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Taxa Selic, única medida para controle da inflação?

5comentários

Taxa Selic, única medida para controle da inflação?Sempre ouvimos falar que para conter a inflação é necessário aumentar a taxa Selic. Somos informados disso, mas pouco sabemos o porquê de a taxa Selic ser connsiderada um “remédio” para conter a inflação. E, ainda, pouco questionamos se esse é o único “remédio” ou até o mais apropriado para o momento.

Repare que dados preliminares mostram que o Brasil[bb] crescerá, em 2010, algo em torno de 6% (crescimento de seu Produto Interno Bruto, o PIB). Permanecendo as expectativas, é óbvio afirmar que trata-se de um nível muito bom; e é de se esperar que o crescimento esteja sempre aumentando, correto?

Em termos práticos a elevação dos juros (da taxa Selic) acontece na tentativa de segurar o crescimento como forma de controlar a inflação. Para quem ainda tem dúvidas, o principal papel do Banco Central (BC) é justamente controlar a inflação e proteger o poder de compra das pessoas. Alguém por ai se lembra da traumatizante hiperinflação?

Sacrifício em décadas de inflação
Durante décadas o Brasil sobreviveu ao descontrole inflacionário  e, por isso, sabemos de fato o quanto ela é fatal para uma economia[bb]. Neste sentido, parece-me claro que alguns sacrifícios podem ser justificados se olhados sob essa óptica. Entretanto, não podemos nos acomodar, enquanto economia em desenvolvimento, acreditando que o controle inflacionário deve ser sempre implementado através do aumento dos juros e desestímulo econômico.

Mas existem outras opções?
Outros caminhos podem e devem ser estudados e entre eles está o controle dos gastos públicos. Defendo que os serviços aos cidadãos sejam eficientes, mas a máquina pública está, ano apos ano, mais inchada e sem a contrapartida da melhora nos serviços. Como país, gastamos muito e gastamos muito mal.

Outro ponto que mostra esta realidade é a tão falada carga tributária, que nos coloca no topo dos países que mais recolhem impostos. É verdade que temos grandes programas sociais que consomem muito dinheiro público e possuem seu valor, principalmente em momentos de crise, mas ainda assim me parece claro que o problema está na gestão.

O Brasil precisa ainda aumentar sua capacidade produtiva, afinal nossa infraestrutura é precária e, quando comparada a de outros países em desenvolvimento, como Índia e China, deixa muito a desejar. O chamado custo Brasil paralisa e pode continuar paralisando nosso potencial como agente de um mercado[bb] muito competitivo.

Se o Brasil se modernizou em relação à sua economia, não o fez no sentido administrativo. Não como deveria. Ainda somos um país excessivamente burocrático! Burocracia essa que talvez seja a razão para explicar o excesso de funcionários públicos pouco atenciosos e nada preparados para as muitas funções. E você sabe como é difícil demitir um servidor público. Sem generalizações, por favor. O propósito do artigo é somar, mostrar a verdade para que possamos melhorar.

Outro gargalo do país é, sem sombra de dúvidas, a educação. Trata-se de uma das mais necessárias reformas para o Brasil manter o crescimento. Melhoramos muito, sem dúvida, mas ainda temos um longo caminho de maciços investimentos a fazer. Nossa mão de obra ainda é despreparada e muitas empresas precisam investir pesado na educação de seus funcionários, o que contribui para tornar nossos produtos e serviços mais caros.

O remédio pode se tornar um veneno
Todas essas ações propostas – controle dos gastos públicos, melhoria na infraestrutura do país e investimento[bb] maciço na educação – são alternativas que levarão tempo até que surtam efeito na economia do país e no controle da inflação. Por isso, talvez, não pareçam tão relevantes. A verdade é que são ações urgentes. O Brasil precisa disso para crescer de forma sustentável.

Os juros, como todo remédio em uma dosagem errada, pode se tornar um veneno. Os defensores dessa medida têm toda razão em afirmar que a tendência de baixa dos últimos anos se manterá para o futuro. É fato, mas no “melhor da festa”, quando a economia estava aquecida e competitiva com custo de capital (juro) mais baixo, temos que prorrogar planos e ver nossos concorrentes cada vez mais competitivos. O Brasil merece mais!

