08 abr Orçamento

Compra coletiva: um negócio da china?

Que fatores o consumidor leva em conta ao comprar através de sites de compra coletiva? Só o preço? E para o investidor, vale a pena oferecer produtos tão baratos?

por Adriana Spacca Olivares Rodopoulos
há 3 anos

Compra coletiva: um negócio da china?Para o consumidor, um descontão e parcelamento. Do ponto de vista do investidor, uma boa oportunidade de alavancar as vendas e divulgar a marca. Parece que a expressão “negócio da china” se concretizou através do fenômeno mundial das compras coletivas. Será? Depende.

O princípio por trás da compra coletiva não é nenhuma grande novidade. Uma prática muito comum quando era criança, inclusive na minha família, era juntar familiares ou vizinhos para viabilizar compras em centros atacadistas. Isso garantia uma boa economia em relação às despesas do mês com alimentação, produtos de higiene e limpeza.

A compra coletiva pode ser, de fato, o “negócio da china”. Mas é preciso ter cautela, para não acabar transformando esse jeito de comprar em uma fonte de experiências comerciais negativas, que acabariam reduzindo o fenômeno a mais um modismo passageiro.

Como transformar a compra coletiva numa aliada
Para se tirar o melhor proveito das compras coletivas é preciso aprender a lidar com a cabeça e com as emoções. Como as compras coletivas são muito sedutoras e, além disso, viraram mania nacional, elas são um prato cheio para que o consumidor mais desavisado acabe recebendo em casa, pelo sistema delivery, o “pacote surpresa” que acompanha os cupons de desconto: uma fatura de cartão de crédito impagável!

Para dar um exemplo, vamos supor que você entre num restaurante, sem estar com fome, só para dar uma olhada no cardápio. Aí você constata que esse restaurante está oferecendo naquele dia ótimos preços e pratos maravilhosos e ainda aceita cartão de crédito! Diante dessa oportunidade única, o que você faz? Empanturra-se e ainda leva um marmitex para casa.

O exemplo acima pode parecer esdrúxulo. Mas a maioria das pessoas percorre os sites de compras coletivas sem nenhum outro propósito a não ser o de verificar as ofertas do dia. E acaba efetuando a compra levando em consideração apenas o desconto. Muitas delas se concentram tanto nesse item que não conseguem avaliar se o preço final cabe no bolso, se vão ter tempo hábil para usufruir do produto e se a aquisição daquele produto é realmente relevante para o seu estilo de vida.

Um bom uso da compra coletiva deve ter como conseqüência para você, consumidor, um dinheirinho sobrando no final do mês, ou o acesso a um bem ou serviço que seria impraticável se você tivesse que pagar o preço cheio.

Os cuidados que o investidor deve ter
Segundo um estudo conduzido por Utpal Dholakia, da Rice Univesrsity, denominado How Effective Are Groupon Promotions for Businesses? (Quão Eficazes São as Promoções da Groupon para os Negócios?), 66% dos anunciantes entrevistados obtiveram lucro, 32% não obtiveram lucro algum e 42% não voltariam a participar das promoções da Groupon.

Além disso, especialistas afirmam que a participação nessas promoções, na maioria dos casos, funciona mais como um investimento do que como forma de incrementar os lucros.

Portanto, é preciso saber se a compra coletiva é de fato eficaz para o seu negócio. E a melhor forma de fazer isso é evitar tomar decisões baseadas no comportamento de manada. Isto é, não é porque todo mundo está aderindo que o negócio é 100% seguro e interessante. E isso vale tanto para o anunciante, quanto para quem está pensando em montar o seu próprio site de compras coletivas.

Perceber, avaliar e decidir por algo que realmente nos traga benefícios duradouros não é um mecanismo com o qual já nascemos. Recorro às palavras da Dra. Vera Rita de Mello Ferreira e seu livro “Decisões Econômicas: você já parou para pensar?”:

“Por isso, fica fácil nos enganarmos – basta a coisa parecer simpática a nós, que já tendemos a acreditar que é verdadeira.”

É preciso treino, repetição e disciplina para instalarmos esse mecanismo em nosso funcionamento mental. A boa notícia é que uma vez instalado ele estará sempre ligado e à nossa disposição. E se usado no contexto de compra coletiva, pode transformá-la numa grande aliada!

