As armadilhas do autoengano
Publicado por Bernadette Vilhena em 08.2.2010 na seção Pedagogia Econômica
Começo esse artigo com uma frase de Black Elk: “é na escuridão de seus olhos que os homens se perdem”. Ela consegue definir um estado que todos nós vivenciamos muitas vezes em nossa vida. Falo do autoengano, da negação de fatos e também da simples falta de consciência da realidade. Esse estado exagerado de autoengano compromete demais a vida pessoal e profissional dos indivíduos.
Essa questão intrigante permeia nosso cotidiano e acaba minando nossas capacidades e comprometendo nossos relacionamentos. O fato é que, na maioria das vezes, não nos damos conta que a culpa é nossa e que somente nós podemos reverter situações ruins. O autoengano costuma ficar evidente quando colocamos a culpa de nossos problemas nos outros ou temos um olhar crítico em relação aos comportamentos alheios, sempre achando que nós somos melhores!
Alguns exemplos comuns seriam:
- A mãe que diz que os amigos levaram seu filho “para o mau caminho”;
- A namorada que, ao ser traída, justifica a situação colocando a culpa na outra mulher;
- O paciente que não acredita ser portador de alguma patologia;
- O funcionário que não aceita que precisa se aprimorar;
- O cidadão que se recusa a admitir que é o grande culpado pelo seu alto grau de endividamento.
Agimos como aquela criança que ao correr tropeça na cadeira, cai e fala que a culpa é da cadeira que estava no lugar errado! “Mas eu estava me divertindo e a cadeira apareceu de repente...” justifica choramingando o pequeno para a mãe.
Vamos confessar que várias vezes somos como essa criança e culpamos o mundo pelo nosso fracasso, intolerância e descontentamentos. Esse tipo de comportamento acaba piorando o problema e nos torna reféns do próprio modo de pensar, pois não somos capazes de ver além do problema ou insatisfação. Essa cegueira ou o autoengano provoca uma relação interessante:

O esquema nos mostra o ciclo improdutivo em que acabamos entrando por conseqüência do autoengano. Funciona mais ou menos assim: tenho um problema e, por conta da minha “cegueira”, acabo enxergando causas irreais e partindo para soluções inadequadas, e com isso agravo ainda mais minha situação inicial.
O autoengano é um recurso de autodefesa (e necessário em alguns casos) que surge todas as vezes que nos sentimos ameaçados, decepcionados ou nos deparamos com algumas verdades inconvenientes. Seria uma maneira de retardar o amadurecimento e ter que se posicionar frente às situações, como argumenta o psicólogo Armando Correa S. Neto:
“Enquanto a responsabilidade não recair sobre si mesmo, a infantilidade permanecerá disfarçada de azar”
Quando começamos a nos enxergar de verdade, quando mesmo que dolorido assumimos nossas dificuldades, nosso “padrão de autoengano“ muda. Conseguimos perceber a situação real e passamos a agir com coerência. Difícil? Um pouco, mas vale a pena tentar.
Comece a ver você como protagonista de sua história e não como vítima dela. Não tente ser perfeito, mas procure fazer o melhor possível. Sua vida pode ficar melhor a partir dos detalhes! Para saber mais e aprofundar suas reflexões, indico o livro “Auto-Engano” (Companhia de Bolso) de Eduardo Giannetti da Fonseca.
Crédito da foto para stock.xchng.
Bernadette Vilhena
Pedagoga empresarial, consultora em diversas instâncias da prática educativa nas empresas e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Especialista em Gestão de Pessoas e estudos nas áreas de Ergologia, Gestão do Conhecimento e Educação no trabalho.
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Bernadette, já ouvi recomendações deste livro, e pode ter certeza de que já está na minha lista de leituras. O assunto é tema de muitos livros, principalmente de auto-ajuda, e acho que com razão, já que é a base de construção de um ser humano melhor, proativo e que conquista e tem objetivos na vida.
Um abraço,
Pablo
[...] This post was mentioned on Twitter by Augusto, Dinheirama.com and Ricardo Alamino, Ricardo Alamino. Ricardo Alamino said: RT @Dinheirama: "As armadilhas do autoengano" - Novo post no @Dinheirama - http://migre.me/jhME [...]
Ótimo texto, confesso que já passei por essa situação, e hoje sempre tento enxergar a realidade, para não ficar "viajando" criando situações, procurando culpados e soluções que não existem.
À princípio, enganar-se parece mais fácil do que encarar a realidade. Somente quando a bola de neve cresce até grandes proporções é que se aprende a não se deixar enganar por auto-ilusões.
O livro "Auto-engano" também está na minha lista de leituras há tempos. Acho que agora irei adiantar esta leitura logo!
Olá,
Mt bom o texto, aprendendo a reconhecer os enganos que convivemos da realidade, eliminamos uma barreira que só serve para impedir de termos uma relação mais profunda e sincera com o que vem de fora, do nosso exterior.
O livro auto egano funciona como um manual para ter essa habilidade de refletir sobre qquer drama que nos atrapalha no nosso crescimento pessoal. Mt recomendável!
Até mais,