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Educação financeira: benefício para empresas e colaboradores

Publicado por Ricardo Pereira em 08.7.2009 na seção Educação Financeira

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Educação financeira: benefício para empresas e colaboradoresAo mesmo tempo em que surgem notícias que mostram a volta da oferta de crédito por parte dos bancos e demais instituições financeiras, surgem notícias que preocupam o leitor mais atento aos fundamentos da economia e em como esses indicadores influenciam o cotidiano das pessoas. A verdade é que, no Brasil, crédito ainda é representa o primeiro passo para as dívidas.

Via de regra, nós, brasileiros, não estamos acostumados a lidar nem com o nosso próprio dinheiro[bb], que dirá com aquele que nos é emprestado a juros altos. Percebe-se claramente que o crédito se transforma apenas em uma ferramenta para suprir necessidades de consumo imediatas. Isso ocorre, como já falamos inúmeras vezes, por falta de planejamento.

Dados do Banco Central demonstram que cerca de 80% da população economicamente ativa está endividada – e insistimos nesta estatística sempre que há oportunidade. Esse número mostra como o problema pode interferir de maneira direta na vida das pessoas, mas também na produtividade desses cidadãos enquanto participantes ativos do mercado de trabalho. Afinal, trabalhar com a cabeça nas dívidas e nos problemas decorrentes da falta de dinheiro é horrível.

O crédito consignado, uma armadilha recente.
Uma das grandes fontes de endividamento dentro das empresas surgiu quando o governo instituiu o chamado crédito consignado. Através de acordos entre bancos e empresas, os colaboradores passaram a ter a oportunidade de usufruir de uma linha de crédito com taxa de juros mais baixas. Essa facilidade foi conseguida pois a garantia de desconto direto em folha diminui o risco de inadimplência.

O que era uma ótima idéia se tornou um verdadeiro pesadelo para muitos brasileiros. Muitas pessoas recorreram ao crédito consignado para comprar bens de consumo, como computadores[bb], TVs[bb], celulares entre outros. A facilidade do crédito e a quantidade de parcelas (sempre a perder de vista) acostumaram mal as pessoas e as colocaram de forma perigosa diante do endividamento.

Antes da concessão do crédito, poucas empresas se preocupam em ajudar o funcionário a lidar com a nova possibilidade de dinheiro emprestado, alertando-o dos riscos do endividamento e das oportunidades de se planejar melhor as finanças da casa. Muitos empregados entraram em uma espiral de endividamento complicada, onde (grande) parte do salário está comprometida pelo desconto direto em folha. O problema é que as pessoas não sabem o que fazer. Falta atitude.

Queda na produtividade: um problema a ser enfrentado
A constante preocupação começou a ser demonstrada com a queda de produtividade causada pela situação de devedor. A situação se agravou, pois muitas pessoas tomaram empréstimos para pagar outros empréstimos e acabaram usando linhas mais caras, em atos de desespero. A dívida, só aumenta e se torna mais e mais perigosa.

Preocupadas com essa realidade, as empresas sentiram a necessidade de ajudar os trabalhadores. Sozinhos, eles se afundavam mais e o transtorno comprometia seu desempenho e seu dia a dia na companhia. A educação financeira e o acompanhamento financeiro são atividades importantíssimas nas empresas. O trabalho precisa começar.

Liberdade financeira, um verdadeiro beneficio
Infelizmente, no Brasil a educação financeira ainda é privilégio de poucas famílias. O correto seria que as crianças tivessem, já no inicio do período escolar, acesso à discussões sobre como lidar com o dinheiro[bb] e fossem incentivadas, no decorrer do tempo, a poupar e planejar seus objetivos. E isso é possível, funciona!

É claro que a responsabilidade deve ser compartilhada entre família e escola. Dinheiro não é um problema, mas a maneira como lidamos com ele pode ser. Quando entramos no mercado de trabalho, recebemos o primeiro salário. Você se lembra do que fez com o primeiro salário? Quanto do seu salário foi ou está sendo poupado para o futuro? Faltou orientação?

A responsabilidade das empresas também entra em cena. O funcionário que aprende a respeitar seu dinheiro perceberá que não é o salário que é necessariamente baixo, mas que a irresponsabilidade com o dinheiro é mais crítica. A partir daí, uma nova vida de conquistas se apresentará diante de seus olhos.