Foto de sxc.hu.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos Adriana Spacca Olivares Rodopoulos

Economista pela PUC com extensão em Psicologia Econômica pelo COGEAE-PUC, é integrante do Grupo de Estudos sobre Psicologia Econômica supervisionado pela Dra. Vera R. de Mello Ferreira e é sócia-fundadora da Oficina de Escolhas.

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  • http://www.bergson.com.br Dina Rodopoulos

    Realmente, parece um alerta ao consumismo desenfreado que vivemos dia a dia em nossa convivência social. Nos leva a refletir ao querer, desejar, contrapondo-se ao preciso, necessito?? Muito bom..

  • André M.

    Adriana, parabéns pelo artigo. Comprar porque “está barato” é comprar usando uma justificativa muito fraca. Além disso, há também o apelo pelo consumo que é cada vez maior. Muitos sites de compra coletiva fazem propagandas agressivas e já conheço gente que fica vendo e-mail de promoções e compra praticamente um item por dia. Tudo porque “o preço está incrível”.

    Me pergunto: vamos no caminho de ter muita coisa inútil, cara e nenhum planejamento para crises, aposentadoria, emergências etc.? Péssimo negócio.

    Parabéns. Sucesso e que vejamos mais artigos seus por aqui.
    André

  • Luiz Dorça

    Essas ofertas de compra coletiva são sempre cheias de armadilhas. Temos que ficar muito espertos. Geralmente as ofertas estão atreladas ao consumo em apenas alguns dias da semana ou à compra de 1 oferta mais 1 acompanhante pagando o preço normal.

    As de alimentação oferecem um prato simples na oferta, por exemplo, uma porção de fritas com 1 chopp. Aí você vai no bar, acompanhado, e vê que só uma porção e 1 chopp é pouco e consome muito mais, sem saber os preços do restante do cardápio!

    Se um rodízio de carne de 90 reais esta na promoção por 45 reais, pra mim ainda continua sendo muito caro! E ainda tem pessoas que vão só porque estão “ganhando” um desconto muito alto.

    Além do mais eu já ouvi relatos de pessoas que receberam um tratamento diferente por estarem no local através da promoção. Receberam menos atenção ou foram mal atendidas em relação àqueles que estavam pagando o valor normal.

  • limajunior

    Bem,
    Como tudo que é “moda” as éssoas consumistas tendem a se ludibriadas, contudo para mim este fenômeno é mais preocupante para os empresários capital de giro é muito importante e o uso indevido dele gera problemas para o futuro da empresa.
    Muitos destes sites retiram até 50% do valor anunciado (além do desconto já dado pelo estabelcimento) como pagamento da utilização do serviço do site. Um absurdo! isso mata até mesmo o custo da mercadoria oferecida, para alguns um investimento que vale a pena para outros apenas prejuízo, cabe ao empresário saber analisar as estratégias de investimento.

    Lima Jr
    Empreendedor

  • Vanessa Torres

    Adriana, parabéns pela iniciativa. Precisamos trazer estes assuntos cada vez para as conversas entre amigos e familiares, não como forma de exibição do que pode consumir, mas discutindo a importância de se aprender a usar bem o dinheiro.

    Vanessa Torres

  • http://mulhercervejafutebol.com/ Bender MCF

    Vi uma tabela para calcular o ganho nessas promoções. Em alguns casos pode valer a pena.

    A primeira tentativa na MCF não funcionou bem, gerou poucas vendas. Estou em tratativa para uma nova tentativa, com um modelo diferente.

  • bruno marques

    O uso do coletivo fica mais civilizado com os sites agregadores. Não existe nada mais irritante dio que a proliferação de emails que recebo em minha caixa diariamente com ofertas dos milhares de sites. Por isso, uso os agregadores todos os dias. Encontrei um ótimo que se chama Desconto Animal. Recomendo darem uma checada, porque o trabalho deles parece bem sério.

  • http://www.edensexshop.com Luiz

    Olá, estou pensando em anunciar alguns produtos em sites de compra coletiva, mas o intuito na realidade não é nem vender e sim a publicidade grátis, visto a grande quantidade de acessos diários.

    É uma boa prática?

  • Fábio Ramos

    Gente não existe mágica. Só mudaram o jeito de “fisgar” o consumidor. Valem as velhas artimanhas de sempre: lei da oferta e procura, produção em escala, parece mas não é etc etc