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Pensamento positivo em excesso faz mal?

13comentários

Pensamento positivo em excesso faz mal?A escritora americana Barbara Ehrenreich fala, em uma entrevista para a Revista Istoé, que a corrente de pensamento positivo em excesso acaba atrapalhando a economia e deixando as pessoas culpadas e mais infelizes. Confesso que sou uma pessoa otimista por natureza e tenho certeza que o pensamento positivo traz inúmeros benefícios, conforme estudos realizados na área da física quântica – para citar apenas uma área.

Mas o ponto de vista da jornalista e escritora americana Barbara Ehrenreich (Revista Istoé, ano 32 número 2088) sobre autoajuda e pensamento positivo me fez refletir um pouco sobre esse tema. Ela vem na contra mão da onda positivista que costumamos ver e lança o livro “O Lado Ruim das Coisas: Como a Promoção Incansável do Pensamento Positivo prejudicou a América” onde fala que o excesso de positivismo atrapalha a política, a sociedade e a economia[bb].

Barbara Enrenreich foi colunista do “The New York Times” e da revista “Time” e já tem 20 livros publicados. Ela entrou em contato com o positivismo ao tratar de um câncer de mama há 8 anos atrás: em meio a essa situação difícil, tudo o que ouvia era que precisava ter pensamento positivo. Mas como? Sua indignação a levou a estudar o tema de forma mais abrangente e profunda.

“O melhor a fazer quando se recebe um diagnóstico de doença grave ou a perda de um emprego é encarar a realidade, descruzar os braços e agir rápido. Aí sim o resultado poderá ser muito positivo”

Ela alerta que o pensamento positivo pode ter um impacto negativo no financeiro das pessoas. Exemplo disso foi a crise financeira[bb] americana. Níveis mais altos do universo empresarial não acreditavam que algo de ruim poderia acontecer e muitos acabaram por não ouvir o alerta de seus funcionários, chegando até, em alguns casos, a demiti-los. O autoengano e o excesso de positivismo acabam chegando ao financeiro das empresas e isso pode ser perigoso. Também é comum muitas pessoas com condição financeira precária se endividarem acreditando que empréstimos são uma benção e que, com eles, conseguirão, milagrosamente, pagar suas dívidas.

A ideologia do pensamento positivo é americana e surge na metade do século XIX em oposição ao calvinismo, onde seus idealizadores tentavam mudar o pensamento “somos eternos pecadores miseráveis” para “somos um país de oportunidade e vamos pensar de forma diferente”. Mas, no século XX, esse pensamento  tornou-se uma forma diferente de culpar a si mesmo: “eu estou pensando negativo por isso minha vida está mal”, tornando as pessoas escravas da busca constante por fórmulas mágicas e do pensar positivo o tempo todo. Essa ideologia também tende a ser muito individualista.

“Os livros de autoajuda nunca perguntaram como os seus desejos podem entrar em conflito com os do outro”

Nos anos 80, o pensamento positivo ganhou força junto ao mundo corporativo. E um novo e lucrativo negócio surgiu: as empresas começaram a investir em eventos sobre motivação[bb], pois não queriam funcionários reclamando sobre o trabalho e pretendiam aumentar a carga de trabalho nas pessoas que não foram demitidas.

A autora diz que o Brasil tem algo especial: a alegria, o que pode ser constatado em pesquisas internacionais, diferente dos Estados Unidos, onde as pessoas precisam beber um pouco para agir assim.  A cultura brasileira preservou instituições e costumes onde o povo pode expressar a alegria coletivamente, como o Carnaval por exemplo. Ponto para nós!

Barbara entende que o melhor caminho é enfrentar a realidade e olhar para o mundo como ele é. Ver as oportunidades e riscos e buscar resolvê-los, nem de uma forma pessimista e nem tão pouco com excesso de otimismo. A entrevista é focada no comportamento do americano, mas nos provoca uma reflexão: qual o limite para o pensamento positivo? Você, caro leitor, o que achou das considerações dessa escritora? Você concorda que o excesso de positivismo acaba atrapalhando o dia-a-dia?

Crédito da foto para stock.xchng.

Bernadette Vilhena

Mais informações

Pedagoga empresarial, consultora em diversas instâncias da prática educativa nas empresas e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Especialista em Gestão de Pessoas e estudos nas áreas de Ergologia, Gestão do Conhecimento e Educação no trabalho.

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  • http://blog.brasilacademico.com Gilene

    Eu acredito que o excesso de positivismo pode causar frustração.
    Mas devemos sim ter um pouco de otimismo.
    Abraços.

  • http://www.peruzzo.org Fabricio Stefani Peruzzo

    Pensamento positivo só é válido se acompanhado de atitude positiva, de ação positiva, o famoso TBC – Tire a Bunda da Cadeira!

    Uma das vantagens do pensamento positivo é te aproximar de pessoas que pensam de maneira semelhante. Quem pensa positivo e externa este pensamento com frequencia, acaba irritando as pessoas negativas e efetivamente faz com que elas se afastem de si, gerando o dobro de resultado.