Responsabilidade nas empresas
Sonhos e objetivos financeiros são inerentes ao salário. O que realmente faz a diferença é a quantidade de dinheiro que conseguimos reter, sempre com cuidado e planejamento. Hoje, boa parte dos trabalhadores tem quase a totalidade de seu salário comprometida com dívidas, empréstimos e afins. O salário cai na conta simplesmente para pagar aos bancos e outros credores. Os produtos que deveriam trazer alegria, trazem dores de cabeça e desânimo; a produtividade cai.

É hora das empresas perceberem que a educação financeira é uma grande aliada da responsabilidade no trabalho[bb], do desempenho de suas equipes e da busca de bons resultados. Justamente por isso, muitas companhias começam a buscar cursos e palestras sobre o tema, ajudando os colaboradores a planejar o futuro, quitar suas dívidas e criar um relacionamento inteligente com o dinheiro.

Pensando em ajudar as empresas nesse exercício de cidadania, o Dinheirama oferece cursos, palestras, treinamentos e consultorias financeiras específicas para empresas e grupos. Se você passa por esse mesmo problema, entre em contato com sua empresa e indique nosso trabalho. Se você é dono de empresa e quer adotar medidas didáticas de suporte ao bolso de seu colaborador, fale conosco. Deixo meu e-mail à disposição: ricardo [arroba] dinheirama [ponto] com. Se preferir, use o formulário de contato.

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Ricardo Pereira
é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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Crédito da foto para stock.xchng.


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Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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16 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Rodrigo

    Ricardo,
    como seria o Brasil se nós tivéssimos 80% de investidores ao invés de 80% de endividados?

  2. Imagem do comentarista

    Assunto muito interessante. Realmente uma pessoa produz menos se tiver muito preocupado com dívidas. Por outro lado quando uma empresa decide investir na educação financeira dos funcionários ela ganha duas vezes.

    Ganha por terem seus funcionários mais concentrados no trabalho, sem preocupações externas com dívidas. E ganha também por seus funcionários perceberem que a empresa está preocupada em ajudá-los, e assim tendem a ficar mais motivados. Nessa história todos saem ganhando.

  3. Imagem do comentarista

    Rodrigo, tenho certeza que teríamos um país com muito mais possibilidades. Felizmente tenho certeza que com o foco na educação (inclusive a financeira) temos como mudar o quadro atual.

    Para isso todos nós precisamos dar um pouco mais e contribuir, é um grande exercício de cidadania. Cabe a iniciativa privada abraçar essa causa e investir, pois serão rapidamente recompensados com colaboradores mais produtivos e felizes.

    Tiago , muito obrigado pelo apoio de sempre, e como disse acima, as empresas só tem a ganhar com iniciativas que incentivem a educação financeira.

    Abraços e divulguem o artigo aos amigos e familiares.

  4. Imagem do comentarista

    Rodrigo e Ricardo, a questão passa pelo lema fundamental da teoria econômica, de onde se aprende que em uma economia o consumo é motor fundamental para o crescimento, geração de empregos e etc. O crédito, presente nas teorias modernas, desempenha importantíssimo papel neste sentido. Um país só de poupadores provavelmente teria outros problemas (exemplos como o Japão talvez possam ilustrar parte deste cenário), mas a questão fundamental do Brasil é: somos um país de grande população, alta desigualdade e onde os mais pobres querem avidamente consumir e comprar como quem tem mais dinheiro.

    O ritmo de consumo prejudicial atrapalha o desenvolvimento das famílias, ainda que seja reverenciado por empresários e empresas de bens de consumo. Estamos longe de um mínimo de equilibrio e acho que se chegarmos lá, teremos feito muito. Trabalho neste sentido. Ver um Brasil só de investidores é uma utopia. Aceitar um país com spreads, crediários com taxas absurdas e gente acomodada com o estilo de vida do endividado é mais fácil? É cômodo, mas não é bom também. Melhorar aos poucos, onde der, acho que é por ai.

    Grande abraço. Obrigado a todos pelos comentários.

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    Conrado , você tem toda razão. O ideal seria termos um país onde o consumo e a capacidade de poupança caminhem lado a lado. Até porque poupar é a forma planejada de consumir, consumir sem dívidas e sem pagar mais pelo preço do dinheiro tomado (emprestado).

