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Cartão de crédito: verdades, vantagens e armadilhas

16comentários

Cartão de crédito: verdades, vantagens e armadilhasMarlene comenta: “Navarro, sou uma daquelas pessoas que usam muito o cartão de crédito. Tanto que já tive problemas com o excesso de consumo e a falta de dinheiro para pagamento integral da fatura. Passei muito tempo tendo que usar o crédito rotativo, pagando a fatura de forma parcelada. Senti que o valor devido aumentava de forma abusiva. Gosto do cartão porque centralizo os pagamentos e uso os benefícios (milhas, descontos etc.). O que dizer sobre meu caso?”

As discussões relacionadas ao uso do cartão de crédito são sempre bastante acaloradas e frequentemente terminam de forma pouco amistosa. Tudo porque, em muitos casos, o cartão de crédito e seu uso são interpretados de forma incorreta. Para que o texto faça sentido, é importante ressaltar a importância do cartão enquanto ferramenta e meio de pagamento[bb] e então abordar suas limitações e implicações na vida dos menos organizados. Leia até o final e entenda porque usar o cartão não é tão simples como parece.

Cartão de crédito vale a pena?
A principal vantagem do cartão de crédito está na possibilidade de se aproveitar sua característica de cobrança futura para adquirir, agora, um produto ou serviço. Ao comprar algo com o cartão, levamos imediatamente o bem para casa e o pagamento só acontecerá na chegada da(s) fatura(s), podendo ainda o valor total ser parcelado, no ato da compra, junto à loja ou prestador de serviço.

Em suma, isso significa consumir antes, pagar depois. Tal constatação deveria ser vista como bastante interessante, já que representa a chance de consumo contínuo, desde que planejado e organizado, aliado a um controle fixo de pagamentos (data de vencimento da fatura). Pense no quanto isso facilita o controle de fluxo de caixa e sua manutenção. Certo, mas não é bem assim que as coisas acontecem, não é mesmo?

Cartão de crédito, uma ferramenta
O que aconteceria se deixássemos uma criança pequena se aventurar com um martelo e alguns pregos? Ela certamente se machucaria, simplesmente porque não está preparada para usar a ferramenta martelo para lidar com o produto prego. Algum problema com a ferramenta em si? Não. E com o produto? Também não. Fica óbvio, até para os que não têm filhos (meu caso), que o problema não é a ferramenta, nem o produto, mas a falta de prática e conhecimento para usá-los.

Ao optar pelo cartão de crédito para realizar um negócio, precisamos estar cientes de que o valor negociado será cobrado e, portanto, precisa estar programado em nosso controle financeiro. O crédito associado ao cartão é parte da ferramenta e não significa dinheiro[bb] extra, mas simplesmente poder comprar, consumir e deixar o pagamento para uma data futura – que deverá ser respeitada.

Indivíduos organizados frequentemente centralizam seus gastos no cartão de crédito. Fazem isso por razões simples:

  • Porque simplificam seus pagamentos e mantém datas estabelecidas para pagamento de suas despesas, pagando a(s) fatura(s) sempre em dia;
  • Porque lançam estas transações em seu caderno (ou planilha) de controle financeiro e mantém à vista o saldo disponível para o restante do mês;
  • Porque aproveitam os programas de recompensa (pontos, milhagem ou descontos) e acumulam benefícios depois usados nas férias, em viagens ou mesmo em novas oportunidades de consumo.

“Ah, Navarro, então o cartão de crédito é uma maravilha?”
Não, não é. Longe disso. Como toda ferramenta, o cartão também tem seus problemas. Não por acaso, seu maior atrativo é também sua maior armadilha. As facilidades impostas pelo uso diário do cartão implicam em uma das mais altas taxas de juros cobradas no sistema financeiro mundial. Usar o crédito disponível e não honrá-lo integralmente no vencimento da fatura significa dar início a uma espiral perigosa de endividamento.

