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Como ser convencido a comprar sem ter a intenção

Publicado por Mariana Prates em 08.4.2010 na seção Mulher

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Como ser convencido a comprar sem ter a intençãoEstive na cidade de Orlando no inicio de março e não podia deixar passar em branco a experiência. Para quem não conhece, Orlando fica no Estado da Florida, nos Estados Unidos. É lá que fica o maior complexo da Disney, onde há parques temáticos, shows, resorts e etc.

Entretanto, hoje em dia Orlando não é mais famosa somente por ser a casa do Mickey[bb], e sim por ser uma cidade destinada às compras. Até poucos anos atrás, quem ia a Orlando passava por Miami, este sim famosíssimo paraíso das compras. Hoje, visitar apenas a cidade de Orlando já compromete cada centímetro da mala.

Vendo o potencial desta cidade turística, as lojas se instalaram lá e levaram junto suas coleções passadas, montando então grandes centros de descontos chamados outlets. Veja bem, não estou aqui para fazer propaganda da cidade e sim para mostrar como, sem perceber, somos induzidos a comprar. Tirei algumas fotos de lojas grandes e famosas para todos terem uma idéia de quão atrativo tudo se torna.

A primeira foto é da loja de chocolates M&M´s. Hoje as bolinhas coloridas recheadas de chocolate ou amendoim já não são as atrizes principais. Os produtos comercializados variam de canetas a bolsas de designers famosos. Tudo, claro, remetendo aos simpáticos personagens. Mas isso não é só. A marca M&M´s deixa claro que são poucas as lojas em que você pode adquirir um produto deles e, por isso, você se sente tentado a ter peças exclusivas.

Na foto há uma parede de displays com M&M´s de todas as cores, indo das mais claras às mais escuras:

Interior da loja M&M's

Qual a jogada de marketing? Quem não sonhou em comer somente M&M´s vermelhos? E quem consegue escolher a cor mais bonita? Pois é, você vê pessoas com sacos gigantes parecendo um arco-íris. Preço? Óbvio que bem mais caro do que o saquinho comprado no supermercado.

Segunda foto: loja da Best Buy. A Best Buy é uma rede americana de lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e afins. Ao entrar na loja, você vê placas enormes no teto indicando quais produtos estão abaixo. Ok, você está à procura de uma bolsa para notebook[bb]. Veja quantos modelos existem. Ao olhar para o lado, você encontra todos os complementos para o seu notebook, desde webcams ate mouse sem fio via bluetooth. Quem não quer facilitar a vida com um acessório desse? Repare na foto:

Interior da loja BestBuy

Para completar, a coisa mais fácil nesta loja é encontrar um vendedor brasileiro, que sabe explicar quais as implicações de se comprar eletrônicos lá, os valores autorizados de gastos da receita federal brasileira e como funciona garantia no Brasil (!!). Coloquei 2 exemplos simples e que são relativamente fora do mundo feminino, senão a área de comentários deste artigo seria bombardeada por discussões de como as mulheres são consumistas.

Para terminar, digo uma coisa: tem muito brasileiro indo fazer compras para revender aqui. Não entrarei no mérito se e certo ou não, se e ético ou não. A única coisa que sei, conversando com compradores profissionais (sim, muitas famílias vivem disso), é que realmente é lucrativo.

Os brasileiros gostam dos produtos americanos e suas marcas fascinam cidadãos do mundo inteiro. Tanto é que o sonho[bb] de muitas empresas brasileiras é conseguir lançar produtos similares que caiam no gosto de todos.

Além disso, as lojas e centros comerciais têm alguns macetes inteligentíssimos para impulsionar vendas. Placas como “Compre 2 e leve 3” são praticamente obrigatórias. Ou ainda “Compre US$ 100 em produtos e ganhe determinado brinde”. E não é só isso. Seus shoppings não têm fila para entrar no estacionamento - menor chance de desistência -, não têm relógios de fácil acesso - maior a facilidade de perder o controle - e disponibilizam mapas do shopping e talões de desconto para as lojas.

Mais? Restaurantes em um único lugar, fechado, onde suas mesas são apertadas e o ambiente faz com que passemos o menor tempo possível lá dentro. Apelo anti-ético? Não. As pessoas são livres para fazer o que bem entendem.

Por isso, vale sempre usar o bom senso. Saiba ate onde pode ir. Respeite seus limites e os limites de seu orçamento. Não tenha a mentalidade “não sei quando terei oportunidade de voltar” para justificar a compra desenfreada. O problema só vai se agravar. Afinal, aqui já sabemos que com um bom planejamento financeiro[bb] todos os nossos sonhos podem ser realizados.

Crédito da foto: freedigitalphotos.net e Mariana Prates.


Imagem de Mariana Prates

Mariana Prates

Economista pela PUC-SP, pós-graduada em Administração de Empresas pela FGV e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Trabalha no departamento comercial da Editora Novatec e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

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8 comentários

  1. Imagem do comentarista

    [...] This post was mentioned on Twitter by Ricardo Dantas. Ricardo Dantas said: Como ser convencido a comprar sem ter a intenção http://bit.ly/a5SAed [...]

  2. Imagem do comentarista
    Ivani Ribeiro Prata

    Mari,

    Esse artigo está incrível! Estive em Orlando no final do mês e tudo que foi relatado aconteceu comigo. Espero não cometer os mesmos erros na próxima viagem.

    Parabéns, como sempre, dando boa dicas!!!

    Bjs
    Ivani

  3. Imagem do comentarista
    Bernadette Vilhena

    Mariana!