    O Japão, é o simbolo da poupança sem objetivo, as pessoas poupam, e nem sabem por quê. É o oposto da cultura ocidental consumista. São efeitos culturais que foram formados a muito tempo, por períodos de Guerra e depois da reconstrução de um país arruinado.

    Talvez lá, consigamos a utopia de 80% de poupadores, digamos que é mais fácil levar pessoas a consumir, onde já existe o dinheiro para isso, do que dizer a pessoas "descontroladas" e com histórico de dívidas que precisam poupar, para o futuro.

    Parceiro, nosso trabalho não é fácil. Mas tenho certeza que com o conhecimento da Educação Financeira, excelentes livros como o "Vamos falar de Dinheiro podemos quebrar gerações de pessoas com dificuldades financeiras.

    Grande abraço!

  6. Imagem do comentarista
    Orlando barcos

    Demais esse site! Entro todo dia há mais de um ano.
    Vocês estão de parabéns!

  7. Imagem do comentarista

    Acho que a raiz do problema esta fundamentada a falta de visão a longo prazo da grande maioria da população.

    Uma vez que muitas dívidas poderiam ser extintas de as pessoas esperassem um ano ou dois para juntar dinheiro e daí sim fazer as compras dos bens desejados.

    Tiago Carvalho
    http://www.comunicageral.com.br

  8. Imagem do comentarista

    é só aqui no meu google reader que esse post fica reaparecendo mesmo quando eu já marquei ele como lido?

    alguem mais notou isso?

    será problema no feedburner?

  9. Imagem do comentarista

    Oi Guilherme, eu também notei isso e está acontecendo comigo. Mas não mexemos em nada aqui na configuração, muito estranho. Parece um bug do Feedburner, sei lá. Estamos verificando, enquanto isso peço paciência e ajuda de vocês para solucionarmos a questão. Se alguém tiver alguma dica, agradeço. Valeu!
    Abraços.

  10. Imagem do comentarista

    Comigo também está acontecendo esse problema.
    Já tem uns 10 desse post no meu Google Reader!

  11. Imagem do comentarista

    No Bloglines está ocorrendo o mesmo problema.

  12. Imagem do comentarista
    Pereira

    Pra mim, DÍVIDA só deveria ser contraída se ela for necessária para atingir lucros.
    Jamais para a satisfação de desejos.

    Pereira

  13. Imagem do comentarista
    Vilas Boas

    Leio os posts desde o inicio do site e, se hj invisto em ações, é culpa de vcs. Me livrei das dívidas de humor tb graças a vcs. Meu muito obrigado a todos do site!

  14. Imagem do comentarista

    Ricardo,
    Parabéns por mais este artigo.
    Sempre pensei nisso e acabou que você escreveu, e muito bem sobre o assunto.
    A questão do consumo, como destacou o Ricardo comentarista, realmente seria uma situação complicada. Keynes já dizia que os países cuja população apresenta mairo propensão marginal a consumir são aqueles que têm possibilidade de crescer mais. Isso para mim faz todo o sentido.
    Propensão mnarginal a consumir, todavia, não quer dizer que o cara vá tomar crédito a 3% ao mês para comprar uma TV de LCD. Isso é uma atitude que pode colocar em risco o futuro financeiro do cidadão.
    Mais uma vez, Parabéns!

  15. Imagem do comentarista
    Carmen

    OI Ricardo,

    Parabéns pelo belo artigo que, além de fácil leitura, realmente é muito instrutivo.

    Quero também ressaltar que não consigo entrar no blog a partir da forma convencional, seja lá como isso se chame, mas somente entrando no GOOGLE e clicando a palavra dinheirama.

    Quando eu tento entrar da forma convencional aparece a seguinte informação: " SITE EM MANUTENÇÃO" .

    Vocês sabem por que?

    Abraços.

  16. Imagem do comentarista
    GRZ

    Muito bom o artigo. Sempre notei que muitas mães acostumam seus filhos com padrões de gastos que não condiz com a realidade. Roupas de marca, eletronicos ultima geração e os produtos mais caros.

    "Os ricos são ricos porque agem como pobres e os pobres não mudam porque querem agir como ricos".

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