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Desafio do mercado de ações: corretoras precisam investir em relacionamento

6comentários

Desafio do mercado de ações: corretoras precisam investir em relacionamentoNo início de maio publiquei, aqui mesmo no Dinheirama, o artigo “Investidores fogem da bolsa de valores: Por quê? O que está faltando?”. O texto teve uma repercussão muito interessante. Boa parte dos leitores concorda com o ponto de vista de que falta um bom relacionamento entre as corretoras e seus clientes, mas alguns defendem a tese de que os números negativos da bolsa nos últimos meses são os grandes responsáveis pela baixo interesse no mercado de ações.

Quem acompanha o mercado de perto sabe que realmente passamos por momentos delicados na economia mundial. Inflação crescente durante os primeiros meses do ano (e ainda longe do centro da meta), incertezas a respeito do futuro de algumas grandes empresas no Brasil, terremoto no Japão, pressão cambial, crescimento da China, morte de Bin Laden e, para completar, o escândalo do homem forte do FMI são alguns fatores que trazem grande inquietação ao mercado.

Investidor em busca do amadurecimento
Se os mais interessados e que possuem conhecimentos do mercado enxergam que as noticias acima podem ter deixado o mercado barato, o que dizer da maioria que muitas vezes tem a vontade de investir, mas não sabe como?

A grande verdade é que o investidor brasileiro ainda está longe do amadurecimento necessário para encontrar, sozinho, as boas opções de investimento. Nossa economia já está estável há praticamente 15 anos, mas se compararmos nosso cenário com o de países mais avançados fica fácil notar que ainda “estamos engatinhando”. Se somos irresponsáveis com o crédito, o que dizer do quanto ainda precisamos amadurecer com relação aos investimentos?

Crescimento apenas com publicidade e marketing
Nesse novo cenário, as corretoras parecem acreditar que a responsabilidade única para trazer novos investidores está a cargo da divulgação de “sonhos” de riqueza muitas vezes estampados em material jornalístico de revistas e sites. Ora, todos querem enriquecer, não é mesmo? Mas não há a predisposição de investir em programas que transformem interessados em investidores.

Com essas características particulares, é muito claro o motivo pelo qual hoje tantas pessoas “investem” em títulos de capitalização e sequer buscam saber como investir na bolsa de valores – cabe ressaltar que, na prática, os famigerados títulos de capitalização não podem ser considerados investimentos. Interessa o prêmio, a “bolada”.

Então, se as pessoas se interessam em comprar capitalização por que se afastam dos investimentos em bolsa? Certo, os mais observadores citarão os valores mais baixos que diferenciam os investimentos. Ora, que tal guardar pequenos montantes, mês a mês por algum tempo, e então destinar algum capital também para o mercado de renda variável? A justificativa passa a ser a falta de disciplina? É hora de crescer, né?

Corretoras devem criar áreas de RI – Relação com Investidores
Acompanhando de perto a saúde financeira das famílias, já me deparei com casos como o de um casal que possuía oito capitalizações: o valor investido por mês alcançava a média de R$ 750,00. Pouco? Muito? Demais? Não importa! O que levou esse potencial investidor a escolher um péssimo produto foi o relacionamento ativo entre ele e seu banco. Com esse valor, ele poderia diversificar e optar por alternativas bem mais interessantes (poupança, títulos e até ações).

Defendo que as corretoras adotem uma política diferenciada, que saiam da paralisia atual e adotem um papel de destaque. Que sejam mais pró-ativas, inteligentes. Proponho a criação de uma área de Relação com os Investidores (RI), onde possam estabelecer contato mais próximo e oferecer aos clientes o relacionamento e a tranquilidade necessários para o futuro.

Cursos e treinamentos, o primeiro passo para o relacionamento
A última grande sacada em relação ao mercado de corretoras foi à inserção dos cursos e treinamentos. Se analisarmos friamente essa tendência, trata-se de um passo em direção ao relacionamento direto com o investidor. Mas o investidor quer mais: ele quer aprender a investir, mas também deseja conhecer as pessoas que serão responsáveis (em alguns casos) pela administração de seu dinheiro.

Os investidores querem conhecer e saber como e por que algumas recomendações são feitas. Quem as realiza? Com base em que critérios? São confiáveis? A equipe é grande, pequena? Como é composta? As pessoas gostam de participar, mas, no frigir dos ovos, querem saber a quem recorrer “na hora em que o calo aperta”. É fundamental ter confiança nesse momento e o investidor sente-se abandonado hoje em dia.

Quem dará o primeiro passo? Vamos acompanhar de perto. Até a próxima.

Foto de freedigitalphotos.net.

Ricardo Pereira

Mais informações

Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Link Curto: http://bit.ly/yUxeey
  • Diogo

    Uma corretora bastante conhecida no Brasil já faz isso há muito tempo. Promove ótimos cursos explicando como funciona a bolsa, é totalmente aberta, pode-se visitar a sede da empresa e conversar com os operadores. Mas o problema é forma de atuação, ela só está interessada com as corretagens e não está nem um pouco preocupada com o dinheiro dos clientes. Além disso, oferece recomendações rídículas onde o objetivo é somente gerar corretagem e não lucro para os investidores.

    Na minha opinião a educação financeira não pode ficar por conta de corretoras, pois dúvido que algum dia elas serão imparciais quanto as suas recomendações e a forma de atuação. Eu acredito muito mais em iniciativas como o INI (http://www.ini.org.br).

