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Fies: financiamento estudantil melhor e mais abrangente

Publicado por Conrado Navarro em 18.1.2010 na seção Educação Financeira

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Fies: financiamento estudantil melhor e mais abrangenteUniversidades estaduais e/ou federais, geralmente melhores, têm vestibulares muito concorridos e a maoria dos alunos aceitos vem do ensino privado, com metodologias e sistemas de ensino mais modernos e atualizados. Universidades particulares de renome e qualidade comprovada quase sempre são caras demais. A realidade conhecida do ensino superior no Brasil dificulta o acesso à educação continuada por parte da massa trabalhadora que ganha pouco ou que não possuem razoável fluxo de caixa. Já foi pior, é verdade.

Neste sentido, entra em cena o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, ou simplesmente Fies, maior programa de crédito universitário do Brasil. A possibilidade de estudar em uma escola particular, se graduar e então ter um prazo para o pagamento do dinheiro emprestado para os estudos fez surgir inúmeros bons profissionais. Gente qualificada, interessada e que poderia não ter tido chance de ir além do ensino básico não fosse a ajuda federal. Eu conheço muitos destes exemplos.

Educação sempre foi um tema que me chamou muita atenção. Costumo dizer que os melhores investimentos que alguém pode fazer não estão no mercado financeiro: trata-se de investir em si mesmo, na família e, então, em ativos, patrimônio e produtos de investimento[bb]. Conhecimento, bem estar e qualidade de vida são fatores muito relacionados à oportunidade de estudar sempre e de forma continuada. O Fies, criado em 1999, cumpre seu papel atendendo hoje 477 mil alunos com uma carteira de R$ 5,5 bilhões.

Mudanças importantes no Fies
Como programa de grande apelo social e importante função de qualificação da mão de obra e dos trabalhadores, o Fies merecia algumas mudanças. O novo desenho do Fies pretende atingir mais estudantes, beneficiando mais interessados em partir para cursos de graduação. O projeto de lei que trata do assunto deve ser sancionado em breve e traz algumas mudanças relevantes:

  • Redução da taxa de juros cobrada, de 6,5% ao ano para 3,5% ao ano. Trata-se de um valor muito mais civilizado e condizente com as expectativas econômicas do Brasil para os próximos anos;
  • Ampliação do prazo para pagamento do valor devido. Hoje, o usuário do Fies tem até duas vezes o prazo do curso para quitar a dívida. Este prazo passará a ser de trêz vezes o prazo do curso;
  • Quem optar por cursos de graduação[bb] na área da educação (licenciatura), poderá reduzir os juros em 1% da dívida por mês trabalhando na rede pública de educação básica;
  • Quem optar pela medicina também poderá reduzir os juros em 1% da dívida por mês trabalhando no programa Saúde da Família;
  • Haverá descentralização na distribuição dos recursos, livrando a Caixa Econômica Federal das responsabilidades de operador do programa. Isso significa que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) assumirá o papel e que todas as instituições financeiras poderão repassar o financiamento, ganhando uma comissão de até 2% do saldo devedor;
  • As instituições de ensino que aderirem ao Fies poderão quitar débitos com a Receita Federal usando o Certificado Financeiro do Tesouro, que é oferecido às faculdades e universidades como forma de pagamento das mensalidades. No modelo atual, os títulos só servem para quitar dívidas com o INSS.

As mudanças são significativas e chamaram minha atenção. A possibilidade de se contratar o financiamento em qualquer instituição financeira, aliada aos juros baixos e ao prazo alongado de pagamento trará novos horizontes para a população de baixa renda interessada em investir na educação[bb] da família. Nota publicada no jornal Valor Econômico informa que a previsão do Ministério da Educação é atrair 200 mil alunos em 12 meses, consumindo R$ 1 bilhão em recursos.

Impossível falar do tema sem que alguns ânimos se exaltem por conta dos aspectos políticos. Ano de eleição, novas medidas, muito mais gente beneficiada. Independentemente dos possíveis objetivos eleitorais, as medidas são inclusivas, realistas e muito importantes para a melhora do quadro sócio-econômico de nossa nação. Ao meu modo de ver são, portanto, apolíticas. É nosso dever manter o debate em alto nível, com este objetivo.

