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Instituições financeiras e a educação financeira

7comentários

Instituições financeiras e a educação financeiraEstá claro que um dos maiores avanços dos países que conseguem a estabilização econômica é o maior acesso ao crédito. E, felizmente, o Brasil começa a usufruir desse beneficio. O grande problema é que a maior parte da população não está preparada – ninguém os ensinou ou deu exemplo – a usar o crédito com critério e bom senso.

Vejo nesse cenário um risco com potencial altamente destrutivo, que pode sem dúvidas levar o país a sérios problemas no futuro. Basta olhar para os fundamentos da crise financeira[bb] de 2008 para perceber que o principal mote da crise estava na forma descontrolada como o crédito foi (mal) usado em boa parte no mundo, principalmente nos Estados Unidos.

Muitas parcelas = descontrole financeiro
Que fique claro que o problema não está no crédito em si. Financiar bens em diversas prestações pode significar o inicio de um enorme problema para muitas famílias. As diversas prestações levam, via de regra, a um comprometimento excessivo das finanças e elimina o potencial de investimentos da família. Com compromissos financeiros extensos e pesados, muitos deixam o verdadeiro bem-estar e a qualidade de vida de lado.

O exemplo mais gritante, e que sempre traz muita polêmica, são os automóveis. Financiar esse tipo de bem se tornou uma obsessão – para muitos, a única forma de comprar um carro é através de financiamentos. O assunto é tratado com grande relevância na mídia e o governo abaixou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para manter as vendas. Os juros, ninguém baixou.

A redução do imposto causou mais impacto do que redução de fato. O preço final do carro caiu, é verdade, mas o valor total pago após o financiamento continua alto. As vendas cresceram como nunca, mas será que os compradores terão como pagar o financiamento no decorrer do tempo? Tomara que sim.

Educação financeira, uma arma poderosa para sociedade
Em minha opinião, as instituições financeiras poderiam exercer um papel muito mais abrangente e relevante para sociedade brasileira: conscientizar a população para aprender a lidar com o crédito. Já existem programas deste tipo em andamento, mas precisamos ir além de criar cartilhas e apostilas; é preciso um trabalho mais amplo, capaz de transmitir conhecimento prático para que as pessoas entendam quais as formas de crédito disponíveis e como usá-las da melhor maneira.

Em um primeiro momento, pode parecer pretensioso demais – especialmente para as pessoas que acreditam que os bancos ganham dinheiro à custa da desinformação das pessoas. No entanto, a conscientização pode impedir o surgimento de uma bolha financeira ou crise de crédito no Brasil, onde todos seriam afetados – principalmente as instituições financeiras. Assim, parece razoável pensar em projetos de educação financeira[bb] de longo prazo com o apoio dos grandes players do mercado financeiro.

Combatendo a inadimplência
Um dos grandes fatores que contribuem para os juros altos praticados no país é a  inadimplência. Combater esse mal é outro ponto positivo que a adoção de uma política de educação financeira pode cumprir. O acesso a informação de qualidade conduziria as pessoas a usar o crédito possível e de forma inteligente. Aos poucos, a inadimplência diminuiria, favorecendo a todos: bancos, empresas e, principalmente, consumidores.

Tenho certeza que a idéia soa um tanto utópica. Admito ser um sonhador quando o assunto é educação financeira. Mas os sonhadores como eu aprendem aos poucos que para que os sonhos[bb] se tornem realidade, o primeiro passo é “fazer barulho” e acreditar. Eu acredito e por isso estou divulgando essa idéia. Se você também acredita, pode colaborar deixando seu comentário e passando adiante a idéia. Unido, com o suporte da educação financeira, nosso país pode fazer uma enorme diferença.

Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

Mais informações

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Link Curto: http://bit.ly/AfkxK2
  • http://azulsp.vox.com Mr.Garone

    Mas não é só a educação financeira, também tem o fator psicologia finanaceira, sem a psicologia a educação financeira fica fraca.

  • http://www.sucessonews.com.br Mariana Rodrigues

    Olá Ricardo,

    Ótimo artigo. Esta é uma preocupação minha e assim como você também sou uma sonhadora quando o assunto é educação financeira.