Confira uma lista simples dos juros cobrados por alguns dos muitos cartões disponíveis hoje em dia:

Exemplo de Cartões de Crédito

Exemplos rápidos
Suponha que você tem uma fatura de cerca de R$ 1.500,00, valor que extrapolou seu orçamento – e você nem percebeu por aproveitar a comodidade do cartão nas compras[bb] – e então você decide que pagará, neste mês do estouro, R$ 500,00. O problema é que você está descontrolado e vai continuar gastando, sem conseguir quitar os R$ 1.000,00 devidos nos próximos meses. “Vou tentar parar de gastar e quando tiver dinheiro pago os R$ 1.000,00 que ficaram para trás”, é o que você pensa.

A próxima reflexão passa a ser: “Se pagar um valor mínimo é possível, então é assim que farei até conseguir levantar todo o montante devido”. Então você passa a dever R$ 1.000,00 no chamado crédito rotativo, valor este que será corrigido mensalmente por uma das taxas demonstradas na tabela presente neste artigo. Usemos o exemplo intermediário de 13,42% ao mês. Se você ficar “arrastando” a dívida de R$ 1.000,00 por um ano (12 meses), o valor devido ao final deste período será de R$ 4.581,35. Se deixar rolar e esperar 2 anos (24 meses), o valor subirá para R$ 20.537,68.

Conclusão: usar o crédito rotativo oferecido pelos bancos emissores dos cartões é um dos erros mais perigosos que um cidadão pouco informado pode cometer. Se é esse o seu caso, pare imediatamente de usar o cartão, ligue para o banco e negocie o pagamento do saldo devedor em parcelas – de forma a pararem a cobrança de juros. Se não der certo, faça um empréstimo consignado ou pessoal (CDC) do valor devido, pague a dívida e inutilize seu cartão até que o empréstimo seja quitado – ou para sempre, se for essa a solução.

Como não parar para rever nossas decisões diante de números e casos como esses?
Se quiser simular estes simples cálculos, use a planilha de simulação de juros compostos para endividamento com taxa fixa para ‘n’ períodos que disponibilizo no Dinheirama. A verdade é que o cartão de crédito não é para todo mundo. Porque é simples, é caro. Porque é caro, deve ser motivo de muita análise. O cartão de crédito pode ser seu aliado? Pode. Pode arruiná-lo? Pode. A diferença? Educação financeira!

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

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  • Link Curto: http://bit.ly/zCEnA1
  • André Luiz da Silva Barros

    Um cartão de crédito pode ser a tábua de salvação, quando precisamos efetuar a compra, em caráter emergencial, de um produto ou serviço e não temos dinheiro de cédula, mas apenas o dinheiro de plástico. Mas pode ser, também, o facilitador para conseguirmos grandes dores de cabeça no âmbito financeiro, se não o utilizarmos com organização e planejamento, tendo em vista o quanto de “dindim” receberemos ao final do mês. Acho interessante fazermos visitas regulares ao portal da administradora do cartão ou anotarmos os gastos em um caderninho, para controlarmos o montante já acumulado e verificarmos, assim, se é possível cometermos mais alguma extravagância.

  • Laurí Mayer

    Excelente material neste site. Parabéns. Eu uso o cartão de crédito a vários anos, no início já paguei muito juro, realmente é uma bola de neve não pagar o total da fatura. Entretanto, hoje eu o utilizo de forma racional e acho uma ferramenta maravilhosa. Mas hoje tenho uma planilha no ecxel com meu orçamento para os próximos meses, tenho salário fixo e pago sempre a fatura integral. Economizei muito dinheiro comprando produtos pela internet, muito mais baratos que nas lojas físicas. A dica é saber usar.

