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Marcos Hashimoto: uma lição de empreendedorismo

20comentários

Marcos Hashimoto: uma lição de empreendedorismoO artigo de hoje vem na forma de uma entrevista realizada por mim com o Doutor em Administração de Empresas pela EAESP/FGV, Marcos Hashimoto. Você verá a seguir um papo de muito conteúdo e simples entendimento a respeito do tema Empreendedorismo. São sete perguntas que incluem algumas dicas que você pode inserir em seu dia a dia e melhorar sua capacidade de realização e incentivar o desejo de empreender. Aproveite!

Marcos Hashimoto é Coordenador do Centro de Empreendedorismo, professor e pesquisador do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), sócio-diretor da Lebre Consulting e autor dos livros “Espírito Empreendedor nas Organizações” (Ed. Saraiva) e “Lições de Empreendedorismo” (Ed. Manole). Marcos já atuou em cargos executivos em multinacionais como Citibank e Cargill Agrícola.

1. Simpatizo bastante com a definição de empreendedorismo elaborada pela Harvard Business School, que diz que “empreendedorismo é a busca incansável por oportunidades, independentemente dos recursos disponíveis”. E para você, o que é empreendedorismo e qual a melhor maneira de se desenvolver um perfil empreendedor?
Marcos Hashimoto: Eu também concordo com esta definição, mas vou além: acredito que também seria a capacidade de gerar inovações independentemente dos recursos disponíveis.

2. Em seu primeiro livro, “Espírito Empreendedor nas Organizações – Aumentado a competitividade através do intra-empreendedorismo” (Ed. Saraiva), você afirma que o intra-empreendedor é fundamental para o desenvolvimento de qualquer instituição. Dessa forma, como o dono do negócio deve reagir quando a empresa não dispõe desse personagem? A melhor alternativa é contratar alguém que possua essa qualidade ou treinar a equipe buscando desenvolver esse perfil? Qual a melhor forma de desenvolver o intra-empreendedorismo?
MH: Não conheço nenhuma empresa que não tenha pelo menos um funcionário com perfil empreendedor. É estatisticamente impossível. No mínimo uma pessoa é inconformada com a situação, quer promover mudanças, pensa diferente da maioria e faz as coisas acontecerem independentemente de ser de sua responsabilidade ou não.

Sempre tem gente assim. O que pode acontecer é que a empresa tem um clima tão restritivo, com tão pouca liberdade, que os empreendedores ficam escondidos e não se manifestam para não perder o emprego.

Contratar alguém com este perfil é sempre bom, é até desejado, mas as áreas de recrutamento das empresas não sabem sair da retórica. Não conseguem colocar o discurso na prática, ou seja, querem pessoas com perfil empreendedor, mas não sabem identificá-lo. Em muitos casos, acontece justamente o contrário: em vez de contratarem uma pessoa que pense diferente dos demais, buscam pessoas que pensam de forma igual.

Existem várias formas de desenvolvimento do intra-empreendedorismo, mas não existe a melhor forma. Como se trata de mexer profundamente com o clima interno e, muitas vezes, até com a cultura interna, estas mudanças são gradativas, customizadas e realizadas apenas no longo prazo. Depende muito das circunstâncias existentes na organização.

3. Em uma reportagem veiculada na Revista PEGN (Ed. Globo), intitulada “Conversa de empreendedor – por que as empresas fecham?”, você afirma que não há uma idade ideal para se empreender. Mas, de acordo com sua experiência, qual o melhor estágio da vida para “apostar as fichas” no próprio negócio? O quanto pode ser perigosa a falta de autoconhecimento em momentos decisivos como esse?
MH: Eu sempre digo que “apostar as fichas” envolve assumir riscos. E você assume mais riscos quando tem menos a perder e muito a aprender, ou seja, quando é jovem. De fato, existe esta questão da falta de experiência e da falta de autoconhecimento, mas, você quer saber? O autoconhecimento é mais acessível e mais rico quando o jovem embarca em uma aventura empreendedora.

Essa aventura nos permite descobrir nossas limitações e nossas potencialidades à medida que surgem situações nas quais somos obrigados a ir até os nossos limites e então conseguirmos superá-los.

