03 fev Educação Financeira

Problemas financeiros em decorrência do descaso com o dinheiro

Conheça os dez principais erros que relacionam problemas financeiros, insucesso e infelicidade ao dinheiro. Ter dinheiro, trabalhar mais feliz e vencer são decisões. Como você age?

por Conrado Navarro
há 3 anos

Problemas financeiros em decorrência do descaso com o dinheiroDias atrás eu conversei com um amigo sobre a situação dos brasileiros e sua relação com o dinheiro. Usando exemplos reais, de pessoas próximas, gente comum e colegas de trabalho, chegamos à conclusão de a educação financeira tem um caminho enorme por percorrer, especialmente quando se trata da consciência ligada ao investimento[bb] e à necessidade de planejar o futuro. Pouca gente valoriza o assunto; iniciativas de aprendizado e conscientização esbarram no crescente apelo ao consumo e necessidade de “inclusão social”.

Baseamos nossas impressões em detalhes explícitos bastante simples, que demonstram a falta de interesse pelo que o dinheiro realmente representa. Rapidamente, contamos, com os dedos das mãos, dez exemplos. Veja se você conhece alguém assim ou mesmo se enquadra em alguns dos aspectos:

1. Vergonha de pedir descontos. O vendedor parece estar fazendo um favor, quando o cliente é quem realmente deveria controlar a situação. Conhecendo bem a realidade financeira da família fica mais fácil definir limites para gastos, consumo e compras do cotidiano. Sabendo quanto você pode gastar, negociar, fica mais interessante.

2. Justificativas e desculpas sempre na ponta da língua quando falta dinheiro. Como já abordamos em outros artigos, o comodismo de culpar os outros facilita o dia a dia. É fácil viciar-se no hábito de apontar culpados e criar explicações: a culpa parece sempre ser de algo mais. O papel de vítima não tem lugar na vida de quem é realmente independente e dedicado ao próprio sucesso.

3. Inexistência de um orçamento doméstico minimamente atualizado. A contabilidade mental parece dar conta do recado – o que não acontece na prática. Confiar apenas nas referências e princípios que carregamos em relação ao dinheiro apenas conforta, mas não impede decisões econômicas equivocadas. Apontar, fazer contas e avaliar cenários gera compromisso.

4. Compra por impulso e de forma excessivamente parcelada. A TV LCD[bb] que poderia ser de 32 polegadas (levando em conta o tamanho da sala) acaba sendo substituída pela de 42 por conta da “oferta”. Brasileiros em geral creem que comprar parcelado é melhor porque agiliza a construção de patrimônio. Que patrimônio, se tudo está ainda por pagar? A velha relação entre necessidade, desejo, possibilidade e realidade.

5. Desinteresse pelo estudo do tema. Falta leitura, investimento em formação, envolvimento com cursos, palestras etc. A busca por soluções rápidas e o foco em mudanças complexas de vida traz ansiedade e frustração. É preciso ser mais dedicado em relação ao aprendizado e compartilhamento de informações financeiras, afinal não se pode negar sua importância.

6. Visão distorcida de curto, médio e longo prazo. Pensar o futuro já foi tarefa das mais complicadas por aqui. O passado de inflação galopante, juros estratosféricos e planos monetários inconstantes passou. É hora de compreender que planejar o futuro implica ter, respeitar e investir de acordo com objetivos corretamente posicionados ao longo do tempo. Curto prazo: até um ano; médio prazo: de um a cinco anos; e longo prazo: mais de cinco anos. Paciência, é preciso paciência.

7. Expectativa exagerada em relação ao trabalho. Associar a construção de patrimônio apenas à renda proveniente do trabalho remunerado vicia e impede as pessoas de perceber que o importante é dar condições para que o dinheiro também trabalhe e que o tempo livre é um excelente aliado das boas ideias.

8. Confundir realização com necessidade de autoafirmação. Quem não conhece aquele que troca de carro porque seu melhor amigo também o fez? O medo de “ficar para trás” ou passar a impressão de que o outro “vai mais rápido” coloca as famílias diante da necessidade de ter para se impor.

9. Agir com base em crenças ou raízes como se tais “verdades” fossem absolutas. Para muitos, bolsa de valores é um cassino. Outros têm que comprar logo a casa própria. Não há certo e errado, é verdade, mas decisões econômicas precisam levar em conta também variáveis contemporâneas e possibilidades futuras. Não é fácil, mas é relevante.

