04 fev Economia

Inside Job: mais que um documentário, uma aula de economia

Documentário Inside Job mostra a realidade de Wall Street antes e durante um dos períodos mais críticos da história financeira mundial: crise do subprime em 2008. Imperdível.

por Plataforma Brasil
há 3 anos

Inside Job: mais que um documentário, uma aula de economiaIndicado ao Oscar como melhor documentário, Inside Job”, o filme conduzido pelo diretor Charles Ferguson, vasculha as entranhas de Wall Street na fase que antecedeu a crise de 2008 com uma lucidez implacável, elucidando as origens do maior tsunami financeiro desde a crise de 1929.

O documentário aponta a origem do caos, quando as leis que impediam a execução, sob o mesmo teto institucional, das atividades de investimentos[bb] e banco comercial passaram a ser desrespeitadas em um primeiro momento, para em seguida, serem simplesmente deixadas de lado.

Traz à tona fatos assombrosos, como a existência de um único funcionário da SEC (isso mesmo, uma única pessoa) responsável por toda a gestão e fiscalização de exposição ao risco do mercado financeiro norte-americano. Mostra também as medidas desastrosas do FED, sustentadas e potencializadas por uma condução governamental perigosa para a sustentabilidade econômica, num caldeirão com boas doses de corrupção, vista grossa e irresponsabilidade.

Mas para a observação deste que vos escreve, a parte mais interessante é justamente aquela que aborda o componente comportamental dos executivos e operadores do setor. Tomados por uma falsa sensação de intocabilidade, de propriedade absoluta de poder e inviolabilidade, construíram uma cultura de excessos e insensibilidade crônica, onde, segundo o diretor do filme, havia, e ainda há, a participação explosiva dos elementos drogas e prostituição em larga escala.

Uma alquimia que, ao contrário das fábulas, não produziu ouro, mas tragédias econômicas, desespero e, como resultado final, a patinação do maior motor da economia mundial.

No entanto, frustrando as otimistas expectativas de que o caos vivenciado a partir de setembro de 2008 traria um inevitável ajuste e amadurecimento, no qual voltariam a vigorar um pouco mais de prudência e o renascimento da importância da liquidez e da poupança, observamos a letargia, a férrea manutenção do status quo, a infantil crença na capacidade americana de vencer desafios e superar obstáculos. A eterna autoajuda corporativa cegando a realidade.

Caros leitores, fiquem à vontade para discordar ou me criticar, de fato não consumo o “lero lero corporativo” e, portanto, não busco ser o dono da verdade e muito menos venero o otimismo[bb] ou o pessimismo, mas cultuo o realismo e o senso crítico.

Neste sentido, faço uma confissão: observando a terra de Lincoln, das famílias Kennedy e Bush, não consigo evitar paralelos com o nosso Brasil. Me assombro com a euforia exagerada, com a crescente cultura do crédito excessivo (mesmo que por anos tenha sido tão escasso), com a permanente crítica ao ato de poupar, com a sensação observada em esclarecidos ambientes de que “agora ninguém nos segura”.

A estreia do filme está prevista para o dia 18 de fevereiro. Recomendo que não deixem de assistir, mas independentemente dos novos entendimentos que ele possa provocar, permaneço rezando para a santa CVM, sem esquecer de acender uma velinha para o padroeiro BC e sua equipe de arcanjos. Boa sorte a todos nós.

Assista ao trailer (em inglês):

Crédito da foto: divulgação.

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  • http://www.financasinteligentes.com/ Finanças Inteligentes

    A nossa sorte é que nossos bancos são bem regulamentados, mesmo com esse rombo no Panamericano (muito mau explicado por sinal), o nosso sistema financeiro é muito bom se compararmos com a bagunça que é nos EUA. Se não me engando o Goldman Sachs, no auge da crise, vendia títulos aos seus clientes no qual ele mesmo apostava contra na outra ponta.

    Mas para por aí. Ao invés de aprendermos com os erros da matriz, nós vemos como se faz errado e repetimos aqui.

  • said

    Bem que vocês poderiam colocar um link disponibilizando para Download.

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  • Vanderlei Cardoso

    Muito interessante, saber que existe algo muito mais organizado que a máfia italiana, qualquer política governamental….
    Pena que toda esta organização e inteligencia serve para acabar com muitas empresas no mundo e também muitas famílias…

  • Erico Almeida

    Este documentário deveria ser visto por um grande número de pessoas, principalmente por economistas, administradores, investidores em geral, contadores e especialmente por estudantes, pois assim veriam como o sistema financeiro funciona, como atua os lobbies dos bancos no controle do sistema financeiro, recomendo à todos.

  • Ricardo Coelho Salles

    O filme é sobretudo corajoso, ao mostrar com clareza e exemplos paradigmáticos a promiscuidade entre as instituições financeiras americanas, os lobistas, os que deveriam regulamentar as atividades financeiras, a comunidade acadêmica, as agências de classificação de riscos e os políticos. Faltou mostrar o envolvimento de dois outros atores dessa pornografia: a imprensa e os advogados, especialmente os chamados Wall Street lawers.

  • marcio

    alguém ai sabe onde posso comprar esse documentário? marciomeneses2@gmail.com
    grato..