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Ricardo Pereira

Mais informações

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Rosana

    Acho que isso acontece pois é mais fácil e mais conveniente para o governo aumentar a taxa básica de juros do que enxugar a máquina pública e fazer uma reforma tributária séria.
    Se compararmos o Brasil com os países desenvolvidos veremos que a classe política aqui é muito maior e ganha muito melhor do que nesses países.
    A carga tributária é altíssima e mesmo assim muitos serviços (a maioria) são precários. Pagamos IPVA, imposto nos combustíveis e pedágios…. Se quisermos uma educação decente e realmente preparatória, é só na rede particular. Hospitais públicos, melhor nem comentar…
    Sinceramente, acho que dessa forma é muito difícil o Brasil crescer no mesmo ritmo dos outros países do Bric.

  • GRZ

    Nossa infraestrutura de Aeroportos, Portos e Estradas é precária. O Governo atual deveria, na minha opinião:
    - Abrir o capital da CEF (que esta defasada em administração)
    - Abrir o capital dos Correios e acabar com o monopólio (serviços caros e muitas vezes ineficiênte).
    - Abrir o capital da Infraero (para captalizar, dar agilizade e fazer ela investir realmente em aeroportos).

    O BB, Vale e Petrobras e são exemplos de empresas que pertencem em sua maioria ao governo e com muita eficiência e que contribuem muito mais para nosso desenvolvimento economico. Eu Acredito que essas ações (abrir capital dessas empresas) melhoraria muitos pontos francos do Pais, das empresas e do Governo.

  • Tiago RC

    Gente, o banco central é o *criador de inflação*, não nosso protetor!
    Ele detém o monopólio da moeda. É o único autorizado por Brasília a imprimir dinheiro. E inflação nada mais é que impressão de dinheiro! Se a quantidade de dinheiro fosse estável, os preços cairiam com o aumento da produtividade, e nosso poder de compra aumentaria.

    Os juros estão interligados à inflação pois o BC usa justamente a impressão de dinheiro para forçar os juros para baixo do seu preço natural. Os juros são um preço como qualquer outro, preço do aluguel de poupança. Deveria ser determinado pela oferta e demanda. Mas por razões demagógicas, o BC é incentivado a baixá-lo com a impressão de dinheiro. Isso passa o falso sinal de que há mais recursos do que o disponível, aumentando consumo e investimentos num ritmo insustentável, inflando bolhas. É como iniciar uma construção acreditando que há 1 milhão em recursos mas só depois da construção em andamento descobrir que só havia 500 mil. Você pode acabar tendo que abandonar por completo o projeto, perdendo tudo o que gastou. Com os juros artificialmente baixos, as pessoas fazem planos de longo prazo que não conseguem concretizar pois não há poupança suficiente.

    Quer acabar com a inflação e com os ciclos econômicos? Acabe com o monopólio da moeda (e portanto com o BC), deixe as pessoas livres para escolher/emitir seus meios de troca. Provavelmente voltaríamos a usar moedas lastreadas em metais preciosos, cujo ritmo de produção é incomparável às impressoras de um banco central, e sua expansão não causaria ciclos econômicos pois não manipularia os juros.

    Os juros são um preço muito importante pra serem manipulados por um planejador central. As conseqüências são muito danosas..
    E além disso, a inflacão é a pior forma de arrecadação que o governo pode utilizar para financiar seus gastos (e sim, ela é usada dessa forma, pois o BC devolve ao Tesouro o valor a ser pago pelos títulos da dívida pública comprados com impressão de dinheiro, ou seja, a impressão de dinheiro paga parte da dívida estatal). A inflação nos arranca riquezas de forma muito mais nefasta que impostos diretos, além de incidir com maior intensidade relativa justamente sobre aqueles que detém uma maior porcentagem de seu patrimônio vinculada à moeda, os mais pobres e/ou ignorantes econômicos, A inflação, portanto, intensifica a desigualdade.

    Abraços

    • Danielxpirito

      TUDO ERRADO MEW. 1º Quem imprime dinheiro é a casa da moeda. 2º quem cria dinheiro são os bancos comerciais atraves de emprestimos. O BC somente controla o deposito compulsório dos bcs comercias e assim da maior ou menor liquidez a eles e consequentemente ao mercado. Quanto maior a porcentagem de deposito compulsorio menos os bancos tem para emprestar e mais caro fica o emprestimo. e vice e versa. Vai estudar kkk

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