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Livro: A Lógica do Consumo

8comentários

Resenha do livro: A Lógica do ConsumoLivro: “A Lógica do Consumo”
Autor: Martin Lindstrom
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 208
Preço médio: R$ 30,00
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Verdades e mentiras sobre por que compramos
Sabendo do meu comprometimento com a austeridade financeira dos brasileiros e da minha opinião a respeito da agressiva publicidade atual (em especial ao que se refere às finanças), um amigo me disse: “Você precisa ler ‘A Lógica do Consumo’, é provocante, perturbador, mas também muito claro e objetivo em relação ao papel do nosso inconsciente durante as compras”.

Martin Lindstrom é figura conhecida no meio, sendo um dos mais consultados analistas de branding e marketing. Seu livro anterior, “BrandSense”, foi considerado pelo Wall Street Journal um dos dez melhores livros de marketing já publicados. Através de sua empresa e diversos parceiros, Lindstrom executou uma pesquisa mundial de três anos (e US$ 7 milhões) envolvendo consumidores, compras e ciência. Entra em cena o neuromarketing.

Neuromarketing, como assim?
“A Lógica do Consumo” trata da utilização de equipamentos específicos de avaliação de atividade cerebral para avaliar a reação de consumidores a marcas, aromas, imagens, vídeos e material ligado à publicidade e marcas. No lugar das pesquisas de opinião estruturadas (questionários, formulários etc.), foram usados aparelhos de IRMf (Imagem por Ressonância Magnética funcional) e uma versão mais avançada do eletroencefalograma chamada TEE (Topografia de Estado Estável).

O uso da tecnologia tem uma justificativa bastante forte: conscientemente, somos capazes de mentir e enganar, o que prejudica a avaliação de respostas a enquetes e pesquisas de campo puramente estatísticas. Analisar as reações cérebro em tempo real significa avaliar reações químicas de forma objetiva:

“Nossa mente irracional, inundada por questões culturais arraigadas em nossa tradição, criação e muitos outros fatores subconscientes, exerce uma influência poderosa, mas oculta, sobre as escolhas que fazemos. (…) É por meio das emoções que o cérebro codifica as coisas que têm valor.”

Pense em um cheiro qualquer. Se o aroma lhe foi apresentado por alguém de quem gosta, mas não tem intimidade, você pode dizer que gostou, mesmo tendo detestado. Ser sociável implica poder omitir e mentir. Por outro lado, seu cérebro reagiu de uma forma única (não gostou) e essa é a resposta mais sincera possível. Analisando tão intimamente o cérebro de milhares de pessoas, Lindstrom, duzentos pesquisadores, dez professores doutores e uma comissão de étida se colocaram a analisar:

  • O merchandising realmente funciona?
  • Que força tem as logomarcas?
  • Publicidade subliminar ainda ocorre?
  • Nosso comportamento de consumo é afetado pelas maiores religiões do mundo?
  • Que efeito os avisos e advertências de saúde surtem em nós?
  • Será que o sexo na publicidade funciona?

Nunca parei para pensar na quantidade de produtos disponíveis nos diversos mercados existentes. Provavelmente, você também não. A observação parece aleatória, mas não é. Ao ler o livro, fiquei intrigado com uma estatística: em média, oito em cada dez novos produtos fracassam nos três primeiros meses. No Japão, o número chega a 9,7 em cada dez. Produtos demais? Público alvo mal compreendido? As reflexões são levadas a sério por Lindstrom.

Compras, marcas e produtos são emoção
Você provavelmente já ouviu a expressão “terapia do consumo”. Comprar é uma atitude intimamente relacionada às emoções despertadas pelas marcas, produtos e os sonhos que alimentamos. A sensação de felicidade ao comprar também é abordada nas pesquisas do livro.

“Quando tomamos a decisão de comprar algo, as células cerebrais que liberam dopamina secretam uma explosão de bem-estar, e esse afluxo de dopamina alimenta o instinto de continuar comprando mesmo quando nossa mente racional diz que já chega”.

A ingenuidade e os sentidos de muitos consumidores são cuidadosamente explorados por diversas empresas mundo afora. Veja alguns exemplos e tire suas próprias conclusões:

  • O cheiro de carro novo vem, na verdade, de uma lata de aerosol;
  • A padaria na entrada dos supermercados pretende espalhar um aroma especial capaz de nos deixar mais “à vontade” para consumir;
  • Músicas, cores e cheiros transformam uma simples olhada em uma seção de roupas em uma experiência de compra deliciosa;
  • Frascos de café e doce são projetados para liberar o máximo de fragrância assim que as tampas são abertas;
  • O som de um tubo daquelas batatas sequinhas é manipulado para que associemos o produto à noção de frescor. Consegue ouvi-lo ai dentro do seu cérebro? Sentiu algo?

