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Educação financeira: um estilo de vida

Publicado por Conrado Navarro em 29.1.2010 na seção Educação Financeira

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Educação financeira: um estilo de vidaUma pergunta frequentemente assola meu sono: por que será que, mesmo tão presente, o dinheiro[bb] ainda é um assunto rodeado de tabus, constantemente dominado por discussões vazias, moralistas e, embora reconhecido como fator preponderante para a felicidade e o sucesso familiar, tão mal administrado? A resposta óbvia é que é muito mais fácil (e prazeroso) gastar a poupar. A resposta mais precisa, no entanto, talvez envolva questões mais abrangentes.

Afinal de contas, educação financeira faz diferença?
Depois de alguns anos trabalhando fortemente esta questão, é meu dever afirmar categoricamente: SIM! Educação financeira faz muita diferença. O que nem sempre está claro para os consumidores é que não se trata de trabalhar apenas o aspecto financeiro, caracterizado por números, planilhas e contas. É fato que a maioria gasta mais do que ganha e não tem controle adequado. A comprovação surge através de pesquisas específicas e números constantemente divulgados pela mídia especializada. Veja, por exemplo, estes números de uma recente pesquisa realizada pela TeleCheque:

  • 64,22% dos entrevistados apontaram o descontrole financeiro como a principal causa para sua inadimplência;
  • 6,61% apontaram o ato de emprestar o nome como razão principal para o endividamento excessivo;
  • 3,34% afirmam estar em problemas por conta de erros dos bancos;
  • 2,98% têm no desemprego a questão crucial para o excesso de dívidas.

Outros indicadores podem ser visualizados em matéria do portal InfoMoney que traz os resultados desta pesquisa. A boa notícia, embora ela não possa ser comemorada, é que o brasileiro já reconhece que a culpa não é do sistema, mas de suas atitudes e decisões cotidianas em relação ao dinheiro[bb]. Assumir a responsabilidade é o primeiro passo, ótimo, mas como seguir em frente sem cair nas garras do apelo de inclusão social causado pelo exercício de possuir e demonstrar posses?

A insistência de nosso trabalho nos aspectos humano, familiar e relacionado ao trabalho tem como objetivo despertar nos brasileiros motivos suficientemente fortes para que ele se abram para mudanças de hábito e comportamento - que, claro, trazem consigo a aplicação e manutenção de ferramentas de apoio (orçamento, simuladores, planilhas, livros etc.). O problema não está no desejo de padrão de vida, mas no parâmetro pessoal e emocional que o leva a querer distinção.

A desinformação piora o cenário.
Soma-se ao aspecto pessoal o parco acesso a informações confiáveis, porém traduzidas e acessíveis, e o desinteresse pela mudança torna-se perigoso. Mudar, no sentido do planejamento, não parece opção, uma vez que envolve atributos e atitudes pessoais poucos valorizados, como objetivos definidos, leitura, disciplina, tolerância à frustração e autoestima. Pois é, o desafio é gigantesco.

Você sabia, por exemplo, que 82% dos brasileiros não sabem a taxa de juros dos empréstimos que tomam? Ou que 87% das famílias brasileiras não poupam para o futuro? As informações fazem parte de uma pesquisa sobre o tema realizada em 2007 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Interessa mencionar que muitas famílias têm apenas o suficiente para a subsistência, mas é impossível não notar a migração de classes e o crescente aumento do poder de compra de nossa população.

Adote a educação financeira!
Se o trabalho e o destino nos reservam dias melhores, neles temos que projetar nossos sonhos e ambições. Lamentar o que passou, justificar o que não se verificou e apenas creditar ao acaso certas realizações só servem ao propósito cômodo de sustentar desculpas. Cumprir com os anseios futuros, no entanto, requer que a atenção seja dada ao momento presente, todos os dias, de forma intensa e inspiradora. Patrimônio e riqueza[bb] não podem ser comprados, só podem ser construídos.

Ora, se você (como muitos brasileiros) sabe que sua situação financeira não é confortável e que encontra-se assim por falta de controle, pare de adiar  a responsabilidade de rever seus objetivos e conceitos em relação ao dinheiro ou de colocar a culpa na falta de tempo - a procrastinação é o elemento chave que sustenta a zona de conforto.

  • Experimente ousar mais no trabalho;
  • Tente aproveitar parte do seu tempo livre para ler mais;
  • Procure mais informações sobre os pontos fracos de seu planejamento;
  • Experimente ser voluntário em sua comunidade ou entre amigos que precisam de atenção. Só assim será possível compreender como o fator humano é essencial nas relações com todo e qualquer assunto.

Educação financeira é muito mais que baixar uma planilha ou anotar seus gastos. É ver nestas e em outras atitudes uma porta para a liberdade[bb], para a criação de riquezas pessoais (familares, espirituais, profissionais e materiais) e qualidade de vida. Porque, muito ou pouco, dinheiro todo mundo tem. A diferença está no que ele representa para você e sua família. Educação financeira é, em essência, parte de um estilo de vida. Porque dinheiro é bom e todo mundo gosta, mas nem todos são convincentes em explicar o porquê.

Crédito da foto para stock.xchng.