  • http://bahnana.blogspot.com Nana

    Mas acho que alguém que nem ao menos consegue manter um simples planejamento e controle de gastos (como a planilha) ou segurar os cavalos na hora de fazer compras nem vai estar lendo um blog sobre dinheiro, hehehe. Ou vai… :P

  • anderson

    Os juros são absurdos, mais altos que agiota emprestando dinheiro pra Cigano !!!!
    Se existisse uma aplicação financeira que rendesse metade desse juro, acabaria com todas as outras aplicações!
    São analogias bobas mas que deixam esses percentuais mais palpáveis.

  • http://caminhosdoconhecimento.com Antônio Ventura

    Boa tarde.
    Num país onde as aplicações atingem no máximo 1% ao mês, a poupança 0,5%. Você atrasar a fatura do cartão é loucura.
    Já me afundei com os juros do cartão, porém aprendi a lição, cheque especial e cartão, ando a léguas de distância deles.

    As duas piores ferramentas que contribuem para o endividamento do cidadão brasileiro:
    1- cheque especial.
    2- Cartão de crédito.
    Mas antes desses 2 existe um ainda pior: A falta de conhecimento e equilíbrio financeiro.

    Um forte abraço a todos.
    Antõnio Ventura.
    http://caminhosdoconhecimento.com

  • Daniel

    Cara! A conta do exemplo que se deve os R$ 1000,00 no período de um ano com 13,72% de juros ao mês não fechou com o resultado de R$ 4531,85 da planilha simuladora.

    • http://dinheirama.com/navarro Conrado Navarro

      Daniel, não entendi o problema. Ao usar o valor de R$ 1000,00, taxa de 13,72% e período igual a 12 (meses), o valor acumulado (juros compostos via fórmula simples de valor futuro) chega a R$ 4531,85. Qual o problema que teve por ai?
      Abraço.

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  • Daniel

    Primeiramente quero pedir desculpas, pois ao transcrever a taxa do primeiro exemplo eu o fiz errado. A taxa é na realidade de 13,42% ao mês como foi apresentado no primeiro exemplo e não 13,72% como eu escrevi em meu post anterior. Mas Conrado, creio que você também transcreveu errada a resposta do primeiro exemplo, pois o resultado de
    R$ 4.581,35 não confere com o resultado de R$ 4.531,85 apresentado pelo simulador.
    Abraço.

  • Leonardo Torres

    Daniel, acho q o Conrado apenas inverteu os números na hora de postar, como vc bem observou, é só arrumar no blog, ao invés de R$ 4.581,35 trocar por R$ 4.531,85 , trocando o 8 pelo 3 e vice-versa. Aproveitando o gancho, para quem gosta de cálculo como eu, uma maneira fácil de calcular é pegar o valor da taxa, no caso 13,42%, pegar esse acréscimo (100% + taxa) e elevar ao número de parcelas, isso te dá a taxa de juros acumulada, exemplo: 1.1342 ^ 12 (100% + 13,42% elevado a doze parcelas) = 4,53185 agora é só pegar esse valor e multiplicar pela sua dívida inicial, no caso mil reais, ficando 4,53185 * 1000 = 4.531,85. O importante é observar que com essa taxa de juros, chegamos a conclusão de que em um ano pagariamos um juros de aproximadamente 453,2%. Absurdo né pessoal? juros compostos é isso ai, use o para trazer dinheiro (aplicações por exemplo) e não para perder (juros de cartão de crédito por exemplo). Abraços.

  • Pingback: Cartão de crédito: hora de regulamentar tarifas e práticas | Destaques | Dinheirama - Economia, Investimentos e Educação Financeira ao alcance de todos

  • Cristian Camargo

    Muito interessante, Navarro.
    Eu concordo que o cartão de crédito é uma ferramenta maravilhosa e que também exige grandes responsabilidades.
    A utilização do cartão deve sempre ser feita de forma ponderada, para que os riscos de cada operação sejam conhecidos.
    Parabéns pelo blog!

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  • katia

    Boa noite

    Para a empresa qual é a desvantagem em aceitar o cartão de crédito?

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