A Selic, o seu bolso e o conservadorismo do Copom
Publicado por Ricardo Pereira em 03.9.2009 na seção Economia Geral
Aconteceu o que a maioria previa, mas não queria: o COPOM sustentou sua política monetária conservadora e manteve a taxa básica de juros em 8,75% ao ano. O curioso é que, no comunicado encaminhado após o termino da reunião, a justificativa para a decisão de manter a taxa diz que “a taxa garantirá crescimento econômico e não representará perigo inflacionário”. Um corte, ainda que pequeno, não sinalizaria de forma mais intensa este interesse em crescer?
É bem verdade que a política adotada pelo Banco Central, e balizada pelo COPOM, é responsável pela recuperação econômica e pelo bom momento que o país vive em sua economia. Mas, não consigo enxergar - mesmo no médio e longo prazo - um perigo real e imediato com relação à inflação. Por isso creio que o momento era interessante para ver mais cortes na taxa de juros.
Mas, claro, estou julgando pelo que leio, conheço e trabalho. Fico com uma pergunta sempre martelando minha cabeça: será que, ao invés de serem responsáveis pelo sucesso econômico do país, eles não são responsáveis por não terem levado o Brasil a um patamar ainda melhor de desenvolvimento? Nem sei se isso seria possível, mas o debate é interessante e merece destaque.
No decorrer dos anos, o monetarismo manteve a taxa de juros em patamares pouco saudáveis para qualquer tipo de economia. Juros que foram responsáveis por enormes problemas produtivos, como bem sabemos. E, ainda diante da consistente queda dos últimos meses, atualmente ocupamos o 4º lugar no ranking de juros reais no mundo. Leia um trecho do comunicado do Copom:
"O Comitê avalia que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas (...) e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".
Em entrevista ao portal Infomoney, o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman, aborda um ponto interessante: o patamar atual da Selic mantém a valorização do Real e aumenta o custo da dívida pública - um dos problemas mais urgentes que o país precisa resolver. De quebra, ao manter esse patamar nos juros básicos o Banco Central demonstra interesse em manter o fluxo de investidores internacionais nos seus títulos que têm a Selic como base para sua remuneração.
Um outro ponto que merece destaque é o efeito dessa manutenção nos juros reais, aqueles repassados nos empréstimos e financiamentos e que mexem diretamente com o seu bolso. O fato é que dificilmente vamos perceber uma trajetória de queda acentuada nestes juros, o que, por si só, já é um fato grave. Confira a evolução da Selic no Infográfico retirado do Estadão:

Até o final do ano, ainda teremos mais duas reuniões do Copom onde serão definidos os rumos da Taxa Selic. Neste período poderemos observar se a interrupção é uma tendência ou apenas uma decisão técnica. Vamos torcer para que nossa economia apresente um crescimento constante e consistente, levando os juros a índices mais baixos. O Brasil e o bolso de seus cidadãos (atuais e futuros investidores) merecem juros menos exorbitantes. O planejamento financeiro agradece.
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Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo Pereira
Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Concordo com o seu posicionamento Ricardo, acredito que a taxa selic poderia ter decido pelo menos uns 0,25 pontos percentuais, isso demostraria uma maior segurança quanto ao real crescimento da economia. Abraço e parabéns pelo post.
Caro Ricardo, sou fã do Dinheirama, mas não consigo concordar com este texto.
Sempre ouço muita festa para a queda da taxa selic, mas na pratica nada muda para o cidadão comum, as taxas de juros do cheque especial, cartões de credito e emprestimos continuam em patamares bastante altos; Na verdade ocorrem mudanças sim, nossas aplicações em renda fixa minguam e as aplicações em previdencia privada não vão atingir os valores projetado pelas instituições bancarias, no momento em que a contatamos. Afinal, quem ganha com a redução da taxa, os grandes empresarios!!! Pois mina pquenaempresa ainda nã conseguiu levantar dinheiro mais barato.
Abraços
Ricardo,
Com esta "estagnação" da taxa Selic, os investimentos em CDB deixam de ser uma boa opção?
Ricardo,
Observei que os comentários não estão aparecendo no blog, porém, recebi os mesmos através do meu e-mail. Abraço.
Olá Aécio, bom dia. Alguns comentários só aparecem depois que os retiramos da fila de moderação. Pode ser também que a página esteja "em cache", o que faz com que nem todos os comentários apareçam. No mais, está tudo normal, acabei de verificar.
Abraços.
Bom dia Aécio, como vai? Obrigado pelo comentário e pela participação. Acredito que dessa vez a desculpa do perigo inflacionário não "cola" os preços estão dentro do esperado e principalmente estamos abaixo da meta de inflação para o próximo ano.
Olá <Eduardo tudo bem? Realmente a queda da taxa básica de juros não foi acompanhada da diminuição dos juros reais. A Selic referencia as operações financeiras, inclusive as operações entre bancos, que se beneficiaram e muito dessa queda.
Ao mesmo tempo a taxa nesse patamar leva o país a uma dívida publica tremenda. Veja que sobre a renda fixa uma economia que funciona não pode ter indices nesse patamar (mesmo que mais baixos do que antes) pois leva com que empresários e investidores internacionais optem por deixar o dinheiro aplicado e não alocado em criação de novas empresas, novos empregos etc.
Entendo o seu comentário mas o vejo mais como um desabafo a prática abusiva dos juros por parte das Instituições financeiras.
Gabriel A taxa Selic referencia as operações financeiras a manutenção nesse patamar já havia influenciado essas operações inclusive o CDB, teoricamente com a estagnação esse investimento mantenha a competividade que tinha nos últimos 45 dias.
Grande abraço
Penso que a atual taxa da selic esta em um bom patamar, tamos de nos lembrar de que o Brasil é um pais em desenvolvimento e que necessita de acumulo de capiatais, capitalizados por via de venda de titulos publicos ou similares, com taxas baixas o aporte de recursos fica comprometido.É necessário manter o equilibrio e lembrar-se das caracteristicas do brasil.
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