    Adorei o artigo! Essas discretas ciladas acabam seduzindo milhares de pessoas... tudo muito lindo, arrumado, cheio de cor! É uma diversão estar por ali!

    Tudo pode realmente ficar divertido com um planejamento financeiro básico, o que evita a famosa dor de cabeça ao receber a fatura do cartão de crédito e a aquela certeza: EXAGEREI!!!!

    Abraço grande

  4. Imagem do comentarista
    Rosana

    Mariana,
    Gostei muito do artigo!
    As empresas sempre utilizam as estratégias que querem e que podem para levar os clientes a comprar mais do que o necessário.
    Achei interessante a parte dos restaurantes e dos relógios. Aqui no Brasil eu percebo a falta de relógios em hipermercados e a música. Não sei se é só comigo mas algumas músicas fazem com que eu fiquei mais "inspirada" a comprar mais do que preciso. Mas na maioria das vezes já vou com uma lista feita então procuro não sair tanto do planejamento. Mas posso dizer que praticamente todas as vezes, pelo menos 2 itens eu acabo comprando. Pode ser uma caixa de chocolates, uma meia, um tapete, um pote de sorvete mas sempre acabo levando algo a mais. E geralmente esse algo não é uma das coisas de menor preço do carrinho....

    "Os brasileiros gostam dos produtos americanos e suas marcas fascinam cidadãos do mundo inteiro. Tanto é que o sonho de muitas empresas brasileiras é conseguir lançar produtos similares que caiam no gosto de todo."
    Acredito que as empresas brasileiras tem muito potencial para isso. O problema aqui é que os preços são muito altos e as promoções não são tão boas quanto as americanas.
    Um exemplo: muitos produtos alimentícios, principalmente bolachas, vem em pacotes cada vez menores. Antes, um pacote de bolacha recheada tinha 200 grs. Hoje tem 150, 140, 135... Daqui a pouco serão individuais! As empresas, com o objetivo de vender mais, fazem pacotes cada vez menores, pois assim mais pessoas compram. Por quê não comercializar também pacotes de 500 grs? Porque o preço assustaria os consumidores.
    Isso para dar só um exemplo...
    Abraços à todos,

  5. Imagem do comentarista

    Olá Rosana, bom dia!

    Pois é, você tem toda razão. Sem dúvida a música também influencia as compras. E toda esta atmosfera se junta às embalagens, cores, disposição nas prateleiras, funcionários e etc.

    Enfim, sem autocontrole tudo sai dos eixos e os maiores responsáveis somos nós. E somos nós que arcamos com as consequências. Não digo somente as consequências financeiras, mas também espaço para armazenar, influência nas crianças e etc.

    Ou seja, temos SEMPRE que pensar antes de fazer. Fazer as coisas por impulso não é o caminho correto.

    Ivani e Bernadette, obrigada pelos comentários.

    Beijos
    Mariana Prates

  6. Imagem do comentarista
    Myrian

    Olá a todos!
    Só vou deixar meu comentário para confirmar que não é impossível resistir ao consumismo. Desde sempre levo meus filhos para fazer compras - OK, no começo foi por pura falta de outra alternativa, eu não tinha com quem deixá-los pois o pai chegava muito tarde em casa - mas isso foi muito útil. Desde pequenos eles sabem o que podem ou não levar, e já ouviram muitas vezes "não vou levar porque tá caro". Hoje - pasmem! posso passar com os dois, de cinco e dez anos, como fiz várias vezes nesse último mês, bem debaixo dos ovos de páscoa coloridíssimos sem nenhum espetáculo de birra, ao contrário de quase todo mundo com crianças que estava ao meu lado no supermercado. E MAIS: posso afirmar categoricamente que meus filhos são muito mais FELIZES por isso. Eles sabem o que realmente vale a pena nesse mundo, e viajar com eles na Páscoa, fazendo um "mapa do tesouro" para eles procurarem no meio de um quintal enorme (de um amigo que cedeu a casa no feriado) o único ovo que cada um ganhou, valeu tanto que o menorzinho me entregou o ovo quando encontrou e pediu "mãe, esconde de novo pra eu achar??????". ISSO É FELICIDADE.
    Um abraço!
    Myrian

  7. Imagem do comentarista
    Fernando

    Bem...

    Totalmente de acordo com o post. Entre outras coisas, essa maldita loja da M & Ms que minha noiva me fez ficar mais de uma hora la dentro, tirando foto e aquele ritual todo.

    Mas um exemplo pontual que eu queria dar, é o da Abercrombie & Fitch do Florida Mall. É sério... o que é aquela loja?

    A música alta - que ja foi citada, e o CHEIRO da loja. Um perfume masculino que incrivelmente me agradou. Da até pena de lavar as roupas usadas, porque sei que o perfume vai sair.

    Fui 3 vezes na A & F, e nas 3 gastamos pelo menos US$ 300 em cada visita. Impressionante como eles conseguiram "convencer" um consumista NÃO exagerado como eu, a comprar as roupas deles - que enfim, também são maravilhosas.

  8. Imagem do comentarista

    Olá Fernando,

    Legal você mostrar que não são só as mulheres que compram por impulso, um conceito difundido erroneamente.

    É incrível quando percebemos que o ambiente realmente influencia nossas necessidades, não é mesmo?

    Comprar por impulso não é pecado, apenas se torna um problema quando vira rotina!!!

    Prestar atenção e pensar duas vezes são formas simples de se lutar contra isso.

    []s
    Mariana Prates

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