    Aqui na minha cidade, por exemplo, você não faz ideia do número de pessoas que compraram carro com a redução do IPI e posso te garantir que a maioria parcelou “a perder de vista” (aliás, sei que isso não é só aqui, é no país inteiro) .

    Outro exemplo claro que está acontecendo aqui e acho que no Brasil como um todo é o crédito mais acessível para financiamento de imóveis. Conheço algumas famílias que mesmo sabendo que não deveriam entrar nessa, compraram um apartamento financiado e nem se preocuparam com o futuro. A minha preocupação é sobre o que acontecerá daqui a alguns anos. Será que vamos ver algo parecido com o que aconteceu em 2008 nos EUA? Espero que não.

    Enquanto isso vamos fazendo o máximo que pudermos, conscientizando as pessoas e fazendo barulho mesmo.

    Abraços!

  • http://www.sougentequebrilha.blogspot.com Victor Cardoso Aguiar

    Otimo artigo…
    Muito bacana mesmo…

    Essas são informações que eu não obtive de meus pais, e que estarei repasando para meus filhos no futuro. Ensinarei a eles que cada centavo tem valor muito importante. Pois quero que quando eles chegarem a uma fase adulta, possa ter discernimento em que gastar, como gastar, em o que gastar..

    e tenho certeza que o site “dinheirma” será um dos primeiros sites que obrigarei a eles a lerem…na vida deles na adolescência!!!!
    Parabéns pelo artigo..
    Abraços!!

  • http://parafernaliaoblog.blogspot.com/ isaac

    Excelente artigo e abordagem muito bem explanado, parabéns e sucesso Ricardo, o mundo do crédito criado para sairmos de uma crise pode nos levar há outra crise, o verdadeiro efeito bola de neve, me faz lembrar de um outro artigo que li por aqui a complexidade na facilidade as grandes imobiliárias, concessionárias, facilitam o crédito, mas não divulgam a fortuna que o comprador vai pagar no preço final do produto que esta comprando.Infelizmente o brasileiro pensa assim, ´´se eu não comprar vou gastar o dinheiro, e se eu morrer e não comprar o meu carro, todo mundo está comprando carro´´ com isto voltamos ao bom velho dilema comprar sem pensar,são anos trabalhados pagando juros altíssimos ao banqueiros verdadeiros escravos.Por um país melhor EDUCAÇÃO FINANCEIRA JÁ ! CONSCIENTIZAR OS COMPRADORES COMPULSIVOS.

  • http://shopinginvest Márcio alexandre

    Ricardo,VAMOS gritar p/ o Brazil E O MUNDO,EDUCAÇÃO FINANCEIRA JÁ……….

  • http://managerinjeans.com.br Anderson

    Parabéns pelo artigo!

    Tenho apenas uma crítica, entenda-a como construtiva. Onde está escrito “Muitas parcelas = descontrole financeiro” poderia ser colocado como “Financiamento = perigo financeiro”.

    É certo que o dinheiro hoje vale mais que o dinheiro amanhã. Quem administra bem ou pretende administrar bem suas contas (patrimônio e resultado) deve ter em mente que parcelar “pode” ser uma vantagem. Todavia, como está implícito no texto, existe um limite para isto. Eu vejo o financiamento como um recurso a ser evitado, porém ao analisar este mesmo recurso, é importante avaliar, por exemplo, a urgência do comprador.

    Assim como riscos, dívidas não devem ser evitadas, mas na verdade, devem ser administradas. Sensacional a sua idéia sobre uma política de educação financeira.

    Abraços,

  • Gustavo Oliveira

    De fato, o problema nao est’a unicamente ligado ao acesso f’acil ao cr’edito. Somos dependentes do imediatismo e buscamos saciar “desenfreiadamente” tudo que o cr’edito, facilmente, proporciona.
    Em minha singela e humilde opiniao, a questao cerne ‘e realmente a educacao em seu mais abrangente ambito.

    Somos “creditados” com um super esportivo, mas “debitados” desde a infancia de “dirigibilidade”, o resultado fatalmente ‘e um “financial crash”.

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Quem já falou do Dinheirama?

No Brasil, se eu pensar em blog de finanças pessoais, a primeira idéia que vem à cabeça é Dinheirama. Parabéns e sucesso para vocês!

Humberto Veiga

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