Se você quer conhecer mais detalhes sobre Fies, acesse a página oficial do programa clicando aqui. Crédito da foto para stock.xchng.


Imagem de Conrado Navarro

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro

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5 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Jaison Amantino Probst

    Legal abordar esse tema aqui, pois eu também sou um exemplo de quem se beneficiou muito com o FIES. De cobrador de ônibus, que não dava para pagar a faculdade com o salário que ganhava, para programador de sistemas. Em 2002 eu ganhava menos de R$ 500,00 e o curso que eu queria era R$ 500,00. Mas foi através do FIES que eu tomei coragem e encarei a faculdade particular, já que eu não tive sucesso nas minhas tentativas de ingressar nas públicas. Financiei 70 % do curso. Me formei em 2006/2. Até então eu pagava, a cada três meses, uma quantia pequena do total da dívida. Segundo as informações que eu tinha na época, nessa quantia estava embutida uma parte dos juros que deveria ser cobrada no financiamento, com isso eu imaginava que depois de formado o restante da dívida estaria controlada. Logo que acabou o meu curso, eu comecei a receber mensalmente um boleto da dívida do financiamento, parcelada até 2015. O valor realmente me assustou. Eu fui até a agência da CAIXA para eles me esclarecerem aquela quantia e confesso que, apesar de admitir que sem esse financiamento eu não chegaria aonde eu queria, eu senti que eu fui usado para dar mais dinheiro para o governo.
    Devida a causa do programa, os juros deveriam ser os mais baixos que o governo poderia cobrar, pois foi assim que me venderam o peixe. "É pela educação do Brasil". Pow, então não tentam ganhar dinheiro com isso..

    Enfim...
    agora com esses ajustes o FIES ficou melhor, mesmo assim não podemos nos acomodar. Melhorias sempre são possíveis.

    Eu queria saber se esses ajustes servirão também para os antigos contratos....

    Valeu Conrado.

    Att.,
    Jaison Probst

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    [...] This post was mentioned on Twitter by Dinheirama, Alexandre Rocha. Alexandre Rocha said: RT @dinheirama: Fies: financiamento estudantil melhor e mais abrangente - http://ow.ly/XVT2 [...]

  3. Imagem do comentarista
    GRZ

    Fiquei surpreso com a noticia. Que é ótima. É incrível como no ultimo ano de um governo aparecem muitas novidades.

  4. Imagem do comentarista
    Fernando

    É velhinhos, somos pobres, inteligentes, queremos estudar e ainda devemos para o governo!!!!! Esse é meu brasil....

  5. Imagem do comentarista
    Galvão

    Navarro, você como sempre esclarecedor e portador de boas notícias. Mas gostaria que você comentasse a respeito de certos detalhes do FIES.
    1 - Até seria bom que fosse descentralizado da CEF, pois esta daninha entidade nunca pratica atos financeiros de caratér popular, mesmo com verbas especificamente destinadas a isso, deixa eu explicar: No momento final de contratar o FIES é necessário que o contratante apresente um fiador(!?!?!?) que tenha renda ou bens no valor total da dívida!!
    Aí eu pergunto: Prá quem um estudante de 18 anos pobre, vai pedir aval para afiançar um curso de engenharia eletrônica ( 60 meses X R$ 1.200,00 = 72.000,00)? Talvez para os pais claro! No meu caso não posso afiançar para o meu filho! Meu salário e o da minha mulher chega a uns R$ 2.000,00/mês, e o meu filhote ficou de fora - embora tenha passado em terceiro lugar - da faculdade de engenharia elétrica da UNIFOR - FORTALEZA! Acabou?
    Não! Em compensação no meu local de trabalho, funcionários públicos que ganham salários altíssmos - trabalho num orgão da justiça estadual de forma terceirizada - , trocam de carro todo ano e passam férias no exterior (levando os filhos inclusive!) conseguem financiamentos do FIES com facilidade! Ou seja o FIES só beneficia quem não precisa!
    Alguém me esclarece sobre isso?

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