“Ao tomarmos decisões a respeito do que compramos, nosso cérebro evoca e rastreia uma quantidade incrível de lembranças, fatos e emoções; e as compacta em uma reação rápida – uma espécie de atalho que permite que você viaje de A a Z em alguns segundos, e determina o que você acabou de colocar dentro do seu carrinho de compras”

Medo, euforia, momentos felizes, traumas. Repare nas propagandas de seguradoras: os benefícios do seguro são apresentados através de situações desagradáveis (acidentes, família chateada etc.) vividas por atores (nós). O medo de incorrer em alguns dos casos ilustrados gera conexão. Mas o exemplo é singelo diante da vastidão de referências contidas em “A Lógica do Consumo”.

Avaliação final
A importância do consumo via além da plena satisfação pessoal. Consumir com inteligência significa valorizar também os aspectos econômicos, sociais e familiares presentes no ato de comprar. Como e por que compramos? O que deve mudar, principalmente do nosso lado, para que haja mais consumo consciente?

“O que as pessoas dizem e o que elas realmente sentem são coisas bastante diferentes. (…) A obsessão nacional com compras e consumo só vai aumentar à medida que os profissionais de marketing forem se tornando cada vez melhores em atingir desejos e aspirações subconscientes”.

No Dinheirama, tratamos de finanças do dia-a-dia. Consumir, pois, é pauta inesgotável. Como melhorar nosso padrão de consumo e ainda assim construir patrimônio e ser feliz? O desafio está posto, mas tenho confiança que entender o lado da publicidade e do marketing é um bom começo. Ver tudo isso relacionado ao nosso cérebro torna a viagem fantástica. Notas:

  • Linguagem e narrativa: 9
  • Exemplos práticos: 9,5
  • Temas abordados: 9
  • Preço: 8
  • Custo/Benefício: 8,9

A leitura do livro “A Lógica do Consumo” chega a ser irritante, mas no bom sentido. Particularmente, não concordei com muitas conclusões e constatações apontadas como resultados dos inúmeros estudos. Minha mente consciente não concordou. Não importa, meu cérebro captou exatamente a essência de tudo que meus olhos varreram durante estes dias: é ele quem manda. Ponto final. Recomendo!

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • André Lima

    A resenha está sensacional! Parabéns Navarro! Já estou providenciando minha cópia do livro. Dinheirama dando show, como sempre!

  • http://twitter.com/brunobiscaia/ Bruno Biscaia

    Esta resenha ficou Fantástica, meu amigo! Parabéns.
    Não vejo a hora de ler este livro.
    Abraços,
    Bruno

  • Lúcia

    Li o livro e não me entusiasmei. Fica evidente que Lindstrom tenta vender seu peixe, que é: neuromarketing é a cura para todos os males. Nenhum dos exemplos que ele coloca no livro do uso dessa ferramenta é prático, ou seja, não existe como comprovar que o neuromaketing efetivamente impulsiona mais o desempenho das estratégias descritas do que outros mecanismos.
    Outro ponto fundamental é a tentativa de “criticar” metodologias de pesquisa de mercado, atualmente praticadas. Muitos dos argumentos que ele usa nesse ataque são infundadas, já que muitas das conclusões que ele atingiu com o uso do neuromarketing já são lugares-comuns para a pesquisa de mercado. Mas claro, ele tinha que fazer isso, uma vez que o produto oferecido pelas empresas de pesquisa é seu concorrente direto.
    Vale a pena para saber o que está acontecendo nessa área… mas claro, não para ser levado muito em consideração por gestores sérios.

    • http://dinheirama.com/navarro Conrado Navarro

      Lúcia, muito obrigado por sua participação. Gostei muito dos seus comentários e concordo! Li com a perspectiva de um consumidor, aquele alvo de muitas ações e publicidade. Fiquei intrigado porque tudo isso é novo para mim, o que imagino que não aconteça com publicitários e profissionais de marketing. Como consumidor, o livro é um barato, uma viagem fantástica. Vou mergulhar em mais leituras do tipo, até para formar opinião sobre o tema em geral. Pode nos oferecer algumas dicas de leitura e indicações? Muito obrigado.
      Abraços.

  • Rosana

    Conrado,
    Gostei muito da resenha que fez do livro!
    As empresas querem vender cada vez mais e nada mais “normal” do que se aproveitarem de nossas emoções para conseguirem realizar seus objetivos.
    Eu não sabia que tantos produtos assim não passavam dos 3 meses, fiquei impressionada com essa quantidade.
    Esse é um livro que estará na minha lista de compras!
    Abraços e sucesso,

  • http://R7 Alex

    Lúcia, Você tem alguma outra dica de livro com melhor abordagem do assunto? Já que conforme seus comentârios esse não parece bom.

  • Fabiano

    Devo utilizar “A Lógica do Consumo” em parte do meu Trabalho de conclusão no curso de direito. O tema do Superendividamento pede construção de doutrina no âmbito do direito consumerista. Sustento que a diminuição do nível de endividamento para a pessoa física passa pela educação financeira já nas primeiras séries escolares. O tema é multidisciplinar, por isso devo restringir o trabalho sob a ótica jurídica, mas sob certo aspecto a obra em comento servirá de grande valia.

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