Pequenos valores hoje, muita diferença no futuro
Publicado por Ricardo Pereira em 18.11.2009 na seção Educação Financeira
Ontem tive uma constatação. Andando pela rua, encontrei uma moeda de R$ 0,10. Estava em uma praça perto de minha casa, caminho obrigatório de muitas pessoas para pegar os filhos na escola. Como estava adiantado, sentei em um banco na praça, bem próximo da moeda, e fiquei observando qual seria a atitude das pessoas diante daquele pequeno “tesouro”. Contei exatas 15 pessoas que passaram e, nem de longe, esboçaram qualquer reação diante da frágil moedinha. Nem parecia dinheiro.
Faltavam 5 minutos para pegar minha filha e resolvi fazer outra experiência. Peguei a moeda e a guardei no bolso. Então tirei da carteira uma nota de R$ 50,00 e a deixei próximo ao banco. E fiquei esperando. Foi rápido: a primeira pessoa que passou já correu para pegar a nota. Como não sou bobo, peguei a nota antes e ainda fiz aquela cara de “sou mais rápido que você”. E, claro, depois expliquei o que relato também neste artigo.
A (des)valorização dos pequenos valores
Essa experiência – maluca, você tem razão – constatou o que já conversamos aqui em outras oportunidades. As pessoas quase não dão atenção para os valores pequenos, o que é uma triste realidade. O fato é que, para muitos brasileiros, moedas que representam pequenos valores podem fazer muita diferença. Poucos se dão conta de como este dinheiro passa de forma tão rápida por suas mãos. Eu mesmo tenho um cofre onde guardo todas as moedas, que uso no final do ano para comprar um presente especial.
Sem contar que uma moeda de R$ 0,10 pode fazer muita falta. Experimente ir à padaria. Se faltar R$ 0,10, com certeza o caixa não aceitará uma goma de mascar sabor menta, guardada no seu bolso, como parte do pagamento. Não é? E no ônibus? O cobrador deixará você seguir o caminho faltando R$ 0,10? Não!
Moral da história
Queria eu achar todos os dias R$ 0,10. Essa é a diferença de quem pensa o futuro financeiro e multiplica seu potencial monetário. Claro, ninguém vive com apenas R$ 0,10 por dia e nem poderia - a idéia do artigo não é essa. Quero chamar sua atenção para valorizar seu dinheiro, pouco ou muito, R$ 100,00 ou R$ 0,10.
Muito cedo eu descobri que cada centavo tem seu valor e merece ser respeitado. Até hoje procuro seguir esse ensinamento, que foi um dos maiores presentes que recebi de meus pais. E esse pode ser o melhor presente que você pode passar a quem você ama nesse Natal. Repare que não se trata de deixar de viver ou gastar com conforto, bem estar e qualidade de vida, mas aprender a valorizar as pequenas razões que podem nos trazer felicidade. Afinal, R$ 0,10 também é dinheiro. E dinheiro ajuda, e muito, na felicidade da família. Que dirá o cofre lá de casa, prestes a ser estourado.
Crédito da foto para stock.xchng.
Ricardo Pereira
Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Buenos Dias Ricardo.
Quando se tem filhos menores, é louvável que cada um tenha um cofrinho. Comprei um pra minha filha de 12 anos. No final se semana, ajuntamos todas as moedas e as colocamos lá! Está ficando pesado. E o compromisso é, quando o cofrinho estiver cheio, depositar na caderneta de poupança dela.
Em compensação existem dois lados numa propaganda oficial que incentiva o uso de moedas (apenas para o consumo), onde o filho pequeno pede pro pai: "posso pegar o sorvete que está na gaveta???". Aí existe o incentivo de fazer circular as moedas no país, apenas isso, e não o incentivo à poupança.
Tenha um bom dia!
Muito bom artigo!
Quem me dera ter tido essa educação quando era criança... mas to aprendendo!
Abraço.
Se dá tão pouco valor às moedas que as de R$ 0,01 deixaram de ser emitidas e as que existiam foram recolhidas.
Eu sempre achava uma no chão.
Quem saiu ganhando com isso foram os comerciantes e prestadores de serviços que, apesar da extinção dessas moedas, cobram valores quebrados.
E ainda enrolam para arredondá-los pra baixo!
Muito bom artigo!
Quem me dera ter tido essa educação quando era criança... mas to aprendendo!²
infelizmente no brasil ainda é assim moedas não sao consideradas dinheiro por muitos, e que diga minha carteira, que ta estourando (só de moedinhas)
tenho que perder este costume logo,
eu e metade dos brasileiros.
Infelizmente o brasileiro carece de educação financeira. Logo na publicação traduzida do Pai Rico, Pai Pobre, li e recomendei aos amigos e sugeri a leitura aos meus filhos. Lego engano que seria interesse da maioria. R$0,10? isso é dinheiro? Nós, brasileiros, achamos que para poupar, investir e ou até guardar um pouco de dinheiro você precisa ter "muito" dinheiro. Não temos a noção de que com pouco, podemos em um horizonte definido juntarmos 1 milhão!
Em terra de cego, quem tem um olho... vamos tentando passar esses conceitos... Esse é o maior resultado de seu texto - um dia dará frutos - água mole em pedra dura...
Não demore muito a produzir textos assim. Precisamos massiçamente de conceitos que mudem a cabeça do brasileiro comum.
obrigada
Aha! Então o senhorito anda segurando moedas em casa, hein??? Por isso nunca ninguém tem troco! "Aceita uma balinha?" huahaua
brincadeira a parte, ótimo post. Parabéns.
[...] Fonte: Dinheirama [...]
Olá Pessoal!Primeiramente parabéns pelo post, pois ele tem muito fundamento e pode ajudar realmente a valorizar os nossos centavinhos. Só queria deixar mais um incentivo.Vou contar um caso real de pessoas que ficaram ricas com os centavos.
Bom, Enquanto todos as páginas da web se preocupavam em aumentar suas audiências e ganhar dinheiro com os anunciantes grandes que, lógico, iriam pagar uma quantia bem gorda para expor suas marcas, outro site se preocupou em ganhar centavos de cada ser da rede que tivesse interesse em divulgar sua HomePage. Hoje esse é o site e a empresa que mais cresce no mundo, isto mesmo é a Google.Um Abraço e valorize suas moedas!
Gostei do seu artigo, eu estava precisando mesmo ler algo assim... Mas tenho uma sugestão para você, e para alguns internautas que comentaram esse artigo. Vi uma matéria na TV que as moedas no Brasil estão diminuindo... E não porque as pessoas estão jogando as moedas no chão ou no lixo. E sim por causa dos famosos cofrinhos. As pessoas estão pegando esse costume de juntar moedinhas, enquanto vários comerciantes estão ficando sem troco :(. Porque não, quando juntar por exemplo R$ 10,00 de moedas, não trocar com o cara do bazar, ou da banca de jornais? Assim as moedas circulam mais, e permite que outras pessoas juntem e troquem as moedas por notas.
Ótimo artigo, Ricardo, os pequenos valores desprezados se refletem muito também na forma de produtos/serviços consumidos, mas que poderiam ser economizados. Por exemplo: mudar de corretora e, ao invés de pagar R$ 20 por taxa de corretagem, passar a pagar R$ 5; cancelar o seguro do cartão de crédito, que custa R$ 3,99; deixar de comprar, mensalmente, uma refeição fora, e, assim, economizar R$ 10, e assim por diante.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus lhes abençoe!