Análise Gráfica – Gerenciamento do Risco com o uso do Stop
Publicado por Leandro Martins em 29.12.2009 na seção Ações e Derivativos
A Análise Gráfica, também conhecida como análise técnica, consiste no estudo dos preços e dos volumes negociados por uma dada ação. Todas as informações pertinentes para o estudo das ações estão representadas nos gráficos, na medida em que estes traduzem o comportamento de todos os agentes presentes no mercado, sejam os fundamentalistas, os insiders (que possuem informações privilegiadas), os grafistas e mesmo os amadores, que compram e vendem sem critérios fundamentados.
O artigo de hoje aborda o gerenciamento do risco nas operações com ações através do uso do stop. Não há dúvida de que, atualmente, o investimento em ações é onde conseguimos maior potencial de retorno. No entanto, não podemos seguir a recomendação de muitos, de comprar e esquecer. A consideração que diz que, para investimentos de longo prazo, o preço de uma ação sempre terá valorização é totalmente falsa. Existem inúmeros exemplos que invalidam tal afirmação. É preciso acompanhar e efetuar o gerenciamento desse investimento.
Entendo que o fator emocional atrapalha de forma demasiada os investimentos em ações. Um dos erros mais comuns no mercado acionário é o de se desfazer de uma posição vencedora ou insistir em uma posição perdedora, atitudes que ignoram uma das premissas básicas que é: maximizar o lucro e minimizar o prejuízo. Para obtermos lucro com ações, é necessário deixar o lucro evoluir, acompanhando uma tendência de alta de um ativo, e realizar o prejuízo de uma entrada errada em uma posição.
A hora de sair!
O ser humano possui incrível dificuldade em admitir que está errado. Por essa razão, e mesmo conhecendo o stop-loss (para de perda) - ou simplesmente stop -, encontramos milhares de motivos para não liquidarmos a posição perdedora. Por outro lado, nossa ganância tentará impedir permanecer no posicionamento em uma ação com grande lucro.
A parada de perda, popularizada como stop, é uma ferramenta muito simples de ser utilizada, mas de fundamental importância para manter você no mercado. O stop servirá tanto para limitar seu prejuízo (stop-loss), como para maximizar seu lucro (stop-gain). Conrado Navarro, amigo fundador deste blog e autor do livro "Vamos Falar de Dinheiro?" abordou o tema no artigo "Por dentro do Stop Loss e Stop Gain".
Uma ordem de stop consiste em apenas efetuar uma ordem de venda condicionada ao preço, quando este atingir certo valor (gatilho), com um preço limite de venda definido. Esse valor deve ser definido graficamente e o preço limite deverá ser algo próximo a esse valor, mas não muito para não ser ultrapassado por um eventual gap.
Por exemplo, identificamos um suporte sendo testado em R$ 50,00 e após identificar uma reversão é comprado um lote de 100 ações a R$ 50,50. Logo após a compra é efetuada uma ordem de venda stop com gatilho em R$ 49,75, e preço de venda limitado a R$ 49,50. Com isso, caso o preço da ação volte a cair e perca seu suporte, o prejuízo estará limitado a R$ 1,00 por ação - prejuízo que poderia ser muito superior caso não tivesse sido utilizado o stop.

O gatilho não foi definido em R$ 49,99 porque é comum o mercado testar algum nível, mas sem rompê-lo efetivamente e, após esse teste, retomar sua tendência original. O preço limite não foi colocado mais próximo do gatilho, pois é preciso evitar algum possível gap – salto no preço no momento da abertura. Caso a posição seja vencedora e realmente o preço da ação esteja evoluindo conforme planejado, o stop servirá para não sairmos da posição vencedora e sim deixar que o stop gráfico nos tire da posição. Com isso, o stop estará sendo deslocado assim que o preço estiver evoluindo.
Exemplo prático da utilização do Stop:

Dados da Operação
- Compra executada em: R$ 12,08
- Stop (5) executado em: R$ 15,88
- Lucro bruto: 31,5%
- Período: 1 mês
Em nosso próximo artigo seguiremos na apresentação da teoria da Análise Gráfica. Crédito da foto para freedigitalphotos.net
Leandro Martins
Economista com MBA em finanças pela USP e FIPE e com mestrado em economia na Universidade de Grenoble (França). Profissional de Investimento certificado com o CNPI registrado pela CVM, fundador do site www.seuconsultorfinanceiro.com.br e autor do livro “Aprenda a Investir – Saiba Onde e Como Aplicar Seu Dinheiro” (Editora Atlas).
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Oi Leandro,
Desculpe a crítica contundente, mas este é mais um artigo seu tendencioso contra a análise fundamentalista, embora não a tenha citado nominalmente, entendo que ela seja referida como "comprar e esquecer". Acho este modo de ver a AF um desserviço aos leitores do blog.