4. Nessa mesma reportagem você deu atenção ao fato de que o tempo dedicado ao Plano de Negócio (PN) está diretamente relacionado à probabilidade de o empreendimento ser bem sucedido. Dessa forma, fica o questionamento: é bom investir muito tempo nessa preparação? É importante, durante esse processo de planejamento, perguntar a opinião de profissionais sobre a chance de o projeto não dar certo?
MH: Na verdade, quanto maior o tempo dedicado ao Plano de Negócios, maior a chance de o empreendimento ser mal sucedido. É o dilema do planejamento versus ação. Eu falo que planejamento demais pode “engessar” o empreendimento.

No entanto, perguntar a opinião de profissionais é sempre importante, não só para melhorar o desenvolvimento da idéia, mas principalmente porque é daí que vem o auto desenvolvimento. Na minha pesquisa eu cito que, quanto maior a rede de relacionamentos, maior é a chance de um empreendimento nascente dar certo.

5. Como o empreendedor pode se proteger diante de cenários de incertezas? Você acredita que a prática do networking – que você descreve como fator Capital Social do Empreendedor – pode ajudar neste sentido?
MH: Como eu falei, o capital social é fundamental na fase inicial de vida do negócio, embora aparentemente não faça diferença quando o negócio já está estabelecido. De qualquer forma, o empreendedor busca sempre reduzir as incertezas, pois incerteza implica em risco. Dessa forma, ele pode reduzir a incerteza adquirindo conhecimento, usando sua rede de relacionamentos, testando em pequena escala e buscando exemplos similares, entre outras formas.

6. Diante do cenário econômico atual (de recuperação da crise mundial) e das previsões de constante crescimento para o país, que dicas você poderia dar para quem quer empreender, tem uma boa idéia, mas ainda está engatinhando na parte de como “fazer a coisa acontecer”?
MH: Parta para a ação. Não espere o melhor momento, pois este não existe. Tem que dar o primeiro passo e as outras decisões devem ser tomadas diante das circunstâncias, conforme elas aparecem. Só em algum momento futuro ele deve parar, sair do foco e olhar o todo, a floresta, e então tomar decisões estratégicas que levem o negócio a novos patamares. Se puder começar pequeno e crescer devagar, ótimo. Este é o melhor caminho, na minha opinião.

7. O seu livro mais recente, “Lições de Empreendedorismo” (Ed. Manole), se destina a empreendedores e a todos aqueles que buscam realizar metas e objetivos. Que mensagem você pode deixar para essas pessoas que buscam o desenvolvimento constante em suas vidas?
MH:
Não se acomode nunca. Quando você chegar a uma posição estável, confortável, tranqüila, é porque está na hora de mudar alguma coisa. Mário Andretti, ex-piloto da fórmula Indy, disse uma vez que quando ele sente que o carro está sob controle durante uma corrida é porque ele não está correndo o suficiente. Pensem nisso!

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Concorra a um exemplar do livro “Lições de Empreendedorismo” (Ed. Manole). Aproveite o espaço de comentários deste artigo e escreva ou cite uma frase/história de empreendedorismo que o motivou em momentos de dificuldade, incerteza ou superação. Use nome e e-mail reais e deixe seu recado até o dia 20/07. Boa sorte!

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Bruno Biscaia
já atuou nos setores de Marketing de Eventos e de Planejamento e Controle da Produção. É estudante de Engenharia de Produção Mecânica na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e edita a seção de Empreendedorismo do Dinheirama.

Crédito da foto para stock.xchng.

Bruno Biscaia

Mais informações

Graduando em Engenharia de Produção Mecânica na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), coautor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), e editor de empreendedorismo do Dinheirama. No Twitter: twitter.com/BrunoBiscaia

Leia todos os artigos de Bruno Biscaia

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  • REGINALDO SOARES

    O que me motivou a empreender foi ter descoberto que dentro de meu contexto organizacional, não havia mais oportunidade de construir algo de valor em gestão, até pela própria cultura da empresa. Foi o que faltava para eu romper com o medo e partir para a realização de um sonho.

  • Tiago Antonio

    Empreendedorismo: Fuja do comum, e faça o que as outras pessoas não fazem.

  • DIOGO AURELUK DAMACENO

    Empreender é a arte de acreditar cada vez mais que somos capazes de executar nossos objetivos e nossos sonhos, quando nos sentimos capazes rompemos qualquer barreira, seja a falta de conhecimento ou de recursos, quando acreditamos simplesmente fazemos acontecer.

