Passados 12 meses do auge da crise financeira que abalou as bolsas de valores do mundo inteiro, já podemos fazer um balanço da nova realidade criada pelo período que chamamos “pós-crise”. Certamente, as coisas não são mais as mesmas de antes, algumas lições foram aprendidas, mas os mercados parecem voltar gradativamente à normalidade.
Coube aos países que adotaram modelos econômicos mais sólidos e transparentes uma recuperação mais rápida, efetiva e sustentável. Nesse cenário, o Brasil foi um dos países que mais se destacaram e, por essa razão, despontou como grande opção para investimentos vindos do exterior.
Na verdade, a recuperação do mercado de ações brasileiro foi bem mais rápida do que previam os mais otimistas analistas de mercado um ano atrás. O ritmo de recuperação que se esperava para 3 ou 4 anos veio em menos de 12 meses para alguns papéis. O próprio índice IBOVESPA subiu mais de 70% em 2009, e as perspectivas para 2010 são ainda mais promissoras.
A surpresa, no entanto, ficou por conta das estrelas dessa recuperação.
As “blue-chips” (ações de primeira linha, que comandam o índice IBOVESPA) não foram as que mais se destacaram e, na verdade, a maioria delas ainda nem conseguiu retornar aos patamares de preço em que se encontravam há 18 meses, quando a crise se desencadeou.
Como exemplo, podemos citar a Vale (VALE5), a Petrobrás (PETR4), Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3). Na linha de frente do IBOVESPA somente o setor bancário apresentou uma boa recuperação, com ações como as do Itaú (ITUB4), do Bradesco (BBDC4) e do Banco do Brasil (BBAS3), na contramão dos mercados financeiros da Europa e dos Estados Unidos, onde ocorreram falências de diversas instituições deste tipo.
Por outro lado, alguns papéis menos expressivos apresentaram uma recuperação surpreendente. A Positivo Informática (POSI3), que chegou a ser negociada pela metade de seu VPA em janeiro de 2009, doze meses depois apresenta uma valorização de mais de 500%, uma cifra notável para um período tão curto!
Lojas do setor varejista, como a Livraria Saraiva (SLED4), Lojas Americanas (LAME4) e Lojas Marisa (MARI3) também apresentaram boa recuperação (entre 100% e 250%) e já retornaram aos patamares de preços em que se encontravam antes que fosse deflagrada a crise do subprime nos Estados Unidos.
Isso nos mostra que as verdadeiras “jóias” estavam escondidas bem longe dos olhos daqueles que sempre observaram a parcela mais “efervescente” do mercado.
Crédito da foto para stock.xchng.