    Junta-se o fato de pessoas positivas estarem mais aptas a efetivamente agir, e temos, no final, um resultado realmente positivo acontecendo a nossa volta.

    Excelentes as reflexões, tanto da escritora quanto da Bernadette. Refletir sobre o que estamos fazendo sempre nos leva a melhorar um pouco mais a cada dia.

  • http://ueb3.com.br/ Douglas

    Pensamento positivo pode gerar acomodação.

    Se não soubermos controlar nosso otimismo, podemos simplesmente parar e esperar acontecer!

    Concordo com a teoria do TBC, citada acima hehe

  • Bernardo Santos Maldonado

    O pensamento positivo puro, sozinho, pode te deixar confiante demais, a ponto de não você não pensar ser necessário agir com cuidado, e te deixar eufórico a ponto de você agir por instinto, com pressa, e não pensar no que pode dar errado.
    No entanto, um pouco de otimismo é sempre importante para servir como “empurrãozinho” para fazermos aquilo que queremos fazer, mas que às vezes temos medo de começar.

  • http://www.ronaud.com Ronaud Pereira

    É sempre bom um contra-ponto. Ser positivo não é só esperar coisas boas, mas entender as ruins como parte do nosso progresso pessoal e espiritual.

    Agora, é preciso cuidar para não confundir pensamento positivo, ou otimismo, com positivismo, que foi uma corrente filosófica, como se pode ver aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/Positivismo

    E quanto a fisica quântica, não podemos nos pautar pelo filme O Segredo. A física quântica apenas abre o leque de possibilidades. Mas provado, mesmo, não há nada. Entretanto podemos “provar” os benefícios do otimismo em nossa própria vida diária. Ou quem acha que pensamento positivo “não funciona”, que permaneça pessimista ;-)

  • Pingback: Pensamento positivo funciona? Não né… - Textos e Mensagens, Frases e Pensamentos, Reflexões e Achismos… - RONAUD.com -

  • http://reflexoesdeumpoupador.blogspot.com/ Guilherme Drehmer

    Olá Bernadette,

    Ótimo artigo, parabéns.

    O pensamento positivo e a fé (religiosa, indiferente da religião), no meu entendimento são exatamente a mesma coisa. Aqueles que esperam sentados, aguardando intervenção divina (seja qual for o “divino” da religião) são apenas levados pela maré e aceitam passivamente a realidade que lhes é imposta, com justificativa de “vontade superior”.

    A fé, de maneira geral, seja na “entidade”, ou no futuro promissor, ou na cura para a doença são importantes sim, pois ela nos abre os olhos e a mente para as oportunidades, possibilidades, soluções que estaríamos por outro lado simplesmente ignorando. Quando estes caminhos se abrem a nossa frente, cabe a nós (decidirmos e) andarmos por eles (o ‘TBC’ comentado pelo Fabricio). Estes caminhos não irão simplesmente passar sob nossos pés sem que não precisemos fazer nada .

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  • Rosana

    Tudo precisa de equilíbrio, não devemos ser nem otimistas nem pessimistas demais.
    O omitimismo em excesso gera uma auto-confiança artificial e leva as pessoas a se endividarem mais acreditando que dias melhores virão. Gostei do TBC. Se não fizermos nada, o otimismo não vai agir sozinho. Acredito que pessoas otimistas (com equilíbrio) são pessoas que criam oportunidades, estão mais preparadas para lidar com os problemas diários, são mais resilientes.
    Os pessimistas orbitam ao redor dos problemas e dessa forma não vêem muta solução.
    Gostei do artigo e acho que o excesso de positivismo acaba atrapalhando o dia-a-dia. E muito.

  • GRZ

    Tudo em excesso é ruim. Temos que saber a medida certa. Otimismo demais gera pessoas arrogantes.

  • Alexandre

    Eu tenho uma forma de pensar que muitas vezes é definida como pessimismo pelos outros, no entanto me considero um otimista. Como isso é possivel? Em qualquer planejamento ou estimativa futura, eu gosto de pensar muito na melhor forma de fazer e em tudo que pode dar errado. E eu aponto e insisto nessas questões com frequência, o que faz meus companheiros me considerarem um chato que só fica “agorando” as coisas. Mas eu só quero diminuir as chances de erros e aumentar a confiança de que o plano vai dar certo. Isso é o otimismo que funciona. O otimismo que se limita a “ter esperança de que algo pode dar certo, porém analisando bem as circunstâncias”. A maioria dos que se dizem otimistas são apenas crédulos de forças mágicas, deus, vontade do universo e etc. que se deixam levar com a correnteza, sempre esperando que o melhor aconteça. E quando as coisas não vão bem, ainda usam o seu poder de auto sugestão para se convencerem de tinha que ser assim mesmo, foi uma fatalidade, deus quis assim, não havia nada a fazer e etc. ou seja, se preservar de qualquer culpa.

  • Luis Carlos

    Tem sentido ..

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