Se o autor deseja escrever sobre as vantagens da AT, não serei eu a protestar. Mas quando sua informação pode levar o leitor menos informado a já olhar desconfiado para a análise fundamentalista - que não é simplesmente comprar e esquecer, pois nela também há mecanismos para saber quando se desfazer da posição, mesmo com prejuízo - eu deixo meu veemente protesto, pois está enfraquecendo uma alternativa ao investidor iniciante que deseja comprar boas empresas, após estudá-las a fundo e seriamente. Claro que ninguém vai (ou deveria) tomar uma decisão importante destas lendo apenas um artigo, mas que o mesmo está tendencioso e mal informativo, está.
Obs1.: nada contra a AT, uso-a e tenho conseguido resultados satisfatórios.
Obs2. considero que com "comprar e esquecer" você tenha se referido à AF, pois ela é o outro método mais conhecido de comprar empresas. Se você refere-se a um "método" totalmente sem método (desculpe a redundância), tipo "comprar qualquer *coisa* a qualquer preço e deixar mofando na sua carteira", acho que ele nem deveria ter sido citado.
Ótimo artigo. Aguardo com entusiasmo a continuação deste assunto. Análise técnica é um tema que sempre me confundiu.
Bom dia Eduardo Cunha,
Não entendi onde achou que me referi à Análise Fundamentalista. Seu achômetro não foi fundamentado. Quando cito: "No entanto, não podemos seguir a recomendação de muitos, de comprar e esquecer", o "comprar e esquecer" refere-se a quem compra por indicação de terceiros, ou mesmo achômetro e fica com ação mesmo se ela esteja em forte prejuízo, rumo a uma possível falência, como aconteceu com duas blue chips norte-americanas (Enron e WordlCom). Com isso o Stop gráfico é primordial, mas nada impessa de a compra ter sido efetuada com o uso das Análises em conjunto (fundamentalista e gráfica).
Em nenhum momento me referi à Análise Fundamentalista conforme seu entendimento, mesmo porque a cito em meu livro, eu trabalho em uma consultoria que utiliza além da Análise Gráfica a Análise Fundamentalista, como também eu ministro curso sobre a Análise Fundamentalista.
Fico contente que utiliza a Análise Técnica (Gráfica) e esteja com resultados satisfatórios.
Grande Abraço
Leandro
Olá Leandro e Eduardo Cunha,
Quando falamos em análises técnica e fundamentalista encaro com naturalidade o surgimento de algumas polêmicas sobre qual das duas pode apresentar melhores resultados. Muitas vezes esse debate mais franco e direto é importante pois motiva mais pessoas a conhecerem as opções de análise, nesse ponto acredito que os artigos estão sendo de fundamental valia aos leitores.
Li duas vezes o artigo e não percebi a critica contundente a análise fundamentalista, mas agradecemos ao seu manifesto aqui nos comentários, esse espaço é aberto justamente para isso. Se quiser inclusive escrever um artigo descrevendo sua atuação e bons resultados através da análise fundamentalista publicaremos com enorme prazer.
Um grande abraço e reitero os agradecimentos em levar a discussão em um nível tão elevado.
Gostaria de parabenizar e ao mesmo tempo agradecer aos autores do blog que muito me ajudaram durante o ano de 2009. Para mim existe o antes e o depois do dinheirama. Antes eu era uma mera poupadora, hoje já me arrisco em fundos de ações e com planos de operar diretamente no mercado de ações no próximo ano. Estou estudando bastante, fazendo cursos e lendo todos os dias o dinheirama.
Obrigada.
Feliz 2010.
Oi Leandro,
Deixo aqui as desculpas pela minha má interpretação.
Como atenuante, mencionei que em nenhum momento você citou a Análise Fundamentalista, apenas fiz uma dedução errônea.
Tudo esclarecido agora, mais uma vez, desculpe.
Oi Ricardo,
O artigo ficarei devendo, ainda não tenho tempo suficiente de bolsa (1 ano e pouco) para um relato com dados suficientes.
Mas vai um breve resumo: 2 ações (caso as vendesse hoje) me dariam +- 87%, outra 30%, mais duas uns 15%, outra 0%, outra 10% e duas estaria com preju de -5% e -2%. Na verdade, para um bom fundamentalista, ele não se preocupa muito com quedas, até gosta, para encher mais a carteira, desde que a empresa continue "saudável". E se sobe, bom também :)
Ola Eduardo Cunha, o Dinheirama está sempre aberto a participação dos leitores. Obrigado por dividir conosco sua experiência, o convite para o artigo permanece de pé.
Grande abraço!