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Os três P’s da reserva de emergência em momentos de crise

6comentários

Os três P's da reserva de emergência em momentos de criseSe você perdesse o seu emprego hoje, você conseguiria se sustentar por mais quanto tempo? Em outros termos: se você não recebesse seu salário do mês, suas reservas no banco seriam suficientes para pagar as contas mensais de mais quantos meses? Não adianta muita coisa o camarada investir na Bolsa[bb] pensando no futuro se não se precaver para problemas que podem ocorrer no momento presente.

A reserva de emergências, popular colchão de segurança, é a garantia de que você não irá usar empréstimo consignado, empréstimo a parentes, empréstimo de financeiras para quitar dívidas atuais. Sua melhor linha de crédito tem que ser o seu colchão de segurança. Ponto.

E não importa se o dinheiro desse colchão está rendendo 0,5% a.m. (poupança) ou 0,7% a.m. (renda fixa), ou seja, se está rendendo pouco. O importante aqui não é exatamente rentabilidade, mas garantir segurança. Lembre-se de que o dinheiro é apenas uma ferramenta para melhorar a qualidade de sua vida e que a falta dela, em momentos de crise, só virá a agravar sua situação pessoal, já abalada por outras crises.

Bem, no título desse artigo mencionei os três P’s da reserva de emergência. Vamos entender melhor?

1º P – Provisão
Provisão significa liquidez. É aquele dinheiro que você pode contar independentemente de estar trabalhando. Mais: é aquela grana que você pode sacar rapidamente, quando uma situação inesperada ocorrer. Comentei em meu blog sobre os cuidados que você deve ter com a liquidez em seus investimentos e reforço o coro aqui. Entre guardar dinheiro em banco e guardar dinheiro em corretoras de valores, prefira o primeiro, onde você pode alocá-lo em investimentos mais conservadores e de alta liquidez, como cadernetas de poupança, CDBs e fundos referenciados DI com crédito em D+0.

2º P – Proteção
O segundo “P” funciona como um escudo para te defender em situações de risco. Mas não é só um escudo puramente defensivo. Ele também tem sua função de ataque. Pense numa crise na macroeconomia que faz desvalorizar os ativos cotados em Bolsa, como Fundos de Investimento Imobiliários (FII) e ações. Não há problema em você retirar parcela do dinheiro da reserva de emergência para aumentar sua posição em ações desde que, é claro, as ações e os FIIs estejam sub-valorizados e você recomponha posteriormente seu colchão de segurança.

A questão se resume em você saber aproveitar as oportunidades. Será que veremos BBAS3 cotada a R$ 10,00 novamente? Ou USIM5 voltando para a casa dos R$ 20,00? E se voltarem, você terá grana para bancar o investimento? Essa é a questão. Ter uma reserva de emergência robusta lhe permitirá tirar máximo proveito desses momentos de pânico no mercado. Você estará líquido, caro leitor, num momento em que os desesperados mais procuram investidores[bb] com liquidez (leia-se dinheiro); liquidez para converter seus ativos em cash. Você faz a operação inversa (cash em ativos reais) e agradece esses “apressados” por tamanha generosidade.

A segunda proteção a que me referi é a proteção “clássica”, digamos assim, do colchão de segurança: para te garantir em casos de crises em nível pessoal, como perda do trabalho ou algum outro evento inesperado que exija altas somas em dinheiro, como custeio de tratamento médico urgente, por exemplo.

3º P – Potencialização
Potencialização do quê? De sua posição de credor. Embora essa função se confunda um pouco com a mencionada acima, quando tratamos da compra de ativos em Bolsa em momentos de crise, e sobre a qual inclusive já comentei em outro artigo, vale ressaltar que não é só em momentos de crise que é possível aproveitar as oportunidades.

A compra de ativos reais com o uso de um bom dinheiro alocado em reserva de emergência também é possível no mundo “real”, ou seja, fora da Bolsa. Por exemplo, você pode comprar um imóvel usando parcela do dinheiro acumulado nessa reserva de emergência. Ou então iniciar um negócio próprio com esse mesmo capital.

Em ambos os casos, que podem ocorrer perfeitamente em situações de normalidade na economia, você estará potencializando sua posição de credor, multiplicando as possibilidades de construção de riqueza, de uma forma mais segura e com menos sobressaltos. um interessante artigo do Gustavo Cerbasi, com o sugestivo título “Enriquecendo com a renda fixa”, publicado na Revista Você S.A., cujas ideias se aproximam com as cultivadas nesse texto.

Conclusão
Seja qual for sua situação financeira atual, ter um suporte financeiro estável é um dos ingredientes fundamentais para ter uma vida com mais liberdade. Essa reserva de emergência é a chave que você precisa para ter tranquilidade, conforto e coragem para se aventurar em novos e empolgantes desafios que lhe aparecerem à sua frente.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Hotmar

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Autor do blog Valores Reais, colaborador no blog Aquela Passagem e moderador dos fóruns PDA Brasil e Clube do Pai Rico

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  • claudir

    show de bola o texto.
    quanto mais eu leio sobre o assunto, mais eu creio que poderei mudar minha situaçao de devedor para credor
    obrigado e continue o bom trabalho

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  • Réger

    Excelente texto, Incrivel como deixamos escorrer pelas mãos milhares de dolares durante anos a fio e que ao nosso olhar são apenas migalhas de centavos.
    Abçs

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  • Márcio Carvalho

    Caro Hotmar.

    Com relação a reserva de emergência, como devemos avaliar o limite dessa quantia a ser guardada, como mensurar tal reserva? Quando devo saber quando parar de guardar para “o colchão de segurança” e iniciar a reserva para investimentos de fato. Na prática, qual método deve ser utiliza, existem dicas para isso, você utiliza algum método?

  • http://www.valoresreais.com Guilherme

    Márcio, o método mais utilizado é aquele que calcula o valor da reserva com base na média mensal de gastos, multiplicada por 6.

    Ou seja, se suas despesas médias mensais são de R$ 3 mil, você deve ter R$ 3 mil x 6 = R$ 18 mil.

    Lembrando que não existe uma regra fixa, esse valor pode ser – na verdade, deve ser – flexibilizado. Profissionais liberais e autônomos devem ter uma reserva mais robusta, 12 ou 24 meses. Funcionários públicos estáveis podem ter um valor menor – 3 x, p.ex.

    Cada caso é um caso, e depende muito das circunstâncias e fases da vida em que a pessoa se encontra.

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Quem já falou do Dinheirama?

Enxergo o Dinheirama como uma das principais fontes de informação sobre educação financeira e investimentos na internet. Não porque não existem outras iniciativas com informações úteis, mas sim porque o Dinheirama fala tanto ao público experiente quanto para o público iniciante nessas áreas, e nesse último caso, faz com uma didática admirável e extremamente difícil de se encontrar por aí. Me ajudou muito, me ajuda e ainda me ajudará bastante, com certeza.

Bernardo Pina

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