  • Davi

    Esse fechou com o outro texto, Ricardo! Concordo com vc que as corretoras parecem ficar num submundo financeiro, escondidas…

    Mas eu ainda tenho um certo receio qto ao mkt das corretoras. A conta é simples: corretoras ganham com corretagens e com ctz incentivarão o investidor-especulador a fazerem mais e mais operações, mtas vezes, apresentando prospectos improváveis aos marinheiros de primeira viagem. Antes de td é necessário se educar financeiramente e tomar as rédeas dos seus investimentos. Mas a partir desse momento, acredito que a pessoa que quiser investir em bolsa, vai atrás, por si só, de uma corretora.

    A grande pergunta é: oferecendo cursos, etc, as corretoras apresentariam as opções de investimentos a longo prazo (que geram pouca corretagem) aos clientes ou dariam mais ênfase às estratégias especulativas (boas geradoras de corretagens, mas pouca capacidade de gerar patrimônio)? Por experiência prória, fico com esta última opção.

    abs

  • http://www.dinheirama.com Ricardo Pereira

    Olá Diogo, obrigado pela participação. Acredito que esse processo em busca do modelo ideal é uma reflexão que precisa ser feita. Possivelmente você e muitos concordem que do jeito que está não está bom, as próprias corretoras estão sofrendo e tendo que investir em maneiras de buscar os investidores, o problema é que todo o processo está caminhando de forma equívoca, gasta-se milhões em cursos, palestras e muita propaganda que nesse momento pouco agrega ao investidor que se preocupa entre outras coisas com os fatos do cotidiano e o quanto isso se refletirá na cotação da empresa em que ele investe. Aonde ele buscará suporte para ter um acompanhamento sobre isso?

    Davi concordo com você é uma situação delicada. Veja que boa parte dos investidores que entraram na bolsa e sem nenhum tipo de preparo se deram mal, deixaram o investimento e muitos criaram verdadeira repulsa. Isso se reflete em propaganda negativa que é a pior das propagandas. Veja, ter um atendimento diferenciado visando o melhor para o investidor/cliente se tornará uma necessidade de sobrevivência para as corredoras, me arrisco a dizer que isso será em pouco tempo. Obrigado pelo comentário.

  • Tiago S.

    Tenho um contraponto a colocar…
    Também acredito nesse lance de Relacionamento e tudo mais, Corretora x Cliente, é tudo muito bonito, mas no papel. E já explico o por que, hoje quem pode, e quem vai dar esse atendimento ao cliente, não serão as Corretoras, mas sim seus escritórios afiliados espalhados pelo Brasil. Nestes escritórios trabalham Agentes Autonomos de Investimentos, vulgo Operador. Pois bem o salário desta classe é 100% variável, e esta variância esta diretamente ligada ao volume de corretagem gerado pelo sua carteira de clientes. O pequeno investidor, que tem entrado no mercado, sem informação, por mais que participe de cursos e palestras, chega ao ouvido do Operador e diz “Eu quero largar o dinheiro lá e você cuida para mim”, o Operador de prontidão responde “Não posso, necessito da sua autorização, para qualquer operação”, e ai fica assim entendido, porém o Operador sempre que puder vai ligar e fazer o investidor Comprar ou Vender, já que é desse giro que depende o seu salário, e em consequência a sua vida. O Investidor pensa, se o cara que é profissional esta me passando, é por que é uma boa vou entrar, e isso para o pequeno investidor não vai durar mais do que 6 meses, se ele não tiver perdido tudo, terá perdido alguma coisa, principalmente no atual estágio, onde nos ultimos 3 anos tivemos 8 ou 9 meses de bonança.
    Por tanto, o que realmente é necessário para que esse crescimento acontece de forma sustentável é EDUCAÇÃO, mas não essa dos cursos oferecidos pelas corretoras que são feitos justamente para que o investidor OPERE, ninguem mostra que INVESTIR é diferente de OPERAR. Essa educação tem que iniciar lá na escola com uma matéria chamada “Educação Financeira”, e digo na ESCOLA, pois muitos não tem oportunidade ainda de frequentar uma faculdade, mas isso tudo deve acontecer com o passar das décadas, já que se pararmos para pensar em um passado não muito distante, o Brasil não tinha um economia sólida, e agora é que esta se firmando como um país em franco desenvolvimento. Por tanto ainda vamos crescer muito, mas é melhor que seja devagar e sempre, do que jogar 5 milhoes de investidores no mercado em 5 anos, que terão grande chance de sair perdedores deste mercado.

  • GRZ

    Concordo! Raramente ou nunca eu contato minha corretora, mas esse mês surgiram duas dúvidas: Eu possuo algum analista para tirar minhas dúvidas sobre o mercado? a corretora não me envia carteiras recomendadas ou mantem comunicação por e-mail?

    As respostas chegaram sim! – depois de 7 dias e assim: “Não possuímos analistas disponíveis”.

    Reclamei do tempo e do atendimento e mais 1 dia depois chega outro e-mail mais “explicativo” informando que eles possuem um “serviço pago” para disponibilizar um analista e que a carteira recomendada está dentro do site. Cobram caro por um serviço meramente operacional, lucram alto e não sabem atender seus clientes. Migrem… para quem cobra menos.

  • http://bastidoresdabolsa.blogspot.com/ Arthur Moraes

    Ricardo, quem sempre faz esse contato de perto com os clientes, assessorar, ensinar, ajudar, tirar dúvidas etc. é o agente autônomo de investimentos, profissional que preza pelo interesse dos seus clientes investidores, com os quais desenvolve uma estreita relação de confiança.
    Pergunte a um investidor que seja atendido por um bom agente autônomo se ele o troca por qualquer outra corretora…
    Você tem razão, os investidores precisão de atenção e de um relacionamento direto. E isso se dá com o agente autônomo, independente de qual corretora ele trabalhe.

    Parabéns pelo texto!

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@Dinheirama, as publicações de vocês são excelentes. Parabéns!

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