Imagem de Conrado Navarro

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças e é mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), Navarro atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: twitter.com/Navarro

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17 comentários

  1. Imagem do comentarista

    Grande, grande texto! A educação financeira mudou a minha vida. Ou melhor, o que mudou a minha vida foi a disposição em assumir esse "estilo de vida" que venha a me por nos trilhos da independência. Até porque com 100 reais você compra 2 ou 3 livrinhos que vão te dar todas as principais informações que você precisa, agora o compromisso consigo mesmo é algo que nenhum dinheiro do mundo compra. Sucesso!

  2. Imagem do comentarista
    Rômulo Sousa

    Muito bom esse texto, estou aqui nesse site a apenas alguns dias, e após ler alguns artigos, já mudou totalmente meus conceitos sobre dinheiro, planejamento e futuro.
    Continue assim... estão todos de parabéns..

  3. Imagem do comentarista
    Carmen.

    A D O R E I!!!!!

    O texto todo é uma declaração de amor incondicional ao semelhante. Perfeita articulação de palavras e linguagem fácil e acessível.

    Nota mil!

    Continue assim, meu filho, franco, sincero, honesto e, sobretudo, maravilhoso.

  4. Imagem do comentarista

    [...] This post was mentioned on Twitter by Vinícius Mont Serrat, Conrado Navarro, Sucesso News, Mariana Rodrigues, Produzindo.net and others. Produzindo.net said: Fantástico texto do @dinheirama aqui http://migre.me/idQg - Dinheiro gera inclusão social? [...]

  5. Imagem do comentarista
    Ana Paula

    UAU Conrado!!!
    Texto sensacional! Parabéns! Vou encaminhá-lo aos meus colegas.

    Sucesso sempre!

  6. Imagem do comentarista
    Jones

    show! e pra fechar amanha tem podcast \o/ ;D

  7. Imagem do comentarista

    Olá, Conrado!

    Adorei o texto! Reconhecer o descontrole com as finanças é o primeiro passo para a mudança. É muito parecido com a reeducação alimentar; quando descobrimos onde estão os excessos, começamos aprender a fazer melhores escolhas.

    Abraços//

    Elaine

  8. Imagem do comentarista

    [...] que esse assunto traz consigo. O Navarro deixou suas sinceras impressões sobre o tema no artigo “Educação Financeira: um estilo de vida”. Há uma diversidade de simbolismos empregados a ele. Essas representações variam de acordo com o [...]

  9. Imagem do comentarista

    Ótimas dicas!

  10. Imagem do comentarista

    Excelente texto, Conrado!

    Bons hábitos geram não só um consumo consciente, mas também um planejamento adequado de nossos sonhos, que seja condizente e coerente com nossos objetivos e o grau de nosso empreendedorismo.

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  11. Imagem do comentarista
    Daniel

    Rapaz, excelente texto mesmo!

    Se todos brasileiros pudessem ler e compreender esse texto...

  12. Imagem do comentarista
    Rosana

    Gostei muito do texto!

    Nós precisamos assumir a responsabilidade sobre nossos erros financeiros e não colocar a culpa no sistema, no governo ou em quem quer que seja. Se estamos gastandomais do que ganhamos tem algo muito errado, um desequilíbrio grande. Temos que viver de acordo com o que ganhamos. Ou ganhar mais para podermos ter a vida que temos hoje.
    Educação financeira deveria sempre começar bem cedo.

    "É ver nestas e em outras atitudes uma porta para a liberdade, para a criação de riquezas pessoais (familares, espirituais, profissionais e materiais) e qualidade de vida."
    Excelente!
    O dinheiro traz um equilíbrio maior para nossa vida. Nos traz oportunidades que não teríamos sem ele.

    "Porque, muito ou pouco, dinheiro todo mundo tem. A diferença está no que ele representa para você e sua família."
    Perfeito!

  13. Imagem do comentarista
    Geórgia

    Ótimo texto!!! Vou reenviar para os meus amigos!!!

  14. Imagem do comentarista

    [...] foi explorado no artigo "Educação financeira: um estilo de vida", de autoria de Conrado Navarro, a maioria das pessoas gasta mais do que ganha e a principal causa [...]

  15. Imagem do comentarista

    [...] Esse é um processo complexo cuja solução depende, inicialmente, da vontade da pessoa de se libertar dos vícios de consumo. Uma das primeiras medidas é evitar assistir TV. A TV vende um estilo de vida glamoroso que nos faz sentir culpados por não termos aquilo que os que estão do outro lado da telinha tem. Outra medida salutar é passar por um processo de reeducação financeira, adotando-a como um estilo de vida, conforme bem escreveu o Conrado Navarro no Dinheirama. [...]

  16. Imagem do comentarista

    [...] como diz acertadamente o Conrado Navarro, a educação financeira deve ser incorporada ao estilo de vida das pessoas que têm ambições e visões de futuro acerca de suas finanças. As mudanças que [...]

  17. Imagem do comentarista

    Muito bom o texto, em forma e conteúdo!! Para ser um "mestre" não se precisa ter 500 anos e uma longa barba branca! (hahaha) Matou a charada em tudo o que escreveu. Forte abraço e sucesso!!

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