Análise Gráfica – A Teoria de Dow (4)
Publicado por Leandro Martins em 17.8.2009 na seção Ações e Derivativos
A Análise Gráfica, também conhecida como análise técnica, consiste no estudo dos preços e dos volumes negociados por uma dada ação. Todas as informações pertinentes para o estudo das ações estão representadas nos gráficos, na medida em que este traduz o comportamento de todos os agentes presentes no mercado, sejam eles os fundamentalistas, os insiders (que possuem informações privilegiadas), os grafistas ou mesmo os amadores que compram e vendem sem critérios fundamentados. O artigo de hoje tratará da Teoria de Dow.
Teoria de Dow
A Teoria de Dow é uma das mais antigas teorias sobre análise gráfica e é considerada a base da análise técnica moderna. Charles H. Dow fundou o Wall Street Journal em 1889 e escreveu artigos entre 1900 e 1902. Samuel Nelson foi quem compilou seus artigos e escreveu os livros “ABC of Wall Street” e “ABC of Stock Speculation”, considerados as bases da Teoria Dow.
Charles Dow comparava os diferentes tipos de tendência aos movimentos do mar, com suas marés, ondas e cristas. Quando a maré está subindo, cada onda que quebra, quebra um pouco mais alto que a outra e depois recua. Assim, se pusermos um bastão assinalando o ponto máximo atingido pela onda, em pouco tempo saberemos se a maré é montante ou vazante, demorando-se um pouco mais a se perceber a tendência quando da reversão de uma para a outra.
De acordo com Dow, e conforme ilustrado no gráfico abaixo, identificamos a fase 1 como a da acumulação, a fase 2 sendo a alta sensível e a fase 3 como sendo a euforia. Ainda percebemos que existe uma fase 4, de total realização, onde os preços caem sensivelmente - fase caracterizada pelo medo e pânico dos investidores.

Contudo, a fase 1, pertencente aos insiders (possuidores de informações privilegiadas), é onde todos preferem possuir suas posições iniciais. Através da análise gráfica, os não insiders podem identificar tal momento. Os principais pontos da Teoria de Dow são:
- Os mercados se movem em tendências. As tendências podem ser de alta ou de baixa. Por sua vez, as tendências podem ser primárias, secundárias e terciárias, segundo sua duração;
- Os índices (de ações, como o Ibovespa) descontam tudo. Todos os possíveis fatores que afetam a cotação dos preços dos ativos (ações) são descontados por esses índices que consideram todas as notícias, resultados contábeis e financeiros, acidentes e etc;
- Princípio de confirmação. Para confirmar uma tendência é necessário que os índices coincidam com a tendência.
Tendências
Existem três tipos de tendências, a altista, a baixista e a lateral:
- Tendência altista (Bullish): Tendência quando, sob maior pressão compradora (maior demanda), os preços dos papéis sofrem alta. O termo bullish vem do “bull” (touro) e origina-se porque um touro ataca com movimentos de baixo para cima, erguendo seu chifre contra o oponente;
- Tendência baixista (Bearish): Tendência quando, sob maior pressão vendedora (maior oferta), os preços dos papéis sofrem queda. O termo bearish vem de "bear" (urso) e origina-se porque um urso ataca com movimentos de cima para baixo, derrubando seu adversário com a utilização de suas fortes patas dianteiras;
- Tendência lateral (mercado de lado ou faixas de negociação): Tendência quando, sob pressões semelhantes entre compradores e vendedores, os preços pouco oscilam, seja para cima ou para baixo.
O reconhecimento de uma tendência é simples e se dá através de diferentes ferramentas, que se complementam e convergem para uma mesma interpretação. Neste sentido, cabe destacar:
- A principal ferramenta é identificar os topos e fundos e verificar sua evolução;
- Em seguida deve-se traçar as linhas de tendência com a reta tocando os topos ou fundos (dependendo da tendência), e após isso verificar sua inclinação; e
- A última técnica é utilizar a média móvel (que será explicada posteriormente, em outro artigo).
Veja, no gráfico abaixo, exemplos de tendências:

Em nosso próximo artigo seguiremos na introdução dos conceitos fundamentais da Análise Gráfica e apresentaremos as linhas de tendências, conhecidas como LTs (LTA, de alta e LTB, de baixa). Até lá.
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Leandro Martins é economista com MBA em finanças pela USP e FIPE e com mestrado em economia na Universidade de Grenoble (França). Profissional de Investimento certificado com o CNPI registrado pela CVM, fundador do site www.seuconsultorfinanceiro.com.br e autor do livro “Aprenda a Investir – Saiba Onde e Como Aplicar Seu Dinheiro” (Editora Atlas).
Crédito da foto para stock.xchng.
Leandro Martins
Economista com MBA em finanças pela USP e FIPE e com mestrado em economia na Universidade de Grenoble (França). Profissional de Investimento certificado com o CNPI registrado pela CVM, fundador do site www.seuconsultorfinanceiro.com.br e autor do livro “Aprenda a Investir – Saiba Onde e Como Aplicar Seu Dinheiro” (Editora Atlas).
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Muito boa essa série de artigos de Análise Gráfica.
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Parabéns pela série de Análise Técnica.
Tanto as pessoas que são leigas no assunto quanto as que são mais experientes entendem claramente - para aqueles é um grande aprendizado na área de Educação Financeira; para estes, talvez, uma recordação de cada ponto da AT.
Além disso, a redação é muito clara e didática e está em excelentes níveis.
[...] de desinformação, rumores e temor por parte dos não-iniciados e curiososA Teoria de Dow – Quarta parte da explicação da Teoria de Dow no blog Dinheirama. Nunca [...]
tsssssssssss
comeca que essa materia nao e sobre anase TECNICA e sim sobre analise GRAFICA.
Mas e ma otima materia.
abs
Olá,
parabéns pelo artigo. Tenho algumas dúvidas:
1- Qual é a ferramenta matemática utilizada para identificar as regiões 1, 2, 3 e 4? Filtros usando séries de Fourier, médias móveis...? Gostaria de detalhes um pouco mais técnicos. No caso das tendências altista, lateral e baixista é fácil verificar filtrando pelas menores frequências.
2- Qual a janela de tempo em que devemos analisar para identificar os eventos 1, 2, 3 e 4? A teoria é válida desde janelas de 1 dia (em que tenho o valor da cota a cada X minutos/segundos) até janelas de meses/anos (em que tenho o valor da cota a cada dia)?
Os artigos estão legais, mas eu esperava um pouco mais de "matemática" (como fazer os cálculos, medidas, indentificar tendências etc.) e exemplos de como obter esses dados/gráficos etc.
Obrigado!
Abraços.
[...] Gráfico copiado do Dinheirama [...]