A união de Pão de Açúcar e Casas Bahia: o olhar do consumidor

07 dez Economia

A união de Pão de Açúcar e Casas Bahia: o olhar do consumidor

Será que a fusão entre Pão de Açucar e Casas Bahia vai ser interessante para o consumidor? O que ganhamos ou perdemos com isso? Muda alguma coisa no nosso dia a dia de clientes?

por Ricardo Pereira
há 4 anos

A união de Pão de Açúcar e Casas Bahia: o olhar do consumidorNos últimos dias, o mercado foi sacudido com a notícia da operação que resultou na união das Casas Bahia com o grupo Pão de Açúcar. Sobre o ângulo das empresas, a fusão é muito bem recebida, pois proporcionará a união de forças de dois grandes grupos que ocuparão boa parte do mercado, formando, a partir dessa nova realidade, a quarta maior empresa do Brasil, atrás de Petrobras, Vale e Gerdau. Depois das fusões no lado financeiro, chegou a vez do varejo. Nasce um gigante.

Mas, o que essa união oferecerá ao consumidor? Seremos beneficiados ou, ao contrário, sucumbiremos em torno da força do novo player que ditará as regras e preços de seus produtos para o mercado? Com maior poder de barganha junto aos fornecedores, seria natural pensar em preços melhores. E isso é verdade, mas também cria-se espaço para melhores margens (operações ainda mais rentáveis para o acionista). Se deseja conhecer o histórico da operação, como ficará a nova empresa e seus desafios, sugiro a leitura da matéria “Com Casas Bahia, Pão de Açucar ganha poder de barganha com indústria”, do G1.

Que tal falarmos novamente de planejamento?
Em primeiro lugar, antes de decidir pela compra, sempre opto por realizar uma boa pesquisa buscando o melhor preço e as melhores condições de pagamento. Com esses grandes grupos surgindo, é, mais do que nunca, indispensável que o consumidor esteja atento ao que acontece à sua volta. Como investidor[bb], por exemplo, pode ser bem interessante ser sócio do novo gigante.

Vale lembrar que a Casas Bahia se notabilizou por vender para as Classes C, D e E. O produto fica como um detalhe, já que o alvo é o crédito fácil, com muitas parcelas a serem pagas. Como educador financeiro, percebo que essa prática foi responsável por criar uma cultura extremamente nociva, a de que pessoas de baixa renda só conseguem comprar algo através das dívidas, dos crediários.

Crédito: um negócio lucrativo
Essa facilidade no crédito e as muitas vezes, ditas sem juros, foram aos poucos absorvendo mercado e criando a cultura do consumo através do pagamento de pequenos valores. Algumas críticas à minha visão se apoiam no fato de que em outros países a relação crédito/PIB é muito maior que a do Brasil. Tudo bem, mas os juros são muito mais civilizados. Muito mais.

Onde há juros interessantes, financiar e parcelar pode ser alternativa justa para o consumo. Sem falar que hoje o planejamento financeiro[bb] bem realizado serve de contra-ponto ao pensamento do crediário como única maneira de comprar. Afinal, é fato que a ilusão de várias parcelas diluídas esconde o preço final e leva muitos ao descontrole e à criação de dívidas perigosas. As famílias não se dão conta, mas as dívidas acabam prejudicando a qualidade de vida – quando trazem a ilusão contrária.

Acabei por deixar de lado a questão da fusão. Mas foi de propósito. Com um gigante do varejo, a atenção do consumidor precisa estar justamente na negociação e nas possibilidades de compra. Facilidades tenderão a surgir, bem como opções mais interessantes para o pagamento à vista. Além disso, a opção de compra pela Internet tende a dar um salto, justamente para brigar com os gigantes já estabelecidos (Submarino, Americanas etc.). Ganha o cliente.

Então muda muita coisa, mas não muda muito?
Pois é. Mais produtos, mais opções, uma empresa maior, diferentes condições de pagamento. O importante é fazer valer seu direito de buscar sempre boas oportunidades, comprando à vista, de forma consciente, e pedindo desconto. Cabe ressaltar que o preço ideal é aquele que você negocia, não o que é apresentado pelo vendedor.

Os melhores preços e oportunidades estão à espera de quem decidir brigar por eles – e não só daqueles que esperam super promoções e preços de liquidação. Procure comprar com o dinheiro[bb] que você tem e, certamente, você verá muitos benefícios ao contar com empresas maiores e mais robustas como a que acabamos de ver surgir. Se, por outro lado, optar por continuar usando o dinheiro emprestado, pode ser que pouca ou nenhuma vantagem seja percebida. Até a próxima.

Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Ana Maria S. Prado

    Gostei do artigo Ricardo! Puxar a orelha para a questão do planejamento e das compras parceladas foi uma ótima atitude. O que li por ai é que estão achando ótimo porque vai surgir um gigante capaz de oferecer ainda melhores condições de compra para os brasileiros. Parece, por enquanto, que nasce um gigante para abocanhar cantos do país ainda pouco seduzidos e para engolir rivais menores. Sei não. Estou de olho nessa história, mas uma coisa é certa: comprar bem é comprar com preço negociado e pagando com bom desconto. Sempre!
    Avante Dinheirama. Abs.

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  • Andrezza

    Muitas lojas tem praticas duvidosas quanto o pagamento a vista, e em dinheiro ainda. Tive uma experiencia assim, pagamento em dinheiro 1,300 zero de desconto. Fui tentar negociar com a gerente e recebi a seguinte resposta “pagamento em dinheiro pra mim é pior, fico com esse montante aqui, prefiro que voce pague via debito, E se voce acha que o meu preço nao esta bom, pode sair e comprar em outro lugar, nao negocio preço com cliente”!! Achei um absurdo! Nunca mais compro naquela loja, só efetuei a compra porque nao era pra mim, porque fosse…. teria cancelado na hora! Falta de respeito total com o consumidor querendo desconto a vista!

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    Olá Andrezza como vai?

    Você tem razão, muitas lojas não querem vender a vista com desconto simplesmente porque o verdadeiro negócio delas não é vender bens de consumo mas sim dinheiro, crédito. Dessa forma não é interesse para eles que o consumidor faça o acerto a vista. Para esses use o seu direito de ir em busca de outras lojas, vá a luta.

    Ana Maria Prado obrigado pelo comentário e avante Dinheirama!

  • http://theartinquirer.blogspot.com José

    Olá,

    Talvez vá escrever um disparate, mas o Pão de Açúcar aí no Brasil é o mesmo que aqui em Portugal, pertencente ao grupo Auchan ?
    Obrigado.

    Um Feliz Natal para todos,

    José

  • Fausto

    Nao podemos esquecer de analisar os avanços em relação a qualidade do sistema de CRM de ambas as empresas, conseguindo um foco ao consumidor mais apurado. O sistema de personalização de antendimento implantado pelo Pão de açúcar é case de estudo no mundo inteiro. E as casas Bahia tem como grande pilar seu sistema de crédito acessivel a quase todos. É uma união interessante a ser estudada com minucias.

    Feliz fim de ano a todos

    Fausto

  • http://www.zonanortepoa.com.br Fagner

    Sou da Zona Norte de Porto Alegre
    Parabéns pelo blog.
    Sempre quando eu posso eu volto aqui.
    Abraços

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  • Desejo que esta fusão seja bom para os consumidores