  • Amanda Saraiva Bezerra

    Uma das frases que mais gosto de utilizar como incentivo é a frase:
    “Não existe comparação entre aquilo que é perdido por não se obter êxito e aquilo que é perdido por não se tentar.”
    Francis Bacon
    Mas, em outras palavras, empreendedorismo para mim é fazer acontecer sem a necessidade de uma requisição/solicitação, mas sim para a melhoria e inovação de algo.

  • Felipe Kawai

    Assim como no filme “Sim Senhor”, tenho dito “sim” às oportunidades que aparecem em minha vida, tentando não entrar na zona de conforto, acomodação.

  • http://www.superconectado.com.br Netanias dos Santos

    Realmente, Empreendedorismo, é o que falta em muitos brasileiros que vivem na miséria… E convenhamos: Empreendedorismo não é simplesmente ter coragem de tentar algo… Coragem é o último empurrão para ser empreendedor…

    Empreendedorismo tem muito mais a ver com:
    - Conhecimento – Imagine um “cabra da roça”, tentando empreender no ramo de imobiliárias, por exemplo, ou tecnologia, etc.
    - Vontade – Tudo parte da motivação interna, independente da externa.
    - Coragem – Aí sim, a coragem se apresenta. Indivíduo medroso ainda não desenvolveu o espírito empreendedor. No máximo pode ser um empresário – mas com risco de falência – pois tem medo de investir em qualquer coisa.

    Vlw!

    Estaremos lançando um portal sobre vários assuntos, inclusive sobre empreendedorismo também. Ótimas lições de Vida.

  • Aurimar Junior

    Empreender é, antes de tudo, visar a satisfação das nescessidades dos outros.

  • David Mansur

    O primeiro computador pessoal nasceu em 12 de agosto de 1981, concebido por 12 engenheiros que trabalhavam num projeto para a IBM. Tinha 15 metros de altura e pesava 11 toneladas. David Bradley e Don Estridge, chefes do projeto, pediram à Intel que fabricasse as placas de memória, mas ainda faltava o sistema operacional.

    O jovem Bill Gates foi a uma pequena empresa que havia desenvolvido o sistema para o processador da Intel e decidiu comprá-lo, pagou cerca de US$ 50 mil, personalizou o programa e vendeu-o por US$ 80 mil, mantendo a licença do produto. Este viria a ser o MS-DOS e posteriormente, o Windows.

    O maior e melhor exemplo de Empreenderismo, partindo de um produto ‘ficticio’ até se tornar o homem mais rico do Mundo

  • Raphael Pimentel

    A principal frase que gosto de seguir é a de Steve Jobs em um discurso para os formando de Stanford em 2005, “Stay Hungry, Stay Foolish”. Ela diz que apesar de tudo que você já conquistou e aprendeu, você deve estar aberto e esperando sempre mais, lutando pra crescer.

  • Alexandre Silva Sousa

    Obrigado pelas dicas. Ótima entrevista!

    Seguindo uma definição de T. Harv Eker (Os Segredos da Mente Milionária) para empresário, acredito que empreender envolve agir para a resolver os problemas alheios.
    Dando a maior ênfase possível a palavra “agir”. Idéias criativas e interessantes fazem parte dos pensamentos de muitas pessoas, mas eu acredito que poucos são aqueles que partem para a ação.
    A medida que você o faz e também faz com que as pessoas saibam que você resolve algum problema para elas haverá maior procura pelos produtos/serviços que oferece.
    O sucesso do empreendimento será consequência disso.

  • Vilas Boas

    O empreendedor deve manter seu foco em ajudar as pessoas a conseguirem aquilo que elas desejam, a riqueza é consequencia desses atos. Trabalho naquilo que faria de graça.

