréstimo inoportuna, pois existem outros setores do país que precisam de investimentos, como saúde, educação e outros mais. Estas pessoas não deixam de ter razão.
Mas para não perdermos tempo nos lamentando com o assunto, temos que compreender que os valores dispostos nas reservas internacionais não podem ser usados para outra finalidade. Por isso, a opção em financiar o final da crise, que surgiu justamente pela falta de crédito, é positiva e mostra uma nova fase da economia brasileira. E se mostra significativa na medida em que o país se transforma em uma grande oportunidade de investimento, com grande quantidade de moeda internacional entrando no país.
Mais um tombo na Taxa Selic
O Copom - Comitê de Política Monetária - reduziu em um ponto percentual a taxa básica de juros. A Selic passa a 9,25 % ao ano, seu menor patamar desde que passou a ser utilizada como referência da política econômica, em 5 de março de 1999. O resultado negativo do PIB do primeiro trimestre de 2009 pareceu fortalecer o argumento de que seriam necessários cortes mais agressivos na Selic para tentar estimular a economia e buscar o crescimento do PIB.
Outro ponto, este de certa forma simbólico, é que finalmente a Selic está abaixo de dois dígitos. O corte da taxa básica reforça ainda mais o argumento de alguns especialistas que defendem uma revisão da rentabilidade da caderneta de poupança, já que os fundos e outros investimentos, como o Tesouro Direto, têm sua rentabilidade diretamente atingida pela queda da taxa básica de juros. O investidor deve ficar atento!
Você, leitor do Dinheirama, terá sempre as novidades comentadas. Hoje tratamos de duas notícias importantes e que mostram o atual momento da economia brasileira. Estamos de olho nos desdobramentos das decisões para trazer as opiniões sobre como tudo isso poderá influenciar seu bolso. Até a próxima.
Livro "Vamos falar de dinheiro?", do Navarro, lançado!
O Navarro está preparando o lançamento de seu livro, "Vamos falar de dinheiro?", com direito a post, promoção, sorteios, tarde de autógrafos e tudo mais, mas eu achei legal dizer que o livro já está à disposição de todos nós, com desconto de 30%, na loja on-line da Novatec. A obra também já chegou à grande maioria das livrarias on e off-line e o mínimo que nós, leitores e apoiadores do blog podemos fazer é contribuir com sua divulgação. Os interessados em adquirir o livro podem aproveitar a promoção do momento: acesse a loja virtual da Novatec, escolha o livro "Vamos falar de dinheiro?", do Navarro, e digite DINHEIRAMA no campo "Código da Promoção" no carrinho de compras - você terá 30% de desconto.
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Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo Pereira
Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Como assim o LIVRO DO CONRADO???????
Porque não divulgam melhor? Isso merece um POST inteiro. Conrado vou comprar porque você me deu ótimas dicas e merece ter mais dinheiro no caixa :)
Excelente artigo. Parabéns Ricardo.
Oi Juripero, tudo jóia? Obrigado pelo comentário e principalmente pelo apoio! Você tem razão e como o Ricardo disse, estou preparando um post inteiro para o livro, além de contar com a ajuda de vocês para divulgá-lo. Ainda não fiz o texto porque estamos finalizando uma arte de capa e tal para usar de ilustração. Vai ao ar logo logo e vamos fazer o maior barulho. Blog, Twitter, fóruns etc., vamos divulgar por todo lado. Obrigado por comprar o livro. Abraços.
A MELHOR ADMINISTRAÇÃO DA HISTÓRIA DESSE PAIS.
Gostei desse artigo, cada vez mais eu estou gostando e entendendo melhor o mundo das finanças e principalmente como a economia do pais impacta em nossos interesses de investimentos. Eu estava pretes a comprar títulos públicos, enquanto estudo mais sobre o mercado de ações, mas resolvi esperar mais um pouco. Bem, então o dinheiro deve ficar mais um tempo na poupança mesmo, até que as coisas melhorem. O que você acha Ricardo? Diante dessa situação, a poupança é a melhor opção de renda fixa?
Obrigado e parabéns.
[...] vimos no ótimo artigo do Ricardo Pereira, “Brasil empresta dinheiro ao FMI e derruba Taxa Selic”, em sua última reunião o COPOM decidiu reduzir a taxa básica de juros em um ponto percentual, [...]
Gostei muito do artigo,é facil de se entender você esta de parabens Conrado
O empréstimo para o FMI foi mais marketing que verdade... a dívida pública brasileira ainda existe, sim e é enorme. Quitar a dívida com o FMI foi o mesmo que quitar a dívida com seu pai, mas ainda ser devedor do cartão de crédito, e de outros tantos credores... Fora a dívida interna que está absurdamente alta - e parece que vai continuar a aumentar - e ninguém fala muito disso...
mudando de assunto e falando sobre o livro do Conrado. Fica a dica pra quem é cliente +cultura da livraria cultura, que também ganha desconto na compra do livro do Navarro. Hoje (17/06/2009) estava R$ 36,00 aos afiliados ao programa de fidelidade.
E parabéns pela publicação, Navarro!!
sucesso!
precisava fazer um trabalho sobre isso e adorei,minha professora também gostou muito
Olá Navarro, ainda não tive oportunidade de lê seu livro, mas estou bem motivada. Assim que concluir a leitura sem dúvida voltarei aqui para deixar meus comentários sobre o livro. Estou cada vez mais interessada em aprender a lidar melhor com o dinheiro...
[...] recorria ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para empréstimos. Hoje a situação se inverteu: somos credores do fundo. Felizmente, na maior de todas as crises - a que atualmente atravessamos - o país conseguiu se [...]