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Instituições financeiras e a educação financeira

Publicado por Ricardo Pereira em 17.12.2009 na seção Educação Financeira

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Instituições financeiras e a educação financeiraEstá claro que um dos maiores avanços dos países que conseguem a estabilização econômica é o maior acesso ao crédito. E, felizmente, o Brasil começa a usufruir desse beneficio. O grande problema é que a maior parte da população não está preparada - ninguém os ensinou ou deu exemplo - a usar o crédito com critério e bom senso.

Vejo nesse cenário um risco com potencial altamente destrutivo, que pode sem dúvidas levar o país a sérios problemas no futuro. Basta olhar para os fundamentos da crise financeira[bb] de 2008 para perceber que o principal mote da crise estava na forma descontrolada como o crédito foi (mal) usado em boa parte no mundo, principalmente nos Estados Unidos.

Muitas parcelas = descontrole financeiro
Que fique claro que o problema não está no crédito em si. Financiar bens em diversas prestações pode significar o inicio de um enorme problema para muitas famílias. As diversas prestações levam, via de regra, a um comprometimento excessivo das finanças e elimina o potencial de investimentos da família. Com compromissos financeiros extensos e pesados, muitos deixam o verdadeiro bem-estar e a qualidade de vida de lado.

O exemplo mais gritante, e que sempre traz muita polêmica, são os automóveis. Financiar esse tipo de bem se tornou uma obsessão – para muitos, a única forma de comprar um carro é através de financiamentos. O assunto é tratado com grande relevância na mídia e o governo abaixou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para manter as vendas. Os juros, ninguém baixou.

A redução do imposto causou mais impacto do que redução de fato. O preço final do carro caiu, é verdade, mas o valor total pago após o financiamento continua alto. As vendas cresceram como nunca, mas será que os compradores terão como pagar o financiamento no decorrer do tempo? Tomara que sim.

Educação financeira, uma arma poderosa para sociedade
Em minha opinião, as instituições financeiras poderiam exercer um papel muito mais abrangente e relevante para sociedade brasileira: conscientizar a população para aprender a lidar com o crédito. Já existem programas deste tipo em andamento, mas precisamos ir além de criar cartilhas e apostilas; é preciso um trabalho mais amplo, capaz de transmitir conhecimento prático para que as pessoas entendam quais as formas de crédito disponíveis e como usá-las da melhor maneira.

Em um primeiro momento, pode parecer pretensioso demais – especialmente para as pessoas que acreditam que os bancos ganham dinheiro à custa da desinformação das pessoas. No entanto, a conscientização pode impedir o surgimento de uma bolha financeira ou crise de crédito no Brasil, onde todos seriam afetados - principalmente as instituições financeiras. Assim, parece razoável pensar em projetos de educação financeira[bb] de longo prazo com o apoio dos grandes players do mercado financeiro.

Combatendo a inadimplência
Um dos grandes fatores que contribuem para os juros altos praticados no país é a  inadimplência. Combater esse mal é outro ponto positivo que a adoção de uma política de educação financeira pode cumprir. O acesso a informação de qualidade conduziria as pessoas a usar o crédito possível e de forma inteligente. Aos poucos, a inadimplência diminuiria, favorecendo a todos: bancos, empresas e, principalmente, consumidores.

Tenho certeza que a idéia soa um tanto utópica. Admito ser um sonhador quando o assunto é educação financeira. Mas os sonhadores como eu aprendem aos poucos que para que os sonhos[bb] se tornem realidade, o primeiro passo é “fazer barulho” e acreditar. Eu acredito e por isso estou divulgando essa idéia. Se você também acredita, pode colaborar deixando seu comentário e passando adiante a idéia. Unido, com o suporte da educação financeira, nosso país pode fazer uma enorme diferença.

Crédito da foto para stock.xchng.


Imagem de Ricardo Pereira

Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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7 comentários

  1. Imagem do comentarista

    Mas não é só a educação financeira, também tem o fator psicologia finanaceira, sem a psicologia a educação financeira fica fraca.