  • http://www.twitter.com/th0y Thommy Nozaki

    “Se eu perguntasse aos meus compradores o que eles queriam, teriam respondido que era um cavalo mais rapido”
    Henry Ford

  • http://www.lauriano.estantevirtual.com.br Marcio Lauriano

    Sempre fui servidor público, tendo passado por alguns órgãos do Executivo e do Judiciário. E dentro dos órgãos, sempre procurei não me manter “estabilizado”, como todo servidor procura ser. Certa vez, fui convidado a criar um serviço que não existia no órgão. O empenho foi grande, fiz cursos, tanto pagos pelo governo quanto por minha conta. Participei de feiras e congressos e devorava tudo sobre o assunto. Até que o setor surgiu e foi crescendo. Depois de um tempo, resolvi partir para outro ramo.
    Há 3 anos, me vi em uma situação financeira complicada e então comecei um pequeno negócio de venda de livros usados pela internet. Com 50 livros que tinha em casa, procurei vendê-los pela web. E a coisa cresceu. Hoje, depois de aprender um pouco, de cursos no Sebrae e muita leitura sobre o assunto, já me sinto confortável e preciso acelerar o carro para novas pistas.
    Isso é empreendedorismo – iniciativa, perseverança, muito trabalho e a satisfação de se criar algo do nada.
    O que me motivou a fazer tudo isso? um livro velho que achei num sebo há uns 20 anos: Pensamento Dinâmico, de Robert J O’Reilly. Leia e vai entender o que quero dizer.
    Marcio Lauriano, 39/RJ
    http://www.lauriano.estantevirtual.com.br

  • Denise Formicki Beganskas

    Empreender pra mim e a busca por suprir as proprias vontades e necessidades. Quando queremos abrir um negocio, abrimos em primeiro lugar nao para satisfazer as necessidades dos outros, mas as nossas proprias. Um produto ou um servico que ninguem ainda fez ou criou. E vemos muitos exemplos de grandes empresas que foram criadas justamente com esse objetivo e se tornaram um grande sucesso. Ex: hotmail, apple.

  • Pedro Ivo

    “Nunca é alto demais o preço a se pagar pelo privilegio de ser dono de si mesmo”
    Na minha opnião representa exatamente o espirito do empreendedor.
    E que já me ajudou muito na vida. Principalmente quando sai da casa de meus pais e mudei para outra cidade para abrir minha loja.

  • Monique

    Uma história que sempre me motiva é a da Banca do David. Um homem que, em um momento de desespero, utilizou o único dinheiro que tinha (que seria para comprar um remédio para sua mulher) para comprar doces e vendê-los. Assim, foi vendendo e comprando sempre mais doces com o dinheiro do que vendia. Até chegar a ter uma das bancas de doces mais populares do Brasil e dar palestras sobre sua lição de vida para empresas e até universidades.

  • Ubiratan Pintoda Silva

    Marcos Hashimoto, eu costumo dizer aos meus alunos de empreendedorismo que “nós empreendedores somos na maioria das vezes solitários, pois quando estamos desenvolvendo alguma idéia inovadora, que apostamos que irá satisfazer as necessidades de um grupo, queremos dividir esta idéia, mas na maioria das vezes sentimos que é melhor não compartilhar, pois tentam desestimular de seguir em frente. Assim, eu encorajo-me com uma frase do Prof. Marins – “destrua a ponte que o separa da vida de empregado e empreendedor…” Empreender é construir os caminhos constantemente, criando atalhos, criando necessidades, aprendendo com os concorrentes, é estar sempre com uma caneta e papel na mão, as idéias surgem do nada, e se não registramos outro registra e aje. Dai a falsa afirmativa “roubaram minha idéia”.
    Abraços

  • Ana Carvalho

    Frase que me auxilia é “põe o máximo que és, no mínimo que fazes”. Não sei de quem é essa frase, aprendi com minha mãe. Ela me faz pensar em esforçar-me o máximo, mesmo nas pequenas coisas, assim perfeição será um hábito.

  • kellen lima

    Acredito que todos podem nascer com o espírito de empreendendor, basta apenas lapidar esse dom!

  • Pingback: Resultado da promoção - Lições de Empreendedorismo | Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos

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Quem já falou do Dinheirama?

Enxergo o Dinheirama como uma das principais fontes de informação sobre educação financeira e investimentos na internet. Não porque não existem outras iniciativas com informações úteis, mas sim porque o Dinheirama fala tanto ao público experiente quanto para o público iniciante nessas áreas, e nesse último caso, faz com uma didática admirável e extremamente difícil de se encontrar por aí. Me ajudou muito, me ajuda e ainda me ajudará bastante, com certeza.

Bernardo Pina

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