21 out Educação Financeira

Mesada: hábitos financeiros saudáveis ensinados desde cedo

Ensinar os filhos a lidar com o dinheiro é uma questão de cidadania. Educação financeira, exemplo e planejamento farão da família um ambiente muito melhor. Experimente.

por Bernadette Vilhena
há 4 anos

Mesada: hábitos financeiros saudáveis ensinados desde cedoA mesada é um instrumento eficaz na educação financeira infantil. Através dela são ensinados à criança princípios de limite, responsabilidade e planejamento. A mesada oferece oportunidade de vivenciar situações econômicas e certa dose de “independência financeira”, proporcionando o desenvolvimento das habilidades de consumidor[bb].

A instituição da mesada varia de acordo com a idade, com o perfil da criança e principalmente com a situação financeira familiar. Por essas variáveis eu prefiro não falar em valores ideais para cada idade, cabendo a cada família decidir sobre eles, tendo como referência as variáveis citadas.

O ideal é que se comece a dar mesada a partir do momento em que a criança tenha noções de números, por volta dos seis anos de idade. Veja como trabalhar a mesada de acordo com as etapas do desenvolvimento infantil:

  • 4/5 anos: as crianças já podem começar a ganhar suas moedas e para isso nada melhor que ganhar um cofrinho. Ele é um ótimo recurso para as primeiras noções de economia, como o caro e o barato e o poupar para comprar algo que deseja;
  • 6/7 anos: a opção melhor nessa idade é a “semanada” para que a criança controle melhor o dinheiro, já que ainda não possui a noção de tempo consolidada;
  • 9 anos: introduzir a “quinzenada” e posteriormente a mesada. Momento para os pais conversarem sobre planejamento das despesas para que o dinheiro não acabe na primeira semana;
  • Adolescência: algumas importantes habilidades financeiras provavelmente já foram desenvolvidas e com isso pode-se orientar investimentos com foco no futuro. A caderneta de poupança é um bom começo para passar noções de investimento[bb].

Atenção! Instituir a mesada não é simplesmente o ato de entregar uma quantia de dinheiro para a criança. É preciso educar financeiramente através dessa atitude, explicando a elas sobre a importância de administrar bem esse recurso. Não se esqueça de que o dinheiro deve ser acompanhado de diálogo e, principalmente, exemplo. Algumas atitudes dos pais são bem vindas nesse momento:

  • Estabelecer um dia certo para dar a mesada/semanada: com isso a criança desenvolverá a postura de espera e paciência. Começará também a dar os primeiros passos em relação ao planejamento financeiro;
  • Destino da mesada: é importante uma orientação em relação ao uso da mesada, como estabelecer prioridades de consumo e economizar para compras maiores. Nada muito rigoroso para não tornar esse momento chato e castrador. Recomendo que a criança guarde uma parte do que recebe, pois isso contribui para a formação do hábito de poupar e cuidar do futuro. A outra parte deve ser utilizada como elas desejarem, afinal é muito bom poder completar o álbum de figurinhas ou comprar aquele esmalte super badalado;
  • Doação: com o passar do tempo e com a maturidade da criança é interessante separar uma quantia destinada à doação para entidades filantrópicas ou para alguém que necessite. Estimular a solidariedade é algo que não pode ser adiado.

A mesada deve ser uma ferramenta na aprendizagem financeira e não deve, jamais, ser usada como objeto de troca. Perde-se todo o sentido, por exemplo, quando a vinculamos ao desempenho escolar, como punição a comportamentos ruins ou recompensa a trabalhos domésticos. Algumas coisas são deveres do cidadão que você está ajudando a formar.

Valores são transmitidos constantemente à criança, sendo a família a responsável pela formação de um consumidor consciente. Para isso, o dinheiro precisa deixar de ser tabu em muitas famílias, como sempre diz o Navarro. Alerto sempre que o comportamento financeiro da criança é um reflexo da sua vivência familiar, já que ela aprende primeiramente por imitação. Exemplo, caro leitor, valorize o exemplo.

Ensinar, através da mesada, que a liberdade proporcionada pelo dinheiro deve estar associada à responsabilidade é uma tarefa constante. Através da mesada[bb] os pais podem ensinar valores financeiros positivos aos filhos, contribuindo para a construção de uma visão mais saudável em relação ao dinheiro e seus desdobramentos.

E você? Compartilhe conosco o que pensa sobre esse tema e que lembranças possui do tempo em que recebia sua mesada. Um abraço e até mais!

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Bernadette Vilhena

Pedagoga empresarial, consultora em diversas instâncias da prática educativa nas empresas e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Especialista em Gestão de Pessoas e estudos nas áreas de Ergologia, Gestão do Conhecimento e Educação no trabalho.

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  • http://jovempreendedor.wordpress.com/ André Savi

    Olá, tudo bem?

    Muito interessante o artigo, mas eu penso sobre isso, adicionando a idéia de investimentos e dívidas.

    Seria mais ou menos assim:
    A criança quer comprar algo que a mesada dela não pode pagar, os pais podem sugerir se a criança quer comprar agora e depois ir debitando da mesada dela ou ela guardar dinheiro e receber um bônus por isso (os pais pagam os juros, exemplo, a cada 1 real depositado os pais depositam outro 1 real) mostrando que se guardando e investindo, pode-se conquistar os objetivos com mais facilitade!

    No caso do parcelamento, a criança no mês seguinte, possivelmente quando receber uma quantia menor, vai questionar o motivo, o pai deverá ensinar que por ela ter parcelado a compra, o valor veio descontado da mesada. Se ela não aprender e ir cada vez comprando mais e mais parcelado, vai chegar um dia em que ela não receberá mais mesada pois está endividada!

    Acho interessante isso, o que acha?

    Abraço e parabéns pelos artigos!!!

  • http://www.financasinteligentes.com Finanças Inteligentes

    Educação financeira aplicada desde cedo vai gerar bons frutos para o futuro. Muito bom o artigo,

    Abraços

  • Gheraldo Magno

    só não entendi pq não pode ser usada como objeto de troca, se a idéia é ensinar sobre finanças, consumo, mercado.

    como essa criança vai entender posteriormente que na vida real pra conseguir dinheiro e consequentemente as coisas que ela gosta, ela vai ter de oferecer em troca o trabalho dela e se ela não desempenha-lo da melhor forma possível o dinheiro não vai vir como esperado?

    acho que a responsabilidade do dinheiro tem de ser introduzida aos poucos e juntamente ele entender que as atitudes dele afetam diretamente os ganhos dele. Mas posso estar analisando errôneamente, então gostaria de entender melhor essa parte do seu artigo

  • José Carlos Ferreira

    Bernardette,

    Gostei muito do teu artigo. Embora o meu pequenote ainda tenha um ano e dois meses (vai demorar um pouquinho a ganhar mesada), temos o afilhado da minha mulher, com quatro anos, que daqui a pouco tem a possibilidade de aprender. Vou mostrar este artigo ao pai dele…

    Quanto ao não usar a mesada como recompensa, tenho uma sugestão: incluir uma parte variável, esta sim, atrelada a alguma meta específica. Isto vai dar à criança, desde cedo, a noção de remuneração variável, o que pode ser muito interessante para criar uma geração de futuros empresários que assim remunerem os seus colaboradores… rsrsrs

    Um grande abraço e um incentivo para que continues a escrever com essa objetividade e clareza.

  • Pingback: Quando devo começar a dar mesada pros meus filhos?

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  • http://www.loteriapremium.com dinheiro

    Ótimo post sobre finanças!

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