  2. Imagem do comentarista

    Olá Ricardo,

    Ótimo artigo. Esta é uma preocupação minha e assim como você também sou uma sonhadora quando o assunto é educação financeira.

    Aqui na minha cidade, por exemplo, você não faz ideia do número de pessoas que compraram carro com a redução do IPI e posso te garantir que a maioria parcelou "a perder de vista" (aliás, sei que isso não é só aqui, é no país inteiro) .

    Outro exemplo claro que está acontecendo aqui e acho que no Brasil como um todo é o crédito mais acessível para financiamento de imóveis. Conheço algumas famílias que mesmo sabendo que não deveriam entrar nessa, compraram um apartamento financiado e nem se preocuparam com o futuro. A minha preocupação é sobre o que acontecerá daqui a alguns anos. Será que vamos ver algo parecido com o que aconteceu em 2008 nos EUA? Espero que não.

    Enquanto isso vamos fazendo o máximo que pudermos, conscientizando as pessoas e fazendo barulho mesmo.

    Abraços!

  3. Imagem do comentarista

    Otimo artigo...
    Muito bacana mesmo...

    Essas são informações que eu não obtive de meus pais, e que estarei repasando para meus filhos no futuro. Ensinarei a eles que cada centavo tem valor muito importante. Pois quero que quando eles chegarem a uma fase adulta, possa ter discernimento em que gastar, como gastar, em o que gastar..

    e tenho certeza que o site "dinheirma" será um dos primeiros sites que obrigarei a eles a lerem...na vida deles na adolescência!!!!
    Parabéns pelo artigo..
    Abraços!!

  4. Imagem do comentarista

    Excelente artigo e abordagem muito bem explanado, parabéns e sucesso Ricardo, o mundo do crédito criado para sairmos de uma crise pode nos levar há outra crise, o verdadeiro efeito bola de neve, me faz lembrar de um outro artigo que li por aqui a complexidade na facilidade as grandes imobiliárias, concessionárias, facilitam o crédito, mas não divulgam a fortuna que o comprador vai pagar no preço final do produto que esta comprando.Infelizmente o brasileiro pensa assim, ´´se eu não comprar vou gastar o dinheiro, e se eu morrer e não comprar o meu carro, todo mundo está comprando carro´´ com isto voltamos ao bom velho dilema comprar sem pensar,são anos trabalhados pagando juros altíssimos ao banqueiros verdadeiros escravos.Por um país melhor EDUCAÇÃO FINANCEIRA JÁ ! CONSCIENTIZAR OS COMPRADORES COMPULSIVOS.

  5. Imagem do comentarista

    Ricardo,VAMOS gritar p/ o Brazil E O MUNDO,EDUCAÇÃO FINANCEIRA JÁ..........

  6. Imagem do comentarista

    Parabéns pelo artigo!

    Tenho apenas uma crítica, entenda-a como construtiva. Onde está escrito "Muitas parcelas = descontrole financeiro" poderia ser colocado como "Financiamento = perigo financeiro".

    É certo que o dinheiro hoje vale mais que o dinheiro amanhã. Quem administra bem ou pretende administrar bem suas contas (patrimônio e resultado) deve ter em mente que parcelar "pode" ser uma vantagem. Todavia, como está implícito no texto, existe um limite para isto. Eu vejo o financiamento como um recurso a ser evitado, porém ao analisar este mesmo recurso, é importante avaliar, por exemplo, a urgência do comprador.

    Assim como riscos, dívidas não devem ser evitadas, mas na verdade, devem ser administradas. Sensacional a sua idéia sobre uma política de educação financeira.

    Abraços,

  7. Imagem do comentarista
    Gustavo Oliveira

    De fato, o problema nao est'a unicamente ligado ao acesso f'acil ao cr'edito. Somos dependentes do imediatismo e buscamos saciar "desenfreiadamente" tudo que o cr'edito, facilmente, proporciona.
    Em minha singela e humilde opiniao, a questao cerne 'e realmente a educacao em seu mais abrangente ambito.

    Somos "creditados" com um super esportivo, mas "debitados" desde a infancia de "dirigibilidade", o resultado fatalmente 'e um "financial crash".

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