Estive na cidade de Orlando no inicio de março e não podia deixar passar em branco a experiência. Para quem não conhece, Orlando fica no Estado da Florida, nos Estados Unidos. É lá que fica o maior complexo da Disney, onde há parques temáticos, shows, resorts e etc.
Entretanto, hoje em dia Orlando não é mais famosa somente por ser a casa do Mickey, e sim por ser uma cidade destinada às compras. Até poucos anos atrás, quem ia a Orlando passava por Miami, este sim famosíssimo paraíso das compras. Hoje, visitar apenas a cidade de Orlando já compromete cada centímetro da mala.
Vendo o potencial desta cidade turística, as lojas se instalaram lá e levaram junto suas coleções passadas, montando então grandes centros de descontos chamados outlets. Veja bem, não estou aqui para fazer propaganda da cidade e sim para mostrar como, sem perceber, somos induzidos a comprar. Tirei algumas fotos de lojas grandes e famosas para todos terem uma idéia de quão atrativo tudo se torna.
A primeira foto é da loja de chocolates M&M´s. Hoje as bolinhas coloridas recheadas de chocolate ou amendoim já não são as atrizes principais. Os produtos comercializados variam de canetas a bolsas de designers famosos. Tudo, claro, remetendo aos simpáticos personagens. Mas isso não é só. A marca M&M´s deixa claro que são poucas as lojas em que você pode adquirir um produto deles e, por isso, você se sente tentado a ter peças exclusivas.
Na foto há uma parede de displays com M&M´s de todas as cores, indo das mais claras às mais escuras:

Qual a jogada de marketing? Quem não sonhou em comer somente M&M´s vermelhos? E quem consegue escolher a cor mais bonita? Pois é, você vê pessoas com sacos gigantes parecendo um arco-íris. Preço? Óbvio que bem mais caro do que o saquinho comprado no supermercado.
Segunda foto: loja da Best Buy. A Best Buy é uma rede americana de lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e afins. Ao entrar na loja, você vê placas enormes no teto indicando quais produtos estão abaixo. Ok, você está à procura de uma bolsa para notebook. Veja quantos modelos existem. Ao olhar para o lado, você encontra todos os complementos para o seu notebook, desde webcams ate mouse sem fio via bluetooth. Quem não quer facilitar a vida com um acessório desse? Repare na foto:

Para completar, a coisa mais fácil nesta loja é encontrar um vendedor brasileiro, que sabe explicar quais as implicações de se comprar eletrônicos lá, os valores autorizados de gastos da receita federal brasileira e como funciona garantia no Brasil (!!). Coloquei 2 exemplos simples e que são relativamente fora do mundo feminino, senão a área de comentários deste artigo seria bombardeada por discussões de como as mulheres são consumistas.
Para terminar, digo uma coisa: tem muito brasileiro indo fazer compras para revender aqui. Não entrarei no mérito se e certo ou não, se e ético ou não. A única coisa que sei, conversando com compradores profissionais (sim, muitas famílias vivem disso), é que realmente é lucrativo.
Os brasileiros gostam dos produtos americanos e suas marcas fascinam cidadãos do mundo inteiro. Tanto é que o sonho de muitas empresas brasileiras é conseguir lançar produtos similares que caiam no gosto de todos.
Além disso, as lojas e centros comerciais têm alguns macetes inteligentíssimos para impulsionar vendas. Placas como “Compre 2 e leve 3” são praticamente obrigatórias. Ou ainda “Compre US$ 100 em produtos e ganhe determinado brinde”. E não é só isso. Seus shoppings não têm fila para entrar no estacionamento – menor chance de desistência -, não têm relógios de fácil acesso – maior a facilidade de perder o controle – e disponibilizam mapas do shopping e talões de desconto para as lojas.
Mais? Restaurantes em um único lugar, fechado, onde suas mesas são apertadas e o ambiente faz com que passemos o menor tempo possível lá dentro. Apelo anti-ético? Não. As pessoas são livres para fazer o que bem entendem.
Por isso, vale sempre usar o bom senso. Saiba ate onde pode ir. Respeite seus limites e os limites de seu orçamento. Não tenha a mentalidade “não sei quando terei oportunidade de voltar” para justificar a compra desenfreada. O problema só vai se agravar. Afinal, aqui já sabemos que com um bom planejamento financeiro todos os nossos sonhos podem ser realizados.
Crédito da foto: freedigitalphotos.net e Mariana Prates.




Pingback: Tweets that mention Como ser convencido a comprar sem ter a intenção | Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos -- Topsy.com