10. Dinheiro como fim e, logo, como um tabu, algo nunca plenamente alcançado. A necessidade de heróis e a constante publicidade em torno de características “mágicas” (milionário, bilionário, jovem empreendedor[bb] etc.) coloca o sucesso financeiro como meta clássica daqueles que hoje trabalham. “Ficar rico” é o que todo mundo quer. Mas hábitos tradicionais trarão resultados tradicionais: quem vence e alcança a independência financeira opta por qualidade de vida, novos negócios e investimento, não trabalho em excesso, emprego e consumo.

Os exemplos aqui citados são parte de opiniões pessoais, avaliações subjetivas, trabalho de observação. Os julgamentos são resultado de minha convivência com estas pessoas e com as próprias transformações a que me submeti para mudar meus conceitos e decisões em relação ao dinheiro. Repare como são óbvias as constatações; talvez por isso estejam tão enraizadas e camufladas. Desafie o óbvio, pois.

Que fique claro que o objetivo destas provocações é alertá-lo para a necessidade de reservar mais tempo para suas verdadeiras prioridades e discutir, refletir mais sobre decisões antes automáticas – as mesmas decisões que afastam você de chegar onde deseja, ainda que inconscientemente. Interessa que você dê mais atenção ao dinheiro como ferramenta, mais como ponto de apoio que razão de problemas.

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Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Conrado Navarro

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros "Dinheiro é um Santo Remédio" (Ed. Gente), “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks), autor do blog "Você Mais Rico" do Portal EXAME e colunista da Revista InfoMoney. No Twitter: @Navarro.

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  • http://www.neuronio20.com Júnior Gonçalves

    Recentemente ouvi duas colegas de trabalho conversando e pude constatar como o item “Compra por impulso e de forma excessivamente parcelada” está presente na vida de uma delas. Uma disse para a outra:

    - Chegaram hoje as panelas que comprei semana passada pela TV. Peguei uma ótima promoção e comprei duas pelo preço uma, dei uma para a minha sogra ela vai pagar a primeira das 15 prestações de R$16,00. Olha que “mixaria” irei pagar por mês!?

    Não sei que tipo de panelas ela comprou, mas acho que a ótima promoção foi para o vendedor e não para o cliente.

    Excelente texto, parabéns!!!

    Abraços,

  • http://investindo-todo-mes.blogspot.com/ Eduardo

    Muito bem Navarro,, lembro como se fosse hoje quando comecei a busca pela IF, e hoje graças a muitos posts motivantes como estes (em especial no seu blog) me encontro no caminho certo. O caminho não é facil pois em novembro cai em uma tentação na qual a solução foi cancelar os cartões de crédito e seguir o ditado de comprar tudo a vista que dá muito certo para mim.
    “É isso ai, Investir é investir e reinvestir sempre.”
    Abços

    Eduardo

  • Mauricio Nestor

    Navarro, eu confesso que MUITOS desses itens meus pais fazem e vem fazendo desde sempre. Eu busco minha independência financeira desde os 12 anos (rsrsrs). e pretendo alcançá-la antes dos 30, assim como você. Mas é muito difícil esquecer tudo o que nossos pais sempre nos ensinaram através do exemplo. Ah, sim, o assunto ‘dinheiro’ e ‘orçamento familiar’ nunca foi discutido em conjunto. Por isso eu acho que está tão complicado manter meu orçamento em dia. Ainda tenho de esquecer o que meus pais me mostraram e seguir um caminho novo. Está difícil, sim. Mas eu sei que o resultado dessa luta vai ser recompensador.

    E o Dinheirama está me ajudando a me manter motivado a seguir em frente, parabéns a você e a toda equipe. Cada artigo tem uma qualidade deslumbrante.

  • http://www.financasinteligentes.com/ Finanças Inteligentes

    A mídia fica bombardeando os consumidores para agirem por impulso, é o que faz vender. Tem que ser muito pé no chão para não cair nessas armadilhas, algumas são irresistíveis rsrs… temos que tentar agir com mais racionalidade, não é fácil mas também não é impossível.

    Abcs,

  • http://blog.sucessoagora.com Tiago Simões

    Olá Conrado,
    Esse seu texto foi uma pancada em muita gente (eu incluso).
    Confesso que ainda caio em muitas armadilhas e preciso me policiar a todo instante.
    A inteligência financeira é a única saída para quem quer realmente ganhar dinheiro sem passar sufoco.
    Obrigado pelo alerta.
    Um forte abraço.

  • http://www.paulorobertocosta.com Paulo Costa

    Navarro,

    Parabéns pelos comentários. Temos na verdade um problema crônico no Brasil pois deviam ter educação pessoal financeira desde o colegiaL. O brasileiro não sabe poupar e quando fala-se de algo assim, parece algo de outro mundo. Triste Brasil.